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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Compromisso com ...

 


122ª Dica Arte Bem Viver

Olá,

Assumir compromisso. Segundo o dicionário da língua portuguesa, a palavra compromisso significa “Obrigação contraída entre diferentes pessoas de sujeitarem a um árbitro a decisão de uma causa. Promessa mútua. Contrato. Comprometimento. Ajuste.”

Inevitavelmente, conforme vamos crescendo, somos sujeitos a diversos e diferentes formas de compromisso, todavia, o significado é o mesmo. Compromisso com a escola, compromisso com a carreira profissional, compromisso com o trabalho, compromisso com a relação romântica, compromisso com a família, compromisso com os/as amigos genuínos, compromisso com valores, tradições, regras e convicções. O compromisso na nossa cultura está associado, de uma forma transversal, à coerência e à integridade. O compromisso distancia-nos do ego (ismo) em prol do crescimento emocional e espiritual; abraçamos o desafio de abraçar pessoas, causas e valores morais universais.

Quais são as áreas da sua vida em que assume o compromisso para com determinadas pessoas, valores e convicções?

Seja zeloso e honesto/a para com os compromissos que assume. Não existe maior desilusão quando alguém promete algo e depois não cumpre. Se verificar que não consegue cumprir os compromissos, não os assuma. Simplifique, evite ser agradador/a.

“A palavra não é apenas um som ou um símbolo escrito. A palavra é uma força; é o poder que você tem para se exprimir e comunicar, para pensar e, por meio dela, criar os acontecimentos da sua vida” Don Miguel Ruiz é médico e um nagual (xamã ou feiticeiro) da antiga linhagem das Águias Guerreiras, e dedica-se a partilhar o seu conhecimento dos antigos índios Toltecas

Na comunicação seja íntegro/a. O individuo integro é carismático, promove a honestidade e a confiança nos relacionamentos. O individuo integro põe em acção as suas palavras. Como é que você se sente quando alguém que comunica consigo afirma que é honesto e de confiança mas depois, no comportamento, revela-se desonesto e falso?

Compromisso é ir mais além nas palavras; é o meio pela qual você sai da zona de conforto.

Considera que esta dica pode ser útil a alguém seu conhecido? A um familiar? A um amigo/conhecido? Colega de trabalho? Partilhe

Caso você esteja interessado/a em receber a Dica Arte Bem Viver na sua caixa de correio eletrónico, é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt e no assunto da mensagem escrever Dica Arte Bem Viver.

Cumprimentos.

terça-feira, 9 de junho de 2020

O poder da palavra


Existem palavras, utilizadas como arma ou ferramenta, que mudam as pessoas

terça-feira, 1 de maio de 2018

Negar as evidencias não é um acto responsável.



Gradualmente, a legalização da canábis (resina e planta), vulgo haxixe e erva, sem ser para utilização terapêutica, tem ganho adeptos dos mais variados quadrantes da sociedade; partidos políticos, organizações não governamentais, opinion makers, alguns artistas, comunicação social, etc. Pessoalmente, não sou a favor da legalização da canábis e explico porquê. Não tenho nada contra as drogas, tenho é muitos motivos para estar desacreditado e desiludido em relação às pessoas, refiro-me aos decisores políticos.  Por outro lado, os portugueses não estão suficientemente informados, a nível científico, sobre os efeitos da droga psicoativa alteradora do sistema nervoso central. Quantas aldeias e vilas empobrecidas, principalmente do interior do país, estão informadas a nível científico? Estas pessoas continuam a recorrer aos mitos e tradições retrogradas e desatualizadas, em termos de comparação, acrescento o consumo do álcool, para efeitos terapêuticos, “beber álcool aquece”, “beber álcool alimenta “ou  “beber algo dá energia”, etc. Nestas aldeias, mais depressa se encontra um traficante de canábis, do que luz na rede elétrica. Nas consultas, escuto pais, licenciados, também baralhados e confusos, perante os argumentos, adquiridos na rua ou informação falsa, dos seus filhos que insistem que o canábis é uma droga inócua para a saúde.

Quando penso na legalização da canábis, dá a sensação que primeiro legisla-se e depois legaliza-se ou vice-versa, mas o que importa é a visão mercantilista da coisa de acordo com as leis do mercado (milhões de euros nos cofres do estado em impostos, postos de trabalho, mercado negro, etc) e depois que se lixem, as pessoas e as suas famílias, que apresentam problemas graves de saúde, devido ao uso e abuso da cannabis, por exemplo, indivíduos com surtos psicóticos, depressão e ansiedade. Sabia que a canábis gera dependência psicológica? Numa consulta com Nuno (nome fictício) afirmou o seguinte: “Estou cheio de medo de largar a erva… depois o que é que vai ser de mim??? Acho que não vou conseguir…estou com medo…” De notar que o discurso do Nuno, estava emocionado e assustado, visto, há décadas consumir canábis, diariamente. Para terminar, um dia escutei um documentário onde o investigador fez a seguinte declaração: “O canábis não mata, mas pode enlouquecer. “, subscrevo.

Alguns fatores importantes sobre a Legalização do canábis (Alimento pro pensamento)
  • Condução sob o efeito de canábis. Legislação
  • Legislação no trabalho. Irá o consumo de canábis afetar o rendimento/produtividade no trabalho?
  • Idade legal para o consumo – EUA de acordo com a legislação são 21 anos
  • Indústria milionária -   Marketing agressivo, leis do mercado, concorrência, mercado negro, lucro, outros produtos, por exemplo, confecção de bolos, doces (risco de consumo por crianças).
  • Qual é o nível de THC permitido/seguro para consumo? Sabia que o nível de THC é elevadíssimo comparativamente há 20 anos?
  • Para os pais – orientações científicas sobre o consumo, abuso e dependência psicológica, refiro-me à prevenção e ao tratamento.
  • Escolas – políticas e critérios - orientações para os professores e pessoal não docente.
  • Prevenção do abuso e dependência do canábis – campanhas informativas nos meios de comunicação social.
  • Alternativas aos consumos/abuso de canábis, por exemplo, em festas, concertos, queimas das fita, etc
  • Evidencia científica sob o consumo, abuso e dependência do canábis
  • Posse legal de canábis /Quantidade?
  • Cultivo, produção, fabrico e extração das substâncias psicoactivas a fim de estarem disponível para o consumidor final.
  • Segundo a evidencia cientifica o consumo durante a adolescência aumentou o risco de surtos psicóticos. Nos EUA, um em cada 6 adolescentes que experimentam canábis ficam dependentes. O risco de dependência é maior do que do álcool.
  • Atualmente a canábis é mais potente (níveis de THC agente tóxico activo) comparativamente há 20 anos. Aumenta o risco de dependência?
  • Saúde vs Economia - Decisores políticos – estratégia para a prevenção, o tratamento e a recuperação das pessoas dependentes. O problema não são as drogas, o problema são as pessoas.
  • Trafico, mercado negro.
  • Factos: nos EUA, em alguns estados, o numero de adolescentes que vão as urgências dos hospitais aumentou após a legalização do canábis. Nos EUA o numero de acidentes de viação aumentou após a legalização do canábis.
  • Na minha opinião, Portugal, (principalmente, os decisores políticos) não está preparado para seguir uma estratégia que assegure o apoio às pessoas, às suas famílias e às comunidades, refiro-me á prevenção e ao tratamento do abuso e da dependência do canábis. Assim como não existe um dialogo (pontes) entre a comunidade cientifica e o publico em geral, devido principalmente ao estigma, ao preconceito (e hipocrisia), à negação e à vergonha. Todavia, observo pequenas ações educativas, por exemplo, Ordem dos Médicos, mas para fins terapêuticos.
  • Consumo de canábis durante a gravidez e efeitos para o bebé.
  • Utilize esta lista para abordar o tema com os seus filhos. 




quarta-feira, 16 de março de 2016

«Filho és, pai serás»



« A filha precisa que o relacionamento com o pai seja uma referencia, pela qual irá servir para o futuro, na sua relação com o sexo masculino» Prego & Mommy Chat
Como pais, sabemos os desafios que representa educar e ser uma referencia positiva, para os nossos filhos. Por experiência própria, por vezes, sabemos o quão regredimos porque apesar dos nossos melhores esforços, não existe uma poção magica quanto ao papel de pai. Por outro lado, podemos responsabilizar pelo nosso próprio desenvolvimento moral e podemos fazer imenso em ambos sentidos, aprender com os erros e assumir o compromisso para mudar de atitudes e comportamentos.
Um dos grande desafios, como educadores e referências, é conseguirmos compreender a perspectiva dos filhos e conseguirmos separar os pontos de vista; a deles e a nossa. Isto é, conseguirmos compreender, a nossa experiência ( e vivências) como crianças, na relação com os nossos pais, e o nosso relacionamento com a criança/filho/a. Nas consultas, alguns pais, referem que o seu papel de pais, tem como referencia principal, a forma como foram educados pelos seus proprios pais. Esta situação pode dificultar a nossa compreensão das necessidades, da historia e da vida dos nossos filhos. 
   

segunda-feira, 2 de março de 2015

"Eu fumo tu fumas"



Não fumar é que está a dar. Ao livrar-se da dependência está a contribuir para a qualidade de vida de todos na sua família, incluindo as crianças

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Como pensar com opções criativas

Tradução: “ As crianças devem ser ensinadas; como pensar em vez de sobre o que pensar.”

