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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Não somos perfeitos


 Todos nós temos uma história dolorosa para contar. Todos nós temos problemas e a dada altura da vida precisamsos de ajuda; os problemas não acontecem só aos outros.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Pensamento positivo


 Existem pessoas que fazem girar o mundo pela positiva.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Florescer significa ir mais além do que somente sobreviver




Se queremos florescer, precisamos de amor como de oxigénio para respirar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Como é que o processo da dependência se desenvolve no adolescente? Por Philip Ward e Patricia Cobertt



«O abuso de drogas , por parte dos adolescentes, precisa de ser compreendido no contexto do próprio desenvolvimento dos jovens. A compreensão do abuso de drogas, pelos adolescentes exige uma abordagem multidimensional; biológica, psicológica, social e espiritual.
De acordo com abordagem multidimensional,  o desenvolvimento da adolescência consiste num período de vida repleto de mudanças dramáticas e transições. A diferença entre adultos e os adolescentes, é que os jovens, durante este período de tempo encontram-se num processo de transições, estando assim, mais expostos aos riscos, perigos do abuso das drogas e consequências negativas, a longo prazo.

A adolescência é um período de transição e caos de acordo com a seguinte lista de comportamentos observados nos jovens:
  • Os adolescentes estão num processo de mudança: da dependência para a independência.
  • Exploram a sua identidade e o autoconceito.
  • As suas experiências intrapessoais (sentimentos, desejos, valores, necessidades) refletem-se nos seus relacionamentos interpessoais.
  • É considerado normal, afastarem-se dos pais e procurar a companhia dos pares.
  • O processo biológico envolve o afastamento dos pais.
  • O objetivo deste processo biológico é a autonomia e a vida adulta.

Porque é que os “bons rapazes” envolvem-se em “comportamentos errados”? Existem pelo menos duas respostas. 1) A resposta é simples, na maioria dos casos, os “comportamentos errados” não produzem sensações negativas. 2) A resposta representa um significado diferente para o adolescente: Qual é o risco de consumires drogas? Para os pais, tudo aquilo que represente um potencial risco ou perigo para os seus filhos, está incluído na lista das coisas “más” e “erradas”. Para os adolescentes, em pleno processo de transição, que procuram integrar-se, explorar a sexualidade, experimentar identidades, curiosidade em estilos diferentes de vida e procurar o afastamento dos pais, os “comportamentos errados”, segundo os pais,  são considerados uma ajuda que pode facilitar o processo de mudança caótico e dramático. Tal como acontece na sociedade, certas normas e regras determinam o comportamento permitido e lícito versus o comportamento errado e ilícito.

