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sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Check in on those around you | #WorldMentalHealthDay 💛💚 #youarenotalone

 
Dia Mundial da Saude Mental. "Você não está sozinho."

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Big Alcohol: Explained


lucros exorbitantes da indústria do álcool. veja o video

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Substance use among 15- to 16-year-old students (ESPAD 2019)

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Amor é


 Por vezes evocamos o amor para justificar actos irracionais e egocêntricos

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Lidar com o imprevisto e com os erros


 Quando decidimos investir num projecto, a longo prazo, precisamos de contemplar o imprevisto e o erro.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Como é que o processo da dependência se desenvolve no adolescente? Por Philip Ward e Patricia Cobertt



«O abuso de drogas , por parte dos adolescentes, precisa de ser compreendido no contexto do próprio desenvolvimento dos jovens. A compreensão do abuso de drogas, pelos adolescentes exige uma abordagem multidimensional; biológica, psicológica, social e espiritual.
De acordo com abordagem multidimensional,  o desenvolvimento da adolescência consiste num período de vida repleto de mudanças dramáticas e transições. A diferença entre adultos e os adolescentes, é que os jovens, durante este período de tempo encontram-se num processo de transições, estando assim, mais expostos aos riscos, perigos do abuso das drogas e consequências negativas, a longo prazo.

A adolescência é um período de transição e caos de acordo com a seguinte lista de comportamentos observados nos jovens:
  • Os adolescentes estão num processo de mudança: da dependência para a independência.
  • Exploram a sua identidade e o autoconceito.
  • As suas experiências intrapessoais (sentimentos, desejos, valores, necessidades) refletem-se nos seus relacionamentos interpessoais.
  • É considerado normal, afastarem-se dos pais e procurar a companhia dos pares.
  • O processo biológico envolve o afastamento dos pais.
  • O objetivo deste processo biológico é a autonomia e a vida adulta.

Porque é que os “bons rapazes” envolvem-se em “comportamentos errados”? Existem pelo menos duas respostas. 1) A resposta é simples, na maioria dos casos, os “comportamentos errados” não produzem sensações negativas. 2) A resposta representa um significado diferente para o adolescente: Qual é o risco de consumires drogas? Para os pais, tudo aquilo que represente um potencial risco ou perigo para os seus filhos, está incluído na lista das coisas “más” e “erradas”. Para os adolescentes, em pleno processo de transição, que procuram integrar-se, explorar a sexualidade, experimentar identidades, curiosidade em estilos diferentes de vida e procurar o afastamento dos pais, os “comportamentos errados”, segundo os pais,  são considerados uma ajuda que pode facilitar o processo de mudança caótico e dramático. Tal como acontece na sociedade, certas normas e regras determinam o comportamento permitido e lícito versus o comportamento errado e ilícito.

Processo da dependência – a introdução à “pedrada”; o individuo estar sob o efeito das substâncias psicoativas.
Os objetivos de um adolescente com baixa autoestima, a que vamos chamar Pedro (nome fictício), deslocar-se a uma discoteca são; parecer “cool” e divertir-se com os seus amigos. Considerando este cenário, como ponto de partida, a dada altura na discoteca, um dos amigos do Pedro, acende um charro, dá umas passas e depois passa ao Pedro que faz o mesmo e passa a outro. Após a primeira experiência ao dar umas passas num charro, o Pedro sente-se diferente e desinibido. Fumar canábis pode atenuar ou neutralizar a ansiedade. Sob o efeito da substância o jovem sente-se desinibido e ligado (identificado) aos seus pares. Tal como já foi referido anteriormente, identificar-se com os seus amigos é um dos fatores críticos do desenvolvimento da adolescência, assim sendo, se os amigos do Pedro consomem drogas o efeito da identificação (pertença ao grupo) é reforçado. O Pedro, pensa, “Afinal fumar canábis não é assim tão perigoso, como os meus pais afirmam…”. Esta reflexão do Pedro poderá ser o fio condutor que o conduza às próximas experiências com drogas, surte um efeito semelhante, durante os primeiros dias de um envolvimento romântico apaixonado. No fim de semana seguinte, o Pedro vai a outra festa, mas ninguém o convida para consumir canábis, o jovem identifica um tipo diferente de sensações, enquanto na festa anterior não sente ansiedade, nesta festa, fica com uma sensação desconfortável e com a sensação de que toda a gente presente na festa, está ciente das suas inseguranças e defeitos (centro das atenções). Esta constatação é acrescida pelo seguinte raciocínio, pelo Pedro: “Se eu fumar canábis, sinto-me seguro e na boa, mas se não fumar, sinto-me desconfortável…”
Nesta fase do processo, em contextos sociais, pode ter havido uma mudança significativa na perceção do Pedro; a procura do efeito desinibidor da canábis. Tudo isto não acontece de um dia para o outro, é um processo e não se resume a somente a um único evento. Tal como acontece com o tabaco, o objetivo dos jovens quando começam a fumar não é desenvolver um enfisema pulmonar ou cancro. Ficar pedrado, não se resume a um processo cognitivo, é um experiencia que envolve todo o ser que prevê todo um conjunto de benefícios, tais como, ter amigos diferentes, desenvolver um tipo de linguagem secreta/código, novas sensações, novos conhecimentos e o consumo de canábis pode revelar-se mais recompensador para o desenvolvimento do jovem adolescente. Agora, o Pedro pertence a uma cultura com mentalidades diferentes e aparentemente foi aceite no seio dos seus pares.