Precisamos de criar uma nova forma de expressão e uma identidade cultural que seja coerente com o propósito da vida, baseado em convicções e valores imateriais e universais.

Precisamos de pensar fora da "caixa" - forma retrograda de viver dentro do "velho" sistema disfuncional e proporcionar aos nossos filhos as competências necessárias na gestão das emoções, na clarificação de valores, livres de vergonha e do sentimento de culpa, que promovam a felicidade, a gratidão e a ajuda mutua. Precisamos de (re)inventar, conectar e encontrar sinergias com base na arte de bem-viver- estilo de vida saudavel.

Numa sociedade imprevisível e consumista, como pais, cabe a nós, orientar e estimular o pensamento criativo, a imaginação, o sonho e o propósito dos nossos filhos. Se nós, adultos possuirmos valores, os nossos filhos também serão crianças com valores.



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O ciclo da vida é um processo continuo mas composto por varias fases.


Legenda: “Digo Não e é Meu porque estou a crescer e a aprender a ser eu próprio, em vez de ser considerado um fedelho egoísta. “

Comentário: Desde que nascemos até morrermos, o ciclo da vida caracteriza-se, pelo desenvolvimento do individuo, através de diversos estágios bem definidos – infância, adolescência, adulto e idade sénior. Cada um destes estágios serve um propósito específico, a fim de que cada fase seja executada na sua plenitude.

Ainda não há muitos anos, em meados dos anos 70 e 80, as crianças que não se adaptavam ao contexto escolar ou que os pais não tinham recursos económicos e financeiros eram obrigadas a trabalhar. 


Saiba mais:  Positive Parentig Connection  

sábado, 5 de julho de 2014

Uma triangulação polémica entre pais e filhos


Um grupo de alunos da Universidade Católica de Lisboa - Faculdade de Ciências Humanas envolvidos num trabalho para a disciplina de Métodos e Técnicas de Investigação em Ciências Sociais, com a professora doutora Teresa Líbano, convidou-me para participar no seu trabalho sobre o fenómeno das drogas e dos consumidores em Portugal. 

De acordo com a minha experiencia profissional, a grande maioria dos pais lida, atrevo-me a acrescentar, reage mal quando descobrem que o filho/filha consome drogas. Quando descobrem, os comportamentos dos pais, oscila entre as ameaças verbais e os castigos desproporcionados e a passividade, a complacência e a impotência. Estes comportamentos disfuncionais revelam uma ausência de um plano ou uma estratégia sobre a temática das drogas ilícitas. Saiba mais (siga o link) Pais, filhos e as drogas 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A prevenção é um projecto familiar


A prevenção das dependências de todo e qualquer tipo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas é um tema transversal na sociedade actual. Qualquer pessoa, independentemente, do seu estatuto social, idade, raça, sexo ou religião está vulnerável em relação ao consumo, ao abuso e à dependência de substâncias psicoactivas do sistema nervoso central.

Apesar da prevenção das dependências ser um tema actual e preocupante, em particular entre pais, famílias, escolas, professores e jovens, e na sociedade em geral, todos nós, profissionais e pais lutamos contra o estigma, a negação e a vergonha associados às drogas reforçado pelo preconceito e o estereótipo. Muitas vezes, refiro-me a este exemplo, quando abordo o tema nas escolas e/ou com os pais, são unânimes em reconhecer a vulnerabilidade das crianças em relação a este problema e a necessidade de programas, mas quando são convidados a «dar a cara», aparentam optar, conscientemente pelo silêncio devido ao tabu, preconceito e estereotipo. Creio que um dos motivos deste afastamento está relacionado com o estigma, a negação e a vergonha sobre as drogas: “Os meus filhos nunca na vida irão tornar-se uns drogados ou uns bêbados.” A maioria de nós, pais e famílias, inconscientemente, justificamos este raciocínio; “Estes problemas dramáticos só acontecem aos outros. Estas tragédias só acontecem às famílias desestruturadas, disfuncionais e sem recursos económicos.” Nos dias de hoje, este tipo de justificação negligente do qual nos socorremos para enterrar a cabeça na areia e considerarmos que a nossa família não é desestruturada ou disfuncional, como as outras afectadas pela dependência, pode revelar-se a médio e a longo prazo, um erro grave, porque na realidade e para sermos verdadeiramente honestos, sentimo-nos impotentes, porque não possuirmos um plano ou uma estratégia concreta sobre esta matéria.

Há vinte anos atrás, no final dos anos 80, início dos anos 90, o jovem que desejasse consumir drogas ilícitas revelava-se uma tarefa difícil obtê-las, hoje em dia, qualquer criança ou adolescente, através da internet, na sua casa e junto aos seus pais, pode ter acesso a qualquer tipo de drogas. A procura supera a oferta de drogas, existem drogas para todo o tipo de preferências e tendências.  No contexto profissional, conheço inúmeros adultos, afirmam, as primeiras experiências com drogas, enquanto crianças e adolescentes, foram com medicamentos dos seus familiares

Alguns dados interessantes
Segundo o relatório das comissões de protecção de menores os processos instaurados em 2013 (30.344) aumentaram comparativamente a 2012 (29.149). Aumentaram também os processos reabertos, num total de 7402 e são o dobro das crianças abandonadas. Apesar de até aqui o escalão com maior representatividade, fosse o dos 0 aos 5 anos, em 2013, o escalão com maior representatividade foi o dos 15 aos 18 anos. A exposição a comportamentos, por parte dos adultos, que podem comprometer o desenvolvimento da criança: a violência domestica (agregado familiar), a negligência familiar, a falta de cuidados de saúde, falta de apoio psicoafectivo, a indiferença, os maus tratos físicos.

Após constatarmos estes factos, encontramos motivos, suficientemente fortes para os pais ponderarem sobre a prevenção das dependências desde o berço da criança, ao invés de ser na pré adolescência, nessa altura, pode ser tarde demais. A prevenção das dependências é um projecto da família.

A prevenção das dependências deve ser um projecto delineado 1. Pais 2. Escola e 3. Sociedade.  
O papel da família é importante na prevenção das dependências desde o nascimento da criança. Antes de a criança nascer, a família é um sistema complexo de personalidades e dinâmicas, individuais e colectiva, refiro-me aos papéis, às regras, às funções e convicções que regem a estrutura familiar no seu todo. A personalidade da família revê-se nos padrões e nas espectativas, nos sentimentos, pensamentos, nas suas crenças e tradições. O nascimento de uma criança vem modificar este sistema. 

 Se um membro da família tem um problema ou doença, esta situação dramática não afecta somente o individuo (doente), pelo contrário, todas as pessoas são afectadas, incluindo as crianças. Refiro-me a todo o tipo de adversidade, desde as doenças, acidentes, crise, desemprego, divórcio, adultos dependentes de drogas e/ou álcool, e/ou desilusões e fracassos oriundos dos projectos individuais, profissionais e económicos dos adultos. Nesse sentido, é durante a fase da socialização que surgem os desafios mais complexos na educação da criança, visto nenhuma família estar a salvo da adversidade. Como adultos sabemos, pelos motivos mais evidentes e dolorosos ao longo do devir, que a vida é difícil. Agora, como é que integramos esta questão existencial no plano de educação do(s) nosso(s) filho(s)? Como é que o(s) preparamos para enfrentar a adversidade?