Processo da dependência – a introdução à “pedrada”; o individuo estar sob o efeito das substâncias psicoativas.
Os objetivos de um adolescente com baixa autoestima, a que vamos chamar Pedro (nome fictício), deslocar-se a uma discoteca são; parecer “cool” e divertir-se com os seus amigos. Considerando este cenário, como ponto de partida, a dada altura na discoteca, um dos amigos do Pedro, acende um charro, dá umas passas e depois passa ao Pedro que faz o mesmo e passa a outro. Após a primeira experiência ao dar umas passas num charro, o Pedro sente-se diferente e desinibido. Fumar canábis pode atenuar ou neutralizar a ansiedade. Sob o efeito da substância o jovem sente-se desinibido e ligado (identificado) aos seus pares. Tal como já foi referido anteriormente, identificar-se com os seus amigos é um dos fatores críticos do desenvolvimento da adolescência, assim sendo, se os amigos do Pedro consomem drogas o efeito da identificação (pertença ao grupo) é reforçado. O Pedro, pensa, “Afinal fumar canábis não é assim tão perigoso, como os meus pais afirmam…”. Esta reflexão do Pedro poderá ser o fio condutor que o conduza às próximas experiências com drogas, surte um efeito semelhante, durante os primeiros dias de um envolvimento romântico apaixonado. No fim de semana seguinte, o Pedro vai a outra festa, mas ninguém o convida para consumir canábis, o jovem identifica um tipo diferente de sensações, enquanto na festa anterior não sente ansiedade, nesta festa, fica com uma sensação desconfortável e com a sensação de que toda a gente presente na festa, está ciente das suas inseguranças e defeitos (centro das atenções). Esta constatação é acrescida pelo seguinte raciocínio, pelo Pedro: “Se eu fumar canábis, sinto-me seguro e na boa, mas se não fumar, sinto-me desconfortável…”
Nesta fase do processo, em contextos sociais, pode ter havido uma mudança significativa na perceção do Pedro; a procura do efeito desinibidor da canábis. Tudo isto não acontece de um dia para o outro, é um processo e não se resume a somente a um único evento. Tal como acontece com o tabaco, o objetivo dos jovens quando começam a fumar não é desenvolver um enfisema pulmonar ou cancro. Ficar pedrado, não se resume a um processo cognitivo, é um experiencia que envolve todo o ser que prevê todo um conjunto de benefícios, tais como, ter amigos diferentes, desenvolver um tipo de linguagem secreta/código, novas sensações, novos conhecimentos e o consumo de canábis pode revelar-se mais recompensador para o desenvolvimento do jovem adolescente. Agora, o Pedro pertence a uma cultura com mentalidades diferentes e aparentemente foi aceite no seio dos seus pares.

Conhecer o efeito da canábis – “A pedrada”
Nesta fase do processo, o Pedro passa uma parte considerável do tempo a refletir nestas experiências, sensações e efeitos. Está a tentar compreender e a adquirir conhecimento do significado de “estar pedrado”, o que na prática, pode consistir em; como é que pode adquirir o produto, consumir, gerir o efeito da “pedrada” e esconder o consumo de drogas. Todas estas atividades envolvem um tipo de doutrina subjacente a este tipo de cultura. Na perspetiva do desenvolvimento do adolescente, podemos equacionar e comparar esta subcultura à autonomia dos pais, uma nova identidade e a pertença a um grupo de pares. Para quem não percebe nada do assunto, todas estas atividades, exigem energia, compromisso, esforço e segredos. Os adolescentes, não estão neurofisiologicamente preparados para identificar e reconhecer os efeitos negativos do consumo de drogas, principalmente a longo prazo. Consequentemente, todos os adolescentes, envolvidos neste tipo de subcultura, desconhecem os riscos e os perigos. Tal como o Pedro, os amigos que consomem drogas, não estão informados sobre a acumulação sinérgica (efeitos a longo prazo) dos e efeitos negativos do consumo de drogas. Com o tempo, o consumo frequente aumenta o potencial perigo, enquanto por outro lado, a compreensão do adolescente sobre o fenómeno diminui. Enquanto mecanismo de defesa (pensamento distorcido) a compreensão e a perceção do problema diminuem, enquanto o perigo sobre o abuso aumenta, sem a existência da perceção necessária para tomar medidas saudáveis por parte do adolescente. O processo da dependência ocorre a níveis inconscientes e encobertos.
A próxima fase do processo ocorre quando o jovem sente as primeiras consequências negativas do consumo de drogas. Ao contrario do que acontece no período de experimentação de drogas, as consequências negativas ocorrem quando existe uma mudança de atitudes e comportamentos, que o colocam “oficialmente” no clube dos dependentes em risco. Nesta fase, quando o jovem é confrontado com as consequências negativas, tem somente duas hipóteses; 1) desviar-se deste caminho ou 2) continuar o consumo, até ao abuso e a dependência. A opção número dois é percecionada, erradamente, pelo adolescente, como uma forma de neutralizar e negar as consequências negativas.

