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terça-feira, 1 de maio de 2018

Negar as evidencias não é um acto responsável.



Gradualmente, a legalização da canábis (resina e planta), vulgo haxixe e erva, sem ser para utilização terapêutica, tem ganho adeptos dos mais variados quadrantes da sociedade; partidos políticos, organizações não governamentais, opinion makers, alguns artistas, comunicação social, etc. Pessoalmente, não sou a favor da legalização da canábis e explico porquê. Não tenho nada contra as drogas, tenho é muitos motivos para estar desacreditado e desiludido em relação às pessoas, refiro-me aos decisores políticos.  Por outro lado, os portugueses não estão suficientemente informados, a nível científico, sobre os efeitos da droga psicoativa alteradora do sistema nervoso central. Quantas aldeias e vilas empobrecidas, principalmente do interior do país, estão informadas a nível científico? Estas pessoas continuam a recorrer aos mitos e tradições retrogradas e desatualizadas, em termos de comparação, acrescento o consumo do álcool, para efeitos terapêuticos, “beber álcool aquece”, “beber álcool alimenta “ou  “beber algo dá energia”, etc. Nestas aldeias, mais depressa se encontra um traficante de canábis, do que luz na rede elétrica. Nas consultas, escuto pais, licenciados, também baralhados e confusos, perante os argumentos, adquiridos na rua ou informação falsa, dos seus filhos que insistem que o canábis é uma droga inócua para a saúde.

Quando penso na legalização da canábis, dá a sensação que primeiro legisla-se e depois legaliza-se ou vice-versa, mas o que importa é a visão mercantilista da coisa de acordo com as leis do mercado (milhões de euros nos cofres do estado em impostos, postos de trabalho, mercado negro, etc) e depois que se lixem, as pessoas e as suas famílias, que apresentam problemas graves de saúde, devido ao uso e abuso da cannabis, por exemplo, indivíduos com surtos psicóticos, depressão e ansiedade. Sabia que a canábis gera dependência psicológica? Numa consulta com Nuno (nome fictício) afirmou o seguinte: “Estou cheio de medo de largar a erva… depois o que é que vai ser de mim??? Acho que não vou conseguir…estou com medo…” De notar que o discurso do Nuno, estava emocionado e assustado, visto, há décadas consumir canábis, diariamente. Para terminar, um dia escutei um documentário onde o investigador fez a seguinte declaração: “O canábis não mata, mas pode enlouquecer. “, subscrevo.

Alguns fatores importantes sobre a Legalização do canábis (Alimento pro pensamento)
  • Condução sob o efeito de canábis. Legislação
  • Legislação no trabalho. Irá o consumo de canábis afetar o rendimento/produtividade no trabalho?
  • Idade legal para o consumo – EUA de acordo com a legislação são 21 anos
  • Indústria milionária -   Marketing agressivo, leis do mercado, concorrência, mercado negro, lucro, outros produtos, por exemplo, confecção de bolos, doces (risco de consumo por crianças).
  • Qual é o nível de THC permitido/seguro para consumo? Sabia que o nível de THC é elevadíssimo comparativamente há 20 anos?
  • Para os pais – orientações científicas sobre o consumo, abuso e dependência psicológica, refiro-me à prevenção e ao tratamento.
  • Escolas – políticas e critérios - orientações para os professores e pessoal não docente.
  • Prevenção do abuso e dependência do canábis – campanhas informativas nos meios de comunicação social.
  • Alternativas aos consumos/abuso de canábis, por exemplo, em festas, concertos, queimas das fita, etc
  • Evidencia científica sob o consumo, abuso e dependência do canábis
  • Posse legal de canábis /Quantidade?
  • Cultivo, produção, fabrico e extração das substâncias psicoactivas a fim de estarem disponível para o consumidor final.
  • Segundo a evidencia cientifica o consumo durante a adolescência aumentou o risco de surtos psicóticos. Nos EUA, um em cada 6 adolescentes que experimentam canábis ficam dependentes. O risco de dependência é maior do que do álcool.
  • Atualmente a canábis é mais potente (níveis de THC agente tóxico activo) comparativamente há 20 anos. Aumenta o risco de dependência?
  • Saúde vs Economia - Decisores políticos – estratégia para a prevenção, o tratamento e a recuperação das pessoas dependentes. O problema não são as drogas, o problema são as pessoas.
  • Trafico, mercado negro.
  • Factos: nos EUA, em alguns estados, o numero de adolescentes que vão as urgências dos hospitais aumentou após a legalização do canábis. Nos EUA o numero de acidentes de viação aumentou após a legalização do canábis.
  • Na minha opinião, Portugal, (principalmente, os decisores políticos) não está preparado para seguir uma estratégia que assegure o apoio às pessoas, às suas famílias e às comunidades, refiro-me á prevenção e ao tratamento do abuso e da dependência do canábis. Assim como não existe um dialogo (pontes) entre a comunidade cientifica e o publico em geral, devido principalmente ao estigma, ao preconceito (e hipocrisia), à negação e à vergonha. Todavia, observo pequenas ações educativas, por exemplo, Ordem dos Médicos, mas para fins terapêuticos.
  • Consumo de canábis durante a gravidez e efeitos para o bebé.
  • Utilize esta lista para abordar o tema com os seus filhos. 




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A prevenção das dependências começa em casa


Os jovens são mais afetados pela publicidade ao álcool, revela estudo europeu recente. Segundo este estudo a exposição à publicidade a bebidas alcoólicas tem um enorme impacto no consumo entre os jovens e a autorregulação da industria não funciona. O estudo, em questão, publicado na reputada revista cientifica Addiction alerta para o impacto que o consumo de álcool tem entre os mais jovens e também alerta que o consumo de bebidas alcoólicas é a principal causa de incapacidade ou morte entre os jovens do sexo masculino com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos.

 O resultado deste estudo, vem corroborar outros , portanto não se trata de nenhuma novidade. Todavia, conscientes do problema, quais são as medidas impostas, pelos decisores políticos, que visam travar estes fenómenos? 1. O abuso do álcool, o consumo de bebidas alcoólicas por jovens com idades abaixo do permito por lei e  2. binge drinking (beber bebidas alcoólicas com o intuito de ficar intoxicado) e 3. abuso de bebidas alcoólicas é a principal causa de incapacidade ou morte entre os jovens do sexo masculino.

Quando contemplamos, o abuso de álcool pelos jovens, não o devemos fazer somente através dos reguladores institucionalizados com recurso a leis restritivas. Sabemos que as leis existem, mas também existem formas engenhosas de as contornar. Por exemplo, as marcas de cerveja, anunciam a cerveja sem álcool, todavia, é a fidelização à marca que importa e o lucro das cervejas sem álcool não creio que seja relevante comparativamente à cerveja com álcool. Nas camadas jovens, quem é que bebe cerveja sem álcool? Nos festivais de verão quem é que consome cerveja sem álcool? Nas festas académicas quem é que consome cerveja sem álcool? Na minha opinião, o consumo é residual comparativamente à cerveja com álcool. Para agravar a situação, a cerveja com álcool, neste tipo de eventos, para além de estar disponível em garrafas, também é servida a copos, que torna a venda mais acessível (e mais lucrativa), mesmo para aqueles jovens com fracos recursos financeiros.
      