Uma das respostas, residem no meu entender, com as nossas características individuais e sociais, como pais e indivíduos. Ao longo da vida, geramos aquilo que consideramos merecer e essa atitude também se reflecte na família; se considerarmos que somos indivíduos resilientes na gestão da adversidade e dos sentimentos, se considerarmos que somos indivíduos felizes, se possuirmos um propósito e sentido no rumo da vida, a nossa família, também irá colher estes frutos que a sustentaram nos momentos difíceis, caso contrario, se nos considerarmos indivíduos egocentristas e hedonistas, com baixa auto estima, ressentidos e umas vitimas das pessoas e do mundo, estaremos a minar nossa família. É imprescindível que sejamos honestos connosco próprios, a fim de consigamos monitorizar os efeitos e o impacto do nosso comportamento na família, incluindo das crianças. Se o fizermos estaremos a garantir zelo pela estrutura (sistema) familiar. Sabia que uma parte muito significativa do nosso comportamento, para com a família nuclear (esposa/o e filhos), é herdado dos nossos pais, avós ou outras pessoas significativas? Refiro-me às tradições, aos valores e convicções e à vinculação.  Podemos transportar uma herança familiar dolorosa de abuso ou negligência que poderá afectar a vinculação com os nossos filhos e podemos encontrar dificuldades em desempenhar a tarefa de educar e ao mesmo tempo, ser felizes. A nossa educação parental assenta em modelos que conhecemos e nos são familiares. Quais são as regras que nos ensinam para educar os nossos filhos? Ainda recorremos a um método que se resume a experimentar, através da tentativa e erro, isso significa que não dispomos de informação, assim como, aquela informação que possuímos pode estar errada.
 
Por outro lado, sabemos que para se ser uma família feliz, não é preciso ter tido uma educação fora de serie e/ou um possuir estatuto social elevado, basta assumir um compromisso honesto, devotado ao amor e dar o melhor possível.

Um pai e uma mãe comprometida com a educação e a família na prevenção das dependências:
- Dá o exemplo, exerce disciplina (não é ser amigo/a do filho, ele já tem amigos suficientes, os filhos precisam de um mentor e de um/a coach),
- Negocia e comunica o mais abertamente possível sem tabus,
- Desenvolve a resiliência, ajuda os filhos a fazer a auto-regulação dos seus sentimentos dolorosos em vez de satisfazer as suas vontades e os ímpetos da criança porque se sente culpada/o e não consegue dizer Não,
- Ensina a controlar o comportamentos e reforça valores e tradições saudáveis,
- Reforça a auto conceito e a auto estima, não me refiro ao culto do ego ou da imagem.
- Promove uma vinculação com base no encorajamento, no amparo, na pertença e na aceitação (amor).
 
Já referi esta afirmação várias vezes, na prevenção das dependências é urgente uma revolução no sistema e no paradigma actual, nos políticos, nos líderes, nas instituições, famílias e profissionais que zelem e se comprometam pelo futuro dos nossos filhos, porque o mundo dos adultos não é seguro para algumas crianças vulneráveis. Se conseguirmos educar os nossos filhos, se conseguirmos que eles possuam as competências e o talento necessário a fim de usufruírem uma vida plena, teremos conseguido com sucesso a nossa missão, aquela que considero ser a mais altruísta e abnegada de todas, ser pai ou mãe.

Se não formos nós, pais e família, a abordar o tema da prevenção das dependências e do consumo de drogas lícitas, e/ou ilícitas, outras pessoas, que não amam os nossos filhos como nós próprios, vão faze-lo.


sábado, 12 de abril de 2014

Verdadeiro ou Falso?


Em Portugal, o fenómeno do consumo de drogas ilícitas evolui significativamente, a partir do final dos anos 70 e princípio dos anos 80, nesse sentido, alguns pais que durante a adolescência consumiram drogas socialmente, podem erradamente negligenciar sinais e sintomas da dependência nos seus filhos. Alguns relatos de pais:  "Eu também usei drogas, mas nunca tive problemas de dependência, e quando soube que o meu filho, também consumia, presumi, erradamente, que ele nunca iria desenvolver uma dependência. Quando o confrontei com o assunto, já foi tarde demais. Ele estava dependente."  

Sabe porque é que os adolescentes consomem drogas ilícitas? Por curiosidade, desafiar o perigo, para relaxar, para quebrar o tédio, o aborrecimento e para se integrarem num determinado grupo de pares. De início o consumo de drogas é frequentemente associado ao lazer e ao convívio. Algumas pessoas, mais vulneráveis, prolongam o consumo; aumentam a frequência, a duração e a intensidade.

Alguns factores que contribuem para a dependência de drogas no individuo. 
1. Usar drogas antes e durante a adolescência. 
2. Trauma: Abuso emocional, físico e/ou sexual 
3. Historial de dependência de drogas na família. Apesar de não existir consenso entre investigadores sobre os factores genéticos, uma criança que testemunhe consumo ou abuso de drogas, por pessoas significativas, pode crescer com a crença de que usar drogas é OK.

Se você tem filhos adolescentes sabia que as probabilidades de eles um dia consumirem drogas são reais? Eles podem parecer, de acordo com a sua avaliação, indivíduos que sabem o que querem da vida e seguros das suas decisões, mas o seu cérebro ainda não totalmente desenvolvido e isso significa que a capacidade de avaliar e tomar decisões seja diferente daquela que você pensa que eles têm na realidade.

Um dos motivos pelas quais, a maioria dos pais, reage com indignação, negação e/ou pânico quando toma conhecimento de que um dos seus filhos é consumidor de drogas ilícitas está relacionado com a seguinte crença:
Mito: O problema das drogas e as dependências só acontecem aos outros.
Realidade: Um individuo que deseje consumir drogas não precisa de fazer um grande esforço/sacrifício para satisfazer a sua vontade. A oferta das drogas supera a procura.

A cultura associada às drogas ilícitas, o canábis, que promove o consumo, como “droga leve” desvaloriza e nega a investigação cientifica e o conhecimento empírico dos profissionais que trabalham na área das dependências. Parte dessa cultura está assente no lucro, em detrimento da saúde das pessoas. Segundo algumas previsões, nos EUA, sobre os lucros da venda legal de canábis rondam os 3 mil milhões de dólares. Em Portugal, não existe maturidade política e legislação que monitorizem os efeitos da publicidade (técnicas agressivas de marketing) e salvaguardar o direito do individuo à informação, à prevenção e ao tratamento do impacto das drogas na saúde, incluindo o apoio às famílias afectadas pelas consequências negativas, incluindo as crianças. Podemos retirar um exemplo do fenómeno em relação ao álcool. O álcool, como se sabe, é um problema de saúde pública, todavia, os lucros da indústria do álcool (milhões de euros) e os interesses (lobbies capitalistas) estão acima do direito das pessoas – saúde. De acordo com a minha opinião, infelizmente o mesmo fenómeno irá acontecer com venda e o consumo da canábis. Nos últimos dez anos, os casos de indivíduos que procuram ajuda profissional, derivado ao consumo excessivo de canábis (marijuana e haxixe), tem aumentado significativamente.

Sabia que o consumo de canábis, vulgo marijuana (planta) e haxixe (resina), em doses elevadas podem conduzir a situações de elevada ansiedade, pânico e até a episódios de esquizofrenia. É um mito e errado classificar estas substâncias psicoactivas, como drogas leves. De acordo com o seu conhecimento, o álcool é uma droga «leve» ou «dura»?

«O consumo excessivo de canábis não mata, mas pode conduzir à loucura.»

sexta-feira, 14 de março de 2014

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Conduzir sob o efeito do álcool e as vitimas inocentes




Sabia que a condução sob o efeito de álcool e/ou outras drogas pode transformar a viatura numa arma letal com consequências trágicas e com vitimas inocentes.
Veja este video controverso, sobre um individuo que afirma ter morto uma pessoa enquanto conduzia o seu carro sob o efeito do álcool.
Noticias 2013
28/12/13 «428 pessoas detidas por excesso de alcool na época do natal.»
05/08/13 " Político responde por homicídio negligente e condução sob o efeito de álcool num acidente que causou a morte de um jovem de 19 anos"
06/08/13 "Mais de cem condutores com alcool a mais. A GNR deteve no domingo 136 condutores com excesso de alcool."
27/08/13 "68 condutores detidos com excesso de alcool. GNR deteve, no fim de semana, (...) 68 detenções a individuos que conduziam sob o efeito do alcool."
24/09/13 "1390 detenções na Operação Verão Seguro. (...) entre 15 de agosto e 15 de setembro, 620 das quais por excesso de álcool (...)."

Partilhe este video pelos seus contatos de forma a chegar ao maior numero de pessoas a fim de sensibilizar para este tipo de tragédia.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A resiliência é um escudo para as dependências



10 Dicas úteis sobre como promover a resiliência no desenvolvimento das crianças, por Margarita Tartkovsky (Leia o texto na integra).