Conhecer o efeito da canábis – “A pedrada”
Nesta fase do processo, o Pedro passa uma parte considerável do tempo a refletir nestas experiências, sensações e efeitos. Está a tentar compreender e a adquirir conhecimento do significado de “estar pedrado”, o que na prática, pode consistir em; como é que pode adquirir o produto, consumir, gerir o efeito da “pedrada” e esconder o consumo de drogas. Todas estas atividades envolvem um tipo de doutrina subjacente a este tipo de cultura. Na perspetiva do desenvolvimento do adolescente, podemos equacionar e comparar esta subcultura à autonomia dos pais, uma nova identidade e a pertença a um grupo de pares. Para quem não percebe nada do assunto, todas estas atividades, exigem energia, compromisso, esforço e segredos. Os adolescentes, não estão neurofisiologicamente preparados para identificar e reconhecer os efeitos negativos do consumo de drogas, principalmente a longo prazo. Consequentemente, todos os adolescentes, envolvidos neste tipo de subcultura, desconhecem os riscos e os perigos. Tal como o Pedro, os amigos que consomem drogas, não estão informados sobre a acumulação sinérgica (efeitos a longo prazo) dos e efeitos negativos do consumo de drogas. Com o tempo, o consumo frequente aumenta o potencial perigo, enquanto por outro lado, a compreensão do adolescente sobre o fenómeno diminui. Enquanto mecanismo de defesa (pensamento distorcido) a compreensão e a perceção do problema diminuem, enquanto o perigo sobre o abuso aumenta, sem a existência da perceção necessária para tomar medidas saudáveis por parte do adolescente. O processo da dependência ocorre a níveis inconscientes e encobertos.
A próxima fase do processo ocorre quando o jovem sente as primeiras consequências negativas do consumo de drogas. Ao contrario do que acontece no período de experimentação de drogas, as consequências negativas ocorrem quando existe uma mudança de atitudes e comportamentos, que o colocam “oficialmente” no clube dos dependentes em risco. Nesta fase, quando o jovem é confrontado com as consequências negativas, tem somente duas hipóteses; 1) desviar-se deste caminho ou 2) continuar o consumo, até ao abuso e a dependência. A opção número dois é percecionada, erradamente, pelo adolescente, como uma forma de neutralizar e negar as consequências negativas.

É admitido o consumo de drogas
Nesta fase, as pessoas, incluindo os familiares e colegas que não estão envolvidos no consumo de drogas, começam a identificar alguns sinais ou sintomas relacionados com o consumo de drogas. Nesta altura do processo, o Pedro está a afastar-se da “vida normal” e a desenvolver uma dependência. Na maioria dos casos, este afastamento do adolescente, é enganador e gera alguma confusão entre os pais ou professores porque do ponto de vista do desenvolvimento, pode ser confundido com a autonomia dos pais e com o relacionar-se com os seus pares – “coisas da adolescência”.
Normalmente, é permitido aos adolescentes, uma maior autonomia e liberdade quando desenvolvem a sua independência, nestes casos de risco/abuso de drogas, revela-se confuso e difícil distinguir entre o “normal” desenvolvimento (cansaço, irritação, mau humor, segredos) e o comportamento adictivo (dependência de drogas).
Os adolescentes, durante o período do desenvolvimento, são constantemente bombardeados com mensagens contraditórias, próprias da cultura, por exemplo, em relação ao álcool. Os próprios adolescentes, encaram o consumo e abuso de bebidas alcoólicas, por parte dos adultos, como algo legitimo e fazendo parte do ritual de passagem para a idade adulta.

O reconhecimento da dependência é um processo, não um único evento
Na maioria dos casos, para os pais identificar o filho/a como um dependente de drogas é um processo que ocorre durante algum tempo. Muitas vezes, este processo de identificação do filho com o abuso ou dependência de drogas é dificultado, por exemplo, devido à falta de informação sobre os sinais e sintomas do abuso e dependência de drogas, sentimentos de culpa e responsabilidade. Por parte dos pais, admitir que o filho/a é dependente de drogas pode desencadear sentimentos de medo, raiva e confusão e este processo de admissão da dependência inicia-se quando as consequências do abuso de drogas se revelam demasiado evidentes, de tal forma que é impossível ser negado.
Considere o seguinte exemplo. Finalmente, depois de tanto tempo, o progenitor assumiu a consciência do problema, permitiu que o filho tivesse abusado de drogas, assim como, passar pelas consequências negativas. O oposto a esta situação, nesta altura, um bom exemplo de parentalidade é decidir, a qualquer custo salvar o filho. A maioria dos pais, não possuem as competências necessárias a fim de abordarem a dependência de drogas e recorrem a instituições de tratamento, que na maioria dos casos não possuem as competências necessárias para abordar a dependência na adolescência.

Focar no processo em vez de no conteúdo
O objetivo consiste na mudança de dinâmica por parte dos pais do jovem. Os detalhes não são importantes para o reconhecimento do problema. É mais eficaz focar-se nas preocupações em vez de dissecar o problema; quem, o quê, quando, onde e porquê. Na fase do reconhecimento do problema, os pais exageram nos detalhes.  Exagerar nos detalhes poderá revelar-se enganador quanto à identificação e reconhecimento da realidade (processo) da dependência de drogas.

