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quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Competências individuais e sociais


 Não cabe na cabeça de ninguém cometer erros, mas mais tarde fazem sentido.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Amor é


 Por vezes evocamos o amor para justificar actos irracionais e egocêntricos

quarta-feira, 1 de julho de 2020

As pessoas mais felizes gostam de pessoas




As pessoas mais felizes gostam de pessoas

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Desigualdades sociais; a política, a economia e a prevenção das dependências




  • Segundo uma notícia divulgada no jornal Expresso, refere que Portugal ocupa uma das piores posições, comparativamente aos outros países da União Europeia (U.E.) sobre a justiça social. E como é que se mede? Pela pobreza, os cuidados de saúde e o acesso ao mercado de trabalho. O ranking foi publicado pela fundação alemã Bertelsmann que comparou vários indicadores estatísticos de cada país da U.E. concluindo que, nos últimos anos, a injustiça social tem vindo a aumentar em geral.
  • O Instituto Nacional de Estatística revela que segundo o Índice de bem-estar as famílias sentem-se mais vulneráveis a nível económico (por exemplo, diferenças salariais, menos rendimento).
  • Segundo um questionário realizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra revela que 35% dos casais com filhos criam conflitos em torno de questões financeiras. Cerca de 80% referem que a crise afectou significativamente o orçamento familiar e mais de 25% procuram o médico por problemas emocionais, de ansiedade e insónia.
  • Segundo o relatório da Unicef revela que a recessão, desde 2008, contribuiu para o empobrecimento de 2.6 milhões de crianças (abaixo do limiar de pobreza) nos países mais ricos, aumentando assim para 76,5 milhões de crianças probres no Mundo desenvolvido.
  • Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2013 a pobreza atinguiu 30% das crianças portuguesas.
  • De 24 países analisados pela UNICEF, Portugal é o que apresenta maior taxa de pobreza das crianças, mesmo após a atribuição de subsídios.
  • Segundo uma revelação do Credit Suisse – “Global Wealth Report, 2014” Portugal tem mais de 10 mil milionários. Este relatório avalia os índices de riqueza no Mundo. Eis alguns números, preocupantes. Trinta e cinco (35) milhões de milionários (mais de 789 mil euros) representam 0,7 da população adulta, acumulam 44% da riqueza mundial. No sentido oposto, 3,3 mil milhões de pessoas vivem com menos de 7, 9 mil euros, representa 69,8% da população e apenas com 2,9% da riqueza mundial. Segundo o mesmo relatório, em Portugal, 10% dos mais ricos possuem 58,3% da riqueza (mais 2,3 pontos percentuais desde 2007).

Infelizmente, não é uma novidade, porque a sociedade portuguesa sempre foi marcada pela negativa quanto às desigualdades sociais; pobreza, injustiça social e desemprego. Também sabemos, pela experiência, que as crises acentuam o fosso entre ricos e pobres. São os ricos que beneficiam com a crise. As desigualdades sociais contribuem para prejudicar uns (pobres) e para beneficiar outros (ricos).
As desigualdades sociais, o fosso entre os ricos e os pobres, fomentam a pobreza, a injustiça social e o desemprego, fenómenos associados à venda (oferta) e o consumo (procura) de drogas ilícitas.

Alguns factores de risco associado às desigualdades sociais:
  • Comportamentos caracterizados por rebelião e alienação face às normas sociais instituídas.
  • Grupos que apresentam comportamentos relacionados com o abuso de drogas, lícitas e/ou ilícitas, ou comportamentos anti-sociais; actividades ligadas à delinquência.
  • Desorganização na estrutura familiar na gestão de problemas, atitudes parentais que oscilam entre a excessiva severidade, a inconsistência e a ausência de monitorização da disciplina nos filhos. Alguns exemplos, violência domestica, abuso físico, emocional e sexual.
  • Historial familiar com antecedentes de abuso e/ou dependência de drogas e actividades ilícitas. Estas famílias podem promover o consumo de drogas junto das crianças em idade pré adolescente.
  • Insucesso escolar, ausência de valores e competências sociais.
  • Acesso fácil (oferta/procura) às drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas 


