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terça-feira, 9 de junho de 2020
O poder da palavra
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
Como é que o processo da dependência se desenvolve no adolescente? Por Philip Ward e Patricia Cobertt
«O abuso de
drogas , por parte dos adolescentes, precisa de ser compreendido no contexto do
próprio desenvolvimento dos jovens. A
compreensão do abuso de drogas, pelos adolescentes exige uma abordagem
multidimensional; biológica, psicológica, social e espiritual.
De acordo
com abordagem multidimensional, o
desenvolvimento da adolescência consiste num período de vida repleto de
mudanças dramáticas e transições. A diferença entre adultos e os adolescentes,
é que os jovens, durante este período de tempo encontram-se num processo de
transições, estando assim, mais expostos aos riscos, perigos do abuso das drogas
e consequências negativas, a longo prazo.
A adolescência é um período de
transição e caos de acordo com a seguinte lista de comportamentos observados
nos jovens:
- Os adolescentes estão num processo de mudança: da dependência para a independência.
- Exploram a sua identidade e o autoconceito.
- As suas experiências intrapessoais (sentimentos, desejos, valores, necessidades) refletem-se nos seus relacionamentos interpessoais.
- É considerado normal, afastarem-se dos pais e procurar a companhia dos pares.
- O processo biológico envolve o afastamento dos pais.
- O objetivo deste processo biológico é a autonomia e a vida adulta.
Porque é que
os “bons rapazes” envolvem-se em “comportamentos errados”? Existem pelo menos
duas respostas. 1) A resposta é simples, na maioria dos casos, os
“comportamentos errados” não produzem sensações negativas. 2) A resposta
representa um significado diferente para o adolescente: Qual é o risco de consumires
drogas? Para os pais, tudo aquilo que represente um potencial risco ou perigo
para os seus filhos, está incluído na lista das coisas “más” e “erradas”. Para
os adolescentes, em pleno processo de transição, que procuram integrar-se,
explorar a sexualidade, experimentar identidades, curiosidade em estilos
diferentes de vida e procurar o afastamento dos pais, os “comportamentos
errados”, segundo os pais, são
considerados uma ajuda que pode facilitar o processo de mudança caótico e
dramático. Tal como acontece na sociedade, certas normas e regras determinam o
comportamento permitido e lícito versus o comportamento errado e ilícito.
Processo da dependência – a introdução à “pedrada”; o individuo estar sob o efeito das substâncias psicoativas.
Os objetivos
de um adolescente com baixa autoestima, a que vamos chamar Pedro (nome
fictício), deslocar-se a uma discoteca são; parecer “cool” e divertir-se com os
seus amigos. Considerando este cenário, como ponto de partida, a dada altura na
discoteca, um dos amigos do Pedro, acende um charro, dá umas passas e depois
passa ao Pedro que faz o mesmo e passa a outro. Após a primeira experiência ao
dar umas passas num charro, o Pedro sente-se diferente e desinibido. Fumar canábis
pode atenuar ou neutralizar a ansiedade. Sob o efeito da substância o jovem
sente-se desinibido e ligado (identificado) aos seus pares. Tal como já foi
referido anteriormente, identificar-se com os seus amigos é um dos fatores
críticos do desenvolvimento da adolescência, assim sendo, se os amigos do Pedro
consomem drogas o efeito da identificação (pertença ao grupo) é reforçado. O
Pedro, pensa, “Afinal fumar canábis não é assim tão perigoso, como os meus pais
afirmam…”. Esta reflexão do Pedro poderá ser o fio condutor que o conduza às
próximas experiências com drogas, surte um efeito semelhante, durante os
primeiros dias de um envolvimento romântico apaixonado. No fim de semana
seguinte, o Pedro vai a outra festa, mas ninguém o convida para consumir
canábis, o jovem identifica um tipo diferente de sensações, enquanto na festa
anterior não sente ansiedade, nesta festa, fica com uma sensação desconfortável
e com a sensação de que toda a gente presente na festa, está ciente das suas
inseguranças e defeitos (centro das atenções). Esta constatação é acrescida
pelo seguinte raciocínio, pelo Pedro: “Se eu fumar canábis, sinto-me seguro e na
boa, mas se não fumar, sinto-me desconfortável…”
Nesta fase
do processo, em contextos sociais, pode ter havido uma mudança significativa na
perceção do Pedro; a procura do efeito desinibidor da canábis. Tudo isto não
acontece de um dia para o outro, é um processo e não se resume a somente a um
único evento. Tal como acontece com o tabaco, o objetivo dos jovens quando
começam a fumar não é desenvolver um enfisema pulmonar ou cancro. Ficar
pedrado, não se resume a um processo cognitivo, é um experiencia que envolve
todo o ser que prevê todo um conjunto de benefícios, tais como, ter amigos
diferentes, desenvolver um tipo de linguagem secreta/código, novas sensações,
novos conhecimentos e o consumo de canábis pode revelar-se mais recompensador
para o desenvolvimento do jovem adolescente. Agora, o Pedro pertence a uma
cultura com mentalidades diferentes e aparentemente foi aceite no seio dos seus
pares.
Conhecer o efeito da canábis – “A
pedrada”
Nesta fase
do processo, o Pedro passa uma parte considerável do tempo a refletir nestas experiências,
sensações e efeitos. Está a tentar compreender e a adquirir conhecimento do
significado de “estar pedrado”, o que na prática, pode consistir em; como é que
pode adquirir o produto, consumir, gerir o efeito da “pedrada” e esconder o
consumo de drogas. Todas estas atividades envolvem um tipo de doutrina
subjacente a este tipo de cultura. Na perspetiva do desenvolvimento do adolescente,
podemos equacionar e comparar esta subcultura à autonomia dos pais, uma nova
identidade e a pertença a um grupo de pares. Para quem não percebe nada do
assunto, todas estas atividades, exigem energia, compromisso, esforço e
segredos. Os adolescentes, não estão neurofisiologicamente preparados para
identificar e reconhecer os efeitos negativos do consumo de drogas,
principalmente a longo prazo. Consequentemente, todos os adolescentes,
envolvidos neste tipo de subcultura, desconhecem os riscos e os perigos. Tal como
o Pedro, os amigos que consomem drogas, não estão informados sobre a acumulação
sinérgica (efeitos a longo prazo) dos e efeitos negativos do consumo de drogas.
Com o tempo, o consumo frequente aumenta o potencial perigo, enquanto por outro
lado, a compreensão do adolescente sobre o fenómeno diminui. Enquanto mecanismo
de defesa (pensamento distorcido) a compreensão e a perceção do problema diminuem, enquanto o
perigo sobre o abuso aumenta, sem a existência da perceção necessária para
tomar medidas saudáveis por parte do adolescente. O processo da dependência
ocorre a níveis inconscientes e encobertos.
A próxima
fase do processo ocorre quando o jovem sente as primeiras consequências
negativas do consumo de drogas. Ao contrario do que acontece no período de
experimentação de drogas, as consequências negativas ocorrem quando existe uma
mudança de atitudes e comportamentos, que o colocam “oficialmente” no clube dos
dependentes em risco. Nesta fase, quando o jovem é confrontado com as
consequências negativas, tem somente duas hipóteses; 1) desviar-se deste
caminho ou 2) continuar o consumo, até ao abuso e a dependência. A opção número
dois é percecionada, erradamente, pelo adolescente, como uma forma de
neutralizar e negar as consequências negativas.