A dependência na adolescência no próprio contexto/sistema familiar
Muitas vezes, inconscientemente, para o adolescente, sente que é o causador dos problemas no contexto familiar. No seio do contexto familiar, os seus comportamentos disfuncionais são encobertos, mas são apresentados ao exterior como a causa da disfunção familiar. A dependência de drogas é capaz de gerar ansiedade generalizada, no contexto familiar, responsável por produzir conflitos nas relações interpessoais entre familiares. Se o adolescente está doente, a própria família também irá manifestar os sintomas da doença. Tipicamente, o conflito familiar é um sintoma de que cada membro da família está a sofrer as consequências negativas; isto é, cada membro da família irá contribuir para o problema familiar. Segundo esta desarticulação, vulgo co dependência, é a consequência da família tentar controlar o problema, em vez de cada um lidar com os seus próprios sentimentos. É fundamental que os progenitores separem os seus próprios sentimentos, crenças e ideias das do adolescente. De acordo com a minha experiência, aquilo que um progenitor precisa de fazer, nestas situações caóticas afim de ajudar o adolescente, é em primeiro lugar procurar ajuda para si próprio. 
Aquelas pessoas que se sentem descontroladas, para o exterior, aparentam estar controladas.»

Comentário: Nos casos que acompanho, os pais apresentam dois tipos de reações, perante o conhecimento dos consumos de canábis dos seus filhos. 1) Pavor e impotência ou 2) benévolos e compreensivos. Como existem muitas “teorias” e mitos sobre o consumo de canábis, cada um tem a sua, os pais reagem de várias maneiras. Todavia, uma coisa é referirmo-nos ao consumo de canábis ocasional, num contexto social e divertimento, outra coisa é o consumo excessivo (abuso) ou dependência no contexto familiar e social. Felizmente, a maioria dos jovens que consome canábis não abusa ou fica dependente, escolhe outro caminho, outro rumo diferente, mas existe um grupo de adolescentes, mais vulneráveis, que abusa e fica dependente, cujas consequências negativas manifestam-se no seu desenvolvimento; competências individuais e sociais. Como o processo da adolescência é complexo, revela-se uma tarefa difícil, identificar ou diagnosticar os sintomas do abuso e da dependência.
Gostaria de salientar, um tema abordado pelos autores, que são as consequências negativas, na estrutura e dinâmicas familiares, quando o adolescente é dependente. Nestes casos, a família precisa de se manter coesa e informada a fim de evitar o caos, consequência da dependência da canábis. Caso você identifique sinais ou sintomas que sejam suspeitos, mantenha-se atento: alteração brusca de rotinas e hábitos, fraco aproveitamento escolar, “esconde” os amigos, isola-se da família, agressividade, gasta rapidamente a semanada, cheiro estranho no quarto, pequenos furtos ou mentiras peça ajuda profissional, para a família. Não permita que a vergonha e a negação o impeçam de abordar o tema com profissionais.   
Quanto mais depressa se identificar um problema de abuso ou dependência maiores são as possibilidades de o tratamento surtir efeito.





segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Efeitos da Ingestão Aguda de Álcool, segundo o Dr. Pedro Girão



O consumo de álcool…
  • Torna mais fácil a integração no grupo.
  • Reduz a tensão e a ansiedade.
  • Alivia o stress e a baixa autoestima.
  • Ajuda a esquecer preocupações, sentimentos depressivos e problemas relacionados com escola/família.
  • Aumenta a confiança e atracão sexual. 

Consequências do uso/abuso frequente do álcool nos jovens:
  • Queda no desempenho escolar;
  • Dificuldades de aprendizagem/memória;
  • Problemas no desenvolvimento emocional;
  • Complicações decorrentes da desinibição excessiva (acidentes, etc.)
  • Gastrite;
  • Hepatite, pancreatite (fase crónica).

Intoxicação aguda: alcoolémia
  • Para uma determinada quantidade de álcool ingerido, a alcoolémia (taxa de álcool no sangue) nem sempre é fácil de prever, variando sobretudo com o peso e o sexo (as raparigas são mais vulneráveis).
  • Em média, ao fim de meia hora:
  • 1 Dose bebida menos graduada – 12 grau alcoólico = 0,30 g/l
  • 1 Dose bebida mais graduada – 40 grau alcoólico = 0,46 g/l
  • Limite legal para conduzir: 0,5 g/l
  • Taxa de 0,5 g/l - redução do stress, alívio da ansiedade; 
  • Taxa de 1,5 g/l - ligeira intoxicação (linguagem desinibida)
  • Taxa> = 2,5 g/l - graves sintomas de intoxicação com perda de controlo. Pode ocorrer turvação da visão, descoordenação muscular, diminuição da capacidade de reação, diminuição da capacidade de atenção e compreensão, deterioração da capacidade de raciocínio e da atividade social, irritabilidade, descoordenação, amnésia, etc.
  • Taxa> 4,5 g/l - existe perigo de vida: risco de depressão respiratória,

Intoxicação aguda: quadro típico
  • Hálito característico (nem sempre, por exemplo a vodka)
  • Falta de coordenação de movimentos e dificuldade na articulação de palavras;
  • Alegria e exuberância de atitudes;
  • Conflitualidade;
  • Ventilação irregular e acelerada;
  • Palidez e suores frios;
  • Contrações de pequenos grupos musculares;
  • Alterações da lucidez, equilíbrio, força e consciência (em casos mais graves pode surgir o coma alcoólico). 