Por outro lado, considero que o problema são o comportamento das pessoas e não o álcool, propriamente dito. O problema não é o álcool. O problema não são as leis, são as pessoas que delineiam estratégias de marketing (publicidade) que visam somente o lucro (economia de mercado), o problema são os decisores políticos que evocam as questões económicas em detrimentos das consequências do álcool nas camadas mais jovens, o problema são os media que não fazem investigação e não alertam ( e sensibilizam) a sociedade para as consequências do álcool,  as Instituições de ensino que formam profissionais, sem que estes estejam qualificados para abordar o assunto nas consultas e/ou nas urgências hospitalares e todos nós (sociedade civil) que compactua com esta «velha» tradição, imposta na nossa cultura, associada ao abuso do álcool, por exemplo, nas consultas ouço casos de alguns pais, com filhos de 11 e 13 anos, que afirmam o seguinte: “Os meus filhos já experimentam bebidas alcoólicas, começam a faze-lo em casa na presença dos pais. Por exemplo, numa festa é-lhes permitido, experimentar o álcool, com um gole.”. Contrariamente a este exemplo desafortunado, a prevenção mais eficaz, contra o abuso do álcool, começa em casa.

 Infelizmente, o álcool ainda não é encarado como uma droga (substância psicoactiva do sistema nervoso central). Entre outras drogas o álcool é a droga mais perigosa, simplesmente, porque está disponível e porque permanecemos passivos perante todos estes fenómenos acimas referidos. Felizmente, nem todos os jovens abusam do álcool ou recorrem ao binge drinking, mas mesmo assim, a vida dos nossos jovens, mesmo em numero reduzido (refiro me aqueles que apresentam vulnerabilidades associados ao abuso do álcool), são mais importantes que o lucro das empresas e/ou tradições/tendências disfuncionais e retrogradas. É possível ser feliz, sem beber bebidas alcoolicas.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Como não avançamos a tendência é para cristalizar


Em pleno seculo XXI, a prevenção das drogas em Portugal ainda é um mito.
Você considera que a nossa cultura reforça a prevenção das dependências? Na minha opinião, a resposta não é fácil, mas creio haver necessidade de uma revolução, porque as dependências de substâncias psicoactivas licítas, do Sistema Nervoso Central, incluindo o álcool e as ilícitas, são uma epidemia e representam um problema de saúde pública com custos elevadíssimos. Caso não se tomem as devidas precauções a tendência é para se agravarem visto negarmos esta realidade. E enquanto for negada vai assumindo proporções epidémicas. Só para se ter uma ideia, o álcool é a droga mais perigosa, comparativamente a todos as outras,por ser ser aceite socialmente.

Segundo Edward B. Tylor cultura é «Aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade.» A sociedade somos nós.

O fenómeno tende a alastrar-se
Desde o princípio dos anos 80, após a revolução do 25 de Abril de 1974, não existe uma política que contemple um plano de prevenção das dependências direccionado para os jovens, pais e escolas. Não existe uma cultura de investigadores, de educadores, de instituições e profissionais e de pais que assumam um compromisso sobre a prevenção. Outra situação idêntica, educação sexual inexistente nas escolas. Se o ser humano pratica sexo há milhares de anos, qual é o problema abordar o tema abertamente? São os mitos? Os preconceitos? Ou outra razão que eu desconheça? O mesmo acontece com o álcool e outras drogas. Se o ser humano sempre consumiu drogas, desde os primórdios da humanidade, qual é o problema em abordar o tema abertamente?

Se o ser humano sempre consumiu drogas, a partir dos anos 60, este fenómeno assumiu proporções epidémicas em todo o mundo. O mundo das drogas (produção, trafico, consumo e a dependência) é complexo, mas também precisamos de admitir que o contexto social tem sido terreno fértil para a sua propagação. Existe uma cultura (moda) que procura sensações fortes de prazer e bem-estar a fim de descomprimir das tensões, do tédio e que visa acabar com o sofrimento através de drogas, incluindo a auto medicação, substâncias sujeitas a prescrição medica (por exemplo, os ansiolíticos). Existem drogas diferentes para todos os tipos de preferências, tendências, contextos e estatuto sociais, a procura supera a oferta; estão criadas as condições para um negócio lucrativo. O tráfico, o consumo ocasional, o abuso e a dependência são uma indústria com lucros muito significativos. Estima-se em 160 mil milhões de dólares, oriundos do narcotráfico, anualmente, lavados na banca internacional. O negócio global de muitos milhões de dólares, dinheiro sujo das drogas, é constituído por um sem número de parceiros, interesses e «fiéis» colaboradores que ajudam a sustentar a economia global. É um círculo vicioso.

A prevenção das dependências de drogas, incluindo o álcool, começa no berço.  
Em Portugal, a prevenção das drogas nunca foi uma prioridade para os decisores políticos, apesar de os candidatos às eleições visitarem instituições, para pessoas com problemas com drogas, somente para angariarem votos e fazerem promessas que depois não cumprem. Por exemplo em relação às drogas ilícitas, os líderes políticos centram o combate no tráfico, recorrendo às forças policiais. Esta estratégia não visa a prevenção, e está provado que não surte efeito. Prende-se um traficante, imediatamente este é substituído por mais dois ou três. Alguns países da Ásia, ainda aplicam a pena de morte aos traficantes, mesmo assim, este tipo de leis não conseguem erradicar o tráfico de drogas naqueles países. 

Como referência de mudança de mentalidades e cultura, após o 25 de Abril de 1974 e o boom das drogas ilícitas (por exemplo, refiro-me ao canábis, à heroína e à cocaína), passados 40 anos, actualmente algumas pessoas ainda consideram «os drogados» uns criminosos e marginais que deviam ir presos. As prisões não tratam as dependências. Alguns pais ainda adoptam a estratégia de prevenção, em relação aos filhos adolescentes, afirmando «Se tocas em drogas, esquece que sou teu pai», as ameaças ou a agressividade nunca funcionaram, muito menos nos dia de hoje, enquanto outros pais, creio serem em maioria, optarem pelo silêncio. Desde 1974 até 2014 quais são as diferenças culturais que contemplam a prevenção das dependências? Ao longo dos últimos 40 anos quais foram as lições que aprendemos sobre a prevenção das dependências? Desde os anos 80, e após os avanços tecnológicos nos anos 90, continuamos a ter pânico que os nossos filhos se tornem dependentes de drogas e ou álcool, como se fosse um vírus, mas na realidade, pouco fazemos para mudar esse cenário assustador. Negamos as evidências, com a agravante de ainda acreditarmos que esse tipo de problema só acontece aos outros. Paradoxalmente, recordo conversas com pais, políticos, professores, médicos, onde o tema central é a prevenção, e todos são unânimes “ É urgente fazer qualquer coisa.” Falta passar das palavras aos actos. O estigma, a negação e a vergonha relacionado com as drogas interferem na prevenção das dependências. Isto é, sabemos que o problema subsiste, mas negamos os factos.