É admitido o consumo de drogas
Nesta fase,
as pessoas, incluindo os familiares e colegas que não estão envolvidos no
consumo de drogas, começam a identificar alguns sinais ou sintomas relacionados
com o consumo de drogas. Nesta altura do processo, o Pedro está a afastar-se da
“vida normal” e a desenvolver uma dependência. Na maioria dos casos, este
afastamento do adolescente, é enganador e gera alguma confusão entre os pais ou
professores porque do ponto de vista do desenvolvimento, pode ser confundido
com a autonomia dos pais e com o relacionar-se com os seus pares – “coisas da adolescência”.
Normalmente,
é permitido aos adolescentes, uma maior autonomia e liberdade quando
desenvolvem a sua independência, nestes casos de risco/abuso de drogas,
revela-se confuso e difícil distinguir entre o “normal” desenvolvimento
(cansaço, irritação, mau humor, segredos) e o comportamento adictivo
(dependência de drogas).
Os
adolescentes, durante o período do desenvolvimento, são constantemente
bombardeados com mensagens contraditórias, próprias da cultura, por exemplo, em
relação ao álcool. Os próprios adolescentes, encaram o consumo e abuso de
bebidas alcoólicas, por parte dos adultos, como algo legitimo e fazendo parte
do ritual de passagem para a idade adulta.
O reconhecimento da dependência é um processo,
não um único evento
Na maioria dos
casos, para os pais identificar o filho/a como um dependente de drogas é um
processo que ocorre durante algum tempo. Muitas vezes, este processo de
identificação do filho com o abuso ou dependência de drogas é dificultado, por
exemplo, devido à falta de informação sobre os sinais e sintomas do abuso e
dependência de drogas, sentimentos de culpa e responsabilidade. Por parte dos
pais, admitir que o filho/a é dependente de drogas pode desencadear sentimentos
de medo, raiva e confusão e este processo de admissão da dependência inicia-se
quando as consequências do abuso de drogas se revelam demasiado evidentes, de
tal forma que é impossível ser negado.
Considere o
seguinte exemplo. Finalmente, depois de tanto tempo, o progenitor assumiu a consciência
do problema, permitiu que o filho tivesse abusado de drogas, assim como, passar
pelas consequências negativas. O oposto a esta situação, nesta altura, um bom
exemplo de parentalidade é decidir, a qualquer custo salvar o filho. A maioria
dos pais, não possuem as competências necessárias a fim de abordarem a
dependência de drogas e recorrem a instituições de tratamento, que na maioria
dos casos não possuem as competências necessárias para abordar a dependência na
adolescência.
Focar no processo em vez de no
conteúdo
O objetivo
consiste na mudança de dinâmica por parte dos pais do jovem. Os detalhes não
são importantes para o reconhecimento do problema. É mais eficaz focar-se nas
preocupações em vez de dissecar o problema; quem, o quê, quando, onde e porquê.
Na fase do reconhecimento do problema, os pais exageram nos detalhes. Exagerar nos detalhes poderá revelar-se
enganador quanto à identificação e reconhecimento da realidade (processo) da
dependência de drogas.
A dependência na adolescência no
próprio contexto/sistema familiar
Muitas
vezes, inconscientemente, para o adolescente, sente que é o causador dos
problemas no contexto familiar. No seio do contexto familiar, os seus
comportamentos disfuncionais são encobertos, mas são apresentados ao exterior
como a causa da disfunção familiar. A dependência de drogas é capaz de gerar
ansiedade generalizada, no contexto familiar, responsável por produzir
conflitos nas relações interpessoais entre familiares. Se o adolescente está
doente, a própria família também irá manifestar os sintomas da doença.
Tipicamente, o conflito familiar é um sintoma de que cada membro da família
está a sofrer as consequências negativas; isto é, cada membro da família irá
contribuir para o problema familiar. Segundo esta desarticulação, vulgo co
dependência, é a consequência da família tentar controlar o problema, em vez de
cada um lidar com os seus próprios sentimentos. É fundamental que os
progenitores separem os seus próprios sentimentos, crenças e ideias das do
adolescente. De acordo com a minha experiência, aquilo que um progenitor
precisa de fazer, nestas situações caóticas afim de ajudar o adolescente, é em
primeiro lugar procurar ajuda para si próprio.
Aquelas
pessoas que se sentem descontroladas, para o exterior, aparentam estar
controladas.»
Comentário: Nos casos que acompanho, os pais
apresentam dois tipos de reações, perante o conhecimento dos consumos de
canábis dos seus filhos. 1) Pavor e impotência ou 2) benévolos e compreensivos.
Como existem muitas “teorias” e mitos sobre o consumo de canábis, cada um tem a
sua, os pais reagem de várias maneiras. Todavia, uma coisa é referirmo-nos ao
consumo de canábis ocasional, num contexto social e divertimento, outra coisa é
o consumo excessivo (abuso) ou dependência no contexto familiar e social.
Felizmente, a maioria dos jovens que consome canábis não abusa ou fica
dependente, escolhe outro caminho, outro rumo diferente, mas existe um grupo de
adolescentes, mais vulneráveis, que abusa e fica dependente, cujas
consequências negativas manifestam-se no seu desenvolvimento; competências
individuais e sociais. Como o processo da adolescência é complexo, revela-se
uma tarefa difícil, identificar ou diagnosticar os sintomas do abuso e da
dependência.
Gostaria de
salientar, um tema abordado pelos autores, que são as consequências negativas,
na estrutura e dinâmicas familiares, quando o adolescente é dependente. Nestes
casos, a família precisa de se manter coesa e informada a fim de evitar o caos,
consequência da dependência da canábis. Caso você identifique sinais ou
sintomas que sejam suspeitos, mantenha-se atento: alteração brusca de rotinas e
hábitos, fraco aproveitamento escolar, “esconde” os amigos, isola-se da
família, agressividade, gasta rapidamente a semanada, cheiro estranho no
quarto, pequenos furtos ou mentiras peça ajuda profissional, para a família.
Não permita que a vergonha e a negação o impeçam de abordar o tema com profissionais.
Quanto mais
depressa se identificar um problema de abuso ou dependência maiores são as
possibilidades de o tratamento surtir efeito.
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Como comunicar com um filho adolescente, por Cristina Valente
Sosseguem, pais, não precisam de ter um
Mestrado em Comunicação para conseguirem comunicar com o vosso adolescente! Mas
algumas ideias preciosas (embora simples) podem ajudar!
As 6
Ferramentas “Carinho e Firmeza” são a solução para dar espaço a estes filhos
que já não são crianças mas que ainda não são adultos…e para dar-lhes
fronteiras, orientando-os ao mesmo tempo….
Empatia: lembre-se de usar a empatia. Quando o seu
adolescente tiver feito alguma “asneira” diga-lhe algo como: “Que incrível!
Como é que isso aconteceu? Se tivesse sido comigo eu teria ficado nervoso! E
como é que te sentiste?”.
Encorajamento: em vez de dar sermões (aos quais o seu filho
vai resistir!) e de derrubá-lo, encoraje-o: “Não sei exatamente o que fizeste.
Podes ter feito uma coisa errada, mas continuas a ser o meu filho, uma boa
pessoa e um ser humano cheio de valor”.
Perguntas sinceras: se os pais conseguirem fazer o mais difícil
- não julgar, não culpar e não assumir que sabe o que ele pensa e, melhor, nem
dizer-lhe o que ele deveria pensar…então estão preparados para adoptar uma
técnica bastante eficaz: as perguntas sinceras. Chamamos-lhe “sinceras” porque os
pais querem realmente saber o que se passou e entender a perspetiva do filho,
mesmo que (e sobretudo se) for diferente da sua perspetiva de adulto.
