Mostrar mensagens com a etiqueta jovens e o alcool. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jovens e o alcool. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Lisa Damour: Adolescência não é assim tão simples


Visite o video da Dra Lisa Damour (Fundação Francisco Manuel dos Santos)

A adolescência, é uma fase, explorar diferentes caminhos, desenvolver competências individuais e sociais - identidade e socialização. Nesta fase, os adolescentes herdam aquilo que a sociedade tem para oferecer, de bom e mau, certo errado. Fomos nós adultos que construimos o ambiente e o contexto para os adolescentes crescerem. Nesta fase, os pais são uma referência, um "farol", uma rede, que às vezes dão um "empurrão" para enfrentarem o desconhecido. Os filhos não escolhem os seus pais, merecem amor e desapego

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Check in on those around you | #WorldMentalHealthDay 💛💚 #youarenotalone

 
Dia Mundial da Saude Mental. "Você não está sozinho."

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Campanha publicitária


Campanha publicitária "Há conversas mais fáceis" visa sensibilizar os pais de filhos até 18 anos sobre os riscos do abuso de bebidas alcoólicas. Esta iniciativa foi promovida pelo Clube de Criativos de Portugal, em parceria com o Serviço de Intervenção dos Comportamentos Adictivos e Auto Regulação Publicitária.  Autores dos cartazes Roberta Batista e Gonçalo Martinho  

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A prevenção das dependências começa em casa


Os jovens são mais afetados pela publicidade ao álcool, revela estudo europeu recente. Segundo este estudo a exposição à publicidade a bebidas alcoólicas tem um enorme impacto no consumo entre os jovens e a autorregulação da industria não funciona. O estudo, em questão, publicado na reputada revista cientifica Addiction alerta para o impacto que o consumo de álcool tem entre os mais jovens e também alerta que o consumo de bebidas alcoólicas é a principal causa de incapacidade ou morte entre os jovens do sexo masculino com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos.

 O resultado deste estudo, vem corroborar outros , portanto não se trata de nenhuma novidade. Todavia, conscientes do problema, quais são as medidas impostas, pelos decisores políticos, que visam travar estes fenómenos? 1. O abuso do álcool, o consumo de bebidas alcoólicas por jovens com idades abaixo do permito por lei e  2. binge drinking (beber bebidas alcoólicas com o intuito de ficar intoxicado) e 3. abuso de bebidas alcoólicas é a principal causa de incapacidade ou morte entre os jovens do sexo masculino.

Quando contemplamos, o abuso de álcool pelos jovens, não o devemos fazer somente através dos reguladores institucionalizados com recurso a leis restritivas. Sabemos que as leis existem, mas também existem formas engenhosas de as contornar. Por exemplo, as marcas de cerveja, anunciam a cerveja sem álcool, todavia, é a fidelização à marca que importa e o lucro das cervejas sem álcool não creio que seja relevante comparativamente à cerveja com álcool. Nas camadas jovens, quem é que bebe cerveja sem álcool? Nos festivais de verão quem é que consome cerveja sem álcool? Nas festas académicas quem é que consome cerveja sem álcool? Na minha opinião, o consumo é residual comparativamente à cerveja com álcool. Para agravar a situação, a cerveja com álcool, neste tipo de eventos, para além de estar disponível em garrafas, também é servida a copos, que torna a venda mais acessível (e mais lucrativa), mesmo para aqueles jovens com fracos recursos financeiros.
      

Por outro lado, considero que o problema são o comportamento das pessoas e não o álcool, propriamente dito. O problema não é o álcool. O problema não são as leis, são as pessoas que delineiam estratégias de marketing (publicidade) que visam somente o lucro (economia de mercado), o problema são os decisores políticos que evocam as questões económicas em detrimentos das consequências do álcool nas camadas mais jovens, o problema são os media que não fazem investigação e não alertam ( e sensibilizam) a sociedade para as consequências do álcool,  as Instituições de ensino que formam profissionais, sem que estes estejam qualificados para abordar o assunto nas consultas e/ou nas urgências hospitalares e todos nós (sociedade civil) que compactua com esta «velha» tradição, imposta na nossa cultura, associada ao abuso do álcool, por exemplo, nas consultas ouço casos de alguns pais, com filhos de 11 e 13 anos, que afirmam o seguinte: “Os meus filhos já experimentam bebidas alcoólicas, começam a faze-lo em casa na presença dos pais. Por exemplo, numa festa é-lhes permitido, experimentar o álcool, com um gole.”. Contrariamente a este exemplo desafortunado, a prevenção mais eficaz, contra o abuso do álcool, começa em casa.

 Infelizmente, o álcool ainda não é encarado como uma droga (substância psicoactiva do sistema nervoso central). Entre outras drogas o álcool é a droga mais perigosa, simplesmente, porque está disponível e porque permanecemos passivos perante todos estes fenómenos acimas referidos. Felizmente, nem todos os jovens abusam do álcool ou recorrem ao binge drinking, mas mesmo assim, a vida dos nossos jovens, mesmo em numero reduzido (refiro me aqueles que apresentam vulnerabilidades associados ao abuso do álcool), são mais importantes que o lucro das empresas e/ou tradições/tendências disfuncionais e retrogradas. É possível ser feliz, sem beber bebidas alcoolicas.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Crise na Família



Nos últimos meses tenho recebido vários emails de mães, assustadas e impotentes, perante o eventual fenómeno do consumo e/ou dependência de drogas ilícitas.
Uma das questões mais comuns: “O meu filho de 16 anos consome haxixe. Ele diz que não há problema, mas estou assustada, será que ele pode ser toxicodependente?”

Prevenção que não previne, pelo contrário.
1. Hoje em dia, um número muito significativo de crianças e jovens está exposto e vulnerável perante o fenómeno do consumo excessivo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas e em relação a este fenómeno sabemos apenas a ponta do iceberg, isto é, não existe prevenção em Portugal.