Actualmente, relativamente à educação dos filhos, uma grande parte dos pais tem sentimentos de culpa, porque considera que falharam em algo. Surpreendentemente, o sentimento de culpa já existia antes mesmo de ser pai ou mãe, já existia na família, na educação, no emprego ou carreira profissional. Delegamos à escola e à sociedade, essa tarefa complexa da educação, porque como pais, não possuímos disponibilidade para o fazer. Quando alguma coisa corre mal, imediatamente apontamos o dedo e arranjamos um culpado. Não iremos resolver as questões mais complexas encobrindo aquilo que realmente precisa de ser feito procurando culpados. Oiço muitos pais afirmarem “ Ser pai/mãe é difícil. Não existe um livro que nos ensine a educar os nossos filhos.» Eu acrescento, se existisse o tal livro, não tínhamos tempo para ler. Andamos numa correria, sem ter um propósito concreto. Como pais ansiamos que a educação que incutimos nos nossos filhos resulte. Paralelamente, também ambicionamos ideais de grandeza e sucesso para eles, mas por outro lado, como educadores sobrevivemos como podemos a acontecimentos que colocam em risco a segurança e a pertença (amor). Existe um sentimento geral de impotência perante o poder económico, a crise financeira e social (injustiça, as desigualdades, o desemprego, a precariedade). Será honesto e legitimo ambicionar ideais de grandeza e sucesso, para os nossos filhos, quando na realidade, como pais sentimo-nos culpados e impotentes perante a sociedade consumista e hedonista? Perante a sociedade, queremos ser mais inteligentes, mas não somos. Queremos ser mais ricos, mas não somos. Queremos ser mais felizes, mas não somos. Queremos um futuro para os nossos filhos, mas não sabemos como orienta-los - qualquer coisa que possamos fazer, nunca chega e nunca é suficiente, é preciso mais e mais.

É do conhecimento geral, e reforçado pelos estudos, que a pré-adolescência é o período critico em que os jovens iniciam as suas primeiras experiências com as drogas; primeiro com o tabaco, depois o álcool, de seguida, outras drogas ilícitas. Sabendo deste fenómeno e os custos elevados, quais são as estratégias de prevenção adoptadas para o período pré-adolescência/infância? Quais são as estratégias de prevenção do binge drinking, beber álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez? Do tabaco? Do consumo das drogas ilícitas? Da condução sob o efeito do álcool? Da gravidez indesejada? Do suicídio? Da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis?
   
Alguns dados
  • Outro fenómeno preocupante são as novas drogas legais. Sabia que até Abril 2013 foram identificadas 105 novas drogas legais. O consumo de droga, incluindo o álcool, é uma das principais causas de morte entre os jovens na Europa, refere o Relatório Europeu sobre Drogas 2013, divulgado em Lisboa pela agência europeia de informação sobre este problema (EMCDDA).
  • Em Junho de 2011 a Comissão Global de Política de Drogas afirmou: "A guerra global contra as drogas falhou, com consequências devastadoras para indivíduos e sociedades pelo mundo. Cinquenta anos após o início da Convenção de Narcóticos da ONU, e anos depois do presidente Nixon ter lançado a guerra contra as drogas, reformas fundamentais no controlo global de drogas a nível nacional e internacional são urgentemente necessárias"
  • A indústria do álcool, através do recurso a técnicas agressivas de marketing,  da comunicação social e dos lóbis insistem em associar o consumo de bebidas alcoólicas e o desporto. Por exemplo, colando marcas de bebidas alcoólicas à selecção portuguesa de futebol e à Liga de Futebol. Na minha opinião, é inadmissível e são incompatíveis; não colam. O desporto e as drogas não são compatíveis. O álcool é uma droga lícita, tal como o tabaco. Esta situação só é possível graças aos milhares de euros, aos lobis e outros interesses. Causa-me consternação, agravada com a conivência das autoridades, existirem empresas e pessoas, membros de família e com filhos, que dedicam horas, dias e meses do seu trabalho a elaborar estratégias (marketing  agressivo) que visam o consumo de álcool direccionado para os jovens.
  • Segundo um inquérito aos alunos da Universidade de Lisboa (UL), resultado de uma parceria entre a UL, o Conselho Nacional de Juventude e o Serviço de Intervenção em Comportamentos Adctivos, afirma que 40% dos alunos do Superior já experimentaram drogas. Canábis lidera os consumos, seguido pelas smart drugs, anfetaminas e cocaína. 36,2% dos jovens que bebem álcool fizeram-no pela primeira vez antes dos 15 anos.
  • 01/12/2013 Reportagem no Jornal de Noticias: “100 mil pessoas na rua naquela que é a noite mais longa em Guimarães. Recorde álcool no pinheiro Nicolino. (…) O que não se esperava é que os Bombeiros de Guimarães tiveram tanto trabalho no transporte de nicolinos alcoolizados. Foram 26 internamentos por princípio de coma alcoólico ou mesmo efectivado. O maior numero de sempre, sendo que no ano passado foram 17.”
  • O Epiteen estudo realizado, pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, ao longo da última década, a quase três mil jovens, todos nascidos em 1990 e alunos nas escolas públicas e privadas do Porto, que avaliou os participantes aos 13, aos 17 e aos 21 anos revela relação de violência na adolescência com agressões mais tarde. 77% dos jovens afirmaram experimentar drogas por curiosidade. Canábis lidera os consumos, seguido pelo álcool e tranquilizantes. Segundo os jovens (24%) a escola é o local onde é possível obter o canábis.
  • Anúncios entre programas de televisão infantis. Segundo o Conselho Económico e Social Europeu defende a erradicação total da publicidade nos intervalos de programas infantis, de forma a evitar outros efeitos, o aumento do «bullying de marca».
  • Notícia do Jornal de Noticias: «Filhos dos pobres não conseguem fugir da pobreza. Portugal é dos países onde é mais difícil quebrar ciclos de pobreza entre gerações muito por causa da imobilidade educativa: pais pouco instruídos têm, sobretudo, filhos também pouco instruídos. Situação educativa e económica das famílias é determinante para o futuro dos filhos.»
  • «A pobreza é como que hereditária” Eurostat, dados de 2011.
  • Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, registou 261 mortos, entre a população jovem, com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos de 2010 a 2012. O álcool está associado à mortalidade rodoviária entre os jovens.
  • De acordo com um testemunho de um jovem de 24 anos, acerca da condução sobre o efeito do álcool afirmou: «É normal, já estou habituado.»
  • As campanhas de sensibilização sobre os perigos da condução sobre o efeito do álcool não são suficientes. O objectivo das campanhas estão direccionadas para o comportamento do individuo, visando desresponsabilizar, os decisores políticos e a indústria do álcool. Quantas mortes são necessárias para inverter esta politica de negação? 

Já diz o ditado popular «Mais vale prevenir do que remediar» e na prevenção das dependências urge uma revolução.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Onde é que ficamos? Qual é afinal a realidade? Decida você



“Governo recua e distingue vinho e cerveja das bebidas espirituosas. Nova lei proíbe álcool de teor elevado a menores mas mantém os 16 anos para bebidas “leves”. Associação de bebidas e peritos falam em cedência a lóbis. A diferenciação dos limites etários – 16 e 18 anos- consoante o teor de álcool, definida no novo diploma, aprovado, no dia 21/2/13, pelo Conselho de Ministros, veio defraudar entidades ouvidas durante a elaboração da lei para o consumo do álcool. É conhecida a posição de Pires de Lima contra a proposta da proibição alargada aos 18 anos. Pires de Lima é o presidente da Associação de Produtores de Cerveja e também presidente da mesa do conselho nacional do CDS-PP.  ” Lê se na notícia do Jornal de Notícias de 22/2/13. Podemos acrescentar na mesma notícia, segundo o secretário de Estado adjunto da Saúde “(…) a medida tenciona sobretudo impedir a embriaguez dos jovens” Jornal de Noticias, 22/2/13. Esta é a versão dos políticos, dos interesses da Industria do Álcool (lobbies) e que contam com a conivência dos órgãos da comunicação social, sobre o problema de saúde pública relacionado com o álcool. 