As perguntas
isentas de julgamento e que expressam um desejo sincero de compreender o ponto
de vista do filho costumam “fazer milagres”! Perguntas como as seguintes,
depois de o adolescente ter cometido algum erro, são verdadeiramente eficazes
para criar proximidade entre pais e filhos: ”O que é que aconteceu? Em que é
que estavas a pensar quando fizeste isto? Qual era o teu objectivo? Qual o
significado que teve para ti? Qual foi a coisa mais importante que aprendeste
com esta experiência? Como é que achas que podes lidar com uma situação destas
no futuro?”
Partilhar experiências: os pais podem partilhar com os seus filhos
algumas experiências da sua própria adolescência e com as quais tenham
aprendido lições importantes: “Lembro-me de quando tinha a tua idade e…!”
Amor incondicional: amor incondicional por um filho é aquele
amor que continuamos a sentir apesar dos erros que ele comete e apesar da
decepção que esses erros nos provocam. É o
“vou amar-te para sempre, independentemente de tudo”.
Este cenário
ilustra um apoio incondicional da parte dos pais e contribui para a
aprendizagem de competências para a vida. Muito mais do que o castigo.
Frequentemente, quando os adolescentes cometem erros, os pais castigam-nos.
Quando os
pais castigam os seus adolescentes, em vez de apoiá-los, estão a pensar apenas
nos seus próprios pontos de vista; não estão a considerar o mundo e as percepções
dos seus filhos. A maioria dos adultos tende a esquecer-se dos seus tempos de
adolescência. Os que se lembram, muitas vezes não compreendem como é diferente
a vida para os adolescentes nos dias de hoje. Para além de que, ao castigar
adolescentes, os pais perdem a oportunidade de ensinar-lhes a melhor forma de
lidar com algo que vão encontrar sempre ao longo da sua vida – erros.
Responsabilidade: no entanto, o amor incondicional não é o
mesmo que tomarmos a responsabilidade pelos erros dos filhos: “Vou amar-te para
sempre, independentemente de tudo…mas é tua responsabilidade resolveres os problemas
que surgem dos erros que cometes. Apoio-te, mas és tu quem os resolve.
O valor dos erros: os erros provam que os nossos filhos estão a
tentar. A tentar viver. A tentar aprender. A tentar ser adulto…Lembre-se: uma
vez cometido o erro, este não pode ser desfeito. O adolescente pode ser capaz
de aprender algo com o erro ou resolvê-lo, mas não vai ser capaz nunca de
desfazê-lo. Contudo, o processo de aprendizagem e resolução pode ser tão
valioso, que as situações e as relações podem tornar-se ainda melhores devido a
um erro. Quando nos focalizamos no erro em vez de nos preocuparmos com o que
podemos aprender com isso, estaremos a desperdiçar grandes oportunidades de
aprender e de crescer.
Para
terminar, lembre-se também: o seu filho não é um adulto crescido. O seu filho
está a crescer!...
Cristina
Valente
Psicóloga
(Coach Parental), Autora e Mentora de Famílias de Sucesso em Projectos
de Home Business
Telefone: + 351 93 930 05 99
Skype ID: cristina.valente66
Comentário: Gostaria de agradecer a colaboração da Dr. Cristina Valente no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar". Actualmente, neste mundo imprevisível, como pais, conseguir comunicar com os nossos filhos representa um serio e complexo desafio, todavia porém, o desafio poderá ser mais simples, do que imaginamos se dedicarmos tempo, disponibilidade, empenho e conseguirmos ser uma referencia positiva a fim de que eles consigam orientar as suas vidas.
Aos nossos adolescentes, devemos incutir, desde cedo e ao longo do seu desenvolvimento, valores que contemplem a honestidade, a autonomia, o talento, a auto estima (amor próprio, não me refiro ao culto do ego), a solidariedade e uma vida resiliente com um propósito.
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
Evidência cientifica reforça a necessidade de medidas preventivas
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) 25 e 50%
das pessoas podem ter sido abusadas fisicamente durante a sua infância. Uma
experiência definida como o uso da força física que prejudica a saúde da
criança, a sobrevivência, o seu desenvolvimento ou dignidade. Maus tratos na infância
não se restringem somente ao abuso físico, as crianças também podem ser
emocional ou sexualmente abusadas ou negligenciadas e essas experiências podem
ter implicações serias e duradouras para a saúde do adulto.
A associação entre o abuso sexual infantil e problemas de
saúde psicológica na vida adulta actualmente já estão documentadas e confirmadas. No entanto, os
resultados na saúde da criança sobre o impacto da exposição aos maus tratos,
não sexuais (abuso físico, emocional e negligência), a longo prazo, não têm
sido sistematicamente examinados.
No ano passado, uma revisão sistemática e meta-análise
publicada na PLoS Medicine (Norman e colegas, 2012) facultou um melhor
entendimento sobre a associação entre a exposição ao abuso físico, abuso
emocional e negligência na infância, os resultados de saúde física e mental
mais tarde na vida adulta.
Abuso físico, abuso emocional e negligência são normalmente ligados a efeitos na saúde física e mental
Crianças emocionalmente abusadas apresentaram um risco três
vezes maior de desenvolver doença mental – depressão e ansiedade. Efeitos idênticas
de maus tratos à criança (não-sexuais) apresentam um risco significativo de
desenvolverem perturbações do comportamentos alimentar, uso de drogas e álcool
e comportamento suicida.
O único resultado, na saúde física, para o qual existe uma
forte evidência de uma associação aos maus tratos (não sexuais) à criança é o das doenças sexualmente transmissíveis e/ ou comportamentos de risco associado ao
sexo. Estes resultados foram cerca de 1,7 vezes mais prováveis em pessoas com
uma história de abuso.
A evidência para uma associação com doenças crónicas, como o
acidente vascular cerebral, a obesidade, a artrite e dor de cabeça / enxaqueca
era fraco e inconsistente.
Norman RE, Byambaa M, De R, Butchart A, Scott J, et al.
(2012) The Long-Term Health Consequences of Child Physical Abuse, Emotional
Abuse, and Neglect: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS Med 9(11):
e1001349. doi:10.1371/journal.pmed.1001349
Andrews et al (2004) Child sexual abuse. In Comparative
quantification of health risks: global and regional burden of disease
attributable to selected major risk factors (PDF) (Ezzati et al, editors). WHO,
Geneva; pp 1851-1940
Comentário: De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde sobre o numero sobre as crianças abusadas e negligenciadas, são preocupantes visto representarem um custo muito elevado (Estado) e perda da qualidade de vida (doença, crise, acidentes, dor e sofrimento etc). Apesar de, em Portugal o numero de jovens que consomem e abusam de drogas, incluindo o álcool, ao longo das suas vidas, não ser generalizado, isso não significa que não seja prioritário um plano nacional de prevenção das dependências; nicotina, canábis, álcool (qualquer bebida com teor alcoólico). De acordo com o ultimo inquérito (2007) o alto grau de dependência afeta 10% dos fumadores, sendo a motivação para parar de fumar reduzida (85,5% dos fumadores). Por outro lado, assistimos impotentes ao aparecimento de novas drogas, senão vejamos, após o recente decreto que proíbe a venda de drogas nas smartshops já surgiram seis novas substâncias psicoativas. O cánabis é a drogas mais consumida entre os jovens. Nos últimos anos têm surgido mais pedidos de ajuda a jovens que desenvolvem comportamentos problemáticos associados ao consumo excessivo de cánabis (psicoses, abstenção e redução do aproveitamento escolar, impulsividade, depressão, perda da memoria e concentração).
Apesar de o estudo realizado pela CESNOVA (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) revelar que o consumo generalizado, sobre a prevalência de embriaguez ter caído, é do conhecimento geral, que os jovens, alguns menores de idade, desenvolvem uma cultura de divertimento muito forte associada ao abuso do alcool (Binge Drinking) cujo intuito é a embriaguez; por exemplo as queimas, os espectáculos de musica e as saídas à noite.