Algumas das crianças portuguesas, apesar de sonharem durante a infância, quando atingem a idade adulta não têm um futuro digno. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Publicidade? "Quanto baste"


Como é que a publicidade influencia os jovens?
Apesar deste video reportar-se à realidade americana, este fenómeno das técnicas agressivas de marketing, que geram pressão social e psicológica,  também  afecta negativamente as jovens portuguesas. Todos os dias, 365 dias por ano, estamos sujeitos aos mais diversos estímulos  cujo objectivo é simplesmente o  lucro das grandes multinacionais e das modas. 
Não vá em modas disfuncionais; pelo contrário faça questão de as quebrar: Seja você mesmo, ser único/a e criativo/a.
Siga o link e veja o video Causa e efeito.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Prevenção: O poder do dinheiro sujo fala mais alto



Tradução:
Questão: "Consideram que chegamos ao fim da guerra contra as drogas? Não, Não, Não."

Comentário: Esta imagem é sugestiva quanto à ineficácia da estratégia da prevenção das dependências. O lucro associado ao trafico e ao consumo de substâncias psicoactivas ilícitas movimenta muitos milhões de dólares, "dinheiro sujo", todavia, de acordo com os interesses económicos e financeiros justificam por si só a sua existência, com a conivência das autoridades, politicos e de instituições ditas credíveis. Com guerra ou sem guerra contra as drogas haverá sempre vitimas da dependência (Adicção), incluindo as famílias e as crianças.

sábado, 8 de setembro de 2012

O problema é grave, e a tendência é para piorar, mas negamos as evidências



Jornal de Noticias, de 18/8/2012
O Jornal de Notícias, na sua edição de 18 de Agosto, 2012, convidou sete personalidades para a participarem num painel sobre três questões relacionadas com a saúde em Portugal, todavia, vou somente selecionar a primeira porque é aquela que está diretamente relacionada com o tema da Prevenção das Dependências:
“Sociedade: Painel/ Tomar o pulso ao país” - Portugal é o terceiro maior consumidor de álcool da OCDE. Que consequências?”
 “Saúde: Portugal no pódio do consumo do álcool. Apesar dos números revelarem uma ligeira queda face aos últimos anos, Portugal mantém-se no pódio dos maiores consumidores de álcool do Mundo – 12,2 gramas per capita, a apenas uma décima de grama da França e empatado com a Áustria (números da OCDE). E há ainda a agravante de as estatísticas não incluírem o vinho produzido para consumo próprio. Sermos produtores de muitos e bons vinhos não justifica tudo. Sociavelmente, o álcool continua a ser um passaporte para um estilo “descontraído” e recebe um consentimento benevolente dentro das famílias e instituições. O crescimento das bebedeiras selvagens (botellón) aos fins-de-semana, entre os jovens mostram como as coisas estão a piorar ainda mais. Questão: Quem paga a factura? Quais são as consequências físicas e sociais? Eis uma chaga que nenhum Governo consegue sarar.” Jornal de Noticias.

 Portugal é o terceiro maior consumidor de álcool da OCDE. Que consequências?
  • António Ferreira - Presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João. Resposta: “A) Desagregação e violência familiar; B) Exclusão social; C) Agravamento do estado de saúde e desqualificação da população, diminuição da produtividade, etc”

  • Isabel Vaz - Presidente da Comissão Executiva da Espirito Santo Saúde. Resposta: “É um problema de saúde pública muito relevante pelas consequências sociais, da despesa e por ser um factor de risco de doenças cardiovasculares e hepáticas.”

  • Manuel Antunes - Cirurgião Cardiotorácico e Professor da Universidade de Coimbra. Resposta: “Infelizmente, o consumo excessivo de álcool é bem tolerado, até aceite, no nosso país. O impacto na saúde, praticamente em todos os órgãos, é devastador, também com consequências económicas e sociais muito grandes.”