Repito mais uma vez, visto ter publicado já este facto no blogue, você sabia que existem um milhão e meio de pessoas que bebe em excesso e metade delas é alcoólica, em Portugal? No artigo do JN, para espanto de todos aqueles que trabalham nesta área e ou das famílias, incluindo as crianças afectadas pelo álcool, o jornalista ainda refere na notícia, “bebidas leves.” Apesar dos média teimarem em confundir a opinião publica e alimentar mitos, não existe este conceito “bebidas leves” quando sabemos o álcool é uma droga psicoactiva.

Reacções à Nova Lei
  • “Há três, quatro meses, a proposta à qual tivemos acesso, o limite de 18 anos aplicava-se a todo o tipo de álcool. Esta proposta não é consistente, o elemento álcool está presente em todas. Não podemos diferenciar o bom álcool do mau álcool. Tínhamos ficado satisfeitos para a subida de idade mínima dos 16 para os 18 anos. A lei parece ceder a pressões de vários grupos. O álcool é sempre prejudicial aos jovens. Na cerveja há também vários graus” George Sandeman, presidente da Associação de Comerciantes e Industriais de Bebidas Espirituosas e Vinhos
  • “Uma cedência total aos lobbies. Esta lei serve a estratégia de fidelizar os jovens para o consumo de álcool – beber desde cedo, para criar hábito. É uma cedência total aos lobbies das grandes empresas e das multinacionais. Estamos a mascarar o problema. O álcool é álcool. É uma medida trágica.” João Manuel Ramos, responsável pela Associação de Cidadãos Auto Mobilizados
  • “A medida fica coxa, é uma medida a medo. Quem trabalha nesta área sabe que se está diante do efeito de pressões. A lei é confusa criando uma mensagem difícil de explicar aos mais novos” Rui Tato Marinho, medico e coordenador de hepatologia da Ordem dos Médicos
Depois de sabermos a opinião dos políticos e da Industria do Alcool, também iremos saber algumas reacções de entidades e os seus representantes, agora vamos abordar o lado realista e negro do fenómeno do alcool e as suas vitimas  Senão vejamos, "Coma alcoólico leva direcção do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA) a suspender praxe. Foram ultrapassados os limites para além do tolerável, João Carvalho presidente do IPCA, em Barcelos, ao comentar o incidente, dentro do campus da instituição, que levou três alunos, em coma alcoólico, ao Hospital de Barcelos após o Rali das Tascas organizado pela Tuna do IPCA, em parceria com a Comissão de Praxe. (…) Os alunos hospitalizados, duas raparigas de 19 anos e um rapaz de 18, já tiveram alta. O caso mais grave saiu apenas na madrugada de ontem” Noticia do JN de 21/2/13

Excertos de uma reportagem publicada no suplemento que faz parte da edição do Correio da Manhã. “Noite de copos. Consumo de álcool por adolescentes em Portugal aumentou. Não há lei que trave.  No grupo de Alberto (nome fictício) já não há menores de idade. O mais novo dos seis rapazes, Paulo (nome fictício), celebrava nessa noite 18 anos. Pelo menos, foi o que disseram. Um afirma que começou a sair à noite aos 14 anos e já apanhou “algumas bebedeiras. O acesso às bebidas, mesmo brancas, nunca foi problema, Nem vai mudar com a lei. Os comerciantes querem é fazer dinheiro e fecham os olhos às idades. E se não for assim, leva-se uma fotocópia do BI falsa, garante Alberto”
“Até dá dó. Às vezes, é preciso sair do carro para tocar às campainhas e pô-los dentro do prédio para chegarem a casa. No outro dia era uma miúda que estava estendida no largo, completamente inconsciente. A que estava com ela só olhava. Ainda saí do carro e fui lá, mas outro colega já tinha chamado uma ambulância” taxista na zona de Santos.
Segundo João Goulão, o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, “(…) diz nada ter a acrescentar, depois de reconhecer, no ano passado, que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou entre os jovens, mas que estes apanham “menos bebedeiras” e bebem” cada vez mais cerveja” num consumo regular.
  • “Álcool é sempre álcool e quando se faz a avaliação de um doente conta apenas o número de unidades que bebe e não o tipo de bebida. Todas são igualmente perigosas” Francisco Henriques, da Unidade de Alcoologia de Lisboa.
  • “Esta lei é cínica e desrespeita o plano que fizemos com o Ministério da Saúde” Albino Almeida, presidente da Confederação das Associações de Pais
  • “Está provado que não se deveria beber antes dos 18 anos por causa do desenvolvimento cerebral” Luís Patrício, psiquiatra
Comentário: O fenómeno do Binge Drinking, que consiste no abuso de bebidas alcoólicas (período reduzido de tempo) cujo objectivo é a intoxicação/embriaguez é um problema que afecta crianças e jovens de todo o Mundo. Alguns países afirmam impotentes; ensinar as crianças a beber moderadamente não funciona, tal a pressão social, cultura que bebe, e as técnicas de marketing agressivas da indústria do álcool com a conivência dos políticos, da ordem dos médicos e advogados, tribunais e dos média. Infelizmente, Portugal inclui-se também nesta lista de países, com tendência para o fenómeno aumentar. Saiba mais sobre o que o Sr. secretário de Estado adjunto da Saúde afirmou recentemente sobre a prevenção e o serviço nacional de saúde sobre o álcool. 

domingo, 24 de junho de 2012

Pedidos de Ajuda: Quebrar o estigma, a negação e a vergonha


Alguns pedidos de ajuda que recebo por email. Todos os dados das pessoas envolvidas, nestas histórias reais, foram modificados de forma a manter o sigilo completo. Respondo a todos os pedidos de ajuda.

1. “Boa tarde, chamo me T. Hoje durante a hora de almoço deparei-me com o seu blogue e gostaria de saber se pode prestar apoio.
 Resumindo, o meu filho, de 16 anos, por uma questão de alguma baixa estima (provocada por uma limitação física), talvez por não ter tido o acompanhamento paterno que deveria e talvez também por uma questão de fragilidade da própria personalidade, começou a consumir marijuana.
Sei que não é todos os dias, sei que não é em grandes quantidades, mas tem todos os indícios de já ter apanhado o vício. Tem um grupinho de colegas da escola que também fumam. Jura que nunca irá para as drogas mais fortes, mas a verdade, é que cada vez noto-o com mais necessidade de sair de casa, depois do jantar, para estar com o grupo de amigos. Já falei, montes de vezes, com ele, já o chamei à razão, ele diz-me que faz menos mal que o tabaco normal, e para eu estar descansada que ele sabe controlar-se.
Tentei proibi-lo de sair, mas ele ficou muito revoltado. Mais tarde, pediu desculpa, dizendo que não é o filho que eu gostava que ele fosse. Conheço bem o meu filho, é um miúdo sensível, muito amigo do seu amigo, e isso também o torna um bocado influenciável.
Não sei muito bem como atuar, sinto que tenho de manter um equilíbrio entre o coração e a razão, tenho tentado fazer isso, mas também penso que se o proibir de estar com os amigos, vou perder uma grande parte da sua confiança, até porque alguns deles são colegas de turma. Neste momento, fumar umas ganzas é tão natural, como na minha adolescência, fumar cigarros normais.
Gostaria de um conselho. Agradecida”

2. “Chamo me A. e o acaso quis que abrisse o seu blogue sobre a prevenção das dependências. Sou professora e a grande maioria dos meus alunos apresentam comportamentos desviantes tendo já um percurso de vida bastante atribulado, uns institucionalizados, outros com historiais de consumos e pequenos furtos, e claro, todos em situação de abandono escolar. Gostaria de saber qual a possibilidade e disponibilidade de uma intervenção sua junto das nossas turmas. Atenciosamente."