Podemos concluir, depois do estudo da OMS, que as crianças que tenham sofrido qualquer tipo de abuso (emocional, físico e sexual) e negligência parental estão em risco de desenvolverem comportamentos de alto risco associado ao álcool e/outras drogas e perturbação do comportamento alimentar.
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Bullying - "Até hoje"
Até hoje!
"Eles estavam enganados..."
As consequências do bullying podem permanecer para o resto da vida: "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar"
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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20:32:00
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Menos Medicação
Menos
Medicação - Mais Amor, Menos Doença: A Esperança da Criança.
“Um infinito
ardor
Quase triste
os veste,
Semelhante ao
sabor
Quen tem à
noite o vento leste.
Bailam na
doçura amarga
Da tarde
brilhante e densa
Tem a morte em
si suspensa.” Sophia de Mello B.
Andressen
Foi numa manhã
fria, com a neve que rodeava o hospital, fazendo das suas paredes brancas a
continuação do nada que se sentia lá fora. Logo de manhã, no hospital de
pedopsiquiatria estava a equipa à espera das novas listas de pacientes, sem os
conhecermos demos-lhe um rumo. A Maria pertence ao sector da Via Emocional, o
Pedro ao sector da Via de Condutas de Comportamento e a João à Via do
Neurodesenvolvimento.
Foi-me
entregue o João, aquele que eu vou delinear um rumo, mas que não escolheu o seu
destino e nunca cheguei a ver a sua cara. No relatório clínico especifica que é
muito activo, com problemas de concentração e hostil para com os seus colegas. Parece
mais um caso a juntar a muitos outros. Mas quem é ele? Como será a sua cara?
Qual è a sua história que nem ele provavelmente pode fazer senso de sonhos
perdidos, idealizações que cairam aos pés dele como areia que se escapa por
entre os dedos, como foi forçado a não amar aquilo que sente?
Tais questões
não são práticas, só possuímos cinco a sete minutos para decidir o que vai
acontecer ao João, como, possivelmente, o iremos tratar e uma agenda de 20
minutos para escolher a medicação certa, diz então assim o Pedopsiquiatra.
Decidi ir à
escola do João, que tem cinco anos de idade. Falei com a professora e ela
disse-me que realmente algo se passa de errado com ele pois é quase ímpossivel
de o ter na aula, distrai os alunos, e sai do seu lugar constantemente,
distraindo assim, os colegas e é muito difícil de controlar. Agradeci-lhe o seu
tempo e pedi para ver o João.
Apresentei-me
ao João e perguntei-lhe se queria brincar por um bocado. Ele perguntou-me “Brincar?
Porquê?” eu respondi-lhe que era para o conhecer melhor. Não houve
resposta. Gostaria de acrescentar que
uma criança que não tem prazer em brincar, e que por espontaneidade vontade, não
sente o benefício do que é fazer um elo/vínculo para com outra pessoa que manifesta
interesse em si, essa criança perde a sua essência.
Mas será ele
próprio que não tem interesse em brincar, ou será que lhe retiraram a
capacidade de se vincular com alguem, até mesmo dentro de um sitio onde ele se
sente seguro em termos físicos, por ex a escola?
Tentei então
falar com ele, mas ele limitava-se a responder “Não sei…”.
Qualquer bebé de quatro meses, com um desenvolvimento normal, começa a compreender que o seio
da mãe que o alimenta lhe proporciona segurança, que lhe promete uma vida com
amor, consegue conceptualizar que esse mesmo seio, é aquele que lhe dá
frustração, aquele seio que nem sempre pode estar presente quando ele quer, que
projecta nesse seio o mau que há no mundo, e é nesse periodo, em que a
frustração é regulada por uma mãe atenta, e assim, começa a ter noção que o
seio bom é ao mesmo tempo o seio mau, que a qualidade e a percepção do que é o
amor se transforma no psiquismo do bébé, e a ambivalência, se for bem regulada
pela mãe, se transforma pouco a pouco em paciência, e o amor, acima de tudo, prevalece.
No caso do João,
diagnosticado com Problemas de Comportamento com comorbilidade com
Hiperactividade, fica um recluso, um problema, mais um alvo de um plano de
comportamento do qual fico responsável por delinear. Ou seja, estamos a ser
reactivos ao problema, ao invés de elaborar estratégias práticas de prevenção.
Num modo existencial, somos iguais ao João no modo de reagimos.
Se analisarmos
a história do João, há sonhos perdidos, amores paternais não correspondidos por
idealização e narcisismo paternal, mas no final, o doente é o Joao...
Agora, que a
sua coerência cerebral já foi mudelada para a reactividade com poucas
possibilidades de apaziguamento cortical, cabe-nos a nós profissionais,
transformar um cérebro de uma criança, em que a memória de todo o trauma que não
é visto a olho nu, já se estende pelo seu sistema periférico, gravado nas suas
celulas, com uma expectativa de perigo séria instalada.
Por quanto
tempo vamos ser reactivos e não estabelecer estratégias familiares de prevenção?
Quem mais tarde vai suportar e pagar estas consequências é a sociedade. Por ex.
hospitalizações, instituições, consultas, etc.
A minha preocupação,
além da infelicidade da criança, é o modo estas crianças são encaradas perante
uma sociedade negligente, visto não possuir conhecimento actualizado, e
respostas concretas, sobre o problema destas crianças, assim como recursos
necessários. Pensarmos que basta arranjar uma vinculação segura (instituição
e/ou família), tudo o resto irá correr bem, assim fala a arrogância da ignorância.
Muitos dos
casos podem ser resolvidos nos primeiros dois anos de vida, mas quem pensa “Ah,
estes problemas de comportamento são normais da idade.” acaba por “assassinar”
o desenvolvimento saudável da criança. A criança precisa de acreditar que no futuro
consegue ser feliz, que consegue ter relações de qualidade, que aprende a perdoar,
e muito mais importante, e o cerne de tudo, consegue amar aquilo que realmente
sente.
E depois
negamos toda essa responsabilidade com medicação, não
para resolver o problema mas sim para o adormecer e nao nos aborrecer muito.
Mas, e a
felicidade da criança?
Dr. Miguel Estrada
Extracto e
traduzido do artigo “What about me?” publicado em 2009 na CAMHS (Child and
Adolescente Mental Heath Service), Inglaterra.
Comentario: Os meus agradecimentos ao Dr Miguel Estrada pela sua colaboração no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar". Na minha opinião, a sociedade portuguesa ainda não presta os devidos cuidados às crianças. Algumas crianças vulneráveis são negligenciadas, com a conivência de alguns adultos. Arrisco a afirmar que, provavelmente, se elas votassem e tivessem participação civica e jurídica nos tribunais, por exemplo se houvesse um tribunal para julgar adultos, a realidade seria diferente. Uma noticia no JN, de 20/10/2011, referia, segundo o presidente do grupo Psiscolas, a orientação do Ministério da Educação, para este anos lectivo quanto à contratação de psicólogos para as escolas, possa significar que um psicólogo tenha de prestar serviço em dois ou três agrupamentos escolares, um rácio de "um técnico para mais de cinco mil alunos". Caso se venha a concretizar esta situação preocupante, recordo a frase do dr Miguel Estrada "Mas, e a felicidade da criança?"
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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domingo, 16 de outubro de 2011
Tecnicas de marketing, da industria alimentar (açúcar) cujo target são as crianças
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
ComSUMOS ACADÉMICOS
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
As competências mais significativas contras as drogas aprendem-se em casa
Sabia que os pais que falam com os filhos sobre as drogas,
sabem o que se passa com os filhos e com quem eles se relacionam reduzem as
possibilidades de consumirem drogas (Biglan
e colegas, 2004)?
