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segunda-feira, 11 de junho de 2018

O estigma, a negação e a vergonha e a prevenção dos comportamentos adictivos




Por motivos históricos, culturais e morais, precisamos de mudar a perceção de algumas crenças rígidas e disfuncionais. Segundo o dicionário da Priberam da Língua Portuguesa estigma é. "Marca, cicatriz perdurável, marca infame feita com ferrete." Recorremos ao estigma ("marca", rótular, preconceitos) a fim de nos diferenciar dos outros, desta forma, estabelecemos uma identidade social, convencendo que somos aqueles que são os "normais.". Na realidade, todos nós já sofremos com o estigma; fomos marcados, sinalizados como “anormais -  persona non grata.  

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa negação é: "Não confessar culpa ou delito, recusar, repudiar, afirmar que algo não existe (desmentir), rejeitar" O que é que fazemos quando não queremos ver a verdade? Quando adiamos algo importante? Como é que se ajuda uma pessoa que recusa ser ajudada? O que é que fazemos quando justificamos o injustificável e o disfuncional?
Optamos por esconder, não ver, não sentir e resistir à mudança de comportamentos e atitudes. 

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa vergonha é: "Pudor, pejo, timidez, acanhamento, timidez, embaraço, receio de desonra" Esta definição diz-nos pouco sobre o poder toxico da vergonha. A vergonha tóxica está enraizada na identidade (ser); não ser digno, não merecer, algo está errado connosco, preocupação e perfecionismo. A vergonha é mais difícil de identificar do que o sentimento de raiva, a ansiedade e a necessidade do controlo. Levamo-nos demasiado a sério (excesso de zelo, moralidade) porque queremos “esconder” a vergonha tóxica.

Passamos uma parte considerável da nossa vida social a fingir, a negar e a proteger-nos da critica alheia com medo de revelarmos os sentimentos: desenvolvemos a crença que seremos criticados/julgados, repudiados por isso. Na verdade, sentir é OK, independentemente, daquilo que outros pensam ou dizem. É uma prioridade conseguirmos ser honestos connosco próprios.
 Alguns factores que reforçam o estigma, a negação e a vergonha. 1. Preocupação excessiva sobre o que é que os outros pensam 2. medo desmesurado do desconhecido 3. necessidade de certezas absolutas 4. ansiedade, perfecionismo 5. "ter o controlo sobre tudo" 6. comparação e competição excessiva 7. viver de aparências ou estilos de vida que não podemos suportar.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Negar as evidencias não é um acto responsável.



Gradualmente, a legalização da canábis (resina e planta), vulgo haxixe e erva, sem ser para utilização terapêutica, tem ganho adeptos dos mais variados quadrantes da sociedade; partidos políticos, organizações não governamentais, opinion makers, alguns artistas, comunicação social, etc. Pessoalmente, não sou a favor da legalização da canábis e explico porquê. Não tenho nada contra as drogas, tenho é muitos motivos para estar desacreditado e desiludido em relação às pessoas, refiro-me aos decisores políticos.  Por outro lado, os portugueses não estão suficientemente informados, a nível científico, sobre os efeitos da droga psicoativa alteradora do sistema nervoso central. Quantas aldeias e vilas empobrecidas, principalmente do interior do país, estão informadas a nível científico? Estas pessoas continuam a recorrer aos mitos e tradições retrogradas e desatualizadas, em termos de comparação, acrescento o consumo do álcool, para efeitos terapêuticos, “beber álcool aquece”, “beber álcool alimenta “ou  “beber algo dá energia”, etc. Nestas aldeias, mais depressa se encontra um traficante de canábis, do que luz na rede elétrica. Nas consultas, escuto pais, licenciados, também baralhados e confusos, perante os argumentos, adquiridos na rua ou informação falsa, dos seus filhos que insistem que o canábis é uma droga inócua para a saúde.

Quando penso na legalização da canábis, dá a sensação que primeiro legisla-se e depois legaliza-se ou vice-versa, mas o que importa é a visão mercantilista da coisa de acordo com as leis do mercado (milhões de euros nos cofres do estado em impostos, postos de trabalho, mercado negro, etc) e depois que se lixem, as pessoas e as suas famílias, que apresentam problemas graves de saúde, devido ao uso e abuso da cannabis, por exemplo, indivíduos com surtos psicóticos, depressão e ansiedade. Sabia que a canábis gera dependência psicológica? Numa consulta com Nuno (nome fictício) afirmou o seguinte: “Estou cheio de medo de largar a erva… depois o que é que vai ser de mim??? Acho que não vou conseguir…estou com medo…” De notar que o discurso do Nuno, estava emocionado e assustado, visto, há décadas consumir canábis, diariamente. Para terminar, um dia escutei um documentário onde o investigador fez a seguinte declaração: “O canábis não mata, mas pode enlouquecer. “, subscrevo.

Alguns fatores importantes sobre a Legalização do canábis (Alimento pro pensamento)
  • Condução sob o efeito de canábis. Legislação
  • Legislação no trabalho. Irá o consumo de canábis afetar o rendimento/produtividade no trabalho?
  • Idade legal para o consumo – EUA de acordo com a legislação são 21 anos
  • Indústria milionária -   Marketing agressivo, leis do mercado, concorrência, mercado negro, lucro, outros produtos, por exemplo, confecção de bolos, doces (risco de consumo por crianças).
  • Qual é o nível de THC permitido/seguro para consumo? Sabia que o nível de THC é elevadíssimo comparativamente há 20 anos?
  • Para os pais – orientações científicas sobre o consumo, abuso e dependência psicológica, refiro-me à prevenção e ao tratamento.
  • Escolas – políticas e critérios - orientações para os professores e pessoal não docente.
  • Prevenção do abuso e dependência do canábis – campanhas informativas nos meios de comunicação social.
  • Alternativas aos consumos/abuso de canábis, por exemplo, em festas, concertos, queimas das fita, etc
  • Evidencia científica sob o consumo, abuso e dependência do canábis
  • Posse legal de canábis /Quantidade?
  • Cultivo, produção, fabrico e extração das substâncias psicoactivas a fim de estarem disponível para o consumidor final.
  • Segundo a evidencia cientifica o consumo durante a adolescência aumentou o risco de surtos psicóticos. Nos EUA, um em cada 6 adolescentes que experimentam canábis ficam dependentes. O risco de dependência é maior do que do álcool.
  • Atualmente a canábis é mais potente (níveis de THC agente tóxico activo) comparativamente há 20 anos. Aumenta o risco de dependência?
  • Saúde vs Economia - Decisores políticos – estratégia para a prevenção, o tratamento e a recuperação das pessoas dependentes. O problema não são as drogas, o problema são as pessoas.
  • Trafico, mercado negro.
  • Factos: nos EUA, em alguns estados, o numero de adolescentes que vão as urgências dos hospitais aumentou após a legalização do canábis. Nos EUA o numero de acidentes de viação aumentou após a legalização do canábis.
  • Na minha opinião, Portugal, (principalmente, os decisores políticos) não está preparado para seguir uma estratégia que assegure o apoio às pessoas, às suas famílias e às comunidades, refiro-me á prevenção e ao tratamento do abuso e da dependência do canábis. Assim como não existe um dialogo (pontes) entre a comunidade cientifica e o publico em geral, devido principalmente ao estigma, ao preconceito (e hipocrisia), à negação e à vergonha. Todavia, observo pequenas ações educativas, por exemplo, Ordem dos Médicos, mas para fins terapêuticos.
  • Consumo de canábis durante a gravidez e efeitos para o bebé.
  • Utilize esta lista para abordar o tema com os seus filhos. 




segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Campanha publicitária


Campanha publicitária "Há conversas mais fáceis" visa sensibilizar os pais de filhos até 18 anos sobre os riscos do abuso de bebidas alcoólicas. Esta iniciativa foi promovida pelo Clube de Criativos de Portugal, em parceria com o Serviço de Intervenção dos Comportamentos Adictivos e Auto Regulação Publicitária.  Autores dos cartazes Roberta Batista e Gonçalo Martinho  

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

10 anos de existência na blogosfera 2007/2017




  • Setembro de 2007/2017 – O blogue comemora 10 anos de existência. Em 2007, decidi criar dois blogues: 1. Sobre a prevenção das dependências e o 2. sobre o tratamento e a recuperação da adicção.  Foram os primeiros blogues, em Portugal, a abordar a prevenção das dependências/comportamentos adictivos por um profissional.
  • Recordo a minha ambivalência em relação às primeiras publicações, estava consciente das minhas limitações e duvidas, em termos da escrita. Tinha varias questões na minha mente: «Será que alguém vai interessar-se pelos temas?» ou «Será que as pessoas vão gostar do meu estilo de escrita?». Existiam um rol infindável de duvidas e questões para as quais não conseguia obter uma resposta concreta, mas por outro lado, estava motivado e entusiasmado em explorar o potencial da Internet e lançar a discussão publica a fim de quebrar o estigma, a negação e a vergonha, partilhando ideias, experiência profissional, conhecimento e alguns avanços na investigação cientifica. Em setembro, decidi arriscar. Passados dez anos ainda bem que o fiz.
  • Se naquela altura, a prevenção já era um tema atual e preocupante, devido ao estigma, da negação e da vergonha associados às dependências, passados dez anos, o tema continua a estar em voga; o mundo dos adultos não é seguro para alguns jovens vulneráveis.
  • O blogue aborda varias temáticas sobre a prevenção das dependências e conta com a participação de varios profissionais dedicados.
  • Passados dez anos, recebo uma media de 2 emails por semana de indivíduos que procuram orientação sobre a problemática das dependências nas suas famílias e/ou escolas.
  • Numero total de visualizações 45.025
  • O blogue é interactivo com o Facebook, o Google + e o LinkedIn .
  • Para terminar aproveito também para manifestar a minha gratidão a todos aqueles que participam com textos, incluindo a colaboração de profissionais, mensagens, partilhas e comentários ao longo de dez anos. Aproveito para dar uma boa noticia, o blogue irá continuar disponível e a lançar a discussão aberta e honesta contra o estigma, a negação e a vergonha. «Mais vale prevenir do que remediar»


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Bullying - "Até hoje"





Até hoje!
"Eles estavam enganados..."
As consequências do bullying podem permanecer para o resto da vida: "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar"
Veja o vídeo


terça-feira, 28 de junho de 2011

Festas de Verão e a publicidade agressiva da Industria do Alcool sem prevenção


No seguimento do trabalho sobre as Festas de Verão e a publicidade agressiva da Industria do álcool da qual os jovens são  alvo, na nossa sociedade, já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos (cultura que bebe), onde tem permanecido activo e intocável ao longo das gerações. Na pratica, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de idade, a prevenção, o tratamento).

Desta vez, convidei uma empresa municipal (Camara Municipal de Lisboa) a EGEAC a participar num pequeno questionário sobre as Festas dos Santos Populares e a Industria do Álcool, que mais uma vez agradeço a sua disponibilidade.

Gostaria de destacar a inexistência de entidades competentes e/ou medidas que visem a Prevenção das Dependências durante as Festas de Verão, porque o lucro está acima dos direitos dos jovens. 
As respostas vieram confirmar os piores receios: O Mundo dos Adultos não é seguro para alguns jovens vulneráveis.   



Exmos srs EGEAC

É um fenómeno recorrente, nesta altura do ano (Verão) a publicidade, o marketing agressivo e a venda em relação às bebidas alcoólicas, em especial das cervejas, assume uma proporção muito significativa e capaz de influenciar e encorajar o consumo das referidas bebidas, principalmente entre os mais jovens, isto é, novos consumidores (fidelização à marca), técnicas de marketing que visam o publico jovem e o binge drinking (abuso de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação - embriaguez). Por exemplo, nas Queimas das Fitas, nos festivais de música e nos Santos Populares. Estes eventos sazonais movimentam milhares de pessoas, incluindo os jovens, e são extremamente lucrativos para as marcas de cerveja.

Sou um profissional que trabalha na Prevenção e Tratamento das Dependências de Substancias Psicoactivas e venho por este meio solicitar o vosso apoio para o meu trabalho sobre a publicidade, a venda de bebidas alcoólicas (cervejas) e o super visionamento pelas entidades responsáveis por tais práticas. Qual o histórico e o V.  papel activo na prevenção deste tipo de mercado extremamente agressivo e lucrativo por parte da industria do álcool? Nesse sentido, gostaria de vos enviar um questionário e saber a quem pode ser dirigido.

Desde já os meus agradecimentos e estou disponível para qualquer esclarecimento adicional.
Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues

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Resposta da EGEAC
Exmo. Senhor,
Acusamos a recepção do Vosso email que mereceu a nossa melhor atenção. Nesse âmbito informamos que também nós estamos cientes dos perigos inerentes ao consumo de álcool pelo que também nós temos colaborado com as autoridades no sentido de sensibilizar os vários participantes e espectadores das Festas de Lisboa.

Caso possamos ajudar na Vossa acção estaremos ao Vosso dispor
Cumprimentos
EGEAC

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Nota: Após a disponibilidade da EGEAC, em participar, reencaminhei um questionário com oito perguntas sobre a Publicidade e o Marketing agressivo em relação à venda de bebidas alcoólicas.



  • Resposta da EGEAC ao questionário

Exmo. Senhor
Conforme solicitado colocamos as nossas respostas junto das Vossas perguntas
Cumprimentos EGEAC

Questionário: Festas dos Santos Populares

1. Qual a função da EGEAC durante as Festas dos Santos Populares?

EGEAC: IMPORTA DESDE JÁ REALIZAR UM ESCLARECIMENTO, UMA COISA É O PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA DO QUAL A EGEAC É A ENTIDADE ORGANIZADORA E RESPONSÁVEL, OUTRA A FESTA DOS SANTOS POPULARES ONDE UM CONJUNTO MUITO SIGNIFICATIVO DE ENTIDADES E PRIVADOS DESENVOLVEM AS SUAS INICIATIVAS

2. Qual o numero aproximado, segundo os v. dados, de participantes nas Festas dos Santos Populares?

EGEAC: NÃO NOS É POSSÍVEL TERMOS UM VALOR EXACTO. NO QUE DIZ RESPEITO AO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA O VALOR DEVERÁ RONDAR 1,5 MILHÕES DE ESPECTADORES CONTANDO COM AS TRANSMISSÕES DA TELEVISÃO.

3. Quais os incumprimentos mais detectados pela EGEAC sobre a publicidade, o marketing agressivo e a venda em relação às bebidas alcoólicas, nos últimos 5 anos?

EGEAC: EMBORA CIENTES DESSE PROBLEMA, NÃO ESTÁ NA MISSÃO DESTA EMPRESA MUNICIPAL ESSE TIPO DE AVALIAÇÃO. JULGAMOS NO ENTANTO QUE ACTUALMENTE O PROBLEMA NÃO RESIDE NO PERÍODO DAS FESTAS DE LISBOA MAS SIM ANUALMENTE CONSIDERANDO A RECENTE MODA DO "BOTILHÃO" OU SEJA A VENDA DE BEBIDAS ALCOÓLICAS EM LOJAS QUE ESTÃO ABERTAS DIA E NOITE SEM NENHUM CONTROLO.

4. Quais as medidas especificas tomadas pela EGEAC durante as Festas dos Santos Populares de forma a monitorizar e a prevenir a publicidade e o marketing agressivo pela industria do álcool?

EGEAC: VOLTO A REFORÇAR A IDEIA DE QUE A EGEAC NÃO TEM COMO MISÃO TOMAR MEDIDAS SOBRE ESTA SITUAÇÃO. ESSE DEVER PRENDE-SE COM OUTRAS ENTIDADES E INSTITUIÇÕES QUE TÊM POR BASE NA SUA ACTIVIDADE AVALIAR E PREVENIR ESSA SITUAÇÃO, NOMEADAMENTE NO CAMPO DA FISCALIZAÇÃO. A EGEAC APENAS PROCURA QUE OS SEUS PARCEIROS CUMPRAM COM OS REQUISITOS QUE NÃO POSSIBILITEM UM CONSUMO EXAGERADO DESSE TIPO DE BEBIDAS NOS EVENTOS QUE REALIZA.

5. Consideram que a Industria do álcool, durante as Festas dos Santos Populares, adopta uma postura responsável em relação à publicidade e ao marketing?

EGEAC: VOLTO A FRISAR QUE NÃO COMPETE À EGEAC AVALIAR E/OU PRONUNCIAR-SE SOBRE ESSA SITUAÇÃO. TEMOS NO ENTANTO PROCURADO TRABALHAR COM OS NOSSOS PARCEIROS DIRECTOS PARA QUE A IMAGEM E O MARKETING UTILIZADO RELAIZE MAIS UMA ASSOCIAÇÃO DE MARCAS À MARCA LISBOA E FESTAS DE LISBOA DO QUE AO PRODUTO PROPRIAMENTE DITO, PROCURANDO DESTA FORMA DESENVOLVER UMA ACÇÃO PEDAGÓGICA. RELEMBRO NO ENATNTO QUE NO PERÍODO DOS SANTOS POPULARES EXISTEM OUTRAS ENTIDADES E MARCAS QUE NÃO POSSUEM ESSA PREOCUPAÇÃO.

6. Na opinião da EGAEC, qual o efeito do slogan pratico "Seja responsável beba com moderação" durante as Festas dos Santos Populares?

EGEAC: SÓ NOS PODEMOS PRONUNCIAR RELATIVAMENTE ÀS INICIATIVAS DIRECTAMENTE REALIZADAS PELA EGEAC. CONSIDERAMOS QUE A RESPECTIVA MENSAGEM TEM TIDO OS SEUS RESULTADOS QUANDO BEM VEICULADA.

Como sabem o Álcool é uma substância psicoactiva depressora do sistema nervoso central (droga lícita). O Alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal, isto é revelador na medida, em que, somos uma "cultura que bebe".

7. Quais a medidas especificas tomadas pela EGAEC, durante as Festas dos Santos Populares, de forma a monitorizar e a prevenir o Fenómeno Binge Drinking entre os jovens (Abuso de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação - embriaguez. Por ex. entre os homens, o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante dias seguidos e afecta negativamente os comportamentos dos jovens. Algumas consequências previsíveis após o Binge-Drinking por ex. acidentes, condução
sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência e abuso - ex. bullying, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, intoxicação alcoólica e morte), e o consumo por jovens menores de idade (legal) que é de 16 anos?

EGEAC: VOLTAMOS A REFORÇAR A MENSAGEM: UMA COISA É O PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA DO QUAL A EGEAC É RESPONSÁVEL E ONDE A SITUAÇÃO QUE REPORTA NA SUA QUESTÃO NÃO SE COLOCA, OUTRA COISA TOTALMENTE DISTINTA SÃO AS FESTAS DOS SANTOS POPULARES QUE SÃO DA RESPONSABILIDADE DE VÁRIAS ENTIDADES E PRIVADOS E SOBRE O QUAL A EGEAC NÃO TEM CONHECIMENTO SOBRE OS PROCEDIMENTOS ADOPTADOS. JULGAMOS QUE A SITUAÇÃO APONTADA NA VOSSA QUESTÃO NÃO SÓ SE REPORTA AO PERÍODO DOS SANTOS POPULARES

8. Quais as medidas especificas tomadas, pela Organização das Festas dos Santos Populares, de forma a monitorizar e a prevenir o abuso das bebidas alcoólicas, não só entre os jovens mas também entre os adultos?

EGEAC: VOLTO A INFORMAR QUE A EGEAC APENAS INTERVÉM NAS ACÇÕES DO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA SOBRE SUA RESPONSABILIDADE, PELO QUE PROCURAMOS SEMPRE JUNTO DOS NOSSOS PARCEIROS QUE AS ACÇÕES A REALIZAR NÃO PRODUZAM GRANDE CONSUMO DE ÁLCOOL JUNTO DOS VÁRIOS PÚBLICOS PARTICIPANTES.

O Álcool (substância psicoactiva geradora de dependência) e o alcoolismo· (doença) assumem uma dimensão preocupante visto as consequências representarem um elevado preço, quer seja para o próprio Estado, para as famílias, incluindo as crianças, para a comunidade e para a sociedade em 
geral.
As gerações futuras necessitam de orientação e apoio nos momentos mais críticos das suas vidas, por ex. a adolescência. Uma única vitima do abuso do álcool e ou do alcoolismo é demasiado.
Mais uma vez os meus sinceros agradecimentos pelo V. apoio.
Estou disponível para qualquer esclarecimento adicional
Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues

Nota: Após as respostas inconclusivas ao referido questionário voltei a reencaminhar outro email com novas questões.

Boa tarde,

desde já os meus agradecimentos pela prontidão da resposta ao email/questionário.
Depois de ler, atenciosamente, as suas respostas surgem outras questões às quais continuam sem resposta.
Nesse sentido, se me permite, gostaria de colocar as seguintes questões.

Segundo o vosso site as Festas dos Santos Populares fazem parte de um conjunto de iniciativas das Festas de Lisboa,  "sendo a EGAEC uma empresa municipal responsável pela programação das mais variadas iniciativas· (Equipamentos e Eventos), onde se incluem as Festas dos Santos Populares.” E ainda "Contudo só em 1934 a Câmara Municipal de Lisboa chamou a si a organização dos tradicionais festejos inspirados nos Santos Populares." Desde 1934 até 2011 a Câmara Municipal de Lisboa organiza os tradicionais festejos.

EGEAC: COMO MENCIONEI A CML/EGEAC SÃO AS ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA ORGANIZAÇÃO DO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA QUE INCLUI AS PRINICIPAIS INICIATIVAS CELEBRATIVAS DOS SANTOS POPULARES, NOMEADAMENTE DO SANTO ANTÓNIO.
NO ENTANTO NÃO É DA SUA RESPONSABILIDADE A TOTALIDADE DAS MUITAS INICIATIVAS
QUE TÊM LUGAR NA CIDADE NESTE PERÍODO
.

Tendo em conta a sua resposta, ao primeiro questionário, não faz qualquer referência específica ao "...conjunto muito significativo de entidades e privados desenvolvem as suas iniciativas".Quem são e o que fazem, de acordo com o teor do questionário? Quem são as entidades responsáveis públicas ou privadas pela monitorização da publicidade e o marketing agressivo assim como a venda das bebidas alcoólicas?

EGEAC: COMO CERTAMENTE SABERÁ ESSAS ENTIDADES SÃO DESDE AS VÁRIAS ASSOCIAÇÕES, COLECTIVIDADES, ESCOLAS, AGRUPAMENTOS DE ESCUTEIROS, ENTRE OUTROS QUE TAMBÉM ELAS REALIZAM NESTE PERÍODO VÁRIAS INICIATIVAS E NEGOCEIAM COM EMPRESAS DE BEBIDAS A SUA PRESENÇA NO ESPAÇO PÚBLICO E RESPECTIVA VENDA DE BEBIDAS.

Quem são as entidades publicas ou privadas responsáveis, durante as festas dos Santos Populares, pelas medidas implementadas no local de forma a monitorizar e prevenir a publicidade e o marketing agressivo pela industria do álcool? Recordo a sua resposta; 1,5 milhões de espectadores. É um número apetecível e extremamente atraente para a Industria do álcool e dos seus parceiros, refiro-me à publicidade, ao marketing agressivo e à venda.

EGEAC: VOLTO A FRISAR QUE ESSE NÚMERO QUE APONTEI DIZ RESPEITO AOS ESPECTADORES QUE ESTÃO PRESENTES NAS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA EGEAC E/OU ASSISTEM ÀS MESMAS VIA OPERADOR TELEVISIVO PARCEIRO DA EGEAC.
QUANTO ÀS ENTIDADES PRIVADAS JÁ AS MENCIONEI AS MESMAS QUE SÃO CERTAMENTE
TAMBÉM DO SEU CONHECIMENTO.

Qual a entidade publica ou privada competente capaz de responder à questão
da pergunta nº 5?

EGEAC: NÃO SEREI EU A DIZER-LHE. NÃO ME CABE A MIM MENCIONAR, ATÉ PORQUE CERTAMENTE NÃO É DO MEU CONHECIMENTO.

Qual a entidade publica ou privada competente para responder à questão nº6?

EGEAC: IDEM, IBIDEM.

Sendo a EGEAC, a entidade organizadora das Festas de Lisboa, da qual as Festas dos Santos Populares fazem parte mas, não sendo a única, visto existirem um conjunto significativo de entidades,   qual delas (entidade envolvidas na organização) competente e capaz de responder à pergunta nº 7?

EGEAC: AS PERGUNTAS QUE INSISTE EM COLOCAR-ME NÃO PODEREI RESPONDER, POR NÃO SER A PESSOA ADEQUADA E OU POR DESCONHECIMENTO. REFORÇO UMA VEZ MAIS A IDEIA DE QUE NAS INICIATIVAS DA NOSSA RESPONSABILIDADE A EGEAC TEM PROCURADO JUNTO DOS SEUS PARCEIROS QUE SE REALIZE UM CONTROLO QUER EM TERMOS DE PUBLICITAÇÃO DE MARCAS ALCOÓLICAS, PROCURANDO SUBSTITUIR AS MESMAS POR MARCAS NÃO
ALCOÓLICAS QUER MEDIANTE CONTROLO NA VENDA DAS MESMAS JUNTO PÚBLICO PARA SE EVITAREM EXCESSOS.

Quais os parceiros, que refere, competentes para responder à pergunta nº8?
EGEAC: IDEM, IBIDEM - SENSIBILIZANDO JOVENS E ADULTOS NO ACTO DA COMPRA, PUBLICITANDO MAIS AS BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E/OU SEM ALCÓOL .

Mais uma vez gostaria de destacar o carácter social e preocupante que o alcoolismo, o abuso do álcool, o binge drinking, o consumo de bebidas alcoólicas por jovens menores de idade assumem nos dias de hoje, com a agravante de o referido fenómeno assumir dimensões preocupantes.

EGEAC: ESTAMOS TOTALMENTE CIENTES DESSE PROBLEMA PELO QUE AS NOSSAS INICIATIVAS PROCURAM SEMPRE NÃO INCENTIVAR AO CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NEM OUTRAS SUBSTÂNCIAS TAMBÉM PREJUDICIAIS À SAÚDE.

Mais uma vez agradeço a sua disponibilidade

Atenciosamente, EGEAC
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Nota: Voltei a reenviar o ultimo email:
Boa tarde,

Agradeço a sua disponibilidade em responder, pela segunda vez, às questões do referido questionário.

Pelo que percebo das suas respostas o assunto específico a que o questionário se refere Publicidade, e Marketing Agressivo sobre a venda de bebidas alcoólicas  aparenta não existir, na V. organização, dos Santos Populares,   uma entidade responsável e competente que monitorize este fenómeno que assume proporções alarmantes (a Publicidade e as técnicas
agressivas de marketing da Industria do álcool).

Lamento que assim seja, porque, como bem sabe, o abuso do álcool e o alcoolismo é um problema de saúde pública e o álcool é uma substancia psicoactiva depressora do sistema nervoso central. Como é possível determinadas praticas sejam permitidas, assim a como negação das consequências negativas refiro me por ex. ao binge drinking (abusar do alcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez) e ao consumo e abuso de bebidas alcoólicas por jovens menores de idade. O lucro não pode estar acima dos direitos das crianças e dos jovens.

Como deve saber, existem estudos nos Estados Unidos da América e no Reino Unido que estabelecem uma ligação entre a publicidade e o abuso de bebidas alcoólicas entre os jovens (novos consumidores e fidelização às marcas para o resto das suas vidas). Desde o final dos anos 90 existem medidas que monitorizam este tipo de práticas abusivas. Caso esteja interessado, posso reencaminhar alguns desses estudos.

Desde 1993 que trabalho na Prevenção e no Tratamento e posso assegurar-lhe o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo surge cada vez mais cedo (precoce) na vida dos indivíduos que estão vulneráveis a este fenómeno.

Existem jovens adultos com idades entre os 25 e os 30 anos com sérios problemas de alcoolismo. Provavelmente, começaram a beber aos 15 ou 16 anos. Há 20 anos atrás o alcoolismo surgia aos 45 e/ou 50 anos.

Mais uma vez os meus sinceros agradecimentos ao ter, prontamente, respondido
aos emails.

Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues
«»
Nota: Ultima resposta da EGEAC

Exmo. Senhor,
Gostaria que não interpretasse de forma incorrecta o que informei. A EGEAC é uma empresa municipal que tem por missão a organização e desenvolvimento de um conjunto de actividades culturais e gestão de equipamentos culturais que possam servir a Cidade e quem nela habita e/ou 
visita.
Como várias vezes informei nas respostas que lhe forneci a EGEAC está totalmente ciente do flagelo do consumo de bebidas alcoólicas em grau de excesso e como tal tem sempre trabalhado com os seus parceiros por forma a evitar que tal se realize nas iniciativas que são da responsabilidade directa desta empresa.
Mais informo que nas respectivas iniciativas que organizamos não se têm registado acontecimentos ocorridos relativamente ao excesso de álcool.
Mantemos no entanto a monitorização e o trabalho conjunto com os parceiros para se evitarem passar mensagens que indiciem o consumo desse tipo de bebidas.
Como várias vezes informei Festas dos Santos Populares é uma coisa, Festas de Lisboa outra. Gostaria pois que não fossem interpretadas de forma incorrecta as palavras
que escrevi.

Gostaria igualmente que ficasse uma vez mais reiterado que da nossa parte existe total preocupação relativamente a esse assunto que pelos vistos tem trabalho, e com todo o sentido de responsabilidade, ao longo dos anos. 
Infelizmente esse fenómeno que nos projecta é um grave problema do dia a dia e não só no período dos Santos Populares.

Certos da sua compreensão e desejando um bom trabalho, gostaria por último de informar que a EGEAC irá manter-se alerta e tudo fazer para que não se alastre essa situação
Cumprimentos,  EGEAC



terça-feira, 14 de junho de 2011

As Festas de Verão e a Publicidade Agressiva da Industria do Alcool



É recorrente o fenómeno da publicidade e do marketing agressivo em relação ao apelo do consumo das bebidas alcoólicas, da indústria do alcool, entre o mês de Abril e Setembro assumir dimensões desproporcionadas em “palcos sociais” onde destaco a Queima das Fitas, os Santos Populares e os festivais de música. Estes “palcos” movimentam, por ano, dezenas de milhares de pessoas, na sua grande maioria, adolescentes e jovens adultos e são uma fonte de receita (lucro) apetecível. 

São meses de festa e divertimento onde o álcool é encarado como um excelente “lubrificante” na gestão e expressão das ideias e das emoções. Todavia, uma parte significativa e “escondida” está relacionada com o abuso do álcool e de outras substancias psicoactivas licitas e/ou ilícitas, o alcoolismo, com a violência (Ex. bullying), os acidentes, binge drinking, a gravidez indesejada, condução sob o efeito do álcool e/ou outras drogas, intoxicação alcoólica.

Uma notícia no JN do dia 10 de Junho de 2011 despertou a minha atenção. Em letras garrafais referia o seguinte “Arraiais contaminados pela febre das cervejas. Lisboa, marcas estão em todo em toda a parte, nas paredes, eléctricos e quiosques.

Desde 2007 altura em que iniciei o blogue, em particular, um dos temas em destaque, na Prevenção das Dependências, são os adolescentes e jovens adultos, e a forma como a Industria poderosa e milionária do Álcool e os seus parceiros influenciam o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo, através da excessiva publicidade e do marketing agressivo, na nossa sociedade, já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos (cultura que bebe), e que tem permanecido activo e intocável ao longo das gerações. Isto é, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de idade, a prevenção, o tratamento).

Algumas afirmações reveladoras e preocupantes sobre a negligência e a negação do fenómeno na noticia do JN:
“Em vez dos enfeites de papel, balões, santos antoninos e manjericos nos bairros históricos de Lisboa, em contagem decrescente para as festas, há anúncios a cervejas. É uma espécie de “vírus” que tomou a cidade.”  Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“Eu não quero saber qual é a cerveja melhor, qual é a numero um, acho que é obsessiva a forma como ocupam o bairro. A Câmara fiscaliza tão bem umas coisas e alheia-se de outras” Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“A publicidade está em toda a parte: nos eléctricos que passam, fachadas dos prédios, taipais das obras, caixas da EDP, montras, bancas, esplanadas e varandas de apartamentos a troco de meia dúzia de cervejas grátis. E todo este apelo ao consumo convive, lado a lado, com outros cartazes que recomendam moderação com o álcool. É assim na Sé, Alfama, Castelo ou no Bairro Alto.”

“A guerra entre as duas principais marcas de cerveja (…) começou de forma envergonhada, mas atingiu este ano proporções alarmantes.”

Ambas as marcas questionadas pelo referido jornal afirmaram:
A primeira “opção livre e assumida e que preocupada com o consumo “responsável vai disponibilizar um autocarro gratuito na noite de domingo para segunda-feira.”

A segunda “a visibilidade e os quiosques da marca cumprem um regulamento e seguem todos os procedimentos para obtenção das autorizações legais”, junto da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), organizadores dos arraiais e Câmara de Lisboa”

“A EGEAC não dá resposta. O vereador José Sá Fernandes diz que não há meios para fiscalizar” Presidente da Junta de Freguesia da Sé, acrescenta “é preciso coragem política para regulamentar”

Considerei relevante enaltecer a atitude deste politico, independentemente das cores e ideias politicas, enviei-lhe um email a felicita-lo e aproveito para publicar assim como a respectiva resposta.

Exmo Sr Presidente da Junta de Freguesia da Sé, Sr. Filipe António Osório de
Almeida Pontes

Após ter conhecimento da noticia do Jornal de Noticias da qual o sr fez
denuncia e referencia ao abuso da publicidade e das técnicas agressivas de
marketing, pela Industria poderosa e milionária do álcool e os seus
parceiros, antes, durante e depois dos Santos Populares, visto os cartazes
permanecerem nas paredes "eternamente", venho felicita-lo enquanto
Presidente de Junta e como politico pela denuncia deste tipo de actividade
"ilegal" mas permitida e negligênciada pelas autoridades competentes.

Trabalho na área das dependências desde 1993. Como profissional, pai e
membro da sociedade considero que este tipo de fenómenos incentivam o abuso
de álcool por parte dos jovens (binge drinking - abuso cujo intuito é a
intoxicação -  embriaguez), contribuem para o agravamento da nossa "cultura
que bebe" há dezenas de anos e que permanece activa através das gerações,
com  a agravante de não existirem pessoas e/ou instituições suficientemente
activas capazes de interferirem neste tipo de legislações permissivas. O
lucro não pode ficar acima dos direitos das crianças e jovens adultos. As
lacunas legais existentes não justificam a "contaminação pelo vírus."

Convido-o a visitar os meus blogues sobre a Recuperação das Dependências e
da Prevenção das Dependências.

Só me resta, e mais uma vez, felicita-lo pelo seu "desabafo" impotente e
isolado, mas realista e preocupante, perante o JN.

Atenciosamente

João Alexandre Rodrigues
Conselheiro em Comportamentos Adictivos

Resposta ao email pelo Presidente da Junta:

Agradeço as suas palavras e irei certamente espreitar o seu blog. O trabalho
do autarca deve reflectir os valores do próprio por isso faço-o com a
convicção de quem partilha estas e outras certamente preocupações sobre as
novas gerações e futuro garante da sociedade.

Grato
Filipe Pontes

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Questionário: Jovens Adultos e a Relação com o álcool (Queima das Fitas 2011)



"Assunto: Questionário sobre Jovens Adultos e a Relação com o Álcool
Exmos. Srs. da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAV) e organização da Semana Académica,

Sou um profissional que trabalha na área das dependências - comportamentos adictivos (álcool e drogas). Neste momento, estou a fazer um trabalho sobre os adolescentes (jovens adultos) e a relação com o álcool e gostaria de saber se podem responder a este pequeno questionário relacionado com a Festa Académica.
Lamento ocupar o V. tempo, mas como sabem esta temática é demasiada importante e afecta milhares de lares (famílias, incluindo as crianças) em Portugal.

Aguardo uma resposta tão breve quanto possível.

Atenciosamente,
João Alexandre Rodrigues
Addiction Counselor"

A seguir apresento as respostas enviadas pela Associação Académica Universidade de Aveiro (AAUAV).

Questionário:
1. Qual o numero de aproximado de pessoas que participaram na Festa Académica? Por ex. nos eventos musicais?
AAUAV: O número de participantes no total ronda os 35.000, cerca de 4.000 por dia.

2. Consideram que os participantes na Semana Académica são maioritariamente jovens? Se sim, qual a faixa etária?
AAUAV: São maioritariamente jovens na faixa etária entre os 18 e os 25 anos.
«»
Tendo em consideração que o álcool é uma droga e que o alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal, existe uma "cultura que bebe".

3. Consideram que a Organização da Semana Académica, em conjunto com a Industria do Álcool através de técnicas de marketing agressivo, permitem estimular o abuso de bebidas alcoólicas entre os jovens, visando unicamente o lucro, durante a Semana Académica?
AAUAV: Não. O álcool é encarado não só pelos participantes nas festas académicas como um pouco pela sociedade em geral como um apoio à diversão. O marketing de guerrilha não afecta unicamente as semanas académicas pois verifica-se que o consumo do álcool aumenta nos jovens é cada vez mais cedo. Na semana académica de Aveiro não existe excepções neste caso, ou seja, o álcool também é encarado como um facilitador. No entanto, a actividade da Associação Académica, em conjunto com os seus parceiros, pauta-se não pela proibição, dado o meio em que a festa se realiza, mas antes pela sensibilização e prevenção de comportamentos de risco.

4. Na opinião da organização qual o efeito pratico e efectivo do slogan "Seja responsável, beba com moderação" durante a Semana Académica?
AAUAV:  Este slogan tem um maior efeito prático noutras ocasiões mas nas semanas académicas permite reduzir alguns consumos.

5. Qual o numero de pessoas admitidas nos serviços de saúde por problemas relacionados com o abuso de álcool?
AAUAV:  O número de pessoas não é um dado relevante principalmente por ser reduzido.
«»
Fenómeno Binge Drinking - Abuso no consumo de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez). Por ex. entre os homens o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante dias seguidos e afecta negativamente os comportamentos dos jovens (algumas consequências previsíveis após o Binge-Drinking: acidentes, condução sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência e abuso, doenças sexualmente transmissíveis, intoxicação alcoólica e morte

6. A organização considera que o fenómeno do Binge-Drinking está presente durante a Semana Académica?
AAUAV: Pode considerar-se que é uma técnica usada em pequenos grupos.

7. Consideram que o Binge- Drinking assume contornos e consequências preocupantes entre os jovens, em Portugal?
AAUAV: Esta é uma técnica que poderá ter tendência a aumentar principalmente pelo uso do "shot". Os jovens são mais vulneráveis a esta situação pelo que neles os contornos são mais preocupantes, principalmente pelo conceito do álcool facilitador da introdução social.

8. Quais a medidas tomadas pela Organização da Semana Académica de forma a monitorizar e a prevenir o Binge-Drinking e comportamentos de riscos, assim como o abuso e as consequências negativas associadas ao consumo excessivo de álcool e/ou drogas licitas e/ou licitas?
AAUAV: Como referi anteriormente estamos perante uma faixa etária muito específica pelo que o nosso papel não deve incidir em proibições (excepto as que são realmente proibidas), mas antes adoptar uma postura de prevenção e sensibilização.   O papel da Associação Académica também é formar pelo que damos a conhecer os vários caminhos apelando para aqueles que consideramos correctos. Depois disso a escolha cabe a cada um. Poderá não ser o trabalho mais eficaz mas tem dado os seus frutos.
Agradecido pelo contacto e disponível para outras colaborações.
Atentamente

AAUAV"

Após esta resposta ao questionário constatei ser necessário reenviar novo email de forma a elucidar uma questão importante e central neste contexto sobre o Binge Drinking.

"Boa noite,
desde já os meus agradecimentos pela sua resposta e participação no questionário.

Permita-me só uma pequena questão.

Não referiu as medidas preventivas (concretas) assumidas pela organização quanto ao Binge Drinking e ao abuso do álcool durante as festas. De salientar o número elevado de participantes, como refere "O papel da Associação Académica também é formar pelo que damos a conhecer os vários caminhos apelando para aqueles que consideramos correctos."

O Binge Drinking não é uma técnica mas um fenómeno social entre os jovens, emergente e preocupante, que está a ser estudado, desde o final dos anos 90 nos EUA e em Inglaterra, infelizmente, em Portugal ainda é desconhecido e negado do público em geral.

Estou ao V. dispor para qualquer esclarecimento adicional."

Comentário: Enviei questionários para as mais variadas associações académicas de norte a sul do país, mas infelizmente só obtive resposta da Associação Académica de Aveiro que desde já felicito pela sua participação no questionário da Prevenção das Dependências.
A resposta ao questionário revela a falta de informação sobre o fenómeno Binge Drinking (abusar de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação, embriaguez, e que pode prolongar-se por vários dias) e a inexistência de medidas preventivas.

O abuso do álcool ainda é associado, erradamente, ao lazer entre os jovens e não só. Creio que esta constatação se deve, a uma “cultura que bebe” e também aos esforços da Industria do álcool, através das suas técnicas de marketing agressivo, e à negação e estigma na nossa sociedade. Esta infeliz, mas esperada, constatação justifica este projecto - Prevenção das Dependências. Comente este post.