3. Chamo me P. e tenho um filho adicto que consome drogas desde os 12, actualmente tem 36 anos. Já fiz de tudo para o ajudar, mas ao fim de um determinado tempo, acaba por recair, e consequentemente, também sinto na “pele” as consequências negativas da sua adicção, visto ele viver comigo. Já estou cansada de abordar o assunto, onde ele, inclusive, já perdeu a família, incluindo três filhos, dos quais não pode contactar, por decisão judicial. Não sei mais o que fazer. Por favor ajude-me. Obrigada"

4. Olá meu nome é C. e há um mês descobri que meu filho, de 14 anos, está dependente de drogas. Foge de casa, quando regressa, é um farrapo. Chora imenso e pede ajuda para o problema das drogas, mas quando estamos dispostos a ajuda-lo, ele afirma que não quer ajuda. Como ele não tem recursos financeiros próprios, decidiu-se pelo tráfico para consumir, ou seja não sei mais o que faço. Devo coloca-lo num colégio interno para afastá-lo da droga? Uma vez que ele é menor de idade e não tem poder de decisão sobre si.
 Aguardo sua opinião, Obrigada”

5. “Chamo-me R. sou estudante de um curso de nível 4 na área das toxicodependências. Neste momento estou a fazer o estágio numa instituição que está interessada em participar na Acção Europeia sobre a Droga (EAD), nesse sentido, terei que propor um tema na área da prevenção. Andei a pesquisar na Internet e descobri o seu blogue, gostaria de saber se pode facultar informação específica sobre prevenção primária para escolas do 1º e 2ºciclo. Encontro imensa informação, mas como sabe, é excessiva e não é muito explícita. Se puder ajudar, agradecia imenso, visto este trabalho ter um significado muito importante, visto tratar-se do estágio curricular.
Obrigada pela atenção, com os melhores cumprimentos”

Comentário: O motivo da publicação, deste pedidos de ajuda, no blogue é unicamente, quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados às dependências de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas. Portugal precisa, urgentemente, de uma cultura, ativa e diferente, que previna as dependências, atualmente, não existe prevenção.
Gostaria de alertar para a cultura que bebe, que reforça e promove o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens menores de idade. Por exemplo, até à data deste post, Portugal é o único país da União Europeia, onde é permitido a venda e o consumo de bebidas alcoólicas a menores de idade. Sabia que o abuso do álcool e o alcoolismo são um problema de saúde pública? Sabia que o álcool é a substâncias psicoactiva mais perigosa?
Você tem filhos? Já falou com eles sobre o consumo de bebidas alcoólicas? Já abordou o tema das drogas ilícitas? Já abordou os riscos do abuso (binge drinking – consumo excessivo de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação /embriaguez) e do alcoolismo. Se você não o fizer outras pessoas fazem por si. Você tem alguém na sua família com problemas associados ao abuso do álcool e/ou do alcoolismo ou drogas ilícitas? Se a resposta for sim, mais uma razão forte para abordar o assunto em família, incluindo os jovens. Promova a comunicação, na família, que ajude a quebrar os tabu e  os mitos associados às drogas lícitas e/ou ilícitas.
Importante: Caso você esteja interessada/o em ver esclarecido algumas questão em relação à prevenção das dependências envie um email. Todos os dados pessoais confidenciais
Caso esteja interessado sobre a realidade Portuguesa e as drogas.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fenomeno Binge Drinking



Este video revela o Binge Drinking entre os jovens ingleses, todavia o fenomeno é identico em relação aos jovens em Portugal. 
Proporcione aos seus filhos uma educação realista sobre as consequencias negativas do consumo abusivo do alcool, por exemplo doenças sexualmente transmissiveis, gravidez indesejada, bullying, condução sob o efeito do alcool (crime), intoxicação aguda pelo alcool. 
Fenómeno Binge Drinking entre os jovens - Abuso no consumo de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez).


domingo, 16 de outubro de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Festas de Verão e a publicidade agressiva da Industria do Alcool sem prevenção


No seguimento do trabalho sobre as Festas de Verão e a publicidade agressiva da Industria do álcool da qual os jovens são  alvo, na nossa sociedade, já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos (cultura que bebe), onde tem permanecido activo e intocável ao longo das gerações. Na pratica, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de idade, a prevenção, o tratamento).

Desta vez, convidei uma empresa municipal (Camara Municipal de Lisboa) a EGEAC a participar num pequeno questionário sobre as Festas dos Santos Populares e a Industria do Álcool, que mais uma vez agradeço a sua disponibilidade.

Gostaria de destacar a inexistência de entidades competentes e/ou medidas que visem a Prevenção das Dependências durante as Festas de Verão, porque o lucro está acima dos direitos dos jovens. 
As respostas vieram confirmar os piores receios: O Mundo dos Adultos não é seguro para alguns jovens vulneráveis.   



Exmos srs EGEAC

É um fenómeno recorrente, nesta altura do ano (Verão) a publicidade, o marketing agressivo e a venda em relação às bebidas alcoólicas, em especial das cervejas, assume uma proporção muito significativa e capaz de influenciar e encorajar o consumo das referidas bebidas, principalmente entre os mais jovens, isto é, novos consumidores (fidelização à marca), técnicas de marketing que visam o publico jovem e o binge drinking (abuso de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação - embriaguez). Por exemplo, nas Queimas das Fitas, nos festivais de música e nos Santos Populares. Estes eventos sazonais movimentam milhares de pessoas, incluindo os jovens, e são extremamente lucrativos para as marcas de cerveja.

Sou um profissional que trabalha na Prevenção e Tratamento das Dependências de Substancias Psicoactivas e venho por este meio solicitar o vosso apoio para o meu trabalho sobre a publicidade, a venda de bebidas alcoólicas (cervejas) e o super visionamento pelas entidades responsáveis por tais práticas. Qual o histórico e o V.  papel activo na prevenção deste tipo de mercado extremamente agressivo e lucrativo por parte da industria do álcool? Nesse sentido, gostaria de vos enviar um questionário e saber a quem pode ser dirigido.

Desde já os meus agradecimentos e estou disponível para qualquer esclarecimento adicional.
Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues

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Resposta da EGEAC
Exmo. Senhor,
Acusamos a recepção do Vosso email que mereceu a nossa melhor atenção. Nesse âmbito informamos que também nós estamos cientes dos perigos inerentes ao consumo de álcool pelo que também nós temos colaborado com as autoridades no sentido de sensibilizar os vários participantes e espectadores das Festas de Lisboa.

Caso possamos ajudar na Vossa acção estaremos ao Vosso dispor
Cumprimentos
EGEAC

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Nota: Após a disponibilidade da EGEAC, em participar, reencaminhei um questionário com oito perguntas sobre a Publicidade e o Marketing agressivo em relação à venda de bebidas alcoólicas.