É admitido o consumo de drogas
Nesta fase, as pessoas, incluindo os familiares e colegas que não estão envolvidos no consumo de drogas, começam a identificar alguns sinais ou sintomas relacionados com o consumo de drogas. Nesta altura do processo, o Pedro está a afastar-se da “vida normal” e a desenvolver uma dependência. Na maioria dos casos, este afastamento do adolescente, é enganador e gera alguma confusão entre os pais ou professores porque do ponto de vista do desenvolvimento, pode ser confundido com a autonomia dos pais e com o relacionar-se com os seus pares – “coisas da adolescência”.
Normalmente, é permitido aos adolescentes, uma maior autonomia e liberdade quando desenvolvem a sua independência, nestes casos de risco/abuso de drogas, revela-se confuso e difícil distinguir entre o “normal” desenvolvimento (cansaço, irritação, mau humor, segredos) e o comportamento adictivo (dependência de drogas).
Os adolescentes, durante o período do desenvolvimento, são constantemente bombardeados com mensagens contraditórias, próprias da cultura, por exemplo, em relação ao álcool. Os próprios adolescentes, encaram o consumo e abuso de bebidas alcoólicas, por parte dos adultos, como algo legitimo e fazendo parte do ritual de passagem para a idade adulta.

O reconhecimento da dependência é um processo, não um único evento
Na maioria dos casos, para os pais identificar o filho/a como um dependente de drogas é um processo que ocorre durante algum tempo. Muitas vezes, este processo de identificação do filho com o abuso ou dependência de drogas é dificultado, por exemplo, devido à falta de informação sobre os sinais e sintomas do abuso e dependência de drogas, sentimentos de culpa e responsabilidade. Por parte dos pais, admitir que o filho/a é dependente de drogas pode desencadear sentimentos de medo, raiva e confusão e este processo de admissão da dependência inicia-se quando as consequências do abuso de drogas se revelam demasiado evidentes, de tal forma que é impossível ser negado.
Considere o seguinte exemplo. Finalmente, depois de tanto tempo, o progenitor assumiu a consciência do problema, permitiu que o filho tivesse abusado de drogas, assim como, passar pelas consequências negativas. O oposto a esta situação, nesta altura, um bom exemplo de parentalidade é decidir, a qualquer custo salvar o filho. A maioria dos pais, não possuem as competências necessárias a fim de abordarem a dependência de drogas e recorrem a instituições de tratamento, que na maioria dos casos não possuem as competências necessárias para abordar a dependência na adolescência.

Focar no processo em vez de no conteúdo
O objetivo consiste na mudança de dinâmica por parte dos pais do jovem. Os detalhes não são importantes para o reconhecimento do problema. É mais eficaz focar-se nas preocupações em vez de dissecar o problema; quem, o quê, quando, onde e porquê. Na fase do reconhecimento do problema, os pais exageram nos detalhes.  Exagerar nos detalhes poderá revelar-se enganador quanto à identificação e reconhecimento da realidade (processo) da dependência de drogas.

A dependência na adolescência no próprio contexto/sistema familiar
Muitas vezes, inconscientemente, para o adolescente, sente que é o causador dos problemas no contexto familiar. No seio do contexto familiar, os seus comportamentos disfuncionais são encobertos, mas são apresentados ao exterior como a causa da disfunção familiar. A dependência de drogas é capaz de gerar ansiedade generalizada, no contexto familiar, responsável por produzir conflitos nas relações interpessoais entre familiares. Se o adolescente está doente, a própria família também irá manifestar os sintomas da doença. Tipicamente, o conflito familiar é um sintoma de que cada membro da família está a sofrer as consequências negativas; isto é, cada membro da família irá contribuir para o problema familiar. Segundo esta desarticulação, vulgo co dependência, é a consequência da família tentar controlar o problema, em vez de cada um lidar com os seus próprios sentimentos. É fundamental que os progenitores separem os seus próprios sentimentos, crenças e ideias das do adolescente. De acordo com a minha experiência, aquilo que um progenitor precisa de fazer, nestas situações caóticas afim de ajudar o adolescente, é em primeiro lugar procurar ajuda para si próprio. 
Aquelas pessoas que se sentem descontroladas, para o exterior, aparentam estar controladas.»

Comentário: Nos casos que acompanho, os pais apresentam dois tipos de reações, perante o conhecimento dos consumos de canábis dos seus filhos. 1) Pavor e impotência ou 2) benévolos e compreensivos. Como existem muitas “teorias” e mitos sobre o consumo de canábis, cada um tem a sua, os pais reagem de várias maneiras. Todavia, uma coisa é referirmo-nos ao consumo de canábis ocasional, num contexto social e divertimento, outra coisa é o consumo excessivo (abuso) ou dependência no contexto familiar e social. Felizmente, a maioria dos jovens que consome canábis não abusa ou fica dependente, escolhe outro caminho, outro rumo diferente, mas existe um grupo de adolescentes, mais vulneráveis, que abusa e fica dependente, cujas consequências negativas manifestam-se no seu desenvolvimento; competências individuais e sociais. Como o processo da adolescência é complexo, revela-se uma tarefa difícil, identificar ou diagnosticar os sintomas do abuso e da dependência.
Gostaria de salientar, um tema abordado pelos autores, que são as consequências negativas, na estrutura e dinâmicas familiares, quando o adolescente é dependente. Nestes casos, a família precisa de se manter coesa e informada a fim de evitar o caos, consequência da dependência da canábis. Caso você identifique sinais ou sintomas que sejam suspeitos, mantenha-se atento: alteração brusca de rotinas e hábitos, fraco aproveitamento escolar, “esconde” os amigos, isola-se da família, agressividade, gasta rapidamente a semanada, cheiro estranho no quarto, pequenos furtos ou mentiras peça ajuda profissional, para a família. Não permita que a vergonha e a negação o impeçam de abordar o tema com profissionais.   
Quanto mais depressa se identificar um problema de abuso ou dependência maiores são as possibilidades de o tratamento surtir efeito.





segunda-feira, 11 de junho de 2018

O estigma, a negação e a vergonha e a prevenção dos comportamentos adictivos




Por motivos históricos, culturais e morais, precisamos de mudar a perceção de algumas crenças rígidas e disfuncionais. Segundo o dicionário da Priberam da Língua Portuguesa estigma é. "Marca, cicatriz perdurável, marca infame feita com ferrete." Recorremos ao estigma ("marca", rótular, preconceitos) a fim de nos diferenciar dos outros, desta forma, estabelecemos uma identidade social, convencendo que somos aqueles que são os "normais.". Na realidade, todos nós já sofremos com o estigma; fomos marcados, sinalizados como “anormais -  persona non grata.  

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa negação é: "Não confessar culpa ou delito, recusar, repudiar, afirmar que algo não existe (desmentir), rejeitar" O que é que fazemos quando não queremos ver a verdade? Quando adiamos algo importante? Como é que se ajuda uma pessoa que recusa ser ajudada? O que é que fazemos quando justificamos o injustificável e o disfuncional?
Optamos por esconder, não ver, não sentir e resistir à mudança de comportamentos e atitudes. 

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa vergonha é: "Pudor, pejo, timidez, acanhamento, timidez, embaraço, receio de desonra" Esta definição diz-nos pouco sobre o poder toxico da vergonha. A vergonha tóxica está enraizada na identidade (ser); não ser digno, não merecer, algo está errado connosco, preocupação e perfecionismo. A vergonha é mais difícil de identificar do que o sentimento de raiva, a ansiedade e a necessidade do controlo. Levamo-nos demasiado a sério (excesso de zelo, moralidade) porque queremos “esconder” a vergonha tóxica.

Passamos uma parte considerável da nossa vida social a fingir, a negar e a proteger-nos da critica alheia com medo de revelarmos os sentimentos: desenvolvemos a crença que seremos criticados/julgados, repudiados por isso. Na verdade, sentir é OK, independentemente, daquilo que outros pensam ou dizem. É uma prioridade conseguirmos ser honestos connosco próprios.
 Alguns factores que reforçam o estigma, a negação e a vergonha. 1. Preocupação excessiva sobre o que é que os outros pensam 2. medo desmesurado do desconhecido 3. necessidade de certezas absolutas 4. ansiedade, perfecionismo 5. "ter o controlo sobre tudo" 6. comparação e competição excessiva 7. viver de aparências ou estilos de vida que não podemos suportar.

sábado, 5 de julho de 2014

Uma triangulação polémica entre pais e filhos


Um grupo de alunos da Universidade Católica de Lisboa - Faculdade de Ciências Humanas envolvidos num trabalho para a disciplina de Métodos e Técnicas de Investigação em Ciências Sociais, com a professora doutora Teresa Líbano, convidou-me para participar no seu trabalho sobre o fenómeno das drogas e dos consumidores em Portugal. 

De acordo com a minha experiencia profissional, a grande maioria dos pais lida, atrevo-me a acrescentar, reage mal quando descobrem que o filho/filha consome drogas. Quando descobrem, os comportamentos dos pais, oscila entre as ameaças verbais e os castigos desproporcionados e a passividade, a complacência e a impotência. Estes comportamentos disfuncionais revelam uma ausência de um plano ou uma estratégia sobre a temática das drogas ilícitas. Saiba mais (siga o link) Pais, filhos e as drogas 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

É tudo urgente?


Se é tudo urgente, qual o tempo disponível que dispomos para relaxar, divertir e recuperar as energias positivas? Qual é o modelo de gestão que adoptamos que nos permite usufruir da companhia da família (momentos de intimidade), incluindo os filhos, dos amigos, lazer? Sorrir, conviver com a família e filhos, amigos, ter um sono reparador, ir ao cinema, dar um passeio, alimentação diversificada e saudável, exercício físico.
Hoje o stress é um assunto actual e em destaque, nem é preciso pensar muito sobre isso, basta ligar a televisão e ou comprar o jornal e ficamos em stress, por exemplo o desemprego aumenta, o aumento dos impostos, dos preços das coisas essenciais, da incompetência de alguns políticos dos quais depositamos a confiança para a gestão do país, da falta de oportunidade de realização das ambições pessoais, das dívidas etc.

 Não ter tempo para nada, segundo as nossas expectativas, gera stress. Facilmente, caímos na armadilha de andar a lamentar (queixas) e descontentes pela falta de tempo, do emprego que não satisfaz, do carro, da 2ª feira, do ordenado, da conta bancária, do corpo, do patrão, dos colegas, da crise, da mulher/marido, dos filhos, da conta bancária, da chuva/sol, mas quando estamos de fim-de-semana e ou de férias queixamo-nos porque não temos nada para fazer.

Stress e as Relações. Se é TUDO urgente quando é que estamos disponíveis para amar e ser amados? Sim, porque sendo assim, tudo urgente, um dia até podemos estar disponíveis para amar, mas a/a nossa/o parceiro/a pode não estar porque para ele/a, naquela altura, é TUDO urgente. Adquirimos o sentimento de que somos mal amados. Qual o timming para amar numa relação entre duas pessoas, quando tudo à volta é urgente?

Considero que, na maioria dos casos, adoptamos a máxima do stress “É tudo urgente…” sofremos as consequências ao nível da saúde física, mental e emocional/espiritual, parece que, para sermos indivíduos precisamos de sofrer, todavia, se o sofrimento não possuir um propósito e um sentido construtivo, resiliente e saudável, não se aprende nada. Nada muda, com a agravante de a tolerância ao sofrimento aumentar. Ficamos cristalizados na autopiedade, na vitimização, “mártir”. Evocam-se causas nobres para sofrer, mas na realidade nada muda, na infelicidade, na frustração e o no isolamento. Com tendência para piorar. É tudo urgente, gera mