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terça-feira, 9 de junho de 2020

O poder da palavra


Existem palavras, utilizadas como arma ou ferramenta, que mudam as pessoas

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Como é que o processo da dependência se desenvolve no adolescente? Por Philip Ward e Patricia Cobertt



«O abuso de drogas , por parte dos adolescentes, precisa de ser compreendido no contexto do próprio desenvolvimento dos jovens. A compreensão do abuso de drogas, pelos adolescentes exige uma abordagem multidimensional; biológica, psicológica, social e espiritual.
De acordo com abordagem multidimensional,  o desenvolvimento da adolescência consiste num período de vida repleto de mudanças dramáticas e transições. A diferença entre adultos e os adolescentes, é que os jovens, durante este período de tempo encontram-se num processo de transições, estando assim, mais expostos aos riscos, perigos do abuso das drogas e consequências negativas, a longo prazo.

A adolescência é um período de transição e caos de acordo com a seguinte lista de comportamentos observados nos jovens:
  • Os adolescentes estão num processo de mudança: da dependência para a independência.
  • Exploram a sua identidade e o autoconceito.
  • As suas experiências intrapessoais (sentimentos, desejos, valores, necessidades) refletem-se nos seus relacionamentos interpessoais.
  • É considerado normal, afastarem-se dos pais e procurar a companhia dos pares.
  • O processo biológico envolve o afastamento dos pais.
  • O objetivo deste processo biológico é a autonomia e a vida adulta.

Porque é que os “bons rapazes” envolvem-se em “comportamentos errados”? Existem pelo menos duas respostas. 1) A resposta é simples, na maioria dos casos, os “comportamentos errados” não produzem sensações negativas. 2) A resposta representa um significado diferente para o adolescente: Qual é o risco de consumires drogas? Para os pais, tudo aquilo que represente um potencial risco ou perigo para os seus filhos, está incluído na lista das coisas “más” e “erradas”. Para os adolescentes, em pleno processo de transição, que procuram integrar-se, explorar a sexualidade, experimentar identidades, curiosidade em estilos diferentes de vida e procurar o afastamento dos pais, os “comportamentos errados”, segundo os pais,  são considerados uma ajuda que pode facilitar o processo de mudança caótico e dramático. Tal como acontece na sociedade, certas normas e regras determinam o comportamento permitido e lícito versus o comportamento errado e ilícito.

Processo da dependência – a introdução à “pedrada”; o individuo estar sob o efeito das substâncias psicoativas.
Os objetivos de um adolescente com baixa autoestima, a que vamos chamar Pedro (nome fictício), deslocar-se a uma discoteca são; parecer “cool” e divertir-se com os seus amigos. Considerando este cenário, como ponto de partida, a dada altura na discoteca, um dos amigos do Pedro, acende um charro, dá umas passas e depois passa ao Pedro que faz o mesmo e passa a outro. Após a primeira experiência ao dar umas passas num charro, o Pedro sente-se diferente e desinibido. Fumar canábis pode atenuar ou neutralizar a ansiedade. Sob o efeito da substância o jovem sente-se desinibido e ligado (identificado) aos seus pares. Tal como já foi referido anteriormente, identificar-se com os seus amigos é um dos fatores críticos do desenvolvimento da adolescência, assim sendo, se os amigos do Pedro consomem drogas o efeito da identificação (pertença ao grupo) é reforçado. O Pedro, pensa, “Afinal fumar canábis não é assim tão perigoso, como os meus pais afirmam…”. Esta reflexão do Pedro poderá ser o fio condutor que o conduza às próximas experiências com drogas, surte um efeito semelhante, durante os primeiros dias de um envolvimento romântico apaixonado. No fim de semana seguinte, o Pedro vai a outra festa, mas ninguém o convida para consumir canábis, o jovem identifica um tipo diferente de sensações, enquanto na festa anterior não sente ansiedade, nesta festa, fica com uma sensação desconfortável e com a sensação de que toda a gente presente na festa, está ciente das suas inseguranças e defeitos (centro das atenções). Esta constatação é acrescida pelo seguinte raciocínio, pelo Pedro: “Se eu fumar canábis, sinto-me seguro e na boa, mas se não fumar, sinto-me desconfortável…”
Nesta fase do processo, em contextos sociais, pode ter havido uma mudança significativa na perceção do Pedro; a procura do efeito desinibidor da canábis. Tudo isto não acontece de um dia para o outro, é um processo e não se resume a somente a um único evento. Tal como acontece com o tabaco, o objetivo dos jovens quando começam a fumar não é desenvolver um enfisema pulmonar ou cancro. Ficar pedrado, não se resume a um processo cognitivo, é um experiencia que envolve todo o ser que prevê todo um conjunto de benefícios, tais como, ter amigos diferentes, desenvolver um tipo de linguagem secreta/código, novas sensações, novos conhecimentos e o consumo de canábis pode revelar-se mais recompensador para o desenvolvimento do jovem adolescente. Agora, o Pedro pertence a uma cultura com mentalidades diferentes e aparentemente foi aceite no seio dos seus pares.

Conhecer o efeito da canábis – “A pedrada”
Nesta fase do processo, o Pedro passa uma parte considerável do tempo a refletir nestas experiências, sensações e efeitos. Está a tentar compreender e a adquirir conhecimento do significado de “estar pedrado”, o que na prática, pode consistir em; como é que pode adquirir o produto, consumir, gerir o efeito da “pedrada” e esconder o consumo de drogas. Todas estas atividades envolvem um tipo de doutrina subjacente a este tipo de cultura. Na perspetiva do desenvolvimento do adolescente, podemos equacionar e comparar esta subcultura à autonomia dos pais, uma nova identidade e a pertença a um grupo de pares. Para quem não percebe nada do assunto, todas estas atividades, exigem energia, compromisso, esforço e segredos. Os adolescentes, não estão neurofisiologicamente preparados para identificar e reconhecer os efeitos negativos do consumo de drogas, principalmente a longo prazo. Consequentemente, todos os adolescentes, envolvidos neste tipo de subcultura, desconhecem os riscos e os perigos. Tal como o Pedro, os amigos que consomem drogas, não estão informados sobre a acumulação sinérgica (efeitos a longo prazo) dos e efeitos negativos do consumo de drogas. Com o tempo, o consumo frequente aumenta o potencial perigo, enquanto por outro lado, a compreensão do adolescente sobre o fenómeno diminui. Enquanto mecanismo de defesa (pensamento distorcido) a compreensão e a perceção do problema diminuem, enquanto o perigo sobre o abuso aumenta, sem a existência da perceção necessária para tomar medidas saudáveis por parte do adolescente. O processo da dependência ocorre a níveis inconscientes e encobertos.
A próxima fase do processo ocorre quando o jovem sente as primeiras consequências negativas do consumo de drogas. Ao contrario do que acontece no período de experimentação de drogas, as consequências negativas ocorrem quando existe uma mudança de atitudes e comportamentos, que o colocam “oficialmente” no clube dos dependentes em risco. Nesta fase, quando o jovem é confrontado com as consequências negativas, tem somente duas hipóteses; 1) desviar-se deste caminho ou 2) continuar o consumo, até ao abuso e a dependência. A opção número dois é percecionada, erradamente, pelo adolescente, como uma forma de neutralizar e negar as consequências negativas.

É admitido o consumo de drogas
Nesta fase, as pessoas, incluindo os familiares e colegas que não estão envolvidos no consumo de drogas, começam a identificar alguns sinais ou sintomas relacionados com o consumo de drogas. Nesta altura do processo, o Pedro está a afastar-se da “vida normal” e a desenvolver uma dependência. Na maioria dos casos, este afastamento do adolescente, é enganador e gera alguma confusão entre os pais ou professores porque do ponto de vista do desenvolvimento, pode ser confundido com a autonomia dos pais e com o relacionar-se com os seus pares – “coisas da adolescência”.
Normalmente, é permitido aos adolescentes, uma maior autonomia e liberdade quando desenvolvem a sua independência, nestes casos de risco/abuso de drogas, revela-se confuso e difícil distinguir entre o “normal” desenvolvimento (cansaço, irritação, mau humor, segredos) e o comportamento adictivo (dependência de drogas).
Os adolescentes, durante o período do desenvolvimento, são constantemente bombardeados com mensagens contraditórias, próprias da cultura, por exemplo, em relação ao álcool. Os próprios adolescentes, encaram o consumo e abuso de bebidas alcoólicas, por parte dos adultos, como algo legitimo e fazendo parte do ritual de passagem para a idade adulta.

O reconhecimento da dependência é um processo, não um único evento
Na maioria dos casos, para os pais identificar o filho/a como um dependente de drogas é um processo que ocorre durante algum tempo. Muitas vezes, este processo de identificação do filho com o abuso ou dependência de drogas é dificultado, por exemplo, devido à falta de informação sobre os sinais e sintomas do abuso e dependência de drogas, sentimentos de culpa e responsabilidade. Por parte dos pais, admitir que o filho/a é dependente de drogas pode desencadear sentimentos de medo, raiva e confusão e este processo de admissão da dependência inicia-se quando as consequências do abuso de drogas se revelam demasiado evidentes, de tal forma que é impossível ser negado.
Considere o seguinte exemplo. Finalmente, depois de tanto tempo, o progenitor assumiu a consciência do problema, permitiu que o filho tivesse abusado de drogas, assim como, passar pelas consequências negativas. O oposto a esta situação, nesta altura, um bom exemplo de parentalidade é decidir, a qualquer custo salvar o filho. A maioria dos pais, não possuem as competências necessárias a fim de abordarem a dependência de drogas e recorrem a instituições de tratamento, que na maioria dos casos não possuem as competências necessárias para abordar a dependência na adolescência.

Focar no processo em vez de no conteúdo
O objetivo consiste na mudança de dinâmica por parte dos pais do jovem. Os detalhes não são importantes para o reconhecimento do problema. É mais eficaz focar-se nas preocupações em vez de dissecar o problema; quem, o quê, quando, onde e porquê. Na fase do reconhecimento do problema, os pais exageram nos detalhes.  Exagerar nos detalhes poderá revelar-se enganador quanto à identificação e reconhecimento da realidade (processo) da dependência de drogas.

A dependência na adolescência no próprio contexto/sistema familiar
Muitas vezes, inconscientemente, para o adolescente, sente que é o causador dos problemas no contexto familiar. No seio do contexto familiar, os seus comportamentos disfuncionais são encobertos, mas são apresentados ao exterior como a causa da disfunção familiar. A dependência de drogas é capaz de gerar ansiedade generalizada, no contexto familiar, responsável por produzir conflitos nas relações interpessoais entre familiares. Se o adolescente está doente, a própria família também irá manifestar os sintomas da doença. Tipicamente, o conflito familiar é um sintoma de que cada membro da família está a sofrer as consequências negativas; isto é, cada membro da família irá contribuir para o problema familiar. Segundo esta desarticulação, vulgo co dependência, é a consequência da família tentar controlar o problema, em vez de cada um lidar com os seus próprios sentimentos. É fundamental que os progenitores separem os seus próprios sentimentos, crenças e ideias das do adolescente. De acordo com a minha experiência, aquilo que um progenitor precisa de fazer, nestas situações caóticas afim de ajudar o adolescente, é em primeiro lugar procurar ajuda para si próprio. 
Aquelas pessoas que se sentem descontroladas, para o exterior, aparentam estar controladas.»

Comentário: Nos casos que acompanho, os pais apresentam dois tipos de reações, perante o conhecimento dos consumos de canábis dos seus filhos. 1) Pavor e impotência ou 2) benévolos e compreensivos. Como existem muitas “teorias” e mitos sobre o consumo de canábis, cada um tem a sua, os pais reagem de várias maneiras. Todavia, uma coisa é referirmo-nos ao consumo de canábis ocasional, num contexto social e divertimento, outra coisa é o consumo excessivo (abuso) ou dependência no contexto familiar e social. Felizmente, a maioria dos jovens que consome canábis não abusa ou fica dependente, escolhe outro caminho, outro rumo diferente, mas existe um grupo de adolescentes, mais vulneráveis, que abusa e fica dependente, cujas consequências negativas manifestam-se no seu desenvolvimento; competências individuais e sociais. Como o processo da adolescência é complexo, revela-se uma tarefa difícil, identificar ou diagnosticar os sintomas do abuso e da dependência.
Gostaria de salientar, um tema abordado pelos autores, que são as consequências negativas, na estrutura e dinâmicas familiares, quando o adolescente é dependente. Nestes casos, a família precisa de se manter coesa e informada a fim de evitar o caos, consequência da dependência da canábis. Caso você identifique sinais ou sintomas que sejam suspeitos, mantenha-se atento: alteração brusca de rotinas e hábitos, fraco aproveitamento escolar, “esconde” os amigos, isola-se da família, agressividade, gasta rapidamente a semanada, cheiro estranho no quarto, pequenos furtos ou mentiras peça ajuda profissional, para a família. Não permita que a vergonha e a negação o impeçam de abordar o tema com profissionais.   
Quanto mais depressa se identificar um problema de abuso ou dependência maiores são as possibilidades de o tratamento surtir efeito.





quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Como comunicar com um filho adolescente, por Cristina Valente


Sosseguem, pais, não precisam de ter um Mestrado em Comunicação para conseguirem comunicar com o vosso adolescente! Mas algumas ideias preciosas (embora simples) podem ajudar!

As 6 Ferramentas “Carinho e Firmeza” são a solução para dar espaço a estes filhos que já não são crianças mas que ainda não são adultos…e para dar-lhes fronteiras, orientando-os ao mesmo tempo….

Empatia: lembre-se de usar a empatia. Quando o seu adolescente tiver feito alguma “asneira” diga-lhe algo como: “Que incrível! Como é que isso aconteceu? Se tivesse sido comigo eu teria ficado nervoso! E como é que te sentiste?”.

Encorajamento: em vez de dar sermões (aos quais o seu filho vai resistir!) e de derrubá-lo, encoraje-o: “Não sei exatamente o que fizeste. Podes ter feito uma coisa errada, mas continuas a ser o meu filho, uma boa pessoa e um ser humano cheio de valor”.

Perguntas sinceras: se os pais conseguirem fazer o mais difícil - não julgar, não culpar e não assumir que sabe o que ele pensa e, melhor, nem dizer-lhe o que ele deveria pensar…então estão preparados para adoptar uma técnica bastante eficaz: as perguntas sinceras. Chamamos-lhe “sinceras” porque os pais querem realmente saber o que se passou e entender a perspetiva do filho, mesmo que (e sobretudo se) for diferente da sua perspetiva de adulto.

As perguntas isentas de julgamento e que expressam um desejo sincero de compreender o ponto de vista do filho costumam “fazer milagres”! Perguntas como as seguintes, depois de o adolescente ter cometido algum erro, são verdadeiramente eficazes para criar proximidade entre pais e filhos: ”O que é que aconteceu? Em que é que estavas a pensar quando fizeste isto? Qual era o teu objectivo? Qual o significado que teve para ti? Qual foi a coisa mais importante que aprendeste com esta experiência? Como é que achas que podes lidar com uma situação destas no futuro?”

Partilhar experiências: os pais podem partilhar com os seus filhos algumas experiências da sua própria adolescência e com as quais tenham aprendido lições importantes: “Lembro-me de quando tinha a tua idade e…!”

Estabelecer limites inteligentemente: Quando os pais pretendem que os seus filhos pensem na forma como irão lidar com uma situação parecida caso aconteça de novo, podem dizer-lhes algo como: “Não sei o que aprendeste com esta situação ou de que forma irias lidar de uma forma diferente no futuro, mas isto assustou-me. Quis ajudar-te desta vez e ajudei-te. Mas quero que saibas que não me vou sentir bem se tiver que fazê-lo de novo. Portanto, quero dizer-te que caso faças essa escolha de novo, vou respeitar o teu direito de experimentares as consequências”.

Amor incondicional: amor incondicional por um filho é aquele amor que continuamos a sentir apesar dos erros que ele comete e apesar da decepção que esses erros nos provocam. É o  “vou amar-te para sempre, independentemente de tudo”.

Este cenário ilustra um apoio incondicional da parte dos pais e contribui para a aprendizagem de competências para a vida. Muito mais do que o castigo. Frequentemente, quando os adolescentes cometem erros, os pais castigam-nos.

Quando os pais castigam os seus adolescentes, em vez de apoiá-los, estão a pensar apenas nos seus próprios pontos de vista; não estão a considerar o mundo e as percepções dos seus filhos. A maioria dos adultos tende a esquecer-se dos seus tempos de adolescência. Os que se lembram, muitas vezes não compreendem como é diferente a vida para os adolescentes nos dias de hoje. Para além de que, ao castigar adolescentes, os pais perdem a oportunidade de ensinar-lhes a melhor forma de lidar com algo que vão encontrar sempre ao longo da sua vida  – erros.

Responsabilidade: no entanto, o amor incondicional não é o mesmo que tomarmos a responsabilidade pelos erros dos filhos: “Vou amar-te para sempre, independentemente de tudo…mas é tua responsabilidade resolveres os problemas que surgem dos erros que cometes. Apoio-te, mas és tu quem os resolve.

O valor dos erros: os erros provam que os nossos filhos estão a tentar. A tentar viver. A tentar aprender. A tentar ser adulto…Lembre-se: uma vez cometido o erro, este não pode ser desfeito. O adolescente pode ser capaz de aprender algo com o erro ou resolvê-lo, mas não vai ser capaz nunca de desfazê-lo. Contudo, o processo de aprendizagem e resolução pode ser tão valioso, que as situações e as relações podem tornar-se ainda melhores devido a um erro. Quando nos focalizamos no erro em vez de nos preocuparmos com o que podemos aprender com isso, estaremos a desperdiçar grandes oportunidades de aprender e de crescer.

Para terminar, lembre-se também: o seu filho não é um adulto crescido. O seu filho está a crescer!...


Cristina Valente
Psicóloga (Coach Parental), Autora e Mentora de Famílias de Sucesso em Projectos de Home Business
Telefone: + 351 93 930 05 99
Skype ID: cristina.valente66

Comentário: Gostaria de agradecer a colaboração da Dr. Cristina Valente no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar". Actualmente, neste mundo imprevisível, como pais, conseguir comunicar com os nossos filhos representa um serio e complexo desafio, todavia porém, o desafio poderá ser mais simples, do que imaginamos se dedicarmos tempo, disponibilidade, empenho e conseguirmos ser uma referencia positiva a fim de que eles consigam orientar as suas vidas.  
Aos nossos adolescentes, devemos incutir, desde cedo e ao longo do seu desenvolvimento, valores que contemplem a honestidade, a autonomia, o talento, a auto estima (amor próprio, não me refiro ao culto do ego), a solidariedade e uma vida resiliente com um propósito. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Evidência cientifica reforça a necessidade de medidas preventivas



De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) 25 e 50% das pessoas podem ter sido abusadas fisicamente durante a sua infância. Uma experiência definida como o uso da força física que prejudica a saúde da criança, a sobrevivência, o seu desenvolvimento ou dignidade. Maus tratos na infância não se restringem somente ao abuso físico, as crianças também podem ser emocional ou sexualmente abusadas ou negligenciadas e essas experiências podem ter implicações serias e duradouras para a saúde do adulto.
A associação entre o abuso sexual infantil e problemas de saúde psicológica na vida adulta actualmente já estão documentadas e confirmadas. No entanto, os resultados na saúde da criança sobre o impacto da exposição aos maus tratos, não sexuais (abuso físico, emocional e negligência), a longo prazo, não têm sido sistematicamente examinados.

No ano passado, uma revisão sistemática e meta-análise publicada na PLoS Medicine (Norman e colegas, 2012) facultou um melhor entendimento sobre a associação entre a exposição ao abuso físico, abuso emocional e negligência na infância, os resultados de saúde física e mental mais tarde na vida adulta.

Abuso físico, abuso emocional e negligência são normalmente ligados a efeitos na saúde física e mental
Crianças emocionalmente abusadas apresentaram um risco três vezes maior de desenvolver doença mental – depressão e ansiedade. Efeitos idênticas de maus tratos à criança (não-sexuais) apresentam um risco significativo de desenvolverem perturbações do comportamentos alimentar, uso de drogas e álcool e comportamento suicida.

O único resultado, na saúde física, para o qual existe uma forte evidência de uma associação aos maus tratos (não sexuais) à criança é o das doenças sexualmente transmissíveis e/ ou comportamentos de risco associado ao sexo. Estes resultados foram cerca de 1,7 vezes mais prováveis em pessoas com uma história de abuso.
A evidência para uma associação com doenças crónicas, como o acidente vascular cerebral, a obesidade, a artrite e dor de cabeça / enxaqueca era fraco e inconsistente.

Norman RE, Byambaa M, De R, Butchart A, Scott J, et al. (2012) The Long-Term Health Consequences of Child Physical Abuse, Emotional Abuse, and Neglect: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS Med 9(11): e1001349. doi:10.1371/journal.pmed.1001349
Andrews et al (2004) Child sexual abuse. In Comparative quantification of health risks: global and regional burden of disease attributable to selected major risk factors (PDF) (Ezzati et al, editors). WHO, Geneva; pp 1851-1940

Comentário: De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde sobre o numero sobre as crianças abusadas e negligenciadas, são preocupantes visto representarem um custo muito elevado (Estado) e perda da qualidade de vida (doença, crise, acidentes, dor e sofrimento etc). Apesar de, em Portugal  o numero de jovens que consomem e  abusam de drogas, incluindo o álcool, ao longo das suas vidas, não ser generalizado, isso não significa que não seja prioritário um plano nacional de prevenção das dependências;  nicotina, canábis,  álcool (qualquer bebida com teor alcoólico). De acordo com o ultimo inquérito (2007) o alto grau de dependência afeta 10% dos fumadores, sendo a motivação para parar de fumar reduzida  (85,5% dos fumadores). Por outro lado, assistimos impotentes ao aparecimento de novas drogas, senão vejamos, após o recente decreto que proíbe a venda de drogas nas smartshops já surgiram seis novas substâncias psicoativas. O cánabis é a drogas mais consumida entre os jovens. Nos últimos anos têm surgido mais pedidos de ajuda a jovens que desenvolvem comportamentos problemáticos associados ao consumo excessivo de cánabis (psicoses, abstenção e redução do aproveitamento escolar, impulsividade, depressão, perda da memoria e concentração). 
Apesar de o estudo realizado pela CESNOVA (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) revelar que o consumo generalizado, sobre a prevalência de embriaguez ter caído, é do conhecimento geral, que os jovens, alguns menores de idade, desenvolvem uma cultura de divertimento muito forte associada ao abuso do alcool (Binge Drinking) cujo intuito é a embriaguez; por exemplo as queimas, os espectáculos de musica e as saídas à noite. 
Podemos concluir, depois do estudo da OMS, que as crianças que tenham sofrido qualquer tipo de abuso (emocional, físico e sexual) e negligência parental estão em risco de desenvolverem comportamentos de alto risco associado ao álcool e/outras drogas e perturbação do comportamento alimentar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Bullying - "Até hoje"





Até hoje!
"Eles estavam enganados..."
As consequências do bullying podem permanecer para o resto da vida: "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar"
Veja o vídeo


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Menos Medicação


Menos Medicação - Mais Amor, Menos Doença: A Esperança da Criança.

“Um infinito ardor
Quase triste os veste,
Semelhante ao sabor
Quen tem à noite o vento leste.
Bailam na doçura amarga
Da tarde brilhante e densa
Tem a morte em si suspensa.”  Sophia de Mello B. Andressen


Foi numa manhã fria, com a neve que rodeava o hospital, fazendo das suas paredes brancas a continuação do nada que se sentia lá fora. Logo de manhã, no hospital de pedopsiquiatria estava a equipa à espera das novas listas de pacientes, sem os conhecermos demos-lhe um rumo. A Maria pertence ao sector da Via Emocional, o Pedro ao sector da Via de Condutas de Comportamento e a João à Via do Neurodesenvolvimento.

Foi-me entregue o João, aquele que eu vou delinear um rumo, mas que não escolheu o seu destino e nunca cheguei a ver a sua cara. No relatório clínico especifica que é muito activo, com problemas de concentração e hostil para com os seus colegas. Parece mais um caso a juntar a muitos outros. Mas quem é ele? Como será a sua cara? Qual è a sua história que nem ele provavelmente pode fazer senso de sonhos perdidos, idealizações que cairam aos pés dele como areia que se escapa por entre os dedos, como foi forçado a não amar aquilo que sente?
Tais questões não são práticas, só possuímos cinco a sete minutos para decidir o que vai acontecer ao João, como, possivelmente, o iremos tratar e uma agenda de 20 minutos para escolher a medicação certa, diz então assim o Pedopsiquiatra.
Decidi ir à escola do João, que tem cinco anos de idade. Falei com a professora e ela disse-me que realmente algo se passa de errado com ele pois é quase ímpossivel de o ter na aula, distrai os alunos, e sai do seu lugar constantemente, distraindo assim, os colegas e é muito difícil de controlar. Agradeci-lhe o seu tempo e pedi para ver o João.

Apresentei-me ao João e perguntei-lhe se queria brincar por um bocado. Ele perguntou-me “Brincar? Porquê?” eu respondi-lhe que era para o conhecer melhor. Não houve resposta.  Gostaria de acrescentar que uma criança que não tem prazer em brincar, e que por espontaneidade vontade, não sente o benefício do que é fazer um elo/vínculo para com outra pessoa que manifesta interesse em si, essa criança perde a sua essência.

Mas será ele próprio que não tem interesse em brincar, ou será que lhe retiraram a capacidade de se vincular com alguem, até mesmo dentro de um sitio onde ele se sente seguro em termos físicos, por ex a escola?
Tentei então falar com ele, mas ele limitava-se a responder “Não sei…”.

Qualquer bebé de quatro meses, com um desenvolvimento normal, começa a compreender que o seio da mãe que o alimenta lhe proporciona segurança, que lhe promete uma vida com amor, consegue conceptualizar que esse mesmo seio, é aquele que lhe dá frustração, aquele seio que nem sempre pode estar presente quando ele quer, que projecta nesse seio o mau que há no mundo, e é nesse periodo, em que a frustração é regulada por uma mãe atenta, e assim, começa a ter noção que o seio bom é ao mesmo tempo o seio mau, que a qualidade e a percepção do que é o amor se transforma no psiquismo do bébé, e a ambivalência, se for bem regulada pela mãe, se transforma pouco a pouco em paciência, e o amor, acima de tudo, prevalece.

No caso do João, diagnosticado com Problemas de Comportamento com comorbilidade com Hiperactividade, fica um recluso, um problema, mais um alvo de um plano de comportamento do qual fico responsável por delinear. Ou seja, estamos a ser reactivos ao problema, ao invés de elaborar estratégias práticas de prevenção. Num modo existencial, somos iguais ao João no modo de reagimos.
Se analisarmos a história do João, há sonhos perdidos, amores paternais não correspondidos por idealização e narcisismo paternal, mas no final, o doente é o Joao...

Agora, que a sua coerência cerebral já foi mudelada para a reactividade com poucas possibilidades de apaziguamento cortical, cabe-nos a nós profissionais, transformar um cérebro de uma criança, em que a memória de todo o trauma que não é visto a olho nu, já se estende pelo seu sistema periférico, gravado nas suas celulas, com uma expectativa de perigo séria instalada. 

Por quanto tempo vamos ser reactivos e não estabelecer estratégias familiares de prevenção? Quem mais tarde vai suportar e pagar estas consequências é a sociedade. Por ex. hospitalizações, instituições, consultas, etc.

A minha preocupação, além da infelicidade da criança, é o modo estas crianças são encaradas perante uma sociedade negligente, visto não possuir conhecimento actualizado, e respostas concretas, sobre o problema destas crianças, assim como recursos necessários. Pensarmos que basta arranjar uma vinculação segura (instituição e/ou família), tudo o resto irá correr bem, assim fala a arrogância da ignorância.

Muitos dos casos podem ser resolvidos nos primeiros dois anos de vida, mas quem pensa “Ah, estes problemas de comportamento são normais da idade.” acaba por “assassinar” o desenvolvimento saudável da criança. A criança precisa de acreditar que no futuro consegue ser feliz, que consegue ter relações de qualidade, que aprende a perdoar, e muito mais importante, e o cerne de tudo, consegue amar aquilo que realmente sente. 

E depois negamos toda essa responsabilidade com medicação, não para resolver o problema mas sim para o adormecer e nao nos aborrecer muito.
Mas, e a felicidade da criança?

Dr. Miguel Estrada 
Extracto e traduzido do artigo “What about me?” publicado em 2009 na CAMHS (Child and Adolescente Mental Heath Service), Inglaterra.

Comentario: Os meus agradecimentos ao Dr Miguel Estrada pela sua colaboração no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar". Na minha opinião, a sociedade portuguesa ainda não presta os devidos cuidados às crianças. Algumas crianças vulneráveis são negligenciadas, com a conivência de alguns adultos.  Arrisco a afirmar que, provavelmente, se elas votassem e tivessem participação civica e jurídica nos tribunais, por exemplo se houvesse um tribunal para julgar adultos, a realidade seria diferente. Uma noticia no JN, de 20/10/2011, referia, segundo o presidente do grupo Psiscolas, a orientação do Ministério da Educação, para este anos lectivo quanto à contratação de psicólogos para as escolas, possa significar que um psicólogo tenha de prestar serviço em dois ou três agrupamentos escolares, um rácio de "um técnico para mais de cinco mil alunos". Caso se venha a concretizar esta situação preocupante, recordo a frase do dr Miguel Estrada "Mas, e a felicidade da criança?"


domingo, 16 de outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ComSUMOS ACADÉMICOS

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

As competências mais significativas contras as drogas aprendem-se em casa






Sabia que os pais que falam com os filhos sobre as drogas, sabem o que se passa com os filhos e com quem eles se relacionam reduzem as possibilidades de consumirem drogas (Biglan e colegas, 2004)?


Devido às vidas atarefadas, alguns pais, infelizmente, não reconhecem a influência que exercem sobre a vida dos filhos. Como pais, conseguimos fazer a diferença entre aquilo que os nossos filhos pensam e fazem em relação às drogas. Conseguimos, facilmente, estabelecer comunicação com eles, sobre medidas que sirvam para prevenir e/ou adiar o consumo, e, caso se verifique necessário, através de factos concretos, elaborar um plano de acção quando eles estão envolvidos no consumo e/ou consumo problemático (abuso) de drogas.

Um estilo parental altruísta, dinâmico, carismático é suficiente para tratar, gerir e orientar o tema das drogas e o álcool na família. Sabemos que não é fácil, mas assumir um papel activo e assertivo, em vez de agressivo, manipulador ou passivo poderá fazer toda a diferença na vida dos nossos filhos.

No dia-a-dia, utilizamos drogas, tal como acontece com a alimentação, que modificam a maneira de pensar, sentir e agir. Podemos incluir, nesta lista, as drogas utilizadas para fins medicinais e terapêuticos, o álcool, o tabaco e a cafeína. Pertencemos a uma cultura que consome drogas, lícitas, incluindo o álcool e o tabaco, e as ilícitas. No entanto, existe uma preocupação, generalizada pela sociedade, quanto ao fenómeno das drogas ilegais (trafico, consumo, dependência), todavia, acaba por ser irónico, visto que, as drogas que provocam mais danos e representam um risco serio para os jovens são as drogas legais, tais como o álcool, o tabaco e a utilização indevida de medicamentos sujeitos a receita médica. Ao constatarmos esta realidade, sabemos que o processo de desenvolvimento dos jovens consiste em experimentar coisas diferentes e testar os limites e algumas regras impostos pela família, escola, comunidade e sociedade. Tal como aconteceu com os pais durante a sua adolescência, nesse sentido, não nos surpreendemos, se alguns jovens consumirem drogas ilegais. Felizmente, a maioria destes jovens não continuam o consumo regular e a maioria não desenvolve problemas sérios associados às drogas (por ex. dependência). Será mais realista pensar que os jovens permanecem curiosos sobre o efeito das drogas, sejam legais e/ou ilegais, ao invés de negar esse possibilidade.

Como pais, uma das preocupações é descobrir, que um dia, os nossos filhos usam drogas. A primeira reacção pode ser de choque, raiva, culpa, negação e procurar um/a culpado, “Como é possível isto estar a acontecer?! O que andas a fazer à tua vida?” Embora seja normal, este tipo de reacções, também precisamos de pensar e assumir um papel, activo e positivo, no apoio, aos nossos filhos, nos períodos de crise e adversidade, isto é, pode ser drogas como pode ser outro problema qualquer. O problema associado às drogas, é daqueles cenários catastróficos que nunca pensamos possível vir a acontecer. Acreditamos que o problema das drogas, legais e ou ilegais, só acontecem aos outros, às famílias carenciadas e sem recursos, desestruturadas, até ao dia que acordamos para a realidade (pesadelo). Alguns pais pensam “O que é que fiz de errado para isto estar a acontecer?”

Numa situação desta natureza complexa, como pais, é importante ter bem presente e em mente uma ligação privilegiada na comunicação (canal aberto) com os nossos filhos. Será através deste “canal aberto” que iremos manter activo o vínculo que proporcionamos no apoio que considerarmos necessário. Apesar de tudo, somos a referência e representamos o apoio necessário para eles se desenvolverem.

Educação parental e as drogas
Sabia que em relação à educação parental e as drogas os comportamentos (dos pais) funcionam melhor do que as palavras? Como pais e família precisamos de repensar o nosso próprio consumo de álcool, tabaco, medicação e ou outras drogas. Precisamos de estar alerta, conscientes, sobre a possibilidade de os nossos próprios lares/casas serem uma fonte acessível de drogas legais, álcool, tabaco e ou medicação receitada pelo medico. Nesse sentido, é preciso monitorizar o acesso a elas. Recordo vários casos, indivíduos dependentes de substancias psicoactivas licitas e ou ilícitas, que iniciaram os seus consumos com medicação dos seus pais, avós e outros que beberam álcool pela primeira vez, em idade prematura, com o consentimento dos pais.

Sabia que em relação à educação parental e as drogas é necessário existir uma atenção genuína, espontânea e honesta sobre os interesses e as vidas dos nossos filhos, desde crianças? Simples, converse com eles, não faça interrogatórios. Seja um ouvinte activo em relação às motivações, às ideias e ambições dos seus filhos. Durante a conversa com eles pergunte a si mesmo o seguinte “O que é que ele/a está a querer dizer?”

Sabia que em relação à educação parental e as drogas a palavra-chave é Comunicação? Ouvir, sem interromper, as ideias, as opiniões inovadoras e diferentes, mesmo que não concordamos com elas. Desta forma, promovemos uma maior proximidade e entendimento imprescindível (elo), afim de que, os nossos filhos, se sintam à vontade para nos dizer coisas e sobretudo falar em assuntos que nós, pais, não desejamos ouvir da boca deles, mas como pais, precisamos de ouvir. Por vezes, desenvolvemos expectativas irreais em relação ao que gostamos de ouvir dos nossos filhos, essas intenções podem não ser o mais importante. Alguns jovens afirmam “Não falei com os meus pais sobre as drogas porque eles iam castigar, senti medo.” Nós, os adultos, também recuamos perante o medo, nas mais diversas questões do dia-a-dia.

Sabia que em relação à educação parental e as drogas os pais não precisam de ter todas as respostas? Ao longo do desenvolvimento dos nossos filhos, vamos aperfeiçoando as competências na comunicação, todavia podem surgir assuntos mais complicados dos quais precisamos de pedir ajuda. Ao agir desta forma, estamos também a encorajar, os nossos filhos, a pedir ajuda, aos pais e ou a outras pessoas significativas (educadores) quando for necessário.

Sabia que em relação à educação parental e as drogas precisamos de saber responder, o mais honestamente possível, às questões colocadas pelos nossos filhos? Proporcionar-lhes informação actualizada e relevante, mas que eles consigam compreender. Como pai/mãe, educador/a, considera que os seus filhos/pupilos estão à vontade para abordar o assunto das drogas, legais e/ou ilegais?

Falar sobre drogas, tal como outros assuntos importantes, por exemplo o sexo, gestão de conflitos, competências, ambições, os estudos, a alimentação saudável e diversificada faz parte da responsabilidade parental, que ao inicio, pode ser um assunto delicado, mas havendo de ambas as partes, pais e  filhos, a abertura, o compromisso, a disponibilidade, a honestidade, a confiança, a cumplicidade, a intimidade suficiente, a relação entre ambos irá beneficiar através de uma vinculação genuína, resiliente e duradoura. É do senso comum, os filhos contam com o amor, a segurança e a protecção dos pais, para que um dia sigam o rumo das suas vidas (saudáveis), tal como os pais também fizeram. Os pais não são amigos dos filhos, são a família.

Por mais que tentemos ser árbitros perfeitamente calmos, a tarefa de educar acabará por produzir alguns comportamentos estranhos; não estou a referir-me aos miúdos.” Bill Cosby

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dados sobre Pessoas e as Drogas


No mês de Junho de 2011 foi publicado o Relatório Mundial sobre as Drogas 2011 (World Drugs Report) pelo Secretário-geral das Nações Unidas, o sr. Ban Ki-moon. Aproveito para adicionar também alguns dados do Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência (OEDT), do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) e noticias veiculadas pela comunicação social durante este periodo.

Dados:
“Portugal apresenta os níveis mais altos de Sida entre os dependentes e indivíduos que apresentam uso problemático (abuso) de substâncias psicoactivas.”


“Em termos legais comemora-se 10 anos que se descriminaliza o consumo de drogas em Portugal.”
Em 17 de Junho fez 40 anos que o Presidente dos EUA, Richard Nixon, declarou guerra às drogas. A seguir outros países adoptaram a mesma estratégia. [i]

“A descriminalização não aumentou o consumo, MAS Portugal ainda está à frente no uso problemático (Abuso) de estupefacientes.”

“As pessoas dependentes de substâncias psicoactivas não devem ser descriminadas. Devem receber tratamento e ser acompanhados por pessoal médico especializado e conselheiros. A adicção às drogas é uma doença, não é crime.” Secretário-Geral das Nações Unidas, Sr. Ban Ki-moon

“A produção e abuso de medicamentos opiáceos e novas drogas continuam em escalada.”

“A utilização de medicação, sem prescrição médica, é um problema crescente em alguns países.” [ii]

“210 Milhões de pessoas em todo o Mundo, significa 48% da população entre os 15 e os 64 anos de idade consumiu drogas em 2010.”

“O consumo de cocaína duplicou na Europa movimentando valores que se estimam entre os 30 Mil Milhões de Dólares.”

Segundo o director executivo da agência das Nações Unidas para as Drogas e Criminalidade reconhece progressos, MAS afirma que há mais a fazer para promover comportamentos saudáveis.

“210 Mil pessoas morrem todos os anos devido às drogas.”

“O Relatório Mundial das Drogas (2009) estima que existam 38 milhões de pessoas que abusam (uso problemático) de drogas, somente 4,9 milhões têm acesso a tratamento/apoio médico. “

Segundo o Sr. Wolgang Gotz, director do Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência (OEDT) refere que as estatísticas revelam que um em cada três jovens europeus já experimentou uma droga ilegal e que os jovens se deparam com um número cada vez maior de substâncias psicoactivas.

“O OEDT estima que entre 2% e 2,5% dos jovens adultos consomem cannabis diariamente ou quase diariamente, em especial o sexo masculino. Esta percentagem representa uma grande população em risco e realça a necessidade de compreender melhor as necessidades deste grupo em termos de serviços.”

Estimativas do OEDT do consumo de drogas na Europa, em 2009

“Cannabis: prevalência do consumo ao longo da via pelo menos 74 milhões (22% dos adultos europeus). Consumo no último ano: 22,5 milhões de adultos europeus. Consumo no último mês: 12 milhões de europeus.”

“Cocaína: prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 13 milhões (3,9% dos adultos europeus). Consumo no último ano: 4 milhões de adultos europeus. Consumo no último mês: 1,5 milhões. “

“Ecstasy: prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 10 milhões (3,1% dos adultos europeus). Consumo no último ano: 2,5 milhões. Consumo no último mês: menos de 1 milhão”

“Anfetaminas: prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 12 milhões (3,5%dos adultos europeus). Consumo no último ano: 2 milhões. Consumo no último mês: 1 milhão”

“Opiáceos: Consumidores problemáticos (abuso) estimados em 1,2 e 1,5 milhões de europeus. As mortes induzidas pela droga correspondiam a 4% das mortes de europeus entre os 15 e os 39 anos de idade, tendo sido encontrados opiáceos em cerca de 3 quartos dos casos. Droga principal em mais de 50% do total de pedidos de tratamento para toxicodependentes. Cerca de 650 000 consumidores de opiáceos receberam tratamento de substituição em 2007.”
                                                                            «»
“Entre os jovens, o consumo de múltiplas substâncias pode aumentar o risco de problemas agudos e prenuncia o desenvolvimento posterior de um hábito de consumo crónico de droga. Entre os consumidores de droga regulares e mais velhos, o policonsumo[iii] é um dos principais factores contribuintes para a overdose de droga, além de dificultar o tratamento da toxicodependência e  estar associado à violência e à violação da lei.”

“As drogas ao dispor dos europeus são cada vez mais diversificadas, por exemplo, a inovação na produção de drogas sintéticas e as crescentes preocupações suscitadas pelo abuso de medicamentos sujeitos a receita médica. Além disso, tem-se constatado que um elemento definidor do problema do consumo de substâncias europeu é o uso concomitante de álcool, que pode ser observado em TODAS as faixas etárias.”

“Entre a população escolar, os dados mais recentes revelam uma forte associação entre o consumo excessivo esporádico de álcool e o consumo de droga. Esse consumo excessivo esporádico também está frequentemente ligado ao consumo recreativo de drogas, aumentando risco de consequências negativas entre os jovens adultos.”

“Segundo um relatório do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) revela que entre 2001 (ano da implementação da lei da descriminalização) e 2007 o consumo de estupefacientes registou, em termos absolutos, uma subida de 66%. Nesse período houve um aumento de 215% no consumo de cocaína, 85% de ecstasy, 57,5 de heroína e 37% de cannabis. Desde 2001 houve um aumento de 50% no consumo de drogas, entre os jovens com idades os 20 e os 24 anos. Por outro lado, o número de pessoas que experimentou drogas ilícitas, pelo menos uma vez, subiu 7,8% em 2001 e 12% em 2007.”

“Desde a descriminalização (2001) o número de homicídios relacionados com drogas aumentou 40%. Portugal foi o único país europeu com um aumento significativo de homicídios relacionados com drogas entre 2001 e 2006” (Nações Unidas – World Drug Report Junho 2009)

“Mercado Mundial de Drogas Ilegais. Segundo estudo financiado pela Comissão Europeia, sobre o mercado de drogas ilegais, apresentado em 2009, estima que as vendas atinjam mais de 100 Mil Milhões de Euros.”

"A descriminalização não interfere decisivamente nos consumos de drogas das populações, nem nos problemas colocados à sociedade portuguesa pelos usos e em especial pelos abusos de drogas” Professor Jorge Quintas.

“Segundo o Presidente do IDT estão em tratamento 40 mil pessoas e em estruturas de redução de danos cerca de 15 mil. O fenómeno da toxicodependência está a diminuir, mas isso não significa que o consumo de drogas esteja a decrescer. São dois fenómenos distintos.”  Entrevista ao Correio da Manhã

“Existe um aumento do número de jovens entre os 13 e os 18 anos que já experimentaram LSD, sendo que a maior subida regista-se no grupo etário dos 16 anos, segundo um inquérito preliminar. Em relação a outras drogas, verifica-se uma subida nas experiencias com anfetaminas e com cocaína entre os jovens com 15 e 16 anos e uma descida no consumo de cannabis entre os jovens dos 13 anos 15 anos.” Notícia da TSF

Comentário:
Na sociedade portuguesa, incluindo os órgãos de comunicação social, ainda se caracteriza e define as substancias psicoactivas em duas categorias: As drogas leves e as drogas duras, esta caracterização, em relação ás referidas substâncias, contribui para o preconceito e o mito. Esta terminologia não se aplica em termos médicos. O Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência define as substâncias em quatro categorias: 1. Cannabis 2. Anfetaminas, Ecstasy e substancias alucinogénicas 3. Cocaína, cocaína e crack e 4. Consumo de opiáceos e drogas injectada.

Não acredito que a sociedade portuguesa (políticos, tribunais, médicos, investigação e comunicação social, etc.) possua a maturidade suficiente para aderir à legalização da cannabis. Não basta legalizar, é preciso informar, devidamente, o publico em geral das especificidades desta substancia psicoactiva e as suas consequências. O problema não é as drogas, são as pessoas.

Infelizmente, nestes dados, não consta uma estimativa sobre o número de famílias, incluindo as crianças, afectadas pela Toxicodependência. A família aparenta ser negligenciada visto existir estruturas de apoio aos indivíduos dependentes, mas para as respectivas às famílias, em muitos casos traumatizadas, não. Será que isso significa que a Família não está envolvida no processo de tratamento? Segundo revelam alguns estudos, nos EUA e em Inglaterra, a família deve fazer parte activa do tratamento do dependente, contribuindo assim, para o sucesso da recuperação.

Infelizmente, nestes dados não consta as despesas para o Estado na área da saúde. Seria significativo, o publico em geral, tomar conhecimento sobre o montante aproximado dos gastos. Acrescento, as despesas de tribunais (problemas legais), e problemas de saúde (por exemplo, HIV/SIDA, Hepatite C), problemas no trabalho (por exemplo, o absentismo, acidentes de trabalho e problemas nas equipas).

Também não é publico as despesas sobre a Luta Contra as Drogas. Segundo alguns peritos internacionais afirmam, e corroboro essa afirmação, que a Luta Contra a Droga, nos moldes em que é definida a sua estratégia, é uma guerra contra fantasmas e sem sucesso. Isto é, continua-se a gastar milhares de euros sem que o resultado desse investimento tenha retorno concreto e satisfatório.

Considero que da mesma maneira, que as drogas ilegais, as drogas legais merecem destaque, refiro-me ao abuso (uso problemático) do álcool e ao alcoolismo, em especial aos jovens adultos e em geral aos adultos, famílias, incluindo as crianças, problemas de saúde (hepatites, Cirroses, SIDA/HIV), problemas legais, problemas no trabalho (absentismo). Neste sentido, o numero de indivíduos afectados abuso do alcool e pelo alcoolismo, incluindo as suas famílias e crianças, na nossa sociedade, é um fenómeno negligenciado e negado visto não existirem dados. Convido o leitor a visitar o site Directório do Álcool. Acompanho este site desde a sua inauguração e constato que o seu conteúdo está muito aquém daquilo que é esperado, por exemplo, em termos informativos, na área da investigação e estatísticas afirma estar “funcionalidade em desenvolvimento”. Como é possível, se o alcoolismo é um problema de saúde pública? Pertencemos a uma cultura que bebe. http://www.directorioalcool.com.pt/Paginas/HomePage.aspx

Podemos também acrescentar a utilização de medicação, sem prescrição médica (auto medicação), capaz de gerar dependência crónica (por exemplo, as benzodiazepinas; tranquilizantes, sedativos) problemas de saúde e problemas no trabalho (absentismo). Mais uma vez, não existem dados públicos sobre este flagelo.

Para terminar, gostaria de acrescentar uma questão que afecta principalmente as drogas ilícitas refiro-me às drogas adulteradas. Isto é, a maior parte das drogas comercializadas e consumida, nas ruas, são adicionadas outras substâncias desconhecidas e possivelmente tóxicas.

E os dados sobre o consumo de nicotina? Apesar das medidas restritivas e existirem centros de saúde que disponibilizam apoio à interrupção dos hábitos tabágicos, que visam alertar sobre o perigo em fumar, pouco se sabe sobre o trabalho desenvolvido na dependência, assim como os seus resultados.

Mais Vale Prevenir Do Que Remediar e

 Recuperar É Que Está A Dar. visite o blogue http://recuperarequeestaadar.blogspot.com



[i] Guerra às Drogas Ilegais parece uma batalha perdida e contra fantasmas. Gastam-se, todos os anos, triliões de dólares sem que o resultado desejado seja alcançado, porque a oferta continua a supera a procura. A Industria milionária e poderosa das drogas e os seus parceiros conseguem corromper pessoas, instituições e países (por exemplo o caso mais mediático México, Colômbia, Afeganistão).

[ii] Em Portugal não existem relatórios (investigação) sobre a utilização da medicação sem prescrição médica capaz de gerar dependência crónica. Este flagelo aparenta atingir níveis preocupantes e galopantes visto não ser monitorizado e/ou avaliado pelas autoridades competentes.

[iii] Policonsumo de substancias psicoactivas ilícitas e/ou licitas – Refere-se ao consumo de mais do que uma droga ou tipo de droga pelo mesmo individuo – consumo simultâneo ou sequencial (definido no léxico da Organização Mundial de Saúde – OMS) Por exemplo, um indivíduo pode consumir, abusar (consumo problemático) e ficar dependente (Adicção) à Heroína, Álcool e Tranquilizantes (Benzodiazepinas) ou Cocaína, Tranquilizantes (Benzodiazepinas) e Álcool. Objectivo do indivíduo em relação ao Policonsumo passa por potenciar e/ou regularizar (controlar) o efeito das substâncias ingeridas a fim de obter o efeito desejado (auto medicação).





quarta-feira, 29 de junho de 2011

Stop Psychiatric Labeling Of Kids

terça-feira, 14 de junho de 2011

As Festas de Verão e a Publicidade Agressiva da Industria do Alcool



É recorrente o fenómeno da publicidade e do marketing agressivo em relação ao apelo do consumo das bebidas alcoólicas, da indústria do alcool, entre o mês de Abril e Setembro assumir dimensões desproporcionadas em “palcos sociais” onde destaco a Queima das Fitas, os Santos Populares e os festivais de música. Estes “palcos” movimentam, por ano, dezenas de milhares de pessoas, na sua grande maioria, adolescentes e jovens adultos e são uma fonte de receita (lucro) apetecível. 

São meses de festa e divertimento onde o álcool é encarado como um excelente “lubrificante” na gestão e expressão das ideias e das emoções. Todavia, uma parte significativa e “escondida” está relacionada com o abuso do álcool e de outras substancias psicoactivas licitas e/ou ilícitas, o alcoolismo, com a violência (Ex. bullying), os acidentes, binge drinking, a gravidez indesejada, condução sob o efeito do álcool e/ou outras drogas, intoxicação alcoólica.

Uma notícia no JN do dia 10 de Junho de 2011 despertou a minha atenção. Em letras garrafais referia o seguinte “Arraiais contaminados pela febre das cervejas. Lisboa, marcas estão em todo em toda a parte, nas paredes, eléctricos e quiosques.

Desde 2007 altura em que iniciei o blogue, em particular, um dos temas em destaque, na Prevenção das Dependências, são os adolescentes e jovens adultos, e a forma como a Industria poderosa e milionária do Álcool e os seus parceiros influenciam o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo, através da excessiva publicidade e do marketing agressivo, na nossa sociedade, já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos (cultura que bebe), e que tem permanecido activo e intocável ao longo das gerações. Isto é, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de idade, a prevenção, o tratamento).

Algumas afirmações reveladoras e preocupantes sobre a negligência e a negação do fenómeno na noticia do JN:
“Em vez dos enfeites de papel, balões, santos antoninos e manjericos nos bairros históricos de Lisboa, em contagem decrescente para as festas, há anúncios a cervejas. É uma espécie de “vírus” que tomou a cidade.”  Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“Eu não quero saber qual é a cerveja melhor, qual é a numero um, acho que é obsessiva a forma como ocupam o bairro. A Câmara fiscaliza tão bem umas coisas e alheia-se de outras” Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“A publicidade está em toda a parte: nos eléctricos que passam, fachadas dos prédios, taipais das obras, caixas da EDP, montras, bancas, esplanadas e varandas de apartamentos a troco de meia dúzia de cervejas grátis. E todo este apelo ao consumo convive, lado a lado, com outros cartazes que recomendam moderação com o álcool. É assim na Sé, Alfama, Castelo ou no Bairro Alto.”

“A guerra entre as duas principais marcas de cerveja (…) começou de forma envergonhada, mas atingiu este ano proporções alarmantes.”

Ambas as marcas questionadas pelo referido jornal afirmaram:
A primeira “opção livre e assumida e que preocupada com o consumo “responsável vai disponibilizar um autocarro gratuito na noite de domingo para segunda-feira.”

A segunda “a visibilidade e os quiosques da marca cumprem um regulamento e seguem todos os procedimentos para obtenção das autorizações legais”, junto da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), organizadores dos arraiais e Câmara de Lisboa”

“A EGEAC não dá resposta. O vereador José Sá Fernandes diz que não há meios para fiscalizar” Presidente da Junta de Freguesia da Sé, acrescenta “é preciso coragem política para regulamentar”

Considerei relevante enaltecer a atitude deste politico, independentemente das cores e ideias politicas, enviei-lhe um email a felicita-lo e aproveito para publicar assim como a respectiva resposta.

Exmo Sr Presidente da Junta de Freguesia da Sé, Sr. Filipe António Osório de
Almeida Pontes

Após ter conhecimento da noticia do Jornal de Noticias da qual o sr fez
denuncia e referencia ao abuso da publicidade e das técnicas agressivas de
marketing, pela Industria poderosa e milionária do álcool e os seus
parceiros, antes, durante e depois dos Santos Populares, visto os cartazes
permanecerem nas paredes "eternamente", venho felicita-lo enquanto
Presidente de Junta e como politico pela denuncia deste tipo de actividade
"ilegal" mas permitida e negligênciada pelas autoridades competentes.

Trabalho na área das dependências desde 1993. Como profissional, pai e
membro da sociedade considero que este tipo de fenómenos incentivam o abuso
de álcool por parte dos jovens (binge drinking - abuso cujo intuito é a
intoxicação -  embriaguez), contribuem para o agravamento da nossa "cultura
que bebe" há dezenas de anos e que permanece activa através das gerações,
com  a agravante de não existirem pessoas e/ou instituições suficientemente
activas capazes de interferirem neste tipo de legislações permissivas. O
lucro não pode ficar acima dos direitos das crianças e jovens adultos. As
lacunas legais existentes não justificam a "contaminação pelo vírus."

Convido-o a visitar os meus blogues sobre a Recuperação das Dependências e
da Prevenção das Dependências.

Só me resta, e mais uma vez, felicita-lo pelo seu "desabafo" impotente e
isolado, mas realista e preocupante, perante o JN.

Atenciosamente

João Alexandre Rodrigues
Conselheiro em Comportamentos Adictivos

Resposta ao email pelo Presidente da Junta:

Agradeço as suas palavras e irei certamente espreitar o seu blog. O trabalho
do autarca deve reflectir os valores do próprio por isso faço-o com a
convicção de quem partilha estas e outras certamente preocupações sobre as
novas gerações e futuro garante da sociedade.

Grato
Filipe Pontes

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sensibilizar, Alertar e Intervir por Ana Neves


Durante dez meses vivi um grande desafio e uma grande aventura. Estou no último ano do curso de Animador Sociocultural, desenvolvi um projecto final de curso ao qual dei nome “De Que É Que Dependes?”.

Este projecto enquadra-se no tema das dependências químicas e não químicas (uso excessivo de álcool ou drogas e uso excessivo das novas tecnologias), quis trabalhar junto de duas turmas da minha escola, alunos do 1.º ano/10.º ano com idades compreendidas entre os 14 e os 25 anos, de forma a sensibilizá-los e preveni-los para esta problemática social que tanto afecta os jovens de hoje.

             Escolhi a temática das dependências por considerar ser um assunto interessante e que gostaria de abordar de um modo mais aprofundado. O facto de ser um problema social que atinge as camadas da população mais jovem e as futuras gerações, devemos adoptar medidas mais práticas e que mostrem realmente as consequências do uso das dependências químicas e não químicas (uso excessivo de álcool e drogas e uso excessivo das novas tecnologias). Gostava, assim, de intervir nesta problemática através da Animação.

            Acima de tudo quis arriscar. Porque não intervir, como Animadora, num problema social dos dias de hoje? Se um Animador é como um interveniente, porque não? Para mim, a Animação consegue minimizar ou até mesmo resolver uma necessidade, neste caso, alertar para os comportamentos de risco na juventude.

            Realizei actividades no âmbito do debate, troca de conhecimentos e experiências como por exemplo o “Chapéu dos Medos” ou “Diz o que pensas sobre… As dependências!”, experiencias, expressão artística e também duas palestras que esclareceram os alunos e alertaram para os dois tipos de dependência. Porquê duas turmas? Antes de tudo tive que fazer um diagnóstico das necessidades e para isso apliquei inquéritos onde verifiquei que não só haviam mais dúvidas relativamente a esta temática, como também foi possível identificar algum tipo de consumo.

            Trabalhar em conjunto com jovens e acerca das dependências químicas e não químicas foi relativamente interessante e bastante exigente. Não foi um projecto entediante, nem desinteressante e muito menos pouco relevante. A meu ver as duas turmas com que trabalhei, ao realizar quatro actividades, também não o acharam, todas elas não mostraram desinteresse, pelo contrário, mostraram-se disponíveis, activas e abertas ao que iria advir.

            A meu ver, este contributo foi importante para a sensibilização desta temática apesar de considerar que seriam necessárias mais actividades para que o resultado se prolongasse no tempo, ou seja, que os alunos continuassem alertados para esta problemática. Seria necessário mais actividades que envolvessem dinâmicas de grupo, debate e expressão artística, aspectos que verifiquei serem relevantes para os alunos no decorrer das actividades realizadas. Não só seria uma mais-valia para os alunos, mas também para a escola porque iria, sem dúvida, torná-la mais dinâmica e prevenir e sensibilizar cada vez mais a comunidade escolar para os problemas que poderão vir a prejudicar as suas vidas futuras.

            A elaboração deste trabalho final de curso foi bastante importante. Mudou a minha maneira de pensar relativamente aos actos que cometemos e que podem vir a mudar a nossa vida. Mudou a minha maneira de agir com o público-alvo juvenil visto que me tornei próxima do mesmo e passei a conhecer um grupo com que antes nunca tinha trabalhado, por fim, mudou a minha maneira de trabalhar pois passei a ser uma estudante muito mais produtiva, dedicada e empenhada. Em cinco actividades realizadas, penso ter respondido aos objectivos inicialmente traçados: Sensibilizar, Alertar, Intervir.

            Foi muito gratificante ter trabalhado a temática das dependências junto dos jovens e não mudaria nada.

Autora: Ana Neves

Comentário: Nesta sociedade dos adultos cada vez mais consumista e individualista, considero que os jovens têm um papel interventivo na Prevenção das Dependências (Escola, Família, Grupo de Pares, Comunidade, Sociedade). Dedico especial atenção às suas ideias criativas, às suas questões "livres" de preconceitos e estereótipos e à sua motivação na abordagem critica do Mundo dos Adultos, repleto de riscos, mas por outro lado, e felizmente, repleto de oportunidades.  A autora deste trabalho, a Ana Neves, tal como alguns profissionais e instituições envolvidas no terreno, reforça a necessidade de um  maior investimento nesta temática actual e preocupante, derivado à lacuna existente e cujos responsáveis (adultos) aparentam cruzar os braços perante a evidência desastrosa, por exemplo: o insucesso da luta contra as drogas ilícitas, a publicidade e o marketing agressivo da industria poderosa do álcool, vivemos numa cultura que bebe, a inexistência de estudos sobre o binge drinking entre os jovens, campanhas de sensibilização sobre os perigos do abuso do álcool, etc.
Os meus agradecimentos à Ana Neves pela sua participação no Mais Vale Prevenir Do Que Remediar e parabéns pelo seu trabalho. Faço votos que continue a explorar o Mundo dos Adultos, com uma atitude critica e resiliente, na busca de um Propósito de Vida e que consiga contribuir para uma sociedade diferente da actual (crise social).