  • Resposta da EGEAC ao questionário

Exmo. Senhor
Conforme solicitado colocamos as nossas respostas junto das Vossas perguntas
Cumprimentos EGEAC

Questionário: Festas dos Santos Populares

1. Qual a função da EGEAC durante as Festas dos Santos Populares?

EGEAC: IMPORTA DESDE JÁ REALIZAR UM ESCLARECIMENTO, UMA COISA É O PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA DO QUAL A EGEAC É A ENTIDADE ORGANIZADORA E RESPONSÁVEL, OUTRA A FESTA DOS SANTOS POPULARES ONDE UM CONJUNTO MUITO SIGNIFICATIVO DE ENTIDADES E PRIVADOS DESENVOLVEM AS SUAS INICIATIVAS

2. Qual o numero aproximado, segundo os v. dados, de participantes nas Festas dos Santos Populares?

EGEAC: NÃO NOS É POSSÍVEL TERMOS UM VALOR EXACTO. NO QUE DIZ RESPEITO AO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA O VALOR DEVERÁ RONDAR 1,5 MILHÕES DE ESPECTADORES CONTANDO COM AS TRANSMISSÕES DA TELEVISÃO.

3. Quais os incumprimentos mais detectados pela EGEAC sobre a publicidade, o marketing agressivo e a venda em relação às bebidas alcoólicas, nos últimos 5 anos?

EGEAC: EMBORA CIENTES DESSE PROBLEMA, NÃO ESTÁ NA MISSÃO DESTA EMPRESA MUNICIPAL ESSE TIPO DE AVALIAÇÃO. JULGAMOS NO ENTANTO QUE ACTUALMENTE O PROBLEMA NÃO RESIDE NO PERÍODO DAS FESTAS DE LISBOA MAS SIM ANUALMENTE CONSIDERANDO A RECENTE MODA DO "BOTILHÃO" OU SEJA A VENDA DE BEBIDAS ALCOÓLICAS EM LOJAS QUE ESTÃO ABERTAS DIA E NOITE SEM NENHUM CONTROLO.

4. Quais as medidas especificas tomadas pela EGEAC durante as Festas dos Santos Populares de forma a monitorizar e a prevenir a publicidade e o marketing agressivo pela industria do álcool?

EGEAC: VOLTO A REFORÇAR A IDEIA DE QUE A EGEAC NÃO TEM COMO MISÃO TOMAR MEDIDAS SOBRE ESTA SITUAÇÃO. ESSE DEVER PRENDE-SE COM OUTRAS ENTIDADES E INSTITUIÇÕES QUE TÊM POR BASE NA SUA ACTIVIDADE AVALIAR E PREVENIR ESSA SITUAÇÃO, NOMEADAMENTE NO CAMPO DA FISCALIZAÇÃO. A EGEAC APENAS PROCURA QUE OS SEUS PARCEIROS CUMPRAM COM OS REQUISITOS QUE NÃO POSSIBILITEM UM CONSUMO EXAGERADO DESSE TIPO DE BEBIDAS NOS EVENTOS QUE REALIZA.

5. Consideram que a Industria do álcool, durante as Festas dos Santos Populares, adopta uma postura responsável em relação à publicidade e ao marketing?

EGEAC: VOLTO A FRISAR QUE NÃO COMPETE À EGEAC AVALIAR E/OU PRONUNCIAR-SE SOBRE ESSA SITUAÇÃO. TEMOS NO ENTANTO PROCURADO TRABALHAR COM OS NOSSOS PARCEIROS DIRECTOS PARA QUE A IMAGEM E O MARKETING UTILIZADO RELAIZE MAIS UMA ASSOCIAÇÃO DE MARCAS À MARCA LISBOA E FESTAS DE LISBOA DO QUE AO PRODUTO PROPRIAMENTE DITO, PROCURANDO DESTA FORMA DESENVOLVER UMA ACÇÃO PEDAGÓGICA. RELEMBRO NO ENATNTO QUE NO PERÍODO DOS SANTOS POPULARES EXISTEM OUTRAS ENTIDADES E MARCAS QUE NÃO POSSUEM ESSA PREOCUPAÇÃO.

6. Na opinião da EGAEC, qual o efeito do slogan pratico "Seja responsável beba com moderação" durante as Festas dos Santos Populares?

EGEAC: SÓ NOS PODEMOS PRONUNCIAR RELATIVAMENTE ÀS INICIATIVAS DIRECTAMENTE REALIZADAS PELA EGEAC. CONSIDERAMOS QUE A RESPECTIVA MENSAGEM TEM TIDO OS SEUS RESULTADOS QUANDO BEM VEICULADA.

Como sabem o Álcool é uma substância psicoactiva depressora do sistema nervoso central (droga lícita). O Alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal, isto é revelador na medida, em que, somos uma "cultura que bebe".

7. Quais a medidas especificas tomadas pela EGAEC, durante as Festas dos Santos Populares, de forma a monitorizar e a prevenir o Fenómeno Binge Drinking entre os jovens (Abuso de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação - embriaguez. Por ex. entre os homens, o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante dias seguidos e afecta negativamente os comportamentos dos jovens. Algumas consequências previsíveis após o Binge-Drinking por ex. acidentes, condução
sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência e abuso - ex. bullying, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, intoxicação alcoólica e morte), e o consumo por jovens menores de idade (legal) que é de 16 anos?

EGEAC: VOLTAMOS A REFORÇAR A MENSAGEM: UMA COISA É O PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA DO QUAL A EGEAC É RESPONSÁVEL E ONDE A SITUAÇÃO QUE REPORTA NA SUA QUESTÃO NÃO SE COLOCA, OUTRA COISA TOTALMENTE DISTINTA SÃO AS FESTAS DOS SANTOS POPULARES QUE SÃO DA RESPONSABILIDADE DE VÁRIAS ENTIDADES E PRIVADOS E SOBRE O QUAL A EGEAC NÃO TEM CONHECIMENTO SOBRE OS PROCEDIMENTOS ADOPTADOS. JULGAMOS QUE A SITUAÇÃO APONTADA NA VOSSA QUESTÃO NÃO SÓ SE REPORTA AO PERÍODO DOS SANTOS POPULARES

8. Quais as medidas especificas tomadas, pela Organização das Festas dos Santos Populares, de forma a monitorizar e a prevenir o abuso das bebidas alcoólicas, não só entre os jovens mas também entre os adultos?

EGEAC: VOLTO A INFORMAR QUE A EGEAC APENAS INTERVÉM NAS ACÇÕES DO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA SOBRE SUA RESPONSABILIDADE, PELO QUE PROCURAMOS SEMPRE JUNTO DOS NOSSOS PARCEIROS QUE AS ACÇÕES A REALIZAR NÃO PRODUZAM GRANDE CONSUMO DE ÁLCOOL JUNTO DOS VÁRIOS PÚBLICOS PARTICIPANTES.

O Álcool (substância psicoactiva geradora de dependência) e o alcoolismo· (doença) assumem uma dimensão preocupante visto as consequências representarem um elevado preço, quer seja para o próprio Estado, para as famílias, incluindo as crianças, para a comunidade e para a sociedade em 
geral.
As gerações futuras necessitam de orientação e apoio nos momentos mais críticos das suas vidas, por ex. a adolescência. Uma única vitima do abuso do álcool e ou do alcoolismo é demasiado.
Mais uma vez os meus sinceros agradecimentos pelo V. apoio.
Estou disponível para qualquer esclarecimento adicional
Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues

Nota: Após as respostas inconclusivas ao referido questionário voltei a reencaminhar outro email com novas questões.

Boa tarde,

desde já os meus agradecimentos pela prontidão da resposta ao email/questionário.
Depois de ler, atenciosamente, as suas respostas surgem outras questões às quais continuam sem resposta.
Nesse sentido, se me permite, gostaria de colocar as seguintes questões.