2.  Um número significativo de jovens faz consumos concomitantes de bebidas alcoólicas e canabinoides (haxixe e marijuana). Através da minha experiencia profissional, atualmente o consumo de substâncias psicoactivas ilícitas, canabinoides (http://www.doping-prevention.de/pt/substances-and-methods/cannabinoids/cannabinoids.html), faz parte de um acto social, idêntico ao consumo de bebidas alcoólicas, que desde os anos 80 tem ganho cada vez mais adeptos. Quais são os efeitos a medio e longo prazo, nos jovens sobre o consumo excessivo e concomitante entre as bebidas alcoólicas e os canabinoides (THC)? Não conheço a resposta nem existe investigação.

3. A guerra global às drogas existe desde os anos 70 e está longe de acabar. Aquilo que sabemos é que a oferta (trafico) supera a procura (consumo), eis um exemplo muito prático, se um jovem curioso  está interessado em consumir e experimentar os efeitos dos canabinoides, não tem muito trabalho e/ou esforço para conseguir obter a desejada substância. É mais simples, do que possamos imaginar. Há 25 anos atrás um jovem que quisesse encontrar, por exemplo haxixe seria mais difícil, hoje não. Por exemplo, no outro dia li num jornal, que um jovem foi detido, na sua escola, por se dedicar ao tráfico de drogas. Ficamos alarmados, mas de certeza que não é um caso isolado.

O que é que acontece quando o consumo de drogas ilícitas entra em casa, de rompante?
Frequentemente, quando surge no seio familiar, evidências sobre o consumo de substâncias psicoactivas ilícitas, canabinoides, pela criança/adolescente, a reação da mãe, quanto ao pai é o ultimo a saber, é de choque; “ E agora? O que é que vamos fazer?” Por exemplo, quando uma mãe aborda o assunto do consumo com o filho, a resposta é: “Mãe, não estejas preocupada porque eu sei o que estou a fazer. Sabias que o haxixe é uma droga leve? Sabias que o álcool é mais perigoso que o haxixe? Eu não fumo muito, é só de vez em quando.” Perante esta resposta, mais ou menos esclarecedora, do ponto de vista da mãe, esta fica mais tranquila, pensa que o filho está devidamente informado e é responsável por aquilo que faz, algumas mães ainda teimam, indecisas, em tom de ameaça velada “Vê lá o que andas a fazer, porque se o teu pai sabe disso já sabes como ele é”. 

Sem explorar mais dinâmicas na família (interação filho e mãe/pai) em relação ao assunto, de acordo com a resposta do filho, podemos pensar em duas questões: 1. O assunto da prevenção sobre o consumo de cannabinoides, na família, não foi abordado 2. com a agravante de a informação que o filho possui, provavelmente foi obtida na rua com os amigos que também fumam e ou na internet  “O haxixe é uma droga leve. O álcool é mais perigoso que o haxixe, por isso devia ser legalizado.” A criança/adolescente pensa: “Só é perigoso se fumar muito, por isso, se fumar de vez em quando não faz mal.” Sabia que apesar do haxixe não provocar dependência, pode tornar-se um hábito? Sabia que o nível de THC, ingrediente psicoativo toxico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tetraidrocanabinol) [i] que potencia o efeito, é elevado, comparado com o nível de THC de há duas décadas? Sabia que apesar de ninguém morrer com o consumo excessivo de cannabinoides, todavia, em alguns indivíduos, pode conduzir á loucura? Sabia que, na última década, os pedidos de ajuda, por exemplo no Instituto de Droga e da Toxicodependência (http://www.idt.pt) e outras instituições relacionados com o consumo excessivo de cannabinoides aumentaram significativamente? Sabia que as substâncias psicoactivas (sistema nervoso central) interferem no desenvolvimento normal do cérebro humano que só completa a sua maturação aos 21 anos de idade? Na minha opinião, pessoal não existem drogas leves nem drogas duras, é um mito, existem drogas psicoactivas, de acordo com as suas especificidades.

Adiante, voltemos ao assunto da família. Se as consequências relacionadas sobre o consumo dos cannabinoides se agudizam, no comportamento do filho (por ex. absentismo escolar, impulsividade, perda da memoria e concentração, euforia, pequenos delitos, isolamento da família – o convívio familiar é comprometido em prol do convívio com os pares; ex. deixa de haver horários para entrar e sair de casa, para as refeições, a família não conhece os amigos) estão reunidas as condições para uma crise na estrutura familiar, e caso não sejam adotadas medidas integradoras e construtivas, pode comprometer seriamente a comunicação e a coesão familiar (estrutura/hierarquia). 

Quando a questão do hábito do consumo de canabinoides e as consequências negativas é do conhecimento geral de toda a família, o foco da atenção é direcionado para o membro (criança/adolescente): Por exemplo, varias tentativas para interromper o hábito dos consumos, censurar e castigar, ameaças que não se cumprem e/ou tentativas em negar ou minimizar o problema. Apesar de este tipo de abordagem, funcionar em alguns casos, creio que não funciona na maioria deles. Um dos fatores que pode contribuir para o aumento exponencial da crise na família são o surgimento de quezílias antigas entre os membros da família (exemplos; defeitos de caracter, ressentimentos, remorsos e mágoa, divorcio, infidelidades, segredos) que complicam, ainda mais a abordagem do problema do habito e as consequências do consumo, assim como a solução. A dinâmica e hierarquia familiar (crianças, adolescentes e adultos) podem tornar-se caóticas, por exemplo através da agressividade ou passividade, da troca de acusações, na procura de culpados. Perante um problema na família, quem é o responsável por gerir os recursos da família? Quem é o responsável pelas decisões na família? Quem é o responsável por assumir determinados riscos na família? A hierarquia familiar está sustentada em valores e tradições que fomentam o diálogo? A coesão? A confiança?  

Se fossemos à procura de culpados para eliminar o problema das dependências, o mais provável é que seriamos todos nós. Depois, tal como foi referido anteriormente, o fenómeno das drogas veio para ficar. Vivemos numa sociedade capitalista em que o lucro (poder económico) está acima dos direitos e das liberdades da criança. Não existe vontade dos líderes políticos e na justiça (leis) quanto à prevenção das dependências. Na realidade, quando uma criança/adolescente, decide voluntariamente, consumir canabinoides e esse tipo de comportamento o conduz ao hábito, não existem culpados. O fator mais importante, na minha opinião, é a forma como a família se organiza e se estrutura em torno do problema, em vez de criar mais problemas. Afinal, o mais importante é o apoio à criança/adolescente.
Na crise familiar é extramente importante restabelecer o diálogo, a coesão, definir um plano e limites, regras que salvaguardam a instituição familiar -“O todo é mais importante que a soma das partes.” Só somos livres se vivermos de acordo com as regras instituídas, quer seja na família ou na sociedade, caso contrario, teremos que assumir as consequências dos nossos atos, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Na natureza não existem culpados, existem consequências.

Dicas:
1. Antes que surjam indícios sobre o consumo de substâncias psicoactivas lícita, incluindo o álcool, e as ilícitas, da parte do seu filho, aborde o tema da prevenção das dependências. Procure ajuda. O seu esforço e o seu investimento, neste tema, pode revelar-se recompensador, a medio e a longo prazo.

2. Questão: Quais são as regras instituídas pela família quanto ao consumo de substâncias psicoactivas lícitas, incluído o álcool e o tabaco, e as ilícitas? Se não existem regras definidas e esclarecidas por todos, trate de implementar, com os membros da sua família, antes que surjam factos e evidências, porque depois pode ser tarde. Como progenitor, dê o exemplo na aplicação das regras.

3. Se o seu filho consumir substâncias psicoactivas, canabinoides, isso não significa que ele/ela vai ser um dependente. Todavia, promova o diálogo sobre o assunto; não desvalorize ou sobre valorize. Trabalho de equipa: promovam atividades em família na pesquisa, atualização e informação sobre os efeitos do consumo excessivo de cannabis.

4. Caso exista na família um historial de doenças mentais (depressão, ansiedade) ou dependência de drogas, incluindo o álcool, esteja atento/a caso o seu filho seja consumidor de substâncias psicoactivas (ex. canabinoides) e informe-o das possíveis consequências, porque o consumo pode despoletar e/ou agravar os sintomas da doença (hereditariedade).

5. Treine o ouvir, sem interromper e sem fazer julgamentos de acordo com valores moralistas e desatualizados pela sociedade. O que é que ele/a pensa sobre o consumo? Qual é a atitude dele perante este comportamento? Avalie se ele/a ouve, se é responsável, se tem auto crítica, se aquilo que diz é coerente com aquilo que faz.

6. Faça perguntas, se quer obter as respostas que pretende.

7. Peça ajuda

Facto: Desde 2007, ano da existência deste blogue, até aos dia de hoje, ainda não recebi um único email de pais assustados em relação ao consumo e/ou abuso de bebidas alcoólicas. Você sabia que as drogas mais perigosas são as drogas lícitas? Refiro-me ao álcool e ao tabaco.



[i] Nota: Pesquisei a palavra Delta9 Tetrahidrocanabinol, também conhecido por THC no portal da saúde, no portal do IDT e não obtive qualquer resposta. Aparentemente, a prevenção das dependências não existe em Portugal.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Festas de Verão e a publicidade agressiva da Industria do Alcool sem prevenção


No seguimento do trabalho sobre as Festas de Verão e a publicidade agressiva da Industria do álcool da qual os jovens são  alvo, na nossa sociedade, já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos (cultura que bebe), onde tem permanecido activo e intocável ao longo das gerações. Na pratica, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de idade, a prevenção, o tratamento).

Desta vez, convidei uma empresa municipal (Camara Municipal de Lisboa) a EGEAC a participar num pequeno questionário sobre as Festas dos Santos Populares e a Industria do Álcool, que mais uma vez agradeço a sua disponibilidade.

Gostaria de destacar a inexistência de entidades competentes e/ou medidas que visem a Prevenção das Dependências durante as Festas de Verão, porque o lucro está acima dos direitos dos jovens. 
As respostas vieram confirmar os piores receios: O Mundo dos Adultos não é seguro para alguns jovens vulneráveis.   



Exmos srs EGEAC

É um fenómeno recorrente, nesta altura do ano (Verão) a publicidade, o marketing agressivo e a venda em relação às bebidas alcoólicas, em especial das cervejas, assume uma proporção muito significativa e capaz de influenciar e encorajar o consumo das referidas bebidas, principalmente entre os mais jovens, isto é, novos consumidores (fidelização à marca), técnicas de marketing que visam o publico jovem e o binge drinking (abuso de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação - embriaguez). Por exemplo, nas Queimas das Fitas, nos festivais de música e nos Santos Populares. Estes eventos sazonais movimentam milhares de pessoas, incluindo os jovens, e são extremamente lucrativos para as marcas de cerveja.

Sou um profissional que trabalha na Prevenção e Tratamento das Dependências de Substancias Psicoactivas e venho por este meio solicitar o vosso apoio para o meu trabalho sobre a publicidade, a venda de bebidas alcoólicas (cervejas) e o super visionamento pelas entidades responsáveis por tais práticas. Qual o histórico e o V.  papel activo na prevenção deste tipo de mercado extremamente agressivo e lucrativo por parte da industria do álcool? Nesse sentido, gostaria de vos enviar um questionário e saber a quem pode ser dirigido.

Desde já os meus agradecimentos e estou disponível para qualquer esclarecimento adicional.
Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues

«»
Resposta da EGEAC
Exmo. Senhor,
Acusamos a recepção do Vosso email que mereceu a nossa melhor atenção. Nesse âmbito informamos que também nós estamos cientes dos perigos inerentes ao consumo de álcool pelo que também nós temos colaborado com as autoridades no sentido de sensibilizar os vários participantes e espectadores das Festas de Lisboa.

Caso possamos ajudar na Vossa acção estaremos ao Vosso dispor
Cumprimentos
EGEAC

«»
Nota: Após a disponibilidade da EGEAC, em participar, reencaminhei um questionário com oito perguntas sobre a Publicidade e o Marketing agressivo em relação à venda de bebidas alcoólicas.



  • Resposta da EGEAC ao questionário

Exmo. Senhor
Conforme solicitado colocamos as nossas respostas junto das Vossas perguntas
Cumprimentos EGEAC

Questionário: Festas dos Santos Populares

1. Qual a função da EGEAC durante as Festas dos Santos Populares?

EGEAC: IMPORTA DESDE JÁ REALIZAR UM ESCLARECIMENTO, UMA COISA É O PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA DO QUAL A EGEAC É A ENTIDADE ORGANIZADORA E RESPONSÁVEL, OUTRA A FESTA DOS SANTOS POPULARES ONDE UM CONJUNTO MUITO SIGNIFICATIVO DE ENTIDADES E PRIVADOS DESENVOLVEM AS SUAS INICIATIVAS

2. Qual o numero aproximado, segundo os v. dados, de participantes nas Festas dos Santos Populares?

EGEAC: NÃO NOS É POSSÍVEL TERMOS UM VALOR EXACTO. NO QUE DIZ RESPEITO AO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA O VALOR DEVERÁ RONDAR 1,5 MILHÕES DE ESPECTADORES CONTANDO COM AS TRANSMISSÕES DA TELEVISÃO.

3. Quais os incumprimentos mais detectados pela EGEAC sobre a publicidade, o marketing agressivo e a venda em relação às bebidas alcoólicas, nos últimos 5 anos?

EGEAC: EMBORA CIENTES DESSE PROBLEMA, NÃO ESTÁ NA MISSÃO DESTA EMPRESA MUNICIPAL ESSE TIPO DE AVALIAÇÃO. JULGAMOS NO ENTANTO QUE ACTUALMENTE O PROBLEMA NÃO RESIDE NO PERÍODO DAS FESTAS DE LISBOA MAS SIM ANUALMENTE CONSIDERANDO A RECENTE MODA DO "BOTILHÃO" OU SEJA A VENDA DE BEBIDAS ALCOÓLICAS EM LOJAS QUE ESTÃO ABERTAS DIA E NOITE SEM NENHUM CONTROLO.

4. Quais as medidas especificas tomadas pela EGEAC durante as Festas dos Santos Populares de forma a monitorizar e a prevenir a publicidade e o marketing agressivo pela industria do álcool?

EGEAC: VOLTO A REFORÇAR A IDEIA DE QUE A EGEAC NÃO TEM COMO MISÃO TOMAR MEDIDAS SOBRE ESTA SITUAÇÃO. ESSE DEVER PRENDE-SE COM OUTRAS ENTIDADES E INSTITUIÇÕES QUE TÊM POR BASE NA SUA ACTIVIDADE AVALIAR E PREVENIR ESSA SITUAÇÃO, NOMEADAMENTE NO CAMPO DA FISCALIZAÇÃO. A EGEAC APENAS PROCURA QUE OS SEUS PARCEIROS CUMPRAM COM OS REQUISITOS QUE NÃO POSSIBILITEM UM CONSUMO EXAGERADO DESSE TIPO DE BEBIDAS NOS EVENTOS QUE REALIZA.

5. Consideram que a Industria do álcool, durante as Festas dos Santos Populares, adopta uma postura responsável em relação à publicidade e ao marketing?

EGEAC: VOLTO A FRISAR QUE NÃO COMPETE À EGEAC AVALIAR E/OU PRONUNCIAR-SE SOBRE ESSA SITUAÇÃO. TEMOS NO ENTANTO PROCURADO TRABALHAR COM OS NOSSOS PARCEIROS DIRECTOS PARA QUE A IMAGEM E O MARKETING UTILIZADO RELAIZE MAIS UMA ASSOCIAÇÃO DE MARCAS À MARCA LISBOA E FESTAS DE LISBOA DO QUE AO PRODUTO PROPRIAMENTE DITO, PROCURANDO DESTA FORMA DESENVOLVER UMA ACÇÃO PEDAGÓGICA. RELEMBRO NO ENATNTO QUE NO PERÍODO DOS SANTOS POPULARES EXISTEM OUTRAS ENTIDADES E MARCAS QUE NÃO POSSUEM ESSA PREOCUPAÇÃO.

6. Na opinião da EGAEC, qual o efeito do slogan pratico "Seja responsável beba com moderação" durante as Festas dos Santos Populares?

EGEAC: SÓ NOS PODEMOS PRONUNCIAR RELATIVAMENTE ÀS INICIATIVAS DIRECTAMENTE REALIZADAS PELA EGEAC. CONSIDERAMOS QUE A RESPECTIVA MENSAGEM TEM TIDO OS SEUS RESULTADOS QUANDO BEM VEICULADA.

Como sabem o Álcool é uma substância psicoactiva depressora do sistema nervoso central (droga lícita). O Alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal, isto é revelador na medida, em que, somos uma "cultura que bebe".

7. Quais a medidas especificas tomadas pela EGAEC, durante as Festas dos Santos Populares, de forma a monitorizar e a prevenir o Fenómeno Binge Drinking entre os jovens (Abuso de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação - embriaguez. Por ex. entre os homens, o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante dias seguidos e afecta negativamente os comportamentos dos jovens. Algumas consequências previsíveis após o Binge-Drinking por ex. acidentes, condução
sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência e abuso - ex. bullying, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, intoxicação alcoólica e morte), e o consumo por jovens menores de idade (legal) que é de 16 anos?

EGEAC: VOLTAMOS A REFORÇAR A MENSAGEM: UMA COISA É O PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA DO QUAL A EGEAC É RESPONSÁVEL E ONDE A SITUAÇÃO QUE REPORTA NA SUA QUESTÃO NÃO SE COLOCA, OUTRA COISA TOTALMENTE DISTINTA SÃO AS FESTAS DOS SANTOS POPULARES QUE SÃO DA RESPONSABILIDADE DE VÁRIAS ENTIDADES E PRIVADOS E SOBRE O QUAL A EGEAC NÃO TEM CONHECIMENTO SOBRE OS PROCEDIMENTOS ADOPTADOS. JULGAMOS QUE A SITUAÇÃO APONTADA NA VOSSA QUESTÃO NÃO SÓ SE REPORTA AO PERÍODO DOS SANTOS POPULARES

8. Quais as medidas especificas tomadas, pela Organização das Festas dos Santos Populares, de forma a monitorizar e a prevenir o abuso das bebidas alcoólicas, não só entre os jovens mas também entre os adultos?

EGEAC: VOLTO A INFORMAR QUE A EGEAC APENAS INTERVÉM NAS ACÇÕES DO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA SOBRE SUA RESPONSABILIDADE, PELO QUE PROCURAMOS SEMPRE JUNTO DOS NOSSOS PARCEIROS QUE AS ACÇÕES A REALIZAR NÃO PRODUZAM GRANDE CONSUMO DE ÁLCOOL JUNTO DOS VÁRIOS PÚBLICOS PARTICIPANTES.

O Álcool (substância psicoactiva geradora de dependência) e o alcoolismo· (doença) assumem uma dimensão preocupante visto as consequências representarem um elevado preço, quer seja para o próprio Estado, para as famílias, incluindo as crianças, para a comunidade e para a sociedade em 
geral.
As gerações futuras necessitam de orientação e apoio nos momentos mais críticos das suas vidas, por ex. a adolescência. Uma única vitima do abuso do álcool e ou do alcoolismo é demasiado.
Mais uma vez os meus sinceros agradecimentos pelo V. apoio.
Estou disponível para qualquer esclarecimento adicional
Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues

Nota: Após as respostas inconclusivas ao referido questionário voltei a reencaminhar outro email com novas questões.

Boa tarde,

desde já os meus agradecimentos pela prontidão da resposta ao email/questionário.
Depois de ler, atenciosamente, as suas respostas surgem outras questões às quais continuam sem resposta.
Nesse sentido, se me permite, gostaria de colocar as seguintes questões.

Segundo o vosso site as Festas dos Santos Populares fazem parte de um conjunto de iniciativas das Festas de Lisboa,  "sendo a EGAEC uma empresa municipal responsável pela programação das mais variadas iniciativas· (Equipamentos e Eventos), onde se incluem as Festas dos Santos Populares.” E ainda "Contudo só em 1934 a Câmara Municipal de Lisboa chamou a si a organização dos tradicionais festejos inspirados nos Santos Populares." Desde 1934 até 2011 a Câmara Municipal de Lisboa organiza os tradicionais festejos.

EGEAC: COMO MENCIONEI A CML/EGEAC SÃO AS ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA ORGANIZAÇÃO DO PROGRAMA DAS FESTAS DE LISBOA QUE INCLUI AS PRINICIPAIS INICIATIVAS CELEBRATIVAS DOS SANTOS POPULARES, NOMEADAMENTE DO SANTO ANTÓNIO.
NO ENTANTO NÃO É DA SUA RESPONSABILIDADE A TOTALIDADE DAS MUITAS INICIATIVAS
QUE TÊM LUGAR NA CIDADE NESTE PERÍODO
.

Tendo em conta a sua resposta, ao primeiro questionário, não faz qualquer referência específica ao "...conjunto muito significativo de entidades e privados desenvolvem as suas iniciativas".Quem são e o que fazem, de acordo com o teor do questionário? Quem são as entidades responsáveis públicas ou privadas pela monitorização da publicidade e o marketing agressivo assim como a venda das bebidas alcoólicas?

EGEAC: COMO CERTAMENTE SABERÁ ESSAS ENTIDADES SÃO DESDE AS VÁRIAS ASSOCIAÇÕES, COLECTIVIDADES, ESCOLAS, AGRUPAMENTOS DE ESCUTEIROS, ENTRE OUTROS QUE TAMBÉM ELAS REALIZAM NESTE PERÍODO VÁRIAS INICIATIVAS E NEGOCEIAM COM EMPRESAS DE BEBIDAS A SUA PRESENÇA NO ESPAÇO PÚBLICO E RESPECTIVA VENDA DE BEBIDAS.

Quem são as entidades publicas ou privadas responsáveis, durante as festas dos Santos Populares, pelas medidas implementadas no local de forma a monitorizar e prevenir a publicidade e o marketing agressivo pela industria do álcool? Recordo a sua resposta; 1,5 milhões de espectadores. É um número apetecível e extremamente atraente para a Industria do álcool e dos seus parceiros, refiro-me à publicidade, ao marketing agressivo e à venda.

EGEAC: VOLTO A FRISAR QUE ESSE NÚMERO QUE APONTEI DIZ RESPEITO AOS ESPECTADORES QUE ESTÃO PRESENTES NAS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA EGEAC E/OU ASSISTEM ÀS MESMAS VIA OPERADOR TELEVISIVO PARCEIRO DA EGEAC.
QUANTO ÀS ENTIDADES PRIVADAS JÁ AS MENCIONEI AS MESMAS QUE SÃO CERTAMENTE
TAMBÉM DO SEU CONHECIMENTO.

Qual a entidade publica ou privada competente capaz de responder à questão
da pergunta nº 5?

EGEAC: NÃO SEREI EU A DIZER-LHE. NÃO ME CABE A MIM MENCIONAR, ATÉ PORQUE CERTAMENTE NÃO É DO MEU CONHECIMENTO.

Qual a entidade publica ou privada competente para responder à questão nº6?

EGEAC: IDEM, IBIDEM.

Sendo a EGEAC, a entidade organizadora das Festas de Lisboa, da qual as Festas dos Santos Populares fazem parte mas, não sendo a única, visto existirem um conjunto significativo de entidades,   qual delas (entidade envolvidas na organização) competente e capaz de responder à pergunta nº 7?

EGEAC: AS PERGUNTAS QUE INSISTE EM COLOCAR-ME NÃO PODEREI RESPONDER, POR NÃO SER A PESSOA ADEQUADA E OU POR DESCONHECIMENTO. REFORÇO UMA VEZ MAIS A IDEIA DE QUE NAS INICIATIVAS DA NOSSA RESPONSABILIDADE A EGEAC TEM PROCURADO JUNTO DOS SEUS PARCEIROS QUE SE REALIZE UM CONTROLO QUER EM TERMOS DE PUBLICITAÇÃO DE MARCAS ALCOÓLICAS, PROCURANDO SUBSTITUIR AS MESMAS POR MARCAS NÃO
ALCOÓLICAS QUER MEDIANTE CONTROLO NA VENDA DAS MESMAS JUNTO PÚBLICO PARA SE EVITAREM EXCESSOS.

Quais os parceiros, que refere, competentes para responder à pergunta nº8?
EGEAC: IDEM, IBIDEM - SENSIBILIZANDO JOVENS E ADULTOS NO ACTO DA COMPRA, PUBLICITANDO MAIS AS BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E/OU SEM ALCÓOL .

Mais uma vez gostaria de destacar o carácter social e preocupante que o alcoolismo, o abuso do álcool, o binge drinking, o consumo de bebidas alcoólicas por jovens menores de idade assumem nos dias de hoje, com a agravante de o referido fenómeno assumir dimensões preocupantes.

EGEAC: ESTAMOS TOTALMENTE CIENTES DESSE PROBLEMA PELO QUE AS NOSSAS INICIATIVAS PROCURAM SEMPRE NÃO INCENTIVAR AO CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NEM OUTRAS SUBSTÂNCIAS TAMBÉM PREJUDICIAIS À SAÚDE.

Mais uma vez agradeço a sua disponibilidade

Atenciosamente, EGEAC
«»
Nota: Voltei a reenviar o ultimo email:
Boa tarde,

Agradeço a sua disponibilidade em responder, pela segunda vez, às questões do referido questionário.

Pelo que percebo das suas respostas o assunto específico a que o questionário se refere Publicidade, e Marketing Agressivo sobre a venda de bebidas alcoólicas  aparenta não existir, na V. organização, dos Santos Populares,   uma entidade responsável e competente que monitorize este fenómeno que assume proporções alarmantes (a Publicidade e as técnicas
agressivas de marketing da Industria do álcool).

Lamento que assim seja, porque, como bem sabe, o abuso do álcool e o alcoolismo é um problema de saúde pública e o álcool é uma substancia psicoactiva depressora do sistema nervoso central. Como é possível determinadas praticas sejam permitidas, assim a como negação das consequências negativas refiro me por ex. ao binge drinking (abusar do alcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez) e ao consumo e abuso de bebidas alcoólicas por jovens menores de idade. O lucro não pode estar acima dos direitos das crianças e dos jovens.

Como deve saber, existem estudos nos Estados Unidos da América e no Reino Unido que estabelecem uma ligação entre a publicidade e o abuso de bebidas alcoólicas entre os jovens (novos consumidores e fidelização às marcas para o resto das suas vidas). Desde o final dos anos 90 existem medidas que monitorizam este tipo de práticas abusivas. Caso esteja interessado, posso reencaminhar alguns desses estudos.

Desde 1993 que trabalho na Prevenção e no Tratamento e posso assegurar-lhe o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo surge cada vez mais cedo (precoce) na vida dos indivíduos que estão vulneráveis a este fenómeno.

Existem jovens adultos com idades entre os 25 e os 30 anos com sérios problemas de alcoolismo. Provavelmente, começaram a beber aos 15 ou 16 anos. Há 20 anos atrás o alcoolismo surgia aos 45 e/ou 50 anos.

Mais uma vez os meus sinceros agradecimentos ao ter, prontamente, respondido
aos emails.

Atenciosamente
João Alexandre Rodrigues
«»
Nota: Ultima resposta da EGEAC

Exmo. Senhor,
Gostaria que não interpretasse de forma incorrecta o que informei. A EGEAC é uma empresa municipal que tem por missão a organização e desenvolvimento de um conjunto de actividades culturais e gestão de equipamentos culturais que possam servir a Cidade e quem nela habita e/ou 
visita.
Como várias vezes informei nas respostas que lhe forneci a EGEAC está totalmente ciente do flagelo do consumo de bebidas alcoólicas em grau de excesso e como tal tem sempre trabalhado com os seus parceiros por forma a evitar que tal se realize nas iniciativas que são da responsabilidade directa desta empresa.
Mais informo que nas respectivas iniciativas que organizamos não se têm registado acontecimentos ocorridos relativamente ao excesso de álcool.
Mantemos no entanto a monitorização e o trabalho conjunto com os parceiros para se evitarem passar mensagens que indiciem o consumo desse tipo de bebidas.
Como várias vezes informei Festas dos Santos Populares é uma coisa, Festas de Lisboa outra. Gostaria pois que não fossem interpretadas de forma incorrecta as palavras
que escrevi.

Gostaria igualmente que ficasse uma vez mais reiterado que da nossa parte existe total preocupação relativamente a esse assunto que pelos vistos tem trabalho, e com todo o sentido de responsabilidade, ao longo dos anos. 
Infelizmente esse fenómeno que nos projecta é um grave problema do dia a dia e não só no período dos Santos Populares.

Certos da sua compreensão e desejando um bom trabalho, gostaria por último de informar que a EGEAC irá manter-se alerta e tudo fazer para que não se alastre essa situação
Cumprimentos,  EGEAC



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Questionário: Jovens Adultos e a Relação com o álcool (Queima das Fitas 2011)



"Assunto: Questionário sobre Jovens Adultos e a Relação com o Álcool
Exmos. Srs. da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAV) e organização da Semana Académica,

Sou um profissional que trabalha na área das dependências - comportamentos adictivos (álcool e drogas). Neste momento, estou a fazer um trabalho sobre os adolescentes (jovens adultos) e a relação com o álcool e gostaria de saber se podem responder a este pequeno questionário relacionado com a Festa Académica.
Lamento ocupar o V. tempo, mas como sabem esta temática é demasiada importante e afecta milhares de lares (famílias, incluindo as crianças) em Portugal.

Aguardo uma resposta tão breve quanto possível.

Atenciosamente,
João Alexandre Rodrigues
Addiction Counselor"

A seguir apresento as respostas enviadas pela Associação Académica Universidade de Aveiro (AAUAV).

Questionário:
1. Qual o numero de aproximado de pessoas que participaram na Festa Académica? Por ex. nos eventos musicais?
AAUAV: O número de participantes no total ronda os 35.000, cerca de 4.000 por dia.

2. Consideram que os participantes na Semana Académica são maioritariamente jovens? Se sim, qual a faixa etária?
AAUAV: São maioritariamente jovens na faixa etária entre os 18 e os 25 anos.
«»
Tendo em consideração que o álcool é uma droga e que o alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal, existe uma "cultura que bebe".

3. Consideram que a Organização da Semana Académica, em conjunto com a Industria do Álcool através de técnicas de marketing agressivo, permitem estimular o abuso de bebidas alcoólicas entre os jovens, visando unicamente o lucro, durante a Semana Académica?
AAUAV: Não. O álcool é encarado não só pelos participantes nas festas académicas como um pouco pela sociedade em geral como um apoio à diversão. O marketing de guerrilha não afecta unicamente as semanas académicas pois verifica-se que o consumo do álcool aumenta nos jovens é cada vez mais cedo. Na semana académica de Aveiro não existe excepções neste caso, ou seja, o álcool também é encarado como um facilitador. No entanto, a actividade da Associação Académica, em conjunto com os seus parceiros, pauta-se não pela proibição, dado o meio em que a festa se realiza, mas antes pela sensibilização e prevenção de comportamentos de risco.

4. Na opinião da organização qual o efeito pratico e efectivo do slogan "Seja responsável, beba com moderação" durante a Semana Académica?
AAUAV:  Este slogan tem um maior efeito prático noutras ocasiões mas nas semanas académicas permite reduzir alguns consumos.

5. Qual o numero de pessoas admitidas nos serviços de saúde por problemas relacionados com o abuso de álcool?
AAUAV:  O número de pessoas não é um dado relevante principalmente por ser reduzido.
«»
Fenómeno Binge Drinking - Abuso no consumo de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez). Por ex. entre os homens o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante dias seguidos e afecta negativamente os comportamentos dos jovens (algumas consequências previsíveis após o Binge-Drinking: acidentes, condução sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência e abuso, doenças sexualmente transmissíveis, intoxicação alcoólica e morte

6. A organização considera que o fenómeno do Binge-Drinking está presente durante a Semana Académica?
AAUAV: Pode considerar-se que é uma técnica usada em pequenos grupos.

7. Consideram que o Binge- Drinking assume contornos e consequências preocupantes entre os jovens, em Portugal?
AAUAV: Esta é uma técnica que poderá ter tendência a aumentar principalmente pelo uso do "shot". Os jovens são mais vulneráveis a esta situação pelo que neles os contornos são mais preocupantes, principalmente pelo conceito do álcool facilitador da introdução social.

8. Quais a medidas tomadas pela Organização da Semana Académica de forma a monitorizar e a prevenir o Binge-Drinking e comportamentos de riscos, assim como o abuso e as consequências negativas associadas ao consumo excessivo de álcool e/ou drogas licitas e/ou licitas?
AAUAV: Como referi anteriormente estamos perante uma faixa etária muito específica pelo que o nosso papel não deve incidir em proibições (excepto as que são realmente proibidas), mas antes adoptar uma postura de prevenção e sensibilização.   O papel da Associação Académica também é formar pelo que damos a conhecer os vários caminhos apelando para aqueles que consideramos correctos. Depois disso a escolha cabe a cada um. Poderá não ser o trabalho mais eficaz mas tem dado os seus frutos.
Agradecido pelo contacto e disponível para outras colaborações.
Atentamente

AAUAV"

Após esta resposta ao questionário constatei ser necessário reenviar novo email de forma a elucidar uma questão importante e central neste contexto sobre o Binge Drinking.

"Boa noite,
desde já os meus agradecimentos pela sua resposta e participação no questionário.

Permita-me só uma pequena questão.

Não referiu as medidas preventivas (concretas) assumidas pela organização quanto ao Binge Drinking e ao abuso do álcool durante as festas. De salientar o número elevado de participantes, como refere "O papel da Associação Académica também é formar pelo que damos a conhecer os vários caminhos apelando para aqueles que consideramos correctos."

O Binge Drinking não é uma técnica mas um fenómeno social entre os jovens, emergente e preocupante, que está a ser estudado, desde o final dos anos 90 nos EUA e em Inglaterra, infelizmente, em Portugal ainda é desconhecido e negado do público em geral.

Estou ao V. dispor para qualquer esclarecimento adicional."

Comentário: Enviei questionários para as mais variadas associações académicas de norte a sul do país, mas infelizmente só obtive resposta da Associação Académica de Aveiro que desde já felicito pela sua participação no questionário da Prevenção das Dependências.
A resposta ao questionário revela a falta de informação sobre o fenómeno Binge Drinking (abusar de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação, embriaguez, e que pode prolongar-se por vários dias) e a inexistência de medidas preventivas.

O abuso do álcool ainda é associado, erradamente, ao lazer entre os jovens e não só. Creio que esta constatação se deve, a uma “cultura que bebe” e também aos esforços da Industria do álcool, através das suas técnicas de marketing agressivo, e à negação e estigma na nossa sociedade. Esta infeliz, mas esperada, constatação justifica este projecto - Prevenção das Dependências. Comente este post.




terça-feira, 6 de outubro de 2009

Frases soltas e com significado


Frases soltas e com significado na Prevenção das Dependências (Adicção)
Estas frases fazem parte da linguagem que define a nossa missão - uma cultura diferente e activa na Prevenção.
2008

Fev. – Ser um exemplo/modelo para os filhos não significa ser perfeito.


Mar. – Família: Organização e gestão de talentos.


Abr. – Prevenção: Desafio, Evolução e Aprendizagem constante.

Mai. – Prevenir é procurar a verdade (factos) sobre o consumo de álcool e outras drogas.

Jun. – Linguagem dos sentimentos: Desafio na prevenção entre adultos e crianças.

Jul. – Ser pai/mãe é diferente de ser amigo/a.


Ago. – Verão/Férias. Oportunidade para descobrir e aprender sobre o estado de “saúde” da família.


Set. – Alteração da lei que permite a publicidade, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas aos jovens.


2009
Jan. – Em tempo de crise é altura de encontrar soluções realistas – S.O.S.

Mar. – Somos únicos e autênticos – essa inusitada característica humana.

Mai. – Instituições, Pessoas e recursos geram competências e talentos.

Jul. – A negação não é seguramente uma atitude proactiva.