  • Maurício Barbosa - Bastonário da Ordem os Farmacêuticos. Resposta: “ É muito preocupante, mais ainda a triste incidência em jovens de menor de idade. As consequências são péssimas para os próprios, as famílias e a sociedade. Os inevitáveis problemas de saúde refletem-se em menor qualidade de vida e em menor produtividade e conduzem inexoravelmente a mais despesa em cuidados de saúde. Os índices elevados de acidentes de trabalho, de viação, etc., e de violência também se correlacionam com o alcoolismo.

  • Nuno Sousa - Diretor do Curso de Medicina da Universidade do Minho. Resposta: “Nefasta para a saúde. Claramente a carecer de uma campanha de educação.”

  • Paulo Mendo - Antigo Ministro da Saúde. Resposta: É um grave problema de saúde pública, responsável por milhares de casos de doenças crónicas de cura difícil e tratamento muito caro. Pior (ou melhor), a cultura milenar do nosso povo aceita e tolera esta praga!”

  • Purificação Tavares -CEO da CGC Genetics. Resposta: “Os hábitos de população e os estilos de vida favorecem este consumo, pelo que deveria haver preocupação e contenção com a publicidade a bebidas alcoólicas, assim como colocar esta tónica no sistema educativo.”


Comentário: O álcool (etílico) é uma droga, depressora do sistema nervoso central, e é das substâncias psicoactivas, geradoras de dependência, mais consumidas no mundo, com a agravante de ser a mais perigosa. O álcool afecta a forma como o individuo pensa, sente e age.

De acordo com vários estudos, efetuados nos EUA, se os problemas com o álcool persistirem  o individuo alcoólico poderá morrer  15 anos mais cedo do que a idade media de morte da população em geral. As principais causas de morte são ataque cardíaco, cancro, acidentes e suicídio, embora também possa detetar doenças do fígado; cirrose.
Outra serie de estudos, efetuados nos EUA e na  Escandinavia, estabeleceram a importância de fatores genéticos na génese do alcoolismo e demonstraram que os filhos de pais biológicos alcoólicos, que deles foram separados quando crianças, cresceram com pais adoptivos, e sem qualquer conhecimento dos pais biológicos, apresentaram taxas muito elevadas de alcoolismo.
Outros estudos revelam que entre filhos de pais alcoólicos, um baixo nível de sensibilidade ao álcool resultou num risco de 60% de alcoolismo 10 anos mais tarde, enquanto a elevada sensibilidade ao álcool resultou apenas num risco de apenas 15%. A reação a doses moderadas de álcool possa dificultar aos filhos de alcoólicos o recurso às suas próprias sensações, depois de beberem, para decidirem o momento em que devem parar de beber. Estes estudos servem para sublinhar as possíveis componentes genéticas e biológicas do alcoolismo. Os dados recentes mais fiáveis indicam que o alcoolismo é uma perturbação geneticamente influenciada com uma taxa de hereditariedade, semelhante aos diabetes. Isto é, existe a possibilidade de o alcoolismo passar de geração para geração (pais para filhos)[i]

Todos nós sabemos que o abuso do álcool e do alcoolismo é um problema de saúde gravíssimo, mas dado à sua complexidade (epidemiologia e da etiologia, e os efeitos sociais) vivemos uma cultura de negação associado às consequências e aos efeitos trágicos do abuso do álcool, do alcoolismo no individuo, na família, incluindo as crianças, e os custos para o estado. Li algures que existem um milhão de bebedores problemáticos e 800.000 indivíduos alcoólicos, se juntarmos a estes dados, as suas famílias, incluindo as crianças, mais os jovens adolescentes que recorrem um binge drinking (abusar do álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez), as despesas de saúde e as despesas para o estado, os acidentes e o suicídio, mesmo assim, apesar das evidências e do agravamento do fenómeno, todos nós, continuamos a abordar o problema de saúde pública, do abuso do álcool e do alcoolismo, como se estivéssemos a discutir o problema do vizinho ou como se não tivéssemos nada a ver com isso, atitude que designo de estigma e  negação. 

Para se ter uma noção da gravidade do problema, creio ser comum encontrar na maioria das famílias portuguesas, um caso de um individuo (membro da família, por exemplo; avô, pai, primo, tia, avó, mãe, irmã ou irmão) que tenha sido afetado pelos problemas associados ao álcool, no passado ou no presente; de realçar que o alcoolismo pode passar de geração em geração.