Segundo o vosso site as Festas dos Santos Populares fazem parte de um conjunto de iniciativas das Festas de Lisboa,  "sendo a EGAEC uma empresa municipal responsável pela programação das mais variadas iniciativas· (Equipamentos e Eventos), onde se incluem as Festas dos Santos Populares.” E ainda "Contudo só em 1934 a Câmara Municipal de Lisboa chamou a si a organização dos tradicionais festejos inspirados nos Santos Populares." Desde 1934 até 2011 a Câmara Municipal de Lisboa organiza os tradicionais festejos.

EGEAC: COMO MENCIONEI A CML/EGEAC SÃO AS ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA ORGANIZAÇÃO DO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA QUE INCLUI AS PRINICIPAIS INICIATIVAS CELEBRATIVAS DOS SANTOS POPULARES, NOMEADAMENTE DO SANTO ANTÓNIO.
NO ENTANTO NÃO É DA SUA RESPONSABILIDADE A TOTALIDADE DAS MUITAS INICIATIVAS
QUE TÊM LUGAR NA CIDADE NESTE PERÍODO
.

Tendo em conta a sua resposta, ao primeiro questionário, não faz qualquer referência específica ao "...conjunto muito significativo de entidades e privados desenvolvem as suas iniciativas".Quem são e o que fazem, de acordo com o teor do questionário? Quem são as entidades responsáveis públicas ou privadas pela monitorização da publicidade e o marketing agressivo assim como a venda das bebidas alcoólicas?

EGEAC: COMO CERTAMENTE SABERÁ ESSAS ENTIDADES SÃO DESDE AS VÁRIAS ASSOCIAÇÕES, COLECTIVIDADES, ESCOLAS, AGRUPAMENTOS DE ESCUTEIROS, ENTRE OUTROS QUE TAMBÉM ELAS REALIZAM NESTE PERÍODO VÁRIAS INICIATIVAS E NEGOCEIAM COM EMPRESAS DE BEBIDAS A SUA PRESENÇA NO ESPAÇO PÚBLICO E RESPECTIVA VENDA DE BEBIDAS.

Quem são as entidades publicas ou privadas responsáveis, durante as festas dos Santos Populares, pelas medidas implementadas no local de forma a monitorizar e prevenir a publicidade e o marketing agressivo pela industria do álcool? Recordo a sua resposta; 1,5 milhões de espectadores. É um número apetecível e extremamente atraente para a Industria do álcool e dos seus parceiros, refiro-me à publicidade, ao marketing agressivo e à venda.

EGEAC: VOLTO A FRISAR QUE ESSE NÚMERO QUE APONTEI DIZ RESPEITO AOS ESPECTADORES QUE ESTÃO PRESENTES NAS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA EGEAC E/OU ASSISTEM ÀS MESMAS VIA OPERADOR TELEVISIVO PARCEIRO DA EGEAC.
QUANTO ÀS ENTIDADES PRIVADAS JÁ AS MENCIONEI AS MESMAS QUE SÃO CERTAMENTE
TAMBÉM DO SEU CONHECIMENTO.

Qual a entidade publica ou privada competente capaz de responder à questão
da pergunta nº 5?

EGEAC: NÃO SEREI EU A DIZER-LHE. NÃO ME CABE A MIM MENCIONAR, ATÉ PORQUE CERTAMENTE NÃO É DO MEU CONHECIMENTO.

Qual a entidade publica ou privada competente para responder à questão nº6?

EGEAC: IDEM, IBIDEM.

Sendo a EGEAC, a entidade organizadora das Festas de Lisboa, da qual as Festas dos Santos Populares fazem parte mas, não sendo a única, visto existirem um conjunto significativo de entidades,   qual delas (entidade envolvidas na organização) competente e capaz de responder à pergunta nº 7?

EGEAC: AS PERGUNTAS QUE INSISTE EM COLOCAR-ME NÃO PODEREI RESPONDER, POR NÃO SER A PESSOA ADEQUADA E OU POR DESCONHECIMENTO. REFORÇO UMA VEZ MAIS A IDEIA DE QUE NAS INICIATIVAS DA NOSSA RESPONSABILIDADE A EGEAC TEM PROCURADO JUNTO DOS SEUS PARCEIROS QUE SE REALIZE UM CONTROLO QUER EM TERMOS DE PUBLICITAÇÃO DE MARCAS ALCOÓLICAS, PROCURANDO SUBSTITUIR AS MESMAS POR MARCAS NÃO
ALCOÓLICAS QUER MEDIANTE CONTROLO NA VENDA DAS MESMAS JUNTO PÚBLICO PARA SE EVITAREM EXCESSOS.

Quais os parceiros, que refere, competentes para responder à pergunta nº8?
EGEAC: IDEM, IBIDEM - SENSIBILIZANDO JOVENS E ADULTOS NO ACTO DA COMPRA, PUBLICITANDO MAIS AS BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E/OU SEM ALCÓOL .

Mais uma vez gostaria de destacar o carácter social e preocupante que o alcoolismo, o abuso do álcool, o binge drinking, o consumo de bebidas alcoólicas por jovens menores de idade assumem nos dias de hoje, com a agravante de o referido fenómeno assumir dimensões preocupantes.

EGEAC: ESTAMOS TOTALMENTE CIENTES DESSE PROBLEMA PELO QUE AS NOSSAS INICIATIVAS PROCURAM SEMPRE NÃO INCENTIVAR AO CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NEM OUTRAS SUBSTÂNCIAS TAMBÉM PREJUDICIAIS À SAÚDE.

Mais uma vez agradeço a sua disponibilidade

Atenciosamente, EGEAC
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Nota: Voltei a reenviar o ultimo email:
Boa tarde,

Agradeço a sua disponibilidade em responder, pela segunda vez, às questões do referido questionário.

Pelo que percebo das suas respostas o assunto específico a que o questionário se refere Publicidade, e Marketing Agressivo sobre a venda de bebidas alcoólicas  aparenta não existir, na V. organização, dos Santos Populares,   uma entidade responsável e competente que monitorize este fenómeno que assume proporções alarmantes (a Publicidade e as técnicas
agressivas de marketing da Industria do álcool).

Lamento que assim seja, porque, como bem sabe, o abuso do álcool e o alcoolismo é um problema de saúde pública e o álcool é uma substancia psicoactiva depressora do sistema nervoso central. Como é possível determinadas praticas sejam permitidas, assim a como negação das consequências negativas refiro me por ex. ao binge drinking (abusar do alcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez) e ao consumo e abuso de bebidas alcoólicas por jovens menores de idade. O lucro não pode estar acima dos direitos das crianças e dos jovens.

Como deve saber, existem estudos nos Estados Unidos da América e no Reino Unido que estabelecem uma ligação entre a publicidade e o abuso de bebidas alcoólicas entre os jovens (novos consumidores e fidelização às marcas para o resto das suas vidas). Desde o final dos anos 90 existem medidas que monitorizam este tipo de práticas abusivas. Caso esteja interessado, posso reencaminhar alguns desses estudos.

Desde 1993 que trabalho na Prevenção e no Tratamento e posso assegurar-lhe o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo surge cada vez mais cedo (precoce) na vida dos indivíduos que estão vulneráveis a este fenómeno.

Existem jovens adultos com idades entre os 25 e os 30 anos com sérios problemas de alcoolismo. Provavelmente, começaram a beber aos 15 ou 16 anos. Há 20 anos atrás o alcoolismo surgia aos 45 e/ou 50 anos.

Mais uma vez os meus sinceros agradecimentos ao ter, prontamente, respondido
aos emails.

Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues
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Nota: Ultima resposta da EGEAC

Exmo. Senhor,
Gostaria que não interpretasse de forma incorrecta o que informei. A EGEAC é uma empresa municipal que tem por missão a organização e desenvolvimento de um conjunto de actividades culturais e gestão de equipamentos culturais que possam servir a Cidade e quem nela habita e/ou 
visita.
Como várias vezes informei nas respostas que lhe forneci a EGEAC está totalmente ciente do flagelo do consumo de bebidas alcoólicas em grau de excesso e como tal tem sempre trabalhado com os seus parceiros por forma a evitar que tal se realize nas iniciativas que são da responsabilidade directa desta empresa.
Mais informo que nas respectivas iniciativas que organizamos não se têm registado acontecimentos ocorridos relativamente ao excesso de álcool.
Mantemos no entanto a monitorização e o trabalho conjunto com os parceiros para se evitarem passar mensagens que indiciem o consumo desse tipo de bebidas.
Como várias vezes informei Festas dos Santos Populares é uma coisa, Festas de Lisboa outra. Gostaria pois que não fossem interpretadas de forma incorrecta as palavras
que escrevi.

Gostaria igualmente que ficasse uma vez mais reiterado que da nossa parte existe total preocupação relativamente a esse assunto que pelos vistos tem trabalho, e com todo o sentido de responsabilidade, ao longo dos anos. 
Infelizmente esse fenómeno que nos projecta é um grave problema do dia a dia e não só no período dos Santos Populares.

Certos da sua compreensão e desejando um bom trabalho, gostaria por último de informar que a EGEAC irá manter-se alerta e tudo fazer para que não se alastre essa situação
Cumprimentos,  EGEAC



terça-feira, 14 de junho de 2011

As Festas de Verão e a Publicidade Agressiva da Industria do Alcool



É recorrente o fenómeno da publicidade e do marketing agressivo em relação ao apelo do consumo das bebidas alcoólicas, da indústria do alcool, entre o mês de Abril e Setembro assumir dimensões desproporcionadas em “palcos sociais” onde destaco a Queima das Fitas, os Santos Populares e os festivais de música. Estes “palcos” movimentam, por ano, dezenas de milhares de pessoas, na sua grande maioria, adolescentes e jovens adultos e são uma fonte de receita (lucro) apetecível. 

São meses de festa e divertimento onde o álcool é encarado como um excelente “lubrificante” na gestão e expressão das ideias e das emoções. Todavia, uma parte significativa e “escondida” está relacionada com o abuso do álcool e de outras substancias psicoactivas licitas e/ou ilícitas, o alcoolismo, com a violência (Ex. bullying), os acidentes, binge drinking, a gravidez indesejada, condução sob o efeito do álcool e/ou outras drogas, intoxicação alcoólica.

Uma notícia no JN do dia 10 de Junho de 2011 despertou a minha atenção. Em letras garrafais referia o seguinte “Arraiais contaminados pela febre das cervejas. Lisboa, marcas estão em todo em toda a parte, nas paredes, eléctricos e quiosques.

Desde 2007 altura em que iniciei o blogue, em particular, um dos temas em destaque, na Prevenção das Dependências, são os adolescentes e jovens adultos, e a forma como a Industria poderosa e milionária do Álcool e os seus parceiros influenciam o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo, através da excessiva publicidade e do marketing agressivo, na nossa sociedade, já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos (cultura que bebe), e que tem permanecido activo e intocável ao longo das gerações. Isto é, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de idade, a prevenção, o tratamento).

Algumas afirmações reveladoras e preocupantes sobre a negligência e a negação do fenómeno na noticia do JN:
“Em vez dos enfeites de papel, balões, santos antoninos e manjericos nos bairros históricos de Lisboa, em contagem decrescente para as festas, há anúncios a cervejas. É uma espécie de “vírus” que tomou a cidade.”  Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“Eu não quero saber qual é a cerveja melhor, qual é a numero um, acho que é obsessiva a forma como ocupam o bairro. A Câmara fiscaliza tão bem umas coisas e alheia-se de outras” Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“A publicidade está em toda a parte: nos eléctricos que passam, fachadas dos prédios, taipais das obras, caixas da EDP, montras, bancas, esplanadas e varandas de apartamentos a troco de meia dúzia de cervejas grátis. E todo este apelo ao consumo convive, lado a lado, com outros cartazes que recomendam moderação com o álcool. É assim na Sé, Alfama, Castelo ou no Bairro Alto.”

“A guerra entre as duas principais marcas de cerveja (…) começou de forma envergonhada, mas atingiu este ano proporções alarmantes.”

Ambas as marcas questionadas pelo referido jornal afirmaram:
A primeira “opção livre e assumida e que preocupada com o consumo “responsável vai disponibilizar um autocarro gratuito na noite de domingo para segunda-feira.”

A segunda “a visibilidade e os quiosques da marca cumprem um regulamento e seguem todos os procedimentos para obtenção das autorizações legais”, junto da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), organizadores dos arraiais e Câmara de Lisboa”

“A EGEAC não dá resposta. O vereador José Sá Fernandes diz que não há meios para fiscalizar” Presidente da Junta de Freguesia da Sé, acrescenta “é preciso coragem política para regulamentar”

Considerei relevante enaltecer a atitude deste politico, independentemente das cores e ideias politicas, enviei-lhe um email a felicita-lo e aproveito para publicar assim como a respectiva resposta.

Exmo Sr Presidente da Junta de Freguesia da Sé, Sr. Filipe António Osório de
Almeida Pontes

Após ter conhecimento da noticia do Jornal de Noticias da qual o sr fez
denuncia e referencia ao abuso da publicidade e das técnicas agressivas de
marketing, pela Industria poderosa e milionária do álcool e os seus
parceiros, antes, durante e depois dos Santos Populares, visto os cartazes
permanecerem nas paredes "eternamente", venho felicita-lo enquanto
Presidente de Junta e como politico pela denuncia deste tipo de actividade
"ilegal" mas permitida e negligênciada pelas autoridades competentes.

Trabalho na área das dependências desde 1993. Como profissional, pai e
membro da sociedade considero que este tipo de fenómenos incentivam o abuso
de álcool por parte dos jovens (binge drinking - abuso cujo intuito é a
intoxicação -  embriaguez), contribuem para o agravamento da nossa "cultura
que bebe" há dezenas de anos e que permanece activa através das gerações,
com  a agravante de não existirem pessoas e/ou instituições suficientemente
activas capazes de interferirem neste tipo de legislações permissivas. O
lucro não pode ficar acima dos direitos das crianças e jovens adultos. As
lacunas legais existentes não justificam a "contaminação pelo vírus."

Convido-o a visitar os meus blogues sobre a Recuperação das Dependências e
da Prevenção das Dependências.

Só me resta, e mais uma vez, felicita-lo pelo seu "desabafo" impotente e
isolado, mas realista e preocupante, perante o JN.

Atenciosamente

João Alexandre Rodrigues
Conselheiro em Comportamentos Adictivos

Resposta ao email pelo Presidente da Junta:

Agradeço as suas palavras e irei certamente espreitar o seu blog. O trabalho
do autarca deve reflectir os valores do próprio por isso faço-o com a
convicção de quem partilha estas e outras certamente preocupações sobre as
novas gerações e futuro garante da sociedade.

Grato
Filipe Pontes