Devido às vidas atarefadas, alguns pais, infelizmente, não
reconhecem a influência que exercem sobre a vida dos filhos. Como pais,
conseguimos fazer a diferença entre aquilo que os nossos filhos pensam e fazem
em relação às drogas. Conseguimos, facilmente, estabelecer comunicação com
eles, sobre medidas que sirvam para prevenir e/ou adiar o consumo, e, caso se verifique
necessário, através de factos concretos, elaborar um plano de acção quando eles
estão envolvidos no consumo e/ou consumo problemático (abuso) de drogas.
Um estilo parental altruísta, dinâmico, carismático é
suficiente para tratar, gerir e orientar o tema das drogas e o álcool na
família. Sabemos que não é fácil, mas assumir um papel activo e assertivo, em
vez de agressivo, manipulador ou passivo poderá fazer toda a diferença na vida
dos nossos filhos.
No dia-a-dia, utilizamos drogas, tal como acontece com a
alimentação, que modificam a maneira de pensar, sentir e agir. Podemos incluir,
nesta lista, as drogas utilizadas para fins medicinais e terapêuticos, o
álcool, o tabaco e a cafeína. Pertencemos a uma cultura que consome drogas, lícitas,
incluindo o álcool e o tabaco, e as ilícitas. No entanto, existe uma
preocupação, generalizada pela sociedade, quanto ao fenómeno das drogas ilegais
(trafico, consumo, dependência), todavia, acaba por ser irónico, visto que, as drogas
que provocam mais danos e representam um risco serio para os jovens são as
drogas legais, tais como o álcool, o tabaco e a utilização indevida de
medicamentos sujeitos a receita médica. Ao constatarmos esta realidade, sabemos
que o processo de desenvolvimento dos jovens consiste em experimentar coisas
diferentes e testar os limites e algumas regras impostos pela família, escola,
comunidade e sociedade. Tal como aconteceu com os pais durante a sua
adolescência, nesse sentido, não nos surpreendemos, se alguns jovens consumirem
drogas ilegais. Felizmente, a maioria destes jovens não continuam o consumo
regular e a maioria não desenvolve problemas sérios associados às drogas (por
ex. dependência). Será mais realista pensar que os jovens permanecem curiosos
sobre o efeito das drogas, sejam legais e/ou ilegais, ao invés de negar esse
possibilidade.
Como pais, uma das preocupações é descobrir, que um dia, os
nossos filhos usam drogas. A primeira reacção pode ser de choque, raiva, culpa,
negação e procurar um/a culpado, “Como é possível isto estar a acontecer?! O
que andas a fazer à tua vida?” Embora seja normal, este tipo de reacções,
também precisamos de pensar e assumir um papel, activo e positivo, no apoio,
aos nossos filhos, nos períodos de crise e adversidade, isto é, pode ser drogas
como pode ser outro problema qualquer. O problema associado às drogas, é
daqueles cenários catastróficos que nunca pensamos possível vir a acontecer. Acreditamos
que o problema das drogas, legais e ou ilegais, só acontecem aos outros, às
famílias carenciadas e sem recursos, desestruturadas, até ao dia que acordamos
para a realidade (pesadelo). Alguns pais pensam “O que é que fiz de errado para
isto estar a acontecer?”
Numa situação desta natureza complexa, como pais, é
importante ter bem presente e em mente uma ligação privilegiada na comunicação
(canal aberto) com os nossos filhos. Será através deste “canal aberto” que
iremos manter activo o vínculo que proporcionamos no apoio que considerarmos necessário.
Apesar de tudo, somos a referência e representamos o apoio necessário para eles
se desenvolverem.
Educação parental e as drogas
Sabia que em relação à educação parental e as drogas os
comportamentos (dos pais) funcionam melhor do que as palavras? Como pais e
família precisamos de repensar o nosso próprio consumo de álcool, tabaco,
medicação e ou outras drogas. Precisamos de estar alerta, conscientes, sobre a
possibilidade de os nossos próprios lares/casas serem uma fonte acessível de
drogas legais, álcool, tabaco e ou medicação receitada pelo medico. Nesse
sentido, é preciso monitorizar o acesso a elas. Recordo vários casos,
indivíduos dependentes de substancias psicoactivas licitas e ou ilícitas, que
iniciaram os seus consumos com medicação dos seus pais, avós e outros que
beberam álcool pela primeira vez, em idade prematura, com o consentimento dos
pais.
Sabia que em relação à educação parental e as drogas é
necessário existir uma atenção genuína, espontânea e honesta sobre os
interesses e as vidas dos nossos filhos, desde crianças? Simples, converse com
eles, não faça interrogatórios. Seja um ouvinte activo em relação às
motivações, às ideias e ambições dos seus filhos. Durante a conversa com eles
pergunte a si mesmo o seguinte “O que é que ele/a está a querer dizer?”
Sabia que em relação à educação parental e as drogas a
palavra-chave é Comunicação? Ouvir, sem interromper, as ideias, as opiniões
inovadoras e diferentes, mesmo que não concordamos com elas. Desta forma, promovemos
uma maior proximidade e entendimento imprescindível (elo), afim de que, os
nossos filhos, se sintam à vontade para nos dizer coisas e sobretudo falar em
assuntos que nós, pais, não desejamos ouvir da boca deles, mas como pais,
precisamos de ouvir. Por vezes, desenvolvemos expectativas irreais em relação ao
que gostamos de ouvir dos nossos filhos, essas intenções podem não ser o mais
importante. Alguns jovens afirmam “Não falei com os meus pais sobre as drogas
porque eles iam castigar, senti medo.” Nós, os adultos, também recuamos perante
o medo, nas mais diversas questões do dia-a-dia.
Sabia que em relação à educação parental e as drogas os pais
não precisam de ter todas as respostas? Ao longo do desenvolvimento dos nossos
filhos, vamos aperfeiçoando as competências na comunicação, todavia podem
surgir assuntos mais complicados dos quais precisamos de pedir ajuda. Ao agir
desta forma, estamos também a encorajar, os nossos filhos, a pedir ajuda, aos
pais e ou a outras pessoas significativas (educadores) quando for necessário.
Sabia que em relação à educação parental e as drogas
precisamos de saber responder, o mais honestamente possível, às questões colocadas
pelos nossos filhos? Proporcionar-lhes informação actualizada e relevante, mas
que eles consigam compreender. Como pai/mãe, educador/a, considera que os seus
filhos/pupilos estão à vontade para abordar o assunto das drogas, legais e/ou
ilegais?
Falar sobre drogas, tal como outros assuntos importantes,
por exemplo o sexo, gestão de conflitos, competências, ambições, os estudos, a
alimentação saudável e diversificada faz parte da responsabilidade parental,
que ao inicio, pode ser um assunto delicado, mas havendo de ambas as partes,
pais e filhos, a abertura, o
compromisso, a disponibilidade, a honestidade, a confiança, a cumplicidade, a
intimidade suficiente, a relação entre ambos irá beneficiar através de uma
vinculação genuína, resiliente e duradoura. É do senso comum, os filhos contam com
o amor, a segurança e a protecção dos pais, para que um dia sigam o rumo das
suas vidas (saudáveis), tal como os pais também fizeram. Os pais não são amigos
dos filhos, são a família.
“Por mais que tentemos
ser árbitros perfeitamente calmos, a tarefa de educar acabará por produzir
alguns comportamentos estranhos; não estou a referir-me aos miúdos.” Bill
Cosby
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Dados sobre Pessoas e as Drogas
No mês de Junho de
2011 foi publicado o Relatório Mundial sobre as Drogas 2011 (World Drugs Report) pelo Secretário-geral
das Nações Unidas, o sr. Ban Ki-moon. Aproveito para adicionar também alguns
dados do Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência (OEDT), do
Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) e noticias veiculadas pela
comunicação social durante este periodo.