Intoxicação aguda: coma alcoólico
  • O coma alcoólico é o estado de coma causado pelo excesso de álcool no organismo. Esse quadro é grave e tem indicação para internamento hospitalar urgente. Caracteriza-se por:
  • Ausência de resposta a estímulos (físicos, verbais);
  • Perda de reflexos (tosse, deglutição);
  • Depressão respiratória.
  • Hipoglicémia: Baixa concentração de açúcar no sangue, podendo provocar um quadro convulsivo.
  • Hipotermia: Baixa temperatura corporal (valores inferiores a 35ºC), provocando alterações das funções vitais.

Intoxicação aguda: atitudes a ter em conta
  • Se a vítima estiver consciente:
  • Provocar o vómito para eliminar o conteúdo gástrico;
  • Dar bebidas fortemente açucaradas;
  • Manter a temperatura corporal;
  • Vigiar as funções vitais.

 Se a vítima estiver inconsciente:
  • Promover o transporte imediato para o hospital.
  • Manter a via aérea permeável;
  • Colocar a vítima em PLS (decúbito lateral);
  • Manter a temperatura corporal;
  • Colocar açúcar debaixo da língua;
  • Vigiar as funções vitais;

Dr. Pedro Girão, Anestesista

Comentário: O meu agradecimento ao Dr. Pedro Girão pela sua participação no Recuperar das Dependências. Tal como já foi referido neste blogue, inúmeras vezes, alguns jovens, que frequentemente recorrem ao álcool para se divertirem (desinibir, divertir) estão expostos ao fenómeno do Binge Drinking (Abuso na ingestão de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez). Por ex. entre os homens o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante vários dias seguidos e afecta negativamente o comportamento dos jovens - algumas consequências previsíveis após o Binge Drinking: acidentes, condução sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência, agressão  sexual e abuso, doenças sexualmente transmissíveis (hepatites, VIH, DST), intoxicação alcoólica, coma e morte.
Hoje em dia através da internet você possui imensa informação sobre este fenómeno, nesse sentido, organize atividades lúdicas (jogos) em família. Seja criativo/a. Aborde esta temática junto dos seus filhos, antes que surjam problemas associados ao abuso do álcool e/ou consumo de substâncias psicoactivas ilícitas. Caso pretenda ajuda pode contatar-me através do email: xx.joao@gmail.com 
 «Mais vale prevenir do que remediar»




segunda-feira, 14 de maio de 2012

Crise na Família



Nos últimos meses tenho recebido vários emails de mães, assustadas e impotentes, perante o eventual fenómeno do consumo e/ou dependência de drogas ilícitas.
Uma das questões mais comuns: “O meu filho de 16 anos consome haxixe. Ele diz que não há problema, mas estou assustada, será que ele pode ser toxicodependente?”

Prevenção que não previne, pelo contrário.
1. Hoje em dia, um número muito significativo de crianças e jovens está exposto e vulnerável perante o fenómeno do consumo excessivo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas e em relação a este fenómeno sabemos apenas a ponta do iceberg, isto é, não existe prevenção em Portugal.

2.  Um número significativo de jovens faz consumos concomitantes de bebidas alcoólicas e canabinoides (haxixe e marijuana). Através da minha experiencia profissional, atualmente o consumo de substâncias psicoactivas ilícitas, canabinoides (http://www.doping-prevention.de/pt/substances-and-methods/cannabinoids/cannabinoids.html), faz parte de um acto social, idêntico ao consumo de bebidas alcoólicas, que desde os anos 80 tem ganho cada vez mais adeptos. Quais são os efeitos a medio e longo prazo, nos jovens sobre o consumo excessivo e concomitante entre as bebidas alcoólicas e os canabinoides (THC)? Não conheço a resposta nem existe investigação.

3. A guerra global às drogas existe desde os anos 70 e está longe de acabar. Aquilo que sabemos é que a oferta (trafico) supera a procura (consumo), eis um exemplo muito prático, se um jovem curioso  está interessado em consumir e experimentar os efeitos dos canabinoides, não tem muito trabalho e/ou esforço para conseguir obter a desejada substância. É mais simples, do que possamos imaginar. Há 25 anos atrás um jovem que quisesse encontrar, por exemplo haxixe seria mais difícil, hoje não. Por exemplo, no outro dia li num jornal, que um jovem foi detido, na sua escola, por se dedicar ao tráfico de drogas. Ficamos alarmados, mas de certeza que não é um caso isolado.

O que é que acontece quando o consumo de drogas ilícitas entra em casa, de rompante?
Frequentemente, quando surge no seio familiar, evidências sobre o consumo de substâncias psicoactivas ilícitas, canabinoides, pela criança/adolescente, a reação da mãe, quanto ao pai é o ultimo a saber, é de choque; “ E agora? O que é que vamos fazer?” Por exemplo, quando uma mãe aborda o assunto do consumo com o filho, a resposta é: “Mãe, não estejas preocupada porque eu sei o que estou a fazer. Sabias que o haxixe é uma droga leve? Sabias que o álcool é mais perigoso que o haxixe? Eu não fumo muito, é só de vez em quando.” Perante esta resposta, mais ou menos esclarecedora, do ponto de vista da mãe, esta fica mais tranquila, pensa que o filho está devidamente informado e é responsável por aquilo que faz, algumas mães ainda teimam, indecisas, em tom de ameaça velada “Vê lá o que andas a fazer, porque se o teu pai sabe disso já sabes como ele é”. 