Na sua opinião, qual destas frases melhor enquadra o conceito de Prevenção das Dependências? Vote na sua preferência e envie um email para xx.joao@gmail.com
Se desejar pode participar com frases suas que podem ser utilizadas no futuro, aproveite

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Nossa Sanidade - os numeros falam por si


"O Plano Nacional de Redução dos Problemas Ligados ao Álcool 2009 – 2012 pretende, antes de mais, operacionalizar a maioria das intenções explicitadas no Plano de Acção contra o Alcoolismo, e o seu objectivo primordial consiste em reduzir de forma significativa o consumo nocivo de álcool entre a população e diminuir os seus efeitos perniciosos em termos sociais e de saúde. Pretende proporcionar também um enquadramento que permita adoptar uma estratégia equilibrada através de diversas acções específicas, que vão ao encontro do preconizado pela Comissão Europeia."
- Resolução do Conselho de Ministros nº 166/2000 de 29 de Novembro.

Princípios e conceitos:

A Lei n.º 48/90 de 24 de Agosto de 1990, da República Portuguesa, a Lei de Bases da Saúde, consagra como princípios gerais, no seu Capítulo 1, os princípios básicos dos quais decorrem todos os outros que este Plano incorpora e que são:

1. A protecção da saúde constitui um direito dos indivíduos e da comunidade que se efectiva pela responsabilidade conjunta dos cidadãos, da sociedade e do Estado, em liberdade de procura e de prestação de cuidados, nos termos da Constituição e da Lei.

2. O Estado promove e garante o acesso de todos os cidadãos aos cuidados de saúde nos limites dos recursos humanos, técnicos e financeiros disponíveis.

3. A promoção e a defesa da saúde pública são efectuadas através da actividade do Estado e de outras entidades públicas, podendo as organizações da sociedade civil ser associadas àquela actividade.

As crianças, as Leis e o Alcool
A Convenção dos Direitos das Crianças
(Assembleia Geral das Nações Unidas em 20/11/1989) reconhece “o direito das crianças a usufruir dos níveis de Saúde mais elevados”.

Por sua vez, a Organização Mundial de Saúde (OMS):
Postula na sua Constituição que “um dos direitos fundamentais de qualquer ser humano é usufruir dos níveis de saúde mais elevados, sem distinção de raça, reli-gião, crenças políticas ou condições socioeconómicas”.

Estabelece na Carta Europeia de 1995 sobre o álcool que “todas as pessoas têm direito a uma família, comunidade e ambiente laboral protegidos dos acidentes, da violência e de outras consequências negativas do consumo de álcool”.

Refere na Declaração de Estocolmo de 2001, sobre Jovens e Álcool, que as políticas de Saúde sobre álcool “devem ser formuladas com base no interesse da saúde pública sem a interferência de interesses comerciais”.

Na Carta Europeia sobre o Álcool, a OMS estabelece ainda que:
- Todas as pessoas têm direito a uma informação e educação imparciais, iniciadas tão cedo quanto possível, sobre as consequências do consumo do álcool na saúde, na família e na sociedade.

- Todas as crianças e adolescentes têm o direito a crescer num ambiente protegido das consequências negativas do consumo de álcool.

- Todas as pessoas que não consomem álcool por escolha pessoal ou por razões de saúde têm o direito de ser protegidas de pressão para beber, de publicidade agressiva e devem ser apoiadas activamente na sua decisão.

A nível Nacional
Em 2003, segundo dados do World Drink Trends (2005) Portugal ocupava o 8º lugar do consumo mundial, com um consumo estimado de cerca de 9,6 litros de etanol per capita, o que corresponde ao consumo acumulado de 58,7 litros de cerveja, 42 litros de vinho e cerca de 3,3 litros de bebidas destiladas.

Em relação ao consumo de cerveja, os dados mostram que Portugal ocupava o 23.º lugar com um consumo de 58,7 litros per capita, traduzindo-se num aumento significativo no que respeita às últimas décadas. O consumo de bebidas destiladas situava-se nos 3,3 litros per capita, ocupando o nosso país o 32º lugar e registando-se um aumento relativamente aos anos transactos.

Os estudos epidemiológicos realizados até ao momento apresentam o consumo de álcool na população portuguesa como um importante problema de saúde pública.

A proporção da população que iniciou o consumo de bebidas alcoólicas entre os 15 e os 17 anos representava em 2001 cerca de 30%, tendo este valor aumentado para os 40% em 2007 (Balsa et al., 2008).

Neste inquérito de 2007, 15,4 % dos jovens dos 20 - 24 anos e 11,2% dos jovens dos 15 -19 anos diz ter-se embriagado no último mês e 0,2% dos 20-24 anos e 0,5% dos jovens dos 15-19 anos fê-lo 10 vezes ou mais (Balsa et al., 2008).

Se nos reportarmos ao último ano, 38,5% dos jovens dos 20-24 anos e 34,6 % dos jovens dos 15-19 anos embriagou-se no último ano e 2,8% dos jovens dos 20-24 anos e 1,2% dos jovens dos 15-19 anos fê-lo 10 ou mais vezes (Balsa et al., 2008).

Em Portugal o consumo tipo binge (Consumo esporádico excessivo ou binge drinking é o consumo que excede 5 a 6 bebidas no homem e 4 a 5 bebidas na mulher, numa só ocasião e num espaço de tempo limitado, estando o individuo associado a uma maior probabilidade de sofrer consequências adversas) ocorre em todas as idades, mas a sua frequência diminui nos grupos etários mais velhos. Em 48,3% dos jovens dos 15 - 24 anos registou-se um consumo de 4 a 6 ou mais bebidas numa só ocasião pelo menos uma vez, no último ano (Balsa et al., 2008).

Quanto à percepção dos jovens sobre esta matéria, 19,7% dos jovens atribui pouco ou nenhum risco ao consumo de 5 ou mais bebidas alcoólicas num fim-de-semana (Balsa et al., 2008).

Relativamente ao tipo de bebidas, constata-se que a cerveja voltou a ser a bebida com maior prevalência de consumo entre os alunos de ambos os grupos de escolaridade.

Apesar das evidências e das consequências negativas, segundo um artigo do Diário de Noticias, de 26 de Junho de 2009, o Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool 2009 - 2012 ainda está à espera de ser aprovado pelo Governo.