De acordo com os estudos científicos, na maioria dos países civilizados, incluindo a Organização Mundial de Saúde é urgente investir com compromisso na educação, na prevenção junto das populações e no tratamento do abuso e do alcoolismo, todavia, os interesses económicos e os lobbies acabam por ditar as regras, em detrimento da saúde das pessoas, incluindo as crianças, com o consentimento dos decisores políticos. Por outro lado, observo há vários anos, nos meios de comunicação social, de acordo com os sucessivos governos, promessas onde os políticos afirmam que a lei da venda e consumo do álcool vai ser alterada, mas mantém-se inalterável; somos o único país da EU a permitir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas a menores de idade. Aparentemente, existe um certo laxismo e desinteresse na investigação jornalística, na legislação, na politica sobre este assunto complexo e trágico que afeta milhares de portugueses, incluindo as crianças, e passo a citar o jornalista do JN “Eis uma chaga que nenhum Governo consegue sarar “. Pergunto; se é considerado uma “chaga”, porquê teimamos em negar a tragedia humana e os custos económicos e sociais? Na minha opinião, a dita “chaga” nunca será eliminada, pelos decisores políticos, visto haver outros interesses mais importantes que os direitos humanos e o direito à saúde, incluindo as crianças.

À data deste post ainda somos um país que permite e promove o consumo e o abuso de bebidas alcoólicas a jovens menores de idade, estando assim a contribuir e para o agravamento para o problema de saúde pública.

Esta questão é um dos motivos pela qual justifico a existência e a minha dedicação a este blogue – Prevenção das Dependências.







[i]  “Abuso de alcool e drogas” Marc A. Schuckit - Climepsi Editores

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Guerra sem fim à vista


“A actual estratégia internacional de controlo das drogas, cujo objetivo central visa um mundo livre de drogas, tem sido implementada no terreno, quase exclusivamente, através do recurso a ações policiais e a sanções criminais. Todavia, através de estudos recentes, revelam, que esta estratégia falhou nos seus intentos. Embora o efeito nocivo das drogas, nas vidas das pessoas e na sociedade, esta estratégia revela-se, excessivamente punitiva e não foi alcançada, em termos dos objetivos da saúde pública e tem contribuído para inúmeras violações dos diretos humanos.” 
  • Anand Grover, comissario das Nações Unidas para os direitos humanos


Sabia que a declaração da “Guerra contra as Drogas” foi anunciada pelo Presidente norte-americano Richard Nixon, em 1971? Passado 41 anos ainda não prevê um fim para a dita “Guerra contra as drogas”, pelo contrário, é um fenómeno universal que veio para ficar, do qual, todos nós, teremos que repensar sobre uma diferente estratégia.

O problema das drogas lícitas, incluindo o alcool e os fármacos, e ilícitas é um problema transversal na sociedade portuguesa. Na minha opinião, Portugal não possui um enquadramento, a convicção e o compromisso politico, cívico, jurídico e da saúde pública capaz de promover uma estratégia, de forma a lidar com os efeitos negativos das drogas lícitas e/ou ilícitas, assim como ser capaz de potenciar um reflexão publica profunda sobre as medidas que pretendemos adotar para o nosso país. Pelo contrário, existe um certo marasmo generalizado. Por exemplo, em relação ao abuso do álcool e do alcoolismo, em pleno seculo XXI, num artigo do Diário de Noticias, de 30/6/12, referia que 70% da população de Barcelos, com idade inferior a 50 anos, é afetada pelo alcoolismo. Considero que os jovens e as famílias portuguesas precisam, urgentemente, de um sistema político com o qual depositem confiança e esperança na luta contra este tipo de epidemia: O problema das drogas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas não acontece só aos outros.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Menos Medicação


Menos Medicação - Mais Amor, Menos Doença: A Esperança da Criança.

“Um infinito ardor
Quase triste os veste,
Semelhante ao sabor
Quen tem à noite o vento leste.
Bailam na doçura amarga
Da tarde brilhante e densa
Tem a morte em si suspensa.”  Sophia de Mello B. Andressen


Foi numa manhã fria, com a neve que rodeava o hospital, fazendo das suas paredes brancas a continuação do nada que se sentia lá fora. Logo de manhã, no hospital de pedopsiquiatria estava a equipa à espera das novas listas de pacientes, sem os conhecermos demos-lhe um rumo. A Maria pertence ao sector da Via Emocional, o Pedro ao sector da Via de Condutas de Comportamento e a João à Via do Neurodesenvolvimento.

Foi-me entregue o João, aquele que eu vou delinear um rumo, mas que não escolheu o seu destino e nunca cheguei a ver a sua cara. No relatório clínico especifica que é muito activo, com problemas de concentração e hostil para com os seus colegas. Parece mais um caso a juntar a muitos outros. Mas quem é ele? Como será a sua cara? Qual è a sua história que nem ele provavelmente pode fazer senso de sonhos perdidos, idealizações que cairam aos pés dele como areia que se escapa por entre os dedos, como foi forçado a não amar aquilo que sente?
Tais questões não são práticas, só possuímos cinco a sete minutos para decidir o que vai acontecer ao João, como, possivelmente, o iremos tratar e uma agenda de 20 minutos para escolher a medicação certa, diz então assim o Pedopsiquiatra.
Decidi ir à escola do João, que tem cinco anos de idade. Falei com a professora e ela disse-me que realmente algo se passa de errado com ele pois é quase ímpossivel de o ter na aula, distrai os alunos, e sai do seu lugar constantemente, distraindo assim, os colegas e é muito difícil de controlar. Agradeci-lhe o seu tempo e pedi para ver o João.

Apresentei-me ao João e perguntei-lhe se queria brincar por um bocado. Ele perguntou-me “Brincar? Porquê?” eu respondi-lhe que era para o conhecer melhor. Não houve resposta.  Gostaria de acrescentar que uma criança que não tem prazer em brincar, e que por espontaneidade vontade, não sente o benefício do que é fazer um elo/vínculo para com outra pessoa que manifesta interesse em si, essa criança perde a sua essência.

Mas será ele próprio que não tem interesse em brincar, ou será que lhe retiraram a capacidade de se vincular com alguem, até mesmo dentro de um sitio onde ele se sente seguro em termos físicos, por ex a escola?
Tentei então falar com ele, mas ele limitava-se a responder “Não sei…”.

Qualquer bebé de quatro meses, com um desenvolvimento normal, começa a compreender que o seio da mãe que o alimenta lhe proporciona segurança, que lhe promete uma vida com amor, consegue conceptualizar que esse mesmo seio, é aquele que lhe dá frustração, aquele seio que nem sempre pode estar presente quando ele quer, que projecta nesse seio o mau que há no mundo, e é nesse periodo, em que a frustração é regulada por uma mãe atenta, e assim, começa a ter noção que o seio bom é ao mesmo tempo o seio mau, que a qualidade e a percepção do que é o amor se transforma no psiquismo do bébé, e a ambivalência, se for bem regulada pela mãe, se transforma pouco a pouco em paciência, e o amor, acima de tudo, prevalece.

No caso do João, diagnosticado com Problemas de Comportamento com comorbilidade com Hiperactividade, fica um recluso, um problema, mais um alvo de um plano de comportamento do qual fico responsável por delinear. Ou seja, estamos a ser reactivos ao problema, ao invés de elaborar estratégias práticas de prevenção. Num modo existencial, somos iguais ao João no modo de reagimos.
Se analisarmos a história do João, há sonhos perdidos, amores paternais não correspondidos por idealização e narcisismo paternal, mas no final, o doente é o Joao...

Agora, que a sua coerência cerebral já foi mudelada para a reactividade com poucas possibilidades de apaziguamento cortical, cabe-nos a nós profissionais, transformar um cérebro de uma criança, em que a memória de todo o trauma que não é visto a olho nu, já se estende pelo seu sistema periférico, gravado nas suas celulas, com uma expectativa de perigo séria instalada. 

Por quanto tempo vamos ser reactivos e não estabelecer estratégias familiares de prevenção? Quem mais tarde vai suportar e pagar estas consequências é a sociedade. Por ex. hospitalizações, instituições, consultas, etc.

A minha preocupação, além da infelicidade da criança, é o modo estas crianças são encaradas perante uma sociedade negligente, visto não possuir conhecimento actualizado, e respostas concretas, sobre o problema destas crianças, assim como recursos necessários. Pensarmos que basta arranjar uma vinculação segura (instituição e/ou família), tudo o resto irá correr bem, assim fala a arrogância da ignorância.

Muitos dos casos podem ser resolvidos nos primeiros dois anos de vida, mas quem pensa “Ah, estes problemas de comportamento são normais da idade.” acaba por “assassinar” o desenvolvimento saudável da criança. A criança precisa de acreditar que no futuro consegue ser feliz, que consegue ter relações de qualidade, que aprende a perdoar, e muito mais importante, e o cerne de tudo, consegue amar aquilo que realmente sente. 

E depois negamos toda essa responsabilidade com medicação, não para resolver o problema mas sim para o adormecer e nao nos aborrecer muito.
Mas, e a felicidade da criança?

Dr. Miguel Estrada 
Extracto e traduzido do artigo “What about me?” publicado em 2009 na CAMHS (Child and Adolescente Mental Heath Service), Inglaterra.

Comentario: Os meus agradecimentos ao Dr Miguel Estrada pela sua colaboração no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar". Na minha opinião, a sociedade portuguesa ainda não presta os devidos cuidados às crianças. Algumas crianças vulneráveis são negligenciadas, com a conivência de alguns adultos.  Arrisco a afirmar que, provavelmente, se elas votassem e tivessem participação civica e jurídica nos tribunais, por exemplo se houvesse um tribunal para julgar adultos, a realidade seria diferente. Uma noticia no JN, de 20/10/2011, referia, segundo o presidente do grupo Psiscolas, a orientação do Ministério da Educação, para este anos lectivo quanto à contratação de psicólogos para as escolas, possa significar que um psicólogo tenha de prestar serviço em dois ou três agrupamentos escolares, um rácio de "um técnico para mais de cinco mil alunos". Caso se venha a concretizar esta situação preocupante, recordo a frase do dr Miguel Estrada "Mas, e a felicidade da criança?"


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Stop Psychiatric Labeling Of Kids

domingo, 20 de março de 2011

Todos os jovens têm o direito de prosperar

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

60 anos de Direitos Humanos

Dia 10 de Dezembro comemora-se os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.


http://www.amnistia-internacional.pt/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=12&Itemid=98

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A impotencia na familia


Segundo, o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência os cálculos de prevalência do consumo problemático de drogas, em Portugal, situam-se entre os 2 a 10 casos por cada 1000 habitantes com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. Somos 10.329.300 milhões de habitantes segundo dados da Eurostat.

Podemos afirmar, que nos dias de hoje uma grande maioria das pessoas, já passou por uma experiência dolorosa, de uma forma directa ou indirecta, com casos de entes queridos, que sofreram ou continuam a sofrer deste flagelo social (adicção/doença). É sobre a família que gostaria de deixar aqui algumas reflexões. È a outra perspectiva deste flagelo/doença de quem sofre em silencio.

Quando um problema desta natureza "invade" uma casa de família, a maioria dos seus membros não está preparado para lidar e encarar com este problema de frente. Senão vejamos, no dia a dia, quando se discute sobre este tipo de problemas com amigos ou familiares temos a tendência para identificar os problemas que existem nas casas dos outros. Os problemas dos outros são mais graves se comparados com os nossos. Lembro-me de uma mãe, que dizia “… nunca quis acreditar que o meu filho tinha um problema grave. Como ele não roubava na rua, não arrumava carros, não se injectava e até trabalhava, achava que o problema dele não era assim tão grave. Até ao dia que recebi um telefonema do hospital a informar-me que ele tinha tido uma overdose. Fiquei desesperada.” E a seguir? Imediatamente, procuramos um culpado. “O que é que fiz de errado…?” “ Sou eu o culpado/a por isto ter acontecido.”
Se encontrarmos um culpado significa que encontraremos uma solução? Na minha experiência, a resposta é não. Questão que coloco é - "Culpamos para quê?"

O que é que acontece à estrutura familiar quando um dos seus membros, ou mais, abusam ou se tornam dependentes de drogas? De inicio, a família tenta evitar o problema, mais tarde, tenta eliminar o problema, depois surge a desorganização familiar. Sabemos que todas as atenções ficam centradas no individuo/os (doente) sem que a família se aperceba das consequências negativas deste tipo de abordagem. A estrutura familiar sofre um colapso e na maioria das situações, geram-se crises imprevisíveis entre o seus membros. Por ex. discussões, onde predominam a violência verbal e ou física, mentiras, roubos, um telefonema do hospital por causa de um acidente ou da policia por conduzir sob o efeito de alcool e/ou drogas, para mencionar apenas alguns casos.

Aprende-se a não falar, a não sentir e a não confiar – adopta-se a regra do silencio. Esta regra é um mecanismo que funciona como um “amortecedor” das emoções dolorosas. Vive-se estas emoções onde se aprende a reprimir e a “fugir” aos sentimentos dolorosos, acabando, assim, por negar a verdadeira dimensão do problema. Por ex. a mãe que protege o filho do embaraço e confronto “publico” facilitando e encobrindo comportamentos disfuncionais (doentes) que mais tarde se vai arrepender. “O que é que estou a fazer?.” Com altos níveis de ansiedade antecipa-se todo e qualquer tipo de problemas. Procura-se também um “bode expiatório” dentro da família que até pode ser alguém que não seja consumidor de drogas. Deprimidos e sem esperança, os familiares identificam-se no papel de vitimas na nossa sociedade, “Porquê a mim?…” “Só me acontece estas coisas a mim.” ou “Eu mereço isto…” “É um castigo…” “Não sou bom pai, não sou boa mãe, não sou bom marido, não sou boa mulher, não sou boa irmã/o. Em muitos destes casos as crianças são negligenciadas. Elas também aprendem a regra do silencio; não sentir, não falar e a não confiar, mesmo dentro da família.
O que fazer quando “agarrado a esta teia” sofrendo com a impotência e com a perda de controle? Eis alguns passos que pode dar.
è importante elaborar um plano de acção na família e no doente com a juda de profissionais com experiencia. Você não consegue controlar os comportamentos dos outros, bem como os consumos de drogas. Assuma a responsabilidade pelo seu próprio comportamento e pela impotência.
Procure mudar os “velhos” hábitos e comportamentos disfuncionais da parte da família em relação ao doente. Sabemos que a mudança é um processo que pode ser lento. Concentre-se no progresso em vez da perfeição (os resultados imediatos podem tardar). Pare de procurar culpados. Interiorize os 3 C´s. 1º C ) não é a família que causa a toxicodependência, 2º C) Não se pode controlar o comportamento dos outros nem o consumo de substancias e 3º C) não podemos curar o toxicodependente. Lembre-se, não existem culpados, ninguém é culpado.

Procure desligar-se emocionalmente do problema do doente, procure apoio dentro e fora da família, principalmente pessoas em quem confia. Se não encontra ninguém próximo trate de encontrar o mais rápido possível. Aprenda a dizer não, sem se sentir culpado. Defina limites e regras de comportamento dentro de casa, caso estas regras sejam desrespeitadas, isso implica consequências. Mais uma vez, não esteja sozinha/o neste plano, poderá soar a algo avassalador e intimidador. Tenha fé e esperança que mesmo com um membro da família doente, a vida não deixará de ser uma oportunidade de crescimento, de aprendizagem procurando assim, ajustar-se à realidade. Isto é mais vantajoso para a família e para cada membro individualmente, do que viver numa fantasia e em negação. Considere um tratamento para o doente. Pode ser um ponto de partida para um novo modo de vida.
A toxicodependência é uma doença de comportamentos e é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, por isso, necessita de ser tratada tal, sem castigar e ou punir.