1. Não proporcionar todos os recursos
Segundo a Dra. Lynn Lyons “ Sempre que tentamos proporcionar segurança e conforto, estamos a atrapalhar as crianças a fim de que elas consigam desenvolver as suas competências na resolução de problemas e na aquisição de perícias.” Proteger excessivamente as crianças somente irá aumentar a ansiedade delas.”
A Dra Lyons ilustrou este exemplo muito comum de uma forma dramática. “Às 15.30, a criança sai da escola e revela aos pais, que frequentemente fica preocupada porque não sabe se os seus pais a vão buscar a horas. Para tranquilizar a criança, os pais chegam à escola com uma hora de antecedência e “estacionam” á frente da janela da sala de aula, para que a criança os veja. Outro exemplo, “ Os pais permitem que o seu filho, de 7 anos, durma num colchão no quarto deles porque o filho se sente desconfortável em dormir no seu próprio quarto sozinho.”

2. Evite eliminar todos os riscos
Naturalmente, os pais procuram proporcionar segurança aos seus filhos. Mas eliminar todos os riscos retira-lhes a oportunidade de aprenderem sobre como ser resiliente. Numa família conhecida da Dra. Lyons, durante a ausência  e segundos os critérios dos pais , as crianças não atingiram ainda o nível de maturidade suficiente que lhes permita tomar as refeições em casa visto haver o receio de sufocarem com a comida, assim, segundo a Dra Lyons, também não estão habilitadas a permanecer em casa. Se as crianças já são crescidas o suficiente para estar em casa sozinhas, também são crescidas para se alimentarem.
O factor chave reside em permitir às crianças correr riscos apropriados à sua idade e ensinar algumas competências essenciais ao seu desenvolvimento. O adolescente que vai tirar a carta de condução, aos 5 anos de idade aprendeu a andar de bicicleta e que antes de atravessar a rua, precisava abrandar a velocidade, prestar atenção aos carros e olhar para o lado direito e para o lado esquerdo, Proporcionar às crianças, a liberdade apropriada à sua idade, ajuda-os a aprender a definir os seus próprios limites.


3. Ensine-os a resolver os seus próprios problemas
A criança está amedrontada por ir passar o fim-de-semana com os amigos, num campo de férias, longe de casa. Segundo a Dra Lyons, um progenitor ansioso afirmaria numa situação destas “Pronto, não há necessidade em ires ao campo de férias. Podes ficar em casa.”
Todavia, uma abordagem mais correcta consiste em estabilizar o estado de ansiedade da criança, ajudando-a a gerir as suas emoções em relação às saudades de casa. Nesse sentido, pode perguntar à criança o é que ela pode fazer a fim de se adaptar às saudades de casa.
Quando o filho da Dra Lyons ficava ansioso por causa do exame final, ela e ele faziam um brainstorm  sobre as possíveis estratégias para gerir melhor o tempo e o horário para estudar. Por outras palavras, ajuda-lo a acostumar-se a enfrentar os seus próprios desafios. Através da repetição, proporcionar-lhe oportunidades a fim de determinar aquilo que funciona e aquilo que não funciona.

4. Ensine aos seus filhos competências concretas
Quando a Dra Lyons, trabalha com crianças, ensina-lhes competências específicas a fim de eles aprenderem a gerir determinadas situações. Costuma questionar-se a si própria “Qual é o objectivo que pretendo atingir com esta situação? Qual é a competência que eles necessitam de aprender para atingir o objectivo?” Por exemplo, pode ensinar a criança a cumprimentar alguém e a iniciar uma conversa.

5. Evite a pergunta “Porquê?”
Segundo a Dra Lyons, o “Porquê?” não se revela eficiente na aquisição de competências para gerir os problemas. Por exemplo, se o seu filho deixa a bicicleta à chuva e você pergunta, “Porquê?” O que é que elas vão dizer? A resposta vai ser “Tenho 8 anos e sou uma criança descuidada.”
Faça perguntas utilizando o “Como”. “Olha lá, deixaste a bicicleta à chuva e a corrente ficou enferrujada. Como é que podes reparar essa situação?” Por exemplo, o seu filho pode ir fazer uma pesquisa à internet e descobrir como pode reparar a corrente enferrujada ou contribuir com o seu próprio dinheiro para uma corrente nova. A Dra Lyons também utiliza o “Como” para ensinar competências diferenciadas. “Como é que vais levantar da cama quando está acolhedor e os lençóis estão quentinhos?” ou “Como é que vais lidar, com os rapazes barulhentos da tua turma, quando eles começarem a incomodar?

6. Não lhes proporcione todas as respostas
A Dra. Lyons, afirma que, em vez de lhes dar todas as respostas, faça o seguinte, utilizando a frase “Não sei.” Assim está a proporcionar-lhes as competências necessárias para a gestão dos problemas. Utilizando esta frase, está a ensinar-lhes a tolerar a incerteza e a ajuda-los a pensar sobre as formas possíveis de enfrentar alguns desafios. Faça este exercício quando eles são crianças, e ao longo do seu crescimento, proporcionando-lhes pequenos desafios, está a prepara-los para desafios maiores e mais arriscados. Eles não vão gostar, mas com o tempo vão acostumar-se.
Por exemplo, quando você vai á consulta de rotina do médico do seu filho, e ele perguntar  “Ó mãe, vou apanhar uma pica?” em vez de o tranquilizar, diga “Não sei. É bem provável que leves uma pica, se acontecer, vamos ver como é que vais enfrentar a situação.” Outro exemplo semelhante, se o seu filho perguntar “Ó mãe hoje vou ficar doente?” Em vez de responder “Não, não penses nisso. Não vai acontecer nada.” responda “É provável, se acontecer vamos ver como lidas com isso.”
Se a criança estiver preocupada porque vai detestar a escola, em vez de dizer “Vais adorar, vais ver!” Você pode explicar que algumas crianças podem não gostar da escola, desta forma, você pode ajuda-lo a encontrar outras alternativas.

7. Evite o discurso utilizando termos catastróficos
Preste muita atenção aquilo que diz em frente aos seus filhos. Segundo a Dra Lyons, os pais ansiosos têm a tendência para utilizar termos catastróficos. Por exemplo, em vez de dizerem “É mesmo importante aprenderes a nadar,” dizem “É mesmo importante aprenderes a nadar porque seria devastador, para mim, se um dia tu te afogasses.”

8. Permita que os seus filhos cometam erros
De acordo com a Dra Lyons, cometer erros não significa que seja o fim do mundo. É esta a forma como adquirimos o discernimento, a fim de sabermos o que fazer a seguir e a resolver a situação. Para os pais, revela-se extremamente doloroso, permitirem a confusão e a desordem. Por outro lado, é desta maneira que as crianças aprendem a identificar e a corrigir equívocos, e para a próxima vez, aprendem a evitar cometer os mesmos erros. É típico dos pais ansioso e superprotectores, quando a criança possui uma determinada tarefa, fazem questão de que façam o trabalho o mais possível próximo da perfeição, mesmo que numa primeira abordagem a criança, não revele absolutamente interesse nenhum. Permita à criança identificar as consequências das suas acções. Outro exemplo semelhante, se o seu filho não quer ir à natação, permita que ele fique em casa, porque da próxima vez, quando ele se sentar no sofá poderá sentir-se desconfortável.

9. Ajude o seu filho a gerir as emoções
A Dra Lyons, afirma que a gestão das emoções é o factor principal para a resiliência. Ensine o seu filho a aceitar as emoções, como algo perfeitamente legítimo. É normal sentir raiva quando ele ou ela perde o jogo ou se alguém lhe come o gelado todo. Depois das emoções atribuladas, eles precisam de pensar sobre aquilo que vão fazer de seguida. Rapidamente, as crianças também aprendem a distinguir e a relacionar as suas emoções poderosas e aquilo que eles querem. Os pais também precisam de aprender como lidar com suas emoções. Como progenitor, você poderá dizer “Compreendo que te sintas frustrado e zangado. Se estivesse no teu lugar, também me sentia da mesma maneira. Entretanto, precisas de aprender a identificar qual é próximo passo e qual o comportamento mais apropriado.” Se o seu filho fizer uma grande gritaria, ficará bem claro qual o tipo de comportamento que é apropriado ou não. Você dirá “Desculpa, mas não vou buscar outro gelado, porque esse tipo de comportamento é inapropriado e inaceitável.

10. Resiliência
É óbvio que as crianças aprendem observando o comportamento dos progenitores. Segundo a Dra Lyons, sugere “Seja consistente e tenha calma. Você, como progenitor, não pode pedir aos seus filhos para controlarem as emoções, se você não consegue controlar as suas. Na verdade, nós baralhamos tudo e como sabemos a educação exige muita pratica.” Quando você, como progenitor, cometer um erro, admita-o e diga “Desculpa filho, realmente estraguei tudo. Não consegui gerir a situação com calma. Vamos falar e descobrir outra forma diferente de lidar com a situação no futuro.”

É desde criança e ao longo da adolescência que a resiliência proporciona orientação e competências através de caminhos, conquistas e adversidades, por si só, inevitáveis e complexas, mas que fazem parte integrante do próprio desenvolvimento. Crianças resilientes, mais tarde, tornam-se adultos resilientes, capazes de sobreviver e prosperar expostos aos mais diversos tipos de adversidade.
Saiba mais sobre a Dra Lynn Lyons 

 Comentário: Como adultos sabemos o quão importante são os valores e as competências que nos foram incutidos pelos pais ou pessoas significativas, pela família em geral, pela escola e pela sociedade ao longo do nosso desenvolvimento. Da mesma forma, também sabemos o quão importante foram, e ainda continuam a ser, os erros que todos nós cometemos. É nesta dança entre a aquisição de competências e a aprendizagem dos erros, relação causa e efeito, que a prevenção das dependências ocorre desde o nascimento e ao longo da vida.
A prevenção das dependências, direccionada para as crianças, só é possível se TODOS estivermos envolvidos e assumirmos esse compromisso – causa. Por outras palavras, se sabemos que as crianças adquirem grande parte das suas competências observando os adultos; nós como adultos, responsáveis e com mais experiencia de vida, precisamos de ser um exemplo a seguir.
A sociedade somos todos nós. Estaremos a proporcionar às nossas crianças um leque de oportunidades que elas precisam para explorar o mundo? Será que estamos a incutir nas crianças um espirito que as motive a explorar o seu próprio potencial, a prosperarem e a oferecer-lhes alternativas para enfrentarem as adversidades? As drogas, incluindo o álcool, estão disponíveis para aqueles jovens que não exploraram, desenvolvem e prosperaram ao longo do seu desenvolvimento e servem, na perfeição, como uma almofada para atenuar a dor e o trauma, a frustração, a vergonha, a rejeição, a culpa. 



terça-feira, 25 de junho de 2013

Recomendações urgentes ao nível da oferta do alcool


Segundo uma notícia no Jornal de Noticias, de 22/06/13, “Defendendo aumento do preço do álcool. O Conselho Nacional de Saúde recomenda ao Governo que aumente o preço do álcool e restrinja a disponibilidade das bebidas alcoólicas como medida para reduzir os efeitos da crise na saúde.” Gostaria de referir que esta notícia, no JN, surge sem o destaque que merece, pelo contrário, é publicada nas notícias “Breves”. Pessoalmente, não chego a entender o papel de serviço publico e de investigação dos média, porque ninguém fala do assunto com honestidade; todos sabemos que o problema é grave, mas ninguém se atreve a abordar e aprofundar o tema sempre actual e preocupante.

Tal como já aqui foi afirmado o abuso de álcool e o alcoolismo representa um problema grave de saúde pública, todavia, os líderes políticos, negligenciam, o fenómeno exponencial associado ao abuso do álcool e do alcoolismo, agravado, tal como o Conselho Nacional de Saúde, vem alertar através da sua recomendação, para os efeitos do álcool em indivíduos vulneráveis à crise: por exemplo, aumento do desemprego, situações trágicas de famílias, questões financeiras e económicas precárias (dívidas), pobreza, doença mental (aumento dos casos de depressão e ansiedade), etc.
O Conselho Nacional da Saúde é um órgão de consulta do Ministério da Saúde que tem por missão emitir pareceres e recomendações sobre questões relativas à realização dos objectivos de política de saúde e propor medidas que julgue necessárias ao seu desenvolvimento, por solicitação do membro do Governo responsável pela área da Saúde.Saiba mais sobre as políticas de saúde

Sabia que a Industria do álcool, promove um vasto leque de oferta de bebidas alcoólicas a preços irrisórios, a fim de aumentar a procura. Se o álcool está disponível, a procura tende a aumentar. O álcool é mais barato que a água. Se não existe leis que regulem a oferta do álcool, obviamente que a Industria do álcool aproveita a lacuna, alegando interesses económicos.

Quando é que o Governo, os líderes políticos, segue esta recomendação? Para quando os tribunais (juízes e advogados) e a legislação contemplam os efeitos negativos na saúde pública do abuso do álcool e do alcoolismo, incluindo os jovens de menores de idade, os adolescentes e os adultos em idade sénior?


Será que existem lóbis, junto dos políticos, que impedem que se adoptem medidas justas e honestas em relação ao problema de saúde publica, associado ao abuso do álcool e do alcoolismo? Se a resposta é sim, então o caso ainda é mais grave e preocupante. O poder económico não pode estar acima dos interesses e da saúde publica. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Evidência cientifica reforça a necessidade de medidas preventivas



De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) 25 e 50% das pessoas podem ter sido abusadas fisicamente durante a sua infância. Uma experiência definida como o uso da força física que prejudica a saúde da criança, a sobrevivência, o seu desenvolvimento ou dignidade. Maus tratos na infância não se restringem somente ao abuso físico, as crianças também podem ser emocional ou sexualmente abusadas ou negligenciadas e essas experiências podem ter implicações serias e duradouras para a saúde do adulto.
A associação entre o abuso sexual infantil e problemas de saúde psicológica na vida adulta actualmente já estão documentadas e confirmadas. No entanto, os resultados na saúde da criança sobre o impacto da exposição aos maus tratos, não sexuais (abuso físico, emocional e negligência), a longo prazo, não têm sido sistematicamente examinados.

No ano passado, uma revisão sistemática e meta-análise publicada na PLoS Medicine (Norman e colegas, 2012) facultou um melhor entendimento sobre a associação entre a exposição ao abuso físico, abuso emocional e negligência na infância, os resultados de saúde física e mental mais tarde na vida adulta.

Abuso físico, abuso emocional e negligência são normalmente ligados a efeitos na saúde física e mental
Crianças emocionalmente abusadas apresentaram um risco três vezes maior de desenvolver doença mental – depressão e ansiedade. Efeitos idênticas de maus tratos à criança (não-sexuais) apresentam um risco significativo de desenvolverem perturbações do comportamentos alimentar, uso de drogas e álcool e comportamento suicida.

O único resultado, na saúde física, para o qual existe uma forte evidência de uma associação aos maus tratos (não sexuais) à criança é o das doenças sexualmente transmissíveis e/ ou comportamentos de risco associado ao sexo. Estes resultados foram cerca de 1,7 vezes mais prováveis em pessoas com uma história de abuso.
A evidência para uma associação com doenças crónicas, como o acidente vascular cerebral, a obesidade, a artrite e dor de cabeça / enxaqueca era fraco e inconsistente.

Norman RE, Byambaa M, De R, Butchart A, Scott J, et al. (2012) The Long-Term Health Consequences of Child Physical Abuse, Emotional Abuse, and Neglect: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS Med 9(11): e1001349. doi:10.1371/journal.pmed.1001349
Andrews et al (2004) Child sexual abuse. In Comparative quantification of health risks: global and regional burden of disease attributable to selected major risk factors (PDF) (Ezzati et al, editors). WHO, Geneva; pp 1851-1940

Comentário: De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde sobre o numero sobre as crianças abusadas e negligenciadas, são preocupantes visto representarem um custo muito elevado (Estado) e perda da qualidade de vida (doença, crise, acidentes, dor e sofrimento etc). Apesar de, em Portugal  o numero de jovens que consomem e  abusam de drogas, incluindo o álcool, ao longo das suas vidas, não ser generalizado, isso não significa que não seja prioritário um plano nacional de prevenção das dependências;  nicotina, canábis,  álcool (qualquer bebida com teor alcoólico). De acordo com o ultimo inquérito (2007) o alto grau de dependência afeta 10% dos fumadores, sendo a motivação para parar de fumar reduzida  (85,5% dos fumadores). Por outro lado, assistimos impotentes ao aparecimento de novas drogas, senão vejamos, após o recente decreto que proíbe a venda de drogas nas smartshops já surgiram seis novas substâncias psicoativas. O cánabis é a drogas mais consumida entre os jovens. Nos últimos anos têm surgido mais pedidos de ajuda a jovens que desenvolvem comportamentos problemáticos associados ao consumo excessivo de cánabis (psicoses, abstenção e redução do aproveitamento escolar, impulsividade, depressão, perda da memoria e concentração). 
Apesar de o estudo realizado pela CESNOVA (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) revelar que o consumo generalizado, sobre a prevalência de embriaguez ter caído, é do conhecimento geral, que os jovens, alguns menores de idade, desenvolvem uma cultura de divertimento muito forte associada ao abuso do alcool (Binge Drinking) cujo intuito é a embriaguez; por exemplo as queimas, os espectáculos de musica e as saídas à noite. 
Podemos concluir, depois do estudo da OMS, que as crianças que tenham sofrido qualquer tipo de abuso (emocional, físico e sexual) e negligência parental estão em risco de desenvolverem comportamentos de alto risco associado ao álcool e/outras drogas e perturbação do comportamento alimentar.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Publicidade? "Quanto baste"