Sem explorar mais dinâmicas na família (interação filho e mãe/pai) em relação ao assunto, de acordo com a resposta do filho, podemos pensar em duas questões: 1. O assunto da prevenção sobre o consumo de cannabinoides, na família, não foi abordado 2. com a agravante de a informação que o filho possui, provavelmente foi obtida na rua com os amigos que também fumam e ou na internet  “O haxixe é uma droga leve. O álcool é mais perigoso que o haxixe, por isso devia ser legalizado.” A criança/adolescente pensa: “Só é perigoso se fumar muito, por isso, se fumar de vez em quando não faz mal.” Sabia que apesar do haxixe não provocar dependência, pode tornar-se um hábito? Sabia que o nível de THC, ingrediente psicoativo toxico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tetraidrocanabinol) [i] que potencia o efeito, é elevado, comparado com o nível de THC de há duas décadas? Sabia que apesar de ninguém morrer com o consumo excessivo de cannabinoides, todavia, em alguns indivíduos, pode conduzir á loucura? Sabia que, na última década, os pedidos de ajuda, por exemplo no Instituto de Droga e da Toxicodependência (http://www.idt.pt) e outras instituições relacionados com o consumo excessivo de cannabinoides aumentaram significativamente? Sabia que as substâncias psicoactivas (sistema nervoso central) interferem no desenvolvimento normal do cérebro humano que só completa a sua maturação aos 21 anos de idade? Na minha opinião, pessoal não existem drogas leves nem drogas duras, é um mito, existem drogas psicoactivas, de acordo com as suas especificidades.

Adiante, voltemos ao assunto da família. Se as consequências relacionadas sobre o consumo dos cannabinoides se agudizam, no comportamento do filho (por ex. absentismo escolar, impulsividade, perda da memoria e concentração, euforia, pequenos delitos, isolamento da família – o convívio familiar é comprometido em prol do convívio com os pares; ex. deixa de haver horários para entrar e sair de casa, para as refeições, a família não conhece os amigos) estão reunidas as condições para uma crise na estrutura familiar, e caso não sejam adotadas medidas integradoras e construtivas, pode comprometer seriamente a comunicação e a coesão familiar (estrutura/hierarquia). 

Quando a questão do hábito do consumo de canabinoides e as consequências negativas é do conhecimento geral de toda a família, o foco da atenção é direcionado para o membro (criança/adolescente): Por exemplo, varias tentativas para interromper o hábito dos consumos, censurar e castigar, ameaças que não se cumprem e/ou tentativas em negar ou minimizar o problema. Apesar de este tipo de abordagem, funcionar em alguns casos, creio que não funciona na maioria deles. Um dos fatores que pode contribuir para o aumento exponencial da crise na família são o surgimento de quezílias antigas entre os membros da família (exemplos; defeitos de caracter, ressentimentos, remorsos e mágoa, divorcio, infidelidades, segredos) que complicam, ainda mais a abordagem do problema do habito e as consequências do consumo, assim como a solução. A dinâmica e hierarquia familiar (crianças, adolescentes e adultos) podem tornar-se caóticas, por exemplo através da agressividade ou passividade, da troca de acusações, na procura de culpados. Perante um problema na família, quem é o responsável por gerir os recursos da família? Quem é o responsável pelas decisões na família? Quem é o responsável por assumir determinados riscos na família? A hierarquia familiar está sustentada em valores e tradições que fomentam o diálogo? A coesão? A confiança?  

Se fossemos à procura de culpados para eliminar o problema das dependências, o mais provável é que seriamos todos nós. Depois, tal como foi referido anteriormente, o fenómeno das drogas veio para ficar. Vivemos numa sociedade capitalista em que o lucro (poder económico) está acima dos direitos e das liberdades da criança. Não existe vontade dos líderes políticos e na justiça (leis) quanto à prevenção das dependências. Na realidade, quando uma criança/adolescente, decide voluntariamente, consumir canabinoides e esse tipo de comportamento o conduz ao hábito, não existem culpados. O fator mais importante, na minha opinião, é a forma como a família se organiza e se estrutura em torno do problema, em vez de criar mais problemas. Afinal, o mais importante é o apoio à criança/adolescente.
Na crise familiar é extramente importante restabelecer o diálogo, a coesão, definir um plano e limites, regras que salvaguardam a instituição familiar -“O todo é mais importante que a soma das partes.” Só somos livres se vivermos de acordo com as regras instituídas, quer seja na família ou na sociedade, caso contrario, teremos que assumir as consequências dos nossos atos, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Na natureza não existem culpados, existem consequências.

Dicas:
1. Antes que surjam indícios sobre o consumo de substâncias psicoactivas lícita, incluindo o álcool, e as ilícitas, da parte do seu filho, aborde o tema da prevenção das dependências. Procure ajuda. O seu esforço e o seu investimento, neste tema, pode revelar-se recompensador, a medio e a longo prazo.

2. Questão: Quais são as regras instituídas pela família quanto ao consumo de substâncias psicoactivas lícitas, incluído o álcool e o tabaco, e as ilícitas? Se não existem regras definidas e esclarecidas por todos, trate de implementar, com os membros da sua família, antes que surjam factos e evidências, porque depois pode ser tarde. Como progenitor, dê o exemplo na aplicação das regras.