Dados:
“Portugal apresenta os níveis mais altos de Sida entre os
dependentes e indivíduos que apresentam uso problemático (abuso) de substâncias
psicoactivas.”
“Em termos legais comemora-se 10 anos que se descriminaliza
o consumo de drogas em Portugal.”
Em 17 de Junho fez 40 anos que o Presidente dos EUA, Richard
Nixon, declarou guerra às drogas. A seguir outros países adoptaram a mesma estratégia.
[i]
“A descriminalização não aumentou o consumo, MAS Portugal
ainda está à frente no uso problemático (Abuso) de estupefacientes.”
“As pessoas dependentes de substâncias psicoactivas não
devem ser descriminadas. Devem receber tratamento e ser acompanhados por
pessoal médico especializado e conselheiros. A adicção às drogas é uma doença,
não é crime.” Secretário-Geral das Nações Unidas, Sr. Ban Ki-moon
“A produção e abuso de medicamentos opiáceos e novas drogas
continuam em escalada.”
“A utilização de medicação, sem prescrição médica, é um
problema crescente em alguns países.” [ii]
“210 Milhões de pessoas em todo o Mundo, significa 48% da
população entre os 15 e os 64 anos de idade consumiu drogas em 2010.”
“O consumo de cocaína duplicou na Europa movimentando
valores que se estimam entre os 30 Mil Milhões de Dólares.”
Segundo o director executivo da agência das Nações Unidas
para as Drogas e Criminalidade reconhece progressos, MAS afirma que há mais a
fazer para promover comportamentos saudáveis.
“210 Mil pessoas morrem todos os anos devido às drogas.”
“O Relatório Mundial das Drogas (2009) estima que existam 38
milhões de pessoas que abusam (uso problemático) de drogas, somente 4,9 milhões
têm acesso a tratamento/apoio médico. “
Segundo o Sr. Wolgang Gotz, director do Observatório Europeu
das Drogas e Toxicodependência (OEDT) refere que as estatísticas revelam que um
em cada três jovens europeus já experimentou uma droga ilegal e que os jovens
se deparam com um número cada vez maior de substâncias psicoactivas.
“O OEDT estima que entre 2% e 2,5% dos jovens adultos
consomem cannabis diariamente ou quase diariamente, em especial o sexo
masculino. Esta percentagem representa uma grande população em risco e realça a
necessidade de compreender melhor as necessidades deste grupo em termos de
serviços.”
Estimativas do OEDT do consumo de drogas na Europa, em 2009
“Cannabis:
prevalência do consumo ao longo da via pelo menos 74 milhões (22% dos adultos
europeus). Consumo no último ano: 22,5 milhões de adultos europeus. Consumo no último
mês: 12 milhões de europeus.”
“Cocaína:
prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 13 milhões (3,9% dos adultos
europeus). Consumo no último ano: 4 milhões de adultos europeus. Consumo no
último mês: 1,5 milhões. “
“Ecstasy:
prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 10 milhões (3,1% dos adultos
europeus). Consumo no último ano: 2,5 milhões. Consumo no último mês: menos de
1 milhão”
“Anfetaminas:
prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 12 milhões (3,5%dos adultos
europeus). Consumo no último ano: 2 milhões. Consumo no último mês: 1 milhão”
“Opiáceos:
Consumidores problemáticos (abuso) estimados em 1,2 e 1,5 milhões de europeus.
As mortes induzidas pela droga correspondiam a 4% das mortes de europeus entre
os 15 e os 39 anos de idade, tendo sido encontrados opiáceos em cerca de 3
quartos dos casos. Droga principal em mais de 50% do total de pedidos de
tratamento para toxicodependentes. Cerca de 650 000 consumidores de opiáceos
receberam tratamento de substituição em 2007.”
«»
“Entre os jovens, o consumo de múltiplas substâncias pode
aumentar o risco de problemas agudos e prenuncia o desenvolvimento posterior de
um hábito de consumo crónico de droga. Entre os consumidores de droga regulares
e mais velhos, o policonsumo[iii]
é um dos principais factores contribuintes para a overdose de droga, além de
dificultar o tratamento da toxicodependência e estar associado à violência e à violação da
lei.”
“As drogas ao dispor dos europeus são cada vez mais
diversificadas, por exemplo, a inovação na produção de drogas sintéticas e as
crescentes preocupações suscitadas pelo abuso de medicamentos sujeitos a
receita médica. Além disso, tem-se constatado que um elemento definidor do
problema do consumo de substâncias europeu é o uso concomitante de álcool, que
pode ser observado em TODAS as faixas etárias.”
“Entre a população escolar, os dados mais recentes revelam
uma forte associação entre o consumo excessivo esporádico de álcool e o consumo
de droga. Esse consumo excessivo esporádico também está frequentemente ligado
ao consumo recreativo de drogas, aumentando risco de consequências negativas
entre os jovens adultos.”
“Segundo um relatório do Instituto da Droga e Toxicodependência
(IDT) revela que entre 2001 (ano da implementação da lei da descriminalização)
e 2007 o consumo de estupefacientes registou, em termos absolutos, uma subida
de 66%. Nesse período houve um aumento de 215% no consumo de cocaína, 85% de
ecstasy, 57,5 de heroína e 37% de cannabis. Desde 2001 houve um aumento de 50%
no consumo de drogas, entre os jovens com idades os 20 e os 24 anos. Por outro
lado, o número de pessoas que experimentou drogas ilícitas, pelo menos uma vez,
subiu 7,8% em 2001 e 12% em 2007.”
“Desde a descriminalização (2001) o número de homicídios
relacionados com drogas aumentou 40%. Portugal foi o único país europeu com um
aumento significativo de homicídios relacionados com drogas entre 2001 e 2006”
(Nações Unidas – World Drug Report
Junho 2009)
“Mercado Mundial de Drogas Ilegais. Segundo estudo
financiado pela Comissão Europeia, sobre o mercado de drogas ilegais, apresentado
em 2009, estima que as vendas atinjam mais de 100 Mil Milhões de Euros.”
"A descriminalização não interfere
decisivamente nos consumos de drogas das populações, nem nos problemas
colocados à sociedade portuguesa pelos usos e em especial pelos abusos de
drogas” Professor Jorge Quintas.
“Segundo o Presidente do IDT estão em
tratamento 40 mil pessoas e em estruturas de redução de danos cerca de 15 mil.
O fenómeno da toxicodependência está a diminuir, mas isso não significa que o
consumo de drogas esteja a decrescer. São dois fenómenos distintos.” Entrevista ao Correio da Manhã
“Existe um aumento do número de jovens
entre os 13 e os 18 anos que já experimentaram LSD, sendo que a maior subida
regista-se no grupo etário dos 16 anos, segundo um inquérito preliminar. Em
relação a outras drogas, verifica-se uma subida nas experiencias com
anfetaminas e com cocaína entre os jovens com 15 e 16 anos e uma descida no
consumo de cannabis entre os jovens dos 13 anos 15 anos.” Notícia da TSF
Comentário:
Na sociedade portuguesa, incluindo os órgãos de comunicação
social, ainda se caracteriza e define as substancias psicoactivas em duas
categorias: As drogas leves e as drogas duras, esta caracterização, em relação ás referidas
substâncias, contribui para o preconceito e o mito. Esta terminologia não se
aplica em termos médicos. O Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência
define as substâncias em quatro categorias: 1. Cannabis 2. Anfetaminas, Ecstasy
e substancias alucinogénicas 3. Cocaína, cocaína e crack e 4. Consumo de
opiáceos e drogas injectada.