Como é que a publicidade influencia os jovens?
Apesar deste video reportar-se à realidade americana, este fenómeno das técnicas agressivas de marketing, que geram pressão social e psicológica,  também  afecta negativamente as jovens portuguesas. Todos os dias, 365 dias por ano, estamos sujeitos aos mais diversos estímulos  cujo objectivo é simplesmente o  lucro das grandes multinacionais e das modas. 
Não vá em modas disfuncionais; pelo contrário faça questão de as quebrar: Seja você mesmo, ser único/a e criativo/a.
Siga o link e veja o video Causa e efeito.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Onde é que ficamos? Qual é afinal a realidade? Decida você



“Governo recua e distingue vinho e cerveja das bebidas espirituosas. Nova lei proíbe álcool de teor elevado a menores mas mantém os 16 anos para bebidas “leves”. Associação de bebidas e peritos falam em cedência a lóbis. A diferenciação dos limites etários – 16 e 18 anos- consoante o teor de álcool, definida no novo diploma, aprovado, no dia 21/2/13, pelo Conselho de Ministros, veio defraudar entidades ouvidas durante a elaboração da lei para o consumo do álcool. É conhecida a posição de Pires de Lima contra a proposta da proibição alargada aos 18 anos. Pires de Lima é o presidente da Associação de Produtores de Cerveja e também presidente da mesa do conselho nacional do CDS-PP.  ” Lê se na notícia do Jornal de Notícias de 22/2/13. Podemos acrescentar na mesma notícia, segundo o secretário de Estado adjunto da Saúde “(…) a medida tenciona sobretudo impedir a embriaguez dos jovens” Jornal de Noticias, 22/2/13. Esta é a versão dos políticos, dos interesses da Industria do Álcool (lobbies) e que contam com a conivência dos órgãos da comunicação social, sobre o problema de saúde pública relacionado com o álcool. 

Repito mais uma vez, visto ter publicado já este facto no blogue, você sabia que existem um milhão e meio de pessoas que bebe em excesso e metade delas é alcoólica, em Portugal? No artigo do JN, para espanto de todos aqueles que trabalham nesta área e ou das famílias, incluindo as crianças afectadas pelo álcool, o jornalista ainda refere na notícia, “bebidas leves.” Apesar dos média teimarem em confundir a opinião publica e alimentar mitos, não existe este conceito “bebidas leves” quando sabemos o álcool é uma droga psicoactiva.

Reacções à Nova Lei
  • “Há três, quatro meses, a proposta à qual tivemos acesso, o limite de 18 anos aplicava-se a todo o tipo de álcool. Esta proposta não é consistente, o elemento álcool está presente em todas. Não podemos diferenciar o bom álcool do mau álcool. Tínhamos ficado satisfeitos para a subida de idade mínima dos 16 para os 18 anos. A lei parece ceder a pressões de vários grupos. O álcool é sempre prejudicial aos jovens. Na cerveja há também vários graus” George Sandeman, presidente da Associação de Comerciantes e Industriais de Bebidas Espirituosas e Vinhos
  • “Uma cedência total aos lobbies. Esta lei serve a estratégia de fidelizar os jovens para o consumo de álcool – beber desde cedo, para criar hábito. É uma cedência total aos lobbies das grandes empresas e das multinacionais. Estamos a mascarar o problema. O álcool é álcool. É uma medida trágica.” João Manuel Ramos, responsável pela Associação de Cidadãos Auto Mobilizados
  • “A medida fica coxa, é uma medida a medo. Quem trabalha nesta área sabe que se está diante do efeito de pressões. A lei é confusa criando uma mensagem difícil de explicar aos mais novos” Rui Tato Marinho, medico e coordenador de hepatologia da Ordem dos Médicos
Depois de sabermos a opinião dos políticos e da Industria do Alcool, também iremos saber algumas reacções de entidades e os seus representantes, agora vamos abordar o lado realista e negro do fenómeno do alcool e as suas vitimas  Senão vejamos, "Coma alcoólico leva direcção do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA) a suspender praxe. Foram ultrapassados os limites para além do tolerável, João Carvalho presidente do IPCA, em Barcelos, ao comentar o incidente, dentro do campus da instituição, que levou três alunos, em coma alcoólico, ao Hospital de Barcelos após o Rali das Tascas organizado pela Tuna do IPCA, em parceria com a Comissão de Praxe. (…) Os alunos hospitalizados, duas raparigas de 19 anos e um rapaz de 18, já tiveram alta. O caso mais grave saiu apenas na madrugada de ontem” Noticia do JN de 21/2/13

Excertos de uma reportagem publicada no suplemento que faz parte da edição do Correio da Manhã. “Noite de copos. Consumo de álcool por adolescentes em Portugal aumentou. Não há lei que trave.  No grupo de Alberto (nome fictício) já não há menores de idade. O mais novo dos seis rapazes, Paulo (nome fictício), celebrava nessa noite 18 anos. Pelo menos, foi o que disseram. Um afirma que começou a sair à noite aos 14 anos e já apanhou “algumas bebedeiras. O acesso às bebidas, mesmo brancas, nunca foi problema, Nem vai mudar com a lei. Os comerciantes querem é fazer dinheiro e fecham os olhos às idades. E se não for assim, leva-se uma fotocópia do BI falsa, garante Alberto”
“Até dá dó. Às vezes, é preciso sair do carro para tocar às campainhas e pô-los dentro do prédio para chegarem a casa. No outro dia era uma miúda que estava estendida no largo, completamente inconsciente. A que estava com ela só olhava. Ainda saí do carro e fui lá, mas outro colega já tinha chamado uma ambulância” taxista na zona de Santos.
Segundo João Goulão, o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, “(…) diz nada ter a acrescentar, depois de reconhecer, no ano passado, que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou entre os jovens, mas que estes apanham “menos bebedeiras” e bebem” cada vez mais cerveja” num consumo regular.
  • “Álcool é sempre álcool e quando se faz a avaliação de um doente conta apenas o número de unidades que bebe e não o tipo de bebida. Todas são igualmente perigosas” Francisco Henriques, da Unidade de Alcoologia de Lisboa.
  • “Esta lei é cínica e desrespeita o plano que fizemos com o Ministério da Saúde” Albino Almeida, presidente da Confederação das Associações de Pais
  • “Está provado que não se deveria beber antes dos 18 anos por causa do desenvolvimento cerebral” Luís Patrício, psiquiatra
Comentário: O fenómeno do Binge Drinking, que consiste no abuso de bebidas alcoólicas (período reduzido de tempo) cujo objectivo é a intoxicação/embriaguez é um problema que afecta crianças e jovens de todo o Mundo. Alguns países afirmam impotentes; ensinar as crianças a beber moderadamente não funciona, tal a pressão social, cultura que bebe, e as técnicas de marketing agressivas da indústria do álcool com a conivência dos políticos, da ordem dos médicos e advogados, tribunais e dos média. Infelizmente, Portugal inclui-se também nesta lista de países, com tendência para o fenómeno aumentar. Saiba mais sobre o que o Sr. secretário de Estado adjunto da Saúde afirmou recentemente sobre a prevenção e o serviço nacional de saúde sobre o álcool. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vale a pena mudar ou permanecer cristalizados e impotentes?


Noticia no Jornal de Noticias de 30/12/12:  “Portugueses devem prevenir doenças para ajudar SNS”
O atual Secretario do Estado da Saúde considera que “ os portugueses têm a obrigação de contribuir para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde prevenindo doenças e recorrendo menos aos serviços.” Ainda na mesma notícia referia, e é esta a parte que mais interessa, visto contemplar a questão da prevenção das dependências, “Os problemas ligados ao tabaco, ao álcool e à diabetes tipo 2 (que é prevenível) representam um encargo para o Estado de cerca de 800 milhões de euros. O tabaco custa 500 milhões, o álcool 200 milhões e a diabetes 100 milhões, só em medicamentos. Na prevenção, os ministérios da Saúde e da Educação vão promover um campanha nacional nas escolas para alertar para os malefícios do tabaco, álcool e novas drogas. Em relação ao álcool, o Governo prepara-se para apresentar legislação que limita a venda de bebidas alcoólicas a maiores de 18 anos e que restringe a sua comercialização em bombas de gasolina ou lojas de conveniência durante o período noturno.”

Evitando entrar nas questões políticas e dos partidos, mas aproveitando o discurso do senhor secretário do estado, aproveito para abordar, mais uma vez, a inexistência de políticas nacionais que contemplam a Prevenção das Dependências. Segundo os números avançados pelo senhor secretário do estado, em relação aos custos para o Estado, quanto ao tabaco (500 milhões), álcool (200 milhões) onde não faz qualquer referência dos encargos relacionados com as drogas ilícitas, por exemplo as drogas ditas “leves”, posso concluir, mais uma vez pelas palavras do senhor secretario do estado que todos os esforços em relação à politica nacional da prevenção das dependências em Portugal ou são inexistentes visto não haver uma avaliação concreta ou não estão a dar resultados ou mais preocupante não existe. Esta realidade já é uma herança amarga de dezenas de anos, visto não haver vontade politica para mudar; a prevenção nunca funcionou e não funciona com campanhas nas escolas. A prevenção faz-se antes, durante, após o nascimento e ao longo da vida, como sabemos ninguém nasce com um manual de “boas praticas”, neste mundo em constante “alvoroço” e perigoso para algumas crianças vulneráveis.

De acordo com estudos, nos EUA, cada dólar investido na prevenção poupa-se sete dólares no tratamento e vinte e um dólares em serviços sociais. Então se poupa com a prevenção do que é que estamos à espera?

Na minha deslocação pelas escolas e famílias sobre a prevenção todos são unanimes em afirmar que é preciso fazer qualquer coisa porque o fenómeno já se transformou num flagelo, mas depois, quando é necessário elaborar programas e objetivos, assumir compromissos e envolver a investigação e a experiencia o resultado é nulo, porque não existem pessoas que assumam verdadeiramente a causa, com compromisso pela missão.

Por exemplo, quanto à afirmação do senhor secretario do estado sobre a alteração da legislação que limita a venda de bebidas alcoólicas a maiores de 18 anos, na minha opinião, a alteração já peca por tardia, visto haver noticias e a investigação realçar o surgimento do fenómeno denominado Binge Drinking entre adolescentes, e em alguns casos entre  jovens com 12 e 13 anos. Acredito que exista vontade política em mudar as mentalidades, mas na prática, é só um plano de intenções, porque nada muda. Esta “promessa” dos políticos e dos partidos, sobre a legislação que limita a venda de bebidas alcoólicas a maiores de 18 é difundida há vários anos, diria pelo menos há uma década, e permanece na secretaria dos ministros, visto não ser urgente e eventualmente, haver lobbies, da industria do álcool, que pretendam que as coisas permaneçam como estão, porque os nossos jovens, menores de idade, continuam a representar uma fonte de receita devido ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Se é assim com o álcool, como será com a legalização do cannabis? Não basta legalizar, e depois quais são as estruturas e políticas existentes para a prevenção? E para o tratamento?

De acordo com uma notícia do JN, em 2010, os hospitais portugueses registaram 28 óbitos por uso de álcool ou drogas. Neste mesmo ano, segundo dados da Direção Geral de Saúde (DGS) 3000 doentes foram assistidos por estes motivos, consumos de álcool ou drogas. Convém salientar que o álcool também é uma droga psicoativa e a mais perigosa. No mesmo relatório da DGS sobre a morbilidade hospitalar no Serviço Nacional de Saúde, 2010, houve 3197 doentes a receber alta dos hospitais por uso de álcool e ou outras drogas e perturbações mentais induzidas por estas substancias. Estes doentes representam quase 40 mil dias de internamento durante um ano. Em relação a 2009 registaram-se 31 óbitos por consumo de álcool ou droga, mais 4000 dias de internamento e mais 200 doentes observados por esta causa.

Definitivamente, “mais vale prevenir do que remediar”. A saúde e a qualidade de vida das nossas crianças, tem estar acima dos interesses económicos e dos lobbies. É preciso que os decisores políticos, em conjunto com a sociedade civil, assumam a negligência e mudem os paradigmas disfuncionais que reforçam o consumo, o abuso e as dependências de substâncias psicoativas lícitas, incluindo o álcool e as ilícitas, para depois não virem dizer que o Estado gasta não sei quanto milhões de euros. Em relação ao assunto das dependências, se nada muda, a tendência é para agravar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Efeitos da Ingestão Aguda de Álcool, segundo o Dr. Pedro Girão



O consumo de álcool…
  • Torna mais fácil a integração no grupo.
  • Reduz a tensão e a ansiedade.
  • Alivia o stress e a baixa autoestima.
  • Ajuda a esquecer preocupações, sentimentos depressivos e problemas relacionados com escola/família.
  • Aumenta a confiança e atracão sexual. 

Consequências do uso/abuso frequente do álcool nos jovens:
  • Queda no desempenho escolar;
  • Dificuldades de aprendizagem/memória;
  • Problemas no desenvolvimento emocional;
  • Complicações decorrentes da desinibição excessiva (acidentes, etc.)
  • Gastrite;
  • Hepatite, pancreatite (fase crónica).

Intoxicação aguda: alcoolémia
  • Para uma determinada quantidade de álcool ingerido, a alcoolémia (taxa de álcool no sangue) nem sempre é fácil de prever, variando sobretudo com o peso e o sexo (as raparigas são mais vulneráveis).
  • Em média, ao fim de meia hora:
  • 1 Dose bebida menos graduada – 12 grau alcoólico = 0,30 g/l
  • 1 Dose bebida mais graduada – 40 grau alcoólico = 0,46 g/l
  • Limite legal para conduzir: 0,5 g/l
  • Taxa de 0,5 g/l - redução do stress, alívio da ansiedade; 
  • Taxa de 1,5 g/l - ligeira intoxicação (linguagem desinibida)
  • Taxa> = 2,5 g/l - graves sintomas de intoxicação com perda de controlo. Pode ocorrer turvação da visão, descoordenação muscular, diminuição da capacidade de reação, diminuição da capacidade de atenção e compreensão, deterioração da capacidade de raciocínio e da atividade social, irritabilidade, descoordenação, amnésia, etc.
  • Taxa> 4,5 g/l - existe perigo de vida: risco de depressão respiratória,

Intoxicação aguda: quadro típico
  • Hálito característico (nem sempre, por exemplo a vodka)
  • Falta de coordenação de movimentos e dificuldade na articulação de palavras;
  • Alegria e exuberância de atitudes;
  • Conflitualidade;
  • Ventilação irregular e acelerada;
  • Palidez e suores frios;
  • Contrações de pequenos grupos musculares;
  • Alterações da lucidez, equilíbrio, força e consciência (em casos mais graves pode surgir o coma alcoólico). 

Intoxicação aguda: coma alcoólico
  • O coma alcoólico é o estado de coma causado pelo excesso de álcool no organismo. Esse quadro é grave e tem indicação para internamento hospitalar urgente. Caracteriza-se por:
  • Ausência de resposta a estímulos (físicos, verbais);
  • Perda de reflexos (tosse, deglutição);
  • Depressão respiratória.
  • Hipoglicémia: Baixa concentração de açúcar no sangue, podendo provocar um quadro convulsivo.
  • Hipotermia: Baixa temperatura corporal (valores inferiores a 35ºC), provocando alterações das funções vitais.

Intoxicação aguda: atitudes a ter em conta
  • Se a vítima estiver consciente:
  • Provocar o vómito para eliminar o conteúdo gástrico;
  • Dar bebidas fortemente açucaradas;
  • Manter a temperatura corporal;
  • Vigiar as funções vitais.

 Se a vítima estiver inconsciente:
  • Promover o transporte imediato para o hospital.
  • Manter a via aérea permeável;
  • Colocar a vítima em PLS (decúbito lateral);
  • Manter a temperatura corporal;
  • Colocar açúcar debaixo da língua;
  • Vigiar as funções vitais;

Dr. Pedro Girão, Anestesista

Comentário: O meu agradecimento ao Dr. Pedro Girão pela sua participação no Recuperar das Dependências. Tal como já foi referido neste blogue, inúmeras vezes, alguns jovens, que frequentemente recorrem ao álcool para se divertirem (desinibir, divertir) estão expostos ao fenómeno do Binge Drinking (Abuso na ingestão de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez). Por ex. entre os homens o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante vários dias seguidos e afecta negativamente o comportamento dos jovens - algumas consequências previsíveis após o Binge Drinking: acidentes, condução sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência, agressão  sexual e abuso, doenças sexualmente transmissíveis (hepatites, VIH, DST), intoxicação alcoólica, coma e morte.
Hoje em dia através da internet você possui imensa informação sobre este fenómeno, nesse sentido, organize atividades lúdicas (jogos) em família. Seja criativo/a. Aborde esta temática junto dos seus filhos, antes que surjam problemas associados ao abuso do álcool e/ou consumo de substâncias psicoactivas ilícitas. Caso pretenda ajuda pode contatar-me através do email: xx.joao@gmail.com 
 «Mais vale prevenir do que remediar»




sábado, 8 de setembro de 2012

O problema é grave, e a tendência é para piorar, mas negamos as evidências



Jornal de Noticias, de 18/8/2012
O Jornal de Notícias, na sua edição de 18 de Agosto, 2012, convidou sete personalidades para a participarem num painel sobre três questões relacionadas com a saúde em Portugal, todavia, vou somente selecionar a primeira porque é aquela que está diretamente relacionada com o tema da Prevenção das Dependências:
“Sociedade: Painel/ Tomar o pulso ao país” - Portugal é o terceiro maior consumidor de álcool da OCDE. Que consequências?”
 “Saúde: Portugal no pódio do consumo do álcool. Apesar dos números revelarem uma ligeira queda face aos últimos anos, Portugal mantém-se no pódio dos maiores consumidores de álcool do Mundo – 12,2 gramas per capita, a apenas uma décima de grama da França e empatado com a Áustria (números da OCDE). E há ainda a agravante de as estatísticas não incluírem o vinho produzido para consumo próprio. Sermos produtores de muitos e bons vinhos não justifica tudo. Sociavelmente, o álcool continua a ser um passaporte para um estilo “descontraído” e recebe um consentimento benevolente dentro das famílias e instituições. O crescimento das bebedeiras selvagens (botellón) aos fins-de-semana, entre os jovens mostram como as coisas estão a piorar ainda mais. Questão: Quem paga a factura? Quais são as consequências físicas e sociais? Eis uma chaga que nenhum Governo consegue sarar.” Jornal de Noticias.

 Portugal é o terceiro maior consumidor de álcool da OCDE. Que consequências?
  • António Ferreira - Presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João. Resposta: “A) Desagregação e violência familiar; B) Exclusão social; C) Agravamento do estado de saúde e desqualificação da população, diminuição da produtividade, etc”

  • Isabel Vaz - Presidente da Comissão Executiva da Espirito Santo Saúde. Resposta: “É um problema de saúde pública muito relevante pelas consequências sociais, da despesa e por ser um factor de risco de doenças cardiovasculares e hepáticas.”

  • Manuel Antunes - Cirurgião Cardiotorácico e Professor da Universidade de Coimbra. Resposta: “Infelizmente, o consumo excessivo de álcool é bem tolerado, até aceite, no nosso país. O impacto na saúde, praticamente em todos os órgãos, é devastador, também com consequências económicas e sociais muito grandes.”

  • Maurício Barbosa - Bastonário da Ordem os Farmacêuticos. Resposta: “ É muito preocupante, mais ainda a triste incidência em jovens de menor de idade. As consequências são péssimas para os próprios, as famílias e a sociedade. Os inevitáveis problemas de saúde refletem-se em menor qualidade de vida e em menor produtividade e conduzem inexoravelmente a mais despesa em cuidados de saúde. Os índices elevados de acidentes de trabalho, de viação, etc., e de violência também se correlacionam com o alcoolismo.

  • Nuno Sousa - Diretor do Curso de Medicina da Universidade do Minho. Resposta: “Nefasta para a saúde. Claramente a carecer de uma campanha de educação.”

  • Paulo Mendo - Antigo Ministro da Saúde. Resposta: É um grave problema de saúde pública, responsável por milhares de casos de doenças crónicas de cura difícil e tratamento muito caro. Pior (ou melhor), a cultura milenar do nosso povo aceita e tolera esta praga!”

  • Purificação Tavares -CEO da CGC Genetics. Resposta: “Os hábitos de população e os estilos de vida favorecem este consumo, pelo que deveria haver preocupação e contenção com a publicidade a bebidas alcoólicas, assim como colocar esta tónica no sistema educativo.”


Comentário: O álcool (etílico) é uma droga, depressora do sistema nervoso central, e é das substâncias psicoactivas, geradoras de dependência, mais consumidas no mundo, com a agravante de ser a mais perigosa. O álcool afecta a forma como o individuo pensa, sente e age.

De acordo com vários estudos, efetuados nos EUA, se os problemas com o álcool persistirem  o individuo alcoólico poderá morrer  15 anos mais cedo do que a idade media de morte da população em geral. As principais causas de morte são ataque cardíaco, cancro, acidentes e suicídio, embora também possa detetar doenças do fígado; cirrose.
Outra serie de estudos, efetuados nos EUA e na  Escandinavia, estabeleceram a importância de fatores genéticos na génese do alcoolismo e demonstraram que os filhos de pais biológicos alcoólicos, que deles foram separados quando crianças, cresceram com pais adoptivos, e sem qualquer conhecimento dos pais biológicos, apresentaram taxas muito elevadas de alcoolismo.
Outros estudos revelam que entre filhos de pais alcoólicos, um baixo nível de sensibilidade ao álcool resultou num risco de 60% de alcoolismo 10 anos mais tarde, enquanto a elevada sensibilidade ao álcool resultou apenas num risco de apenas 15%. A reação a doses moderadas de álcool possa dificultar aos filhos de alcoólicos o recurso às suas próprias sensações, depois de beberem, para decidirem o momento em que devem parar de beber. Estes estudos servem para sublinhar as possíveis componentes genéticas e biológicas do alcoolismo. Os dados recentes mais fiáveis indicam que o alcoolismo é uma perturbação geneticamente influenciada com uma taxa de hereditariedade, semelhante aos diabetes. Isto é, existe a possibilidade de o alcoolismo passar de geração para geração (pais para filhos)[i]

Todos nós sabemos que o abuso do álcool e do alcoolismo é um problema de saúde gravíssimo, mas dado à sua complexidade (epidemiologia e da etiologia, e os efeitos sociais) vivemos uma cultura de negação associado às consequências e aos efeitos trágicos do abuso do álcool, do alcoolismo no individuo, na família, incluindo as crianças, e os custos para o estado. Li algures que existem um milhão de bebedores problemáticos e 800.000 indivíduos alcoólicos, se juntarmos a estes dados, as suas famílias, incluindo as crianças, mais os jovens adolescentes que recorrem um binge drinking (abusar do álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez), as despesas de saúde e as despesas para o estado, os acidentes e o suicídio, mesmo assim, apesar das evidências e do agravamento do fenómeno, todos nós, continuamos a abordar o problema de saúde pública, do abuso do álcool e do alcoolismo, como se estivéssemos a discutir o problema do vizinho ou como se não tivéssemos nada a ver com isso, atitude que designo de estigma e  negação. 

Para se ter uma noção da gravidade do problema, creio ser comum encontrar na maioria das famílias portuguesas, um caso de um individuo (membro da família, por exemplo; avô, pai, primo, tia, avó, mãe, irmã ou irmão) que tenha sido afetado pelos problemas associados ao álcool, no passado ou no presente; de realçar que o alcoolismo pode passar de geração em geração.

De acordo com os estudos científicos, na maioria dos países civilizados, incluindo a Organização Mundial de Saúde é urgente investir com compromisso na educação, na prevenção junto das populações e no tratamento do abuso e do alcoolismo, todavia, os interesses económicos e os lobbies acabam por ditar as regras, em detrimento da saúde das pessoas, incluindo as crianças, com o consentimento dos decisores políticos. Por outro lado, observo há vários anos, nos meios de comunicação social, de acordo com os sucessivos governos, promessas onde os políticos afirmam que a lei da venda e consumo do álcool vai ser alterada, mas mantém-se inalterável; somos o único país da EU a permitir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas a menores de idade. Aparentemente, existe um certo laxismo e desinteresse na investigação jornalística, na legislação, na politica sobre este assunto complexo e trágico que afeta milhares de portugueses, incluindo as crianças, e passo a citar o jornalista do JN “Eis uma chaga que nenhum Governo consegue sarar “. Pergunto; se é considerado uma “chaga”, porquê teimamos em negar a tragedia humana e os custos económicos e sociais? Na minha opinião, a dita “chaga” nunca será eliminada, pelos decisores políticos, visto haver outros interesses mais importantes que os direitos humanos e o direito à saúde, incluindo as crianças.

À data deste post ainda somos um país que permite e promove o consumo e o abuso de bebidas alcoólicas a jovens menores de idade, estando assim a contribuir e para o agravamento para o problema de saúde pública.

Esta questão é um dos motivos pela qual justifico a existência e a minha dedicação a este blogue – Prevenção das Dependências.







[i]  “Abuso de alcool e drogas” Marc A. Schuckit - Climepsi Editores