3. Se o seu filho consumir substâncias psicoactivas, canabinoides, isso não significa que ele/ela vai ser um dependente. Todavia, promova o diálogo sobre o assunto; não desvalorize ou sobre valorize. Trabalho de equipa: promovam atividades em família na pesquisa, atualização e informação sobre os efeitos do consumo excessivo de cannabis.

4. Caso exista na família um historial de doenças mentais (depressão, ansiedade) ou dependência de drogas, incluindo o álcool, esteja atento/a caso o seu filho seja consumidor de substâncias psicoactivas (ex. canabinoides) e informe-o das possíveis consequências, porque o consumo pode despoletar e/ou agravar os sintomas da doença (hereditariedade).

5. Treine o ouvir, sem interromper e sem fazer julgamentos de acordo com valores moralistas e desatualizados pela sociedade. O que é que ele/a pensa sobre o consumo? Qual é a atitude dele perante este comportamento? Avalie se ele/a ouve, se é responsável, se tem auto crítica, se aquilo que diz é coerente com aquilo que faz.

6. Faça perguntas, se quer obter as respostas que pretende.

7. Peça ajuda

Facto: Desde 2007, ano da existência deste blogue, até aos dia de hoje, ainda não recebi um único email de pais assustados em relação ao consumo e/ou abuso de bebidas alcoólicas. Você sabia que as drogas mais perigosas são as drogas lícitas? Refiro-me ao álcool e ao tabaco.



[i] Nota: Pesquisei a palavra Delta9 Tetrahidrocanabinol, também conhecido por THC no portal da saúde, no portal do IDT e não obtive qualquer resposta. Aparentemente, a prevenção das dependências não existe em Portugal.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A família: grupo de pessoas que não escolhemos, mas que herdamos.


A família estruturada: é uma questão de sorte ou são os genes que determinam a sentença final?
Algumas considerações observadas ao longo da minha experiência profissional.


Segundo a Dra Claudia Black "A família é um organismo complexo composto por diversas partes que compõem o todo”

- Como você sabe, este todo complexo, funciona quando as partes estão sintonizadas (equilíbrio). Nos comportamentos adictivos activos, a dor aguda e prolongada, exige modificações e adaptações. Em muitas situações radicais o equilíbrio da relações é sacrificado.

- Apesar da dor, é normal entre o sistema de relacionamentos da família haver crises ou separações. Caso você esteja numa crise encontre um sentido para a sua dor. Não fique destroçado/a sem um propósito. Aprenda com o acontecimento e procure apoio nas pessoas significativas e disponíveis. Se encontrar um propósito para o sofrimento está a valorizar as suas competências e os seus recursos através da adversidade.

- No sistema de relacionamentos da família a comunicação honesta é vital para o equilíbrio. Seja honesto/a e fomente um ambiente de abertura e flexibilidade. A melhor maneira de o conseguir é simplesmente parar de falar e começar a ouvir. Não tolere violência física, agressões verbais, humilhações ou qualquer outro tipo de maus tratos.

- Apesar de parecer confuso, é normal entre o sistema de relacionamentos da família haver crises. Diferenças de ideias e carácter, diferenças de crenças, diferentes pontos de vista, diferenças de experiências. Na família, a questão a ter em conta não é saber o que é que pode despoletar uma crise, a questão importante é; quando vai ocorrer. Por muito boa que seja a relação, um dia há de deparar-se com uma crise e isso há de ter impacto na sua vida. Pânico? Invista num plano de gestão, consciente e delineado. Trabalhe em equipa.

- Não existem pessoas perfeitas nem famílias perfeitas, todavia existem valores morais que promovem a comunicação honesta, a liberdade de expressão e de escolha, o respeito mutuo, a interajuda com limites ao longo da vida.

- Ao longo da educação das crianças existem ocasiões, de curta duração, onde a intervenção honesta e genuína do adulto resiliente, abnegado e comprometido com uma causa social, se reveste de uma aprendizagem recheada de conteúdo e potencial ao longo da vida, podemos acrescentar, de Propósito e Significado.

- Quando os pais se divorciam as crianças sofrem. Quando os pais querem proteger os filhos da dor (normal) podem interferir negativamente no processo de adaptação à nova realidade. A investigação revela que a resiliência, nas crianças, protege-as, principalmente quando o pai/mãe não as colocam no meio da hostilidade/conflito entre eles.

- Sabia que as crianças filhas/os de pais alcoólicos e/ou dependentes de substâncias psicoactivas ilícitas, vulgo drogas, "carregam" para o resto das suas vidas adultas as consequências da adicção? São adultos que receiam a intimidade, são adultos que negligenciam as suas necessidades básicas (amar e ser amado), apresentam níveis baixos auto estima, não existe limites nos relacionamentos, desenvolvem relacionamento de intimidade disfuncional, ex. codependência.

- Imensas famílias sofrem horrores (dramas e tragédias humanas) porque não se conseguem libertar da constante necessidade de controlo. O sofrimento é familiar, desenvolvem uma tolerância (controlo) elevada ao sofrimento. Não concebem o recuar, o desapego, o largar, a entrega. Ex. codependencia.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fenomeno Binge Drinking



Este video revela o Binge Drinking entre os jovens ingleses, todavia o fenomeno é identico em relação aos jovens em Portugal. 
Proporcione aos seus filhos uma educação realista sobre as consequencias negativas do consumo abusivo do alcool, por exemplo doenças sexualmente transmissiveis, gravidez indesejada, bullying, condução sob o efeito do alcool (crime), intoxicação aguda pelo alcool. 
Fenómeno Binge Drinking entre os jovens - Abuso no consumo de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez).


sexta-feira, 18 de abril de 2008

Não ao abuso das crianças


Vamos denunciar, repudiar, criticar todas e qualquer forma de abuso a crianças (fisico, emocional e sexual).

As crianças estão vulneraveis a qualquer adulto cuja intenção seja abusar delas. Um abusador pode ser o vizinho/a, o pai/mãe, um professor/a, mentor/a, o amigo/a, o familiar...poder ser qualquer um. Por vezes, o/a abusador/a surge de onde menos se espera. Não tem um rosto...

È importante proteger as crianças porque elas não possuem recursos para o fazer de uma forma rapida, eficaz e segura.


terça-feira, 7 de agosto de 2007

Criterios de Determinação do Abuso e Dependência de Drogas


Critérios de Determinação do Abuso e Dependência DSM IV (O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais é uma publicação da American Psychiatric Association, Washington D.C., sendo a sua 4ª edição conhecida pela designação “DSM-IV”. )

· Critérios de Dependência de Substancias
Padrão desadaptativo da utilização de substancias levando a défice ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes, ocorrendo em qualquer ocasião, no mesmo período de 12 meses:
Tolerância, definida por qualquer um dos seguintes:
1.1 necessidade de quantidades crescentes de substancia para atingir a intoxicação ou o efeito desejado;
1.2 diminuição acentuada do efeito com a utilização continuada da mesma quantia de substancia
Abstinência, manifestada por um dos seguintes:

2.1 síndrome de abstinência característica da substancia (referencia aos critérios A e B para abstinência de substancias especificas;
2.2 a mesma substancia (ou outra relacionada) é consumida para aliviar ou evitar os sintomas da abstinência.

A substancia é frequentemente consumida em quantidades superiores ou por um período mais longo do que aquele que se pretendia.
Existe desejo persistente de ou esforços, sem êxito, para diminuir ou controlar a utilização da substancia.
È despendida grande quantidade de tempo em actividades necessárias à obtenção (por ex. cadeia de fornecedores) e à recuperação dos seus efeitos.
São abandonadas importantes actividades sociais, ocupacionais ou recreativas devido à utilização da substancia.
A utilização da substancia é continuada apesar da existência de um problema persistente ou recorrente, físico ou psicológico, provavelmente causado ou exacerbado pela utilização da substancia ( por ex. utilização de cocaína, apesar da existência de uma depressão induzida pela cocaína ou manutenção do consumo do consumo de álcool, apesar do agravamento de uma ulcera devido ao consumo deste).

· Critérios de Abuso de Substancias
Padrão desadaptativo da utilização de substancias levando a défice ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por um (ou mais) dos seguintes, ocorrendo em qualquer ocasião, no mesmo período de 12 meses:
Utilização recorrente de uma substancia resultando na incapacidade de cumprir obrigações importantes no trabalho, na escola ou em casa (por exemplo, ausência repetidas, suspensões ou expulsões escolares relacionadas com a substancia; negligencia das crianças ou deveres domésticos.
utilização recorrente da substancia em situações em que esta se torna fisicamente perigosa (por ex. guiar um automóvel ou trabalhar com maquinas quando diminuído pela substancia.)
Problemas legais recorrentes, relacionados com a substancia (por ex., prisões por comportamento desordeiros relacionados com a substancia.)
Continuação da utilização da substancia apesar dos problemas sociais ou interpessoais, persistentes ou recorrentes, causados ou exacerbados pelos efeitos da substancia (por ex. discussões com o cônjuge sobre as consequências da intoxicação; lutas físicas)


Estes são os sinais apresentados por quem abusa e é dependente de substâncias psicoativas (adictivas). Se apresentar um ou mais deste sinais peça ajuda a um profissional qualificado na area da dependencia. Pedir ajuda a profissionais, significa agir na prevenção e na esperança de uma vida melhor. Não agir na prevenção pode significar insanidade, "cometer os mesmos erros à espera de resultados diferentes"

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Adolescência as Drogas e o Alcool


A dependência de substâncias psicoactivas (adictivas) consiste na adicção ao álcool e ou outras drogas lícitas e/ou ilicitas. È uma doença progressiva, primaria e se o processo destrutivo não for interrompido pode ser fatal.
Algumas diferenças sobre a dependência de químicos/alcool nos adolescentes e nos adultos:
- A dependência nos adolescentes é algo mais complexo.
- Competências insuficientes (experiência de vida) em lidar com a adversidade.
- A dependência química envolve a relação com os pais.
- O desenvolvimento ainda se encontra em transição (neurológico/físico/psicológico)
- Maturação sexual
- Período da frustração / raiva

Factores que podem contribuir para a adicção na adolescência:
- Insuficiente desenvolvimento espiritual ( valores e crenças)
- Saúde mental débil
- Sociedade que reforça e encoraja o uso de drogas lícitas, álcool e tabaco (publicidade)
- Curiosidade e ou fazer experiências com drogas
- Uso de substancias psicoactivas/ Abuso de substancias psicoactivas/ Adicção /Dependência

Algumas características encontradas em adolescentes adictos:
Abuso de nicotina e historial familiar com dependência de substâncias psicoactivas/alcoólico

Inexistência de um paralelo evidente para o desenvolvimento da adicção:
- Idade em que consome pela primeira vez
- Família disfuncional vs. família estruturada
- Inteligência (Q.I.)