Não acredito que a sociedade portuguesa (políticos,
tribunais, médicos, investigação e comunicação social, etc.) possua a maturidade
suficiente para aderir à legalização da cannabis. Não basta legalizar, é
preciso informar, devidamente, o publico em geral das especificidades desta
substancia psicoactiva e as suas consequências. O problema não é as drogas,
são as pessoas.
Infelizmente, nestes dados, não consta uma estimativa sobre o
número de famílias, incluindo as crianças, afectadas pela Toxicodependência. A
família aparenta ser negligenciada visto existir estruturas de apoio aos
indivíduos dependentes, mas para as respectivas às famílias, em muitos casos
traumatizadas, não. Será que isso significa que a Família não está envolvida no
processo de tratamento? Segundo revelam alguns estudos, nos EUA e em Inglaterra,
a família deve fazer parte activa do tratamento do dependente, contribuindo assim,
para o sucesso da recuperação.
Infelizmente, nestes dados não consta as despesas para o
Estado na área da saúde. Seria significativo, o publico em geral, tomar
conhecimento sobre o montante aproximado dos gastos. Acrescento, as despesas de
tribunais (problemas legais), e problemas de saúde (por exemplo, HIV/SIDA,
Hepatite C), problemas no trabalho (por exemplo, o absentismo, acidentes de
trabalho e problemas nas equipas).
Também não é publico as despesas sobre a Luta Contra as
Drogas. Segundo alguns peritos internacionais afirmam, e corroboro essa
afirmação, que a Luta Contra a Droga, nos moldes em que é definida a sua estratégia,
é uma guerra contra fantasmas e sem sucesso. Isto é, continua-se a gastar
milhares de euros sem que o resultado desse investimento tenha retorno concreto
e satisfatório.
Considero que da mesma maneira, que as drogas ilegais, as
drogas legais merecem destaque, refiro-me ao abuso (uso problemático) do álcool
e ao alcoolismo, em especial aos jovens adultos e em geral aos adultos,
famílias, incluindo as crianças, problemas de saúde (hepatites, Cirroses,
SIDA/HIV), problemas legais, problemas no trabalho (absentismo). Neste sentido,
o numero de indivíduos afectados abuso do alcool e pelo alcoolismo,
incluindo as suas famílias e crianças, na nossa sociedade, é um fenómeno
negligenciado e negado visto não existirem dados. Convido o leitor a visitar o
site Directório do Álcool. Acompanho este site desde a sua inauguração e
constato que o seu conteúdo está muito aquém daquilo que é esperado, por exemplo, em
termos informativos, na área da investigação e estatísticas afirma estar “funcionalidade
em desenvolvimento”. Como é possível, se o alcoolismo é um problema de saúde pública? Pertencemos a uma cultura que bebe. http://www.directorioalcool.com.pt/Paginas/HomePage.aspx
Podemos também acrescentar a utilização de medicação, sem
prescrição médica (auto medicação), capaz de gerar dependência crónica (por
exemplo, as benzodiazepinas; tranquilizantes, sedativos) problemas de saúde e
problemas no trabalho (absentismo). Mais uma vez, não existem dados públicos sobre
este flagelo.
Para terminar, gostaria de acrescentar uma questão que afecta
principalmente as drogas ilícitas refiro-me às drogas adulteradas. Isto é, a
maior parte das drogas comercializadas e consumida, nas ruas, são adicionadas
outras substâncias desconhecidas e possivelmente tóxicas.
E os dados sobre o consumo de nicotina? Apesar das medidas
restritivas e existirem centros de saúde que disponibilizam apoio à interrupção
dos hábitos tabágicos, que visam alertar sobre o perigo em fumar, pouco se sabe
sobre o trabalho desenvolvido na dependência, assim como os seus resultados.
Mais Vale Prevenir Do Que Remediar e
Recuperar É Que Está
A Dar. visite o blogue http://recuperarequeestaadar.blogspot.com
[i] Guerra às Drogas Ilegais parece uma
batalha perdida e contra fantasmas. Gastam-se, todos os anos, triliões de
dólares sem que o resultado desejado seja alcançado, porque a oferta continua a
supera a procura. A Industria milionária e poderosa das drogas e os seus
parceiros conseguem corromper pessoas, instituições e países (por exemplo o
caso mais mediático México, Colômbia, Afeganistão).
[ii] Em Portugal não existem relatórios (investigação) sobre a utilização da medicação sem prescrição médica capaz de
gerar dependência crónica. Este flagelo aparenta atingir níveis preocupantes e
galopantes visto não ser monitorizado e/ou avaliado pelas autoridades
competentes.
[iii] Policonsumo de substancias psicoactivas
ilícitas e/ou licitas – Refere-se ao consumo de mais do que uma droga ou
tipo de droga pelo mesmo individuo – consumo simultâneo ou sequencial (definido
no léxico da Organização Mundial de Saúde – OMS) Por exemplo, um indivíduo pode
consumir, abusar (consumo problemático) e ficar dependente (Adicção) à Heroína,
Álcool e Tranquilizantes (Benzodiazepinas) ou Cocaína, Tranquilizantes
(Benzodiazepinas) e Álcool. Objectivo do indivíduo em relação ao Policonsumo
passa por potenciar e/ou regularizar (controlar) o efeito das substâncias
ingeridas a fim de obter o efeito desejado (auto medicação).
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
Stop Psychiatric Labeling Of Kids
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terça-feira, 14 de junho de 2011
As Festas de Verão e a Publicidade Agressiva da Industria do Alcool
É recorrente o fenómeno da publicidade e do marketing
agressivo em relação ao apelo do consumo das bebidas alcoólicas, da
indústria do alcool, entre o mês de Abril e Setembro assumir dimensões desproporcionadas
em “palcos sociais” onde destaco a Queima das Fitas, os Santos Populares e os
festivais de música. Estes “palcos” movimentam, por ano, dezenas de milhares de
pessoas, na sua grande maioria, adolescentes e jovens adultos e são uma
fonte de receita (lucro) apetecível.
São meses de festa e divertimento onde o
álcool é encarado como um excelente “lubrificante” na gestão e expressão das
ideias e das emoções. Todavia, uma parte significativa e “escondida” está
relacionada com o abuso do álcool e de outras substancias psicoactivas licitas
e/ou ilícitas, o alcoolismo, com a violência
(Ex. bullying), os acidentes, binge drinking, a
gravidez indesejada, condução sob o efeito do álcool e/ou outras drogas,
intoxicação alcoólica.
Uma notícia no JN do dia 10 de Junho de 2011 despertou a
minha atenção. Em letras garrafais referia o seguinte “Arraiais contaminados
pela febre das cervejas. Lisboa, marcas estão em todo em toda a parte, nas
paredes, eléctricos e quiosques.”
Desde 2007 altura em que iniciei o blogue, em particular, um
dos temas em destaque, na Prevenção das Dependências, são os adolescentes e
jovens adultos, e a forma como a Industria poderosa e milionária do Álcool e os
seus parceiros influenciam o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo,
através da excessiva publicidade e do marketing agressivo, na nossa sociedade,
já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos
(cultura que bebe), e que tem permanecido activo e intocável ao longo das
gerações. Isto é, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema
nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual
de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação
Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em
Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da
legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob
o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de
idade, a prevenção, o tratamento).
Algumas afirmações reveladoras e preocupantes sobre a
negligência e a negação do fenómeno na noticia do JN:
“Em vez dos enfeites de papel, balões, santos antoninos e
manjericos nos bairros históricos de Lisboa, em contagem decrescente para as
festas, há anúncios a cervejas. É uma espécie de “vírus” que tomou a cidade.” Presidente da Junta de Freguesia da Sé.
“Eu não quero saber qual é a cerveja melhor, qual é a numero
um, acho que é obsessiva a forma como ocupam o bairro. A Câmara fiscaliza tão
bem umas coisas e alheia-se de outras” Presidente da Junta de Freguesia da Sé.
“A publicidade está em toda a parte: nos eléctricos que
passam, fachadas dos prédios, taipais das obras, caixas da EDP, montras,
bancas, esplanadas e varandas de apartamentos a troco de meia dúzia de cervejas
grátis. E todo este apelo ao consumo convive, lado a lado, com outros cartazes
que recomendam moderação com o álcool. É assim na Sé, Alfama, Castelo ou no
Bairro Alto.”
“A guerra entre as duas principais marcas de cerveja (…)
começou de forma envergonhada, mas atingiu este ano proporções alarmantes.”
Ambas as marcas questionadas pelo referido jornal afirmaram:
A primeira “opção livre e assumida e que preocupada com o
consumo “responsável vai disponibilizar um autocarro gratuito na noite de
domingo para segunda-feira.”
A segunda “a visibilidade e os quiosques da marca cumprem um
regulamento e seguem todos os procedimentos para obtenção das autorizações
legais”, junto da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC),
organizadores dos arraiais e Câmara de Lisboa”
“A EGEAC não dá resposta. O vereador José Sá Fernandes diz
que não há meios para fiscalizar” Presidente da Junta de Freguesia da Sé, acrescenta
“é preciso coragem política para regulamentar”
Considerei relevante enaltecer a atitude deste politico,
independentemente das cores e ideias politicas, enviei-lhe um email a
felicita-lo e aproveito para publicar assim como a respectiva
resposta.
Exmo Sr Presidente da Junta de Freguesia da Sé, Sr. Filipe António Osório de
Almeida Pontes
Após ter conhecimento da noticia do Jornal de Noticias da qual o sr fez
denuncia e referencia ao abuso da publicidade e das técnicas agressivas de
marketing, pela Industria poderosa e milionária do álcool e os seus
parceiros, antes, durante e depois dos Santos Populares, visto os cartazes
permanecerem nas paredes "eternamente", venho felicita-lo enquanto
Presidente de Junta e como politico pela denuncia deste tipo de actividade
"ilegal" mas permitida e negligênciada pelas autoridades competentes.
Trabalho na área das dependências desde 1993. Como profissional, pai e
membro da sociedade considero que este tipo de fenómenos incentivam o abuso
de álcool por parte dos jovens (binge drinking - abuso cujo intuito é a
intoxicação - embriaguez), contribuem para o agravamento da nossa "cultura
que bebe" há dezenas de anos e que permanece activa através das gerações,
com a agravante de não existirem pessoas e/ou instituições suficientemente
activas capazes de interferirem neste tipo de legislações permissivas. O
lucro não pode ficar acima dos direitos das crianças e jovens adultos. As
lacunas legais existentes não justificam a "contaminação pelo vírus."
Convido-o a visitar os meus blogues sobre a Recuperação das Dependências e
da Prevenção das Dependências.
Só me resta, e mais uma vez, felicita-lo pelo seu "desabafo" impotente e
isolado, mas realista e preocupante, perante o JN.
Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues
Conselheiro em Comportamentos Adictivos
Resposta ao email pelo Presidente da Junta:
Agradeço as suas palavras e irei certamente espreitar o seu blog. O trabalho
do autarca deve reflectir os valores do próprio por isso faço-o com a
convicção de quem partilha estas e outras certamente preocupações sobre as
novas gerações e futuro garante da sociedade.
Grato
Filipe Pontes
do autarca deve reflectir os valores do próprio por isso faço-o com a
convicção de quem partilha estas e outras certamente preocupações sobre as
novas gerações e futuro garante da sociedade.
Grato
Filipe Pontes
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Sensibilizar, Alertar e Intervir por Ana Neves
Durante dez meses vivi um grande
desafio e uma grande aventura. Estou no último ano do curso de Animador
Sociocultural, desenvolvi um projecto final de curso ao qual dei nome “De Que É Que Dependes?”.
Este projecto enquadra-se no tema das
dependências químicas e não químicas (uso excessivo de álcool ou drogas e uso
excessivo das novas tecnologias), quis trabalhar junto de duas turmas da minha
escola, alunos do 1.º ano/10.º ano com idades compreendidas entre os 14 e os 25
anos, de forma a sensibilizá-los e preveni-los para esta problemática social
que tanto afecta os jovens de hoje.
Escolhi a temática das dependências
por considerar ser um assunto interessante e que gostaria de abordar de um modo
mais aprofundado. O facto de ser um problema social que atinge as camadas da população mais jovem e as
futuras gerações, devemos
adoptar medidas mais práticas e que mostrem realmente as consequências do uso
das dependências químicas e não químicas (uso excessivo de álcool e
drogas e uso excessivo das novas tecnologias). Gostava, assim, de intervir nesta problemática através da
Animação.
Acima de tudo quis arriscar. Porque não intervir, como
Animadora, num problema social dos dias de hoje? Se um Animador é como um
interveniente, porque não? Para mim, a Animação consegue minimizar ou até mesmo
resolver uma necessidade, neste caso, alertar para os comportamentos de risco
na juventude.
Realizei actividades no âmbito do
debate, troca de conhecimentos e experiências como por exemplo o “Chapéu dos Medos”
ou “Diz o que pensas sobre… As dependências!”, experiencias, expressão
artística e também duas palestras que esclareceram os alunos e alertaram para
os dois tipos de dependência. Porquê duas turmas? Antes de tudo tive que fazer
um diagnóstico das necessidades e para isso apliquei inquéritos onde verifiquei
que não só haviam mais dúvidas relativamente a esta temática, como também foi
possível identificar algum tipo de consumo.
Trabalhar
em conjunto com jovens e acerca das dependências químicas e não químicas foi
relativamente interessante e bastante exigente. Não foi um projecto entediante,
nem desinteressante e muito menos pouco relevante. A meu ver as duas turmas com
que trabalhei, ao realizar quatro actividades, também não o acharam, todas elas
não mostraram desinteresse, pelo contrário, mostraram-se disponíveis, activas e
abertas ao que iria advir.
A
meu ver, este contributo foi importante para a sensibilização desta temática
apesar de considerar que seriam necessárias mais actividades para que o
resultado se prolongasse no tempo, ou seja, que os alunos continuassem
alertados para esta problemática. Seria necessário mais actividades que
envolvessem dinâmicas de grupo, debate e expressão artística, aspectos que verifiquei
serem relevantes para os alunos no decorrer das actividades realizadas. Não só
seria uma mais-valia para os alunos, mas também para a escola porque iria, sem
dúvida, torná-la mais dinâmica e prevenir e sensibilizar cada vez mais a
comunidade escolar para os problemas que poderão vir a prejudicar as suas vidas
futuras.
A
elaboração deste trabalho final de curso foi bastante importante. Mudou a minha
maneira de pensar relativamente aos actos que cometemos e que podem vir a mudar
a nossa vida. Mudou a minha maneira de agir com o público-alvo juvenil visto
que me tornei próxima do mesmo e passei a conhecer um grupo com que antes nunca
tinha trabalhado, por fim, mudou a minha maneira de trabalhar pois passei a ser
uma estudante muito mais produtiva, dedicada e empenhada. Em cinco actividades
realizadas, penso ter respondido aos objectivos inicialmente traçados:
Sensibilizar, Alertar, Intervir.
Foi
muito gratificante ter trabalhado a temática das dependências junto dos jovens
e não mudaria nada.
Autora:
Ana Neves
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
19:06:00
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