Características da personalidade
- Desenvolvimento social e maturidade emocional demorada,
- Aparente resistência no desenvolvimento do superego/consciência,
- Tendência para o narcisismo,
- Baixa de auto estima,
- Fraca percepção e falta de autocrítica em comportamentos de risco (testar limites) e consequências negativas,
- Estados de humor instáveis, frequentemente identificados como depressão,
- Incapacidade de lidar com a realidade (ainda não está claro o porquê , mas parece que aqueles que usam drogas psicadélicas (alucinogénicas) já eram adolescentes instáveis antes do uso destas substancias.
- Paranóia e inadaptação sexual
- Capacidade de aprendizagem inadaptada (talentos e habilidades pessoais, insucesso escolar) e uso de químicos: muito comum
Desenvolvimento da maturidade e da autonomia

O uso de substâncias psicoativas/alcool afectam o processo :
1. Alterações físicas
2. Auto-conhecimento; modifica do concreto para o abstracto
3. Relacionamento entre pares
4. Relacionamento heterossexual
5. Autonomia dos pais
6. Identidade do “papel” sexual
7. Valores morais
8. Carreira profissional
Os adolescentes são portadores dos rituais, dos valores, da dinâmicas e do historial familiar.
Será que a família do dependente substâncias psicoactivas revela características negativas? Comportamento destrutivo? Conflitos?

Algumas características de uma família estruturada (saudável):
A família saudável comunica e ouve.
A família saudável reforça o positivo e apoia-se uns aos outros.
A família saudável ensina o respeito pelos outros.
A família saudável desenvolve o sentido de confiança.
A família saudável tem sentido de humor.
A família saudável partilha o sentido de responsabilidade entre todos.
A família saudável ensina o certo e o errado.
A família saudável tem rituais e tradições.
A família saudável é equilibrada na interacção entre os seus membros.
A família saudável desenvolve uma crença religiosa e/ou espiritual (não religioso, ausência de dogma e divindades).
A família saudável respeita a privacidade dos outros.
A família saudável valoriza o serviço para a comunidade.
A família saudável partilha as refeições e valoriza a comunicação entre os seus membros.
A família saudável partilha o tempo livre entre os seus membros.
Admite e procura ajudar nos problemas.

Aquilo que as famílias vêem nos jovens antes de admitirem que existe um problema de abuso/dependencia de substâncias psicoactivas / álcool.
1. Alteração da comportamentos na escola (absentismo)
2. Mudança súbita no padrão social
3. Secretismo sobre as amizades e as actividades
4. Alteração nas relações familiares
5. Alteração reconhecida na personalidade (atitudes e comportamentos)
6. Deterioração na aparência física
7. Problemas com a lei
Estilo de vida centrado no uso de drogas lícitas, incluindo o álcool e as drogas ilícitas.
Como reconhecer quando um adolescente é dependente? Observar o padrão de comportamentos em relação aquilo que é dito sobre as questões importantes na sua vida.

Assuntos básicos num adolescente "normal":Conquistar a independência no seio familiar,
Aceitação dos seus pares e definição de limites,
Amor e sexo,
Talentos e habilidades pessoais; trabalho e sentido de humor,
Formação de valores e moralidade,

Assuntos básicos num dependente substâncias psicoactivas /alcool:Ficar “pedrado”,
Manter o seu “stock” de drogas e ou alcool,
Aceitação dos seus pares,
Não ser “apanhado”,
Manter as pessoas, familiares e ou pessoas significativas, longe do seu problema


O adolescente que atravessa o seu processo de desenvolvimento saudavel deve estar sóbrio. O processo de crescimento mais lento naqueles que apresentam uma predisposição para se tornarem adictos. Um adolescente com 18 anos que normalmente usa substancias psicoactivas, desde os 13, apresenta um padrão de pensamento e emocional de um adolescente de 13 ou 14 anos. Estudos recentes revelam que aqueles indivíduos que consomem haxixe ou outros cannabinoides, ao longo da vida, apresentam alterações na estrutura do seu cérebro. Isto é, se compararmos o cérebro de um consumidor de cannabinoides com o cérebro de um individuo não consumidor, o cérebro do consumidor revela algumas diferenças ao nível do seu desenvolvimento e funcionamento.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Prevenção das Dependencias: Uma atitude diferente

Assiste-se a uma preocupação crescente com o consumo excessivo de alcool e o consumo intenso de drogas por um pequeno mas significativo numero de jovens vulneraveis. O consumo de substancias no inicio da adolescencia é um factor de risco relativamente a mais tarde se poder desenvolver um padrão nos consumos (abuso e/ou dependencia - adicção), bem como, actividades relacionadas com o crime (ex furtos, roubos, etc), doenças (ex. HIV/sida e/ou sexualmente transmissiveis) sendo maior o risco de emergir um tipo de comportamento anti-social no futuro (ex crimes, violencia, assaltos, violencia domestica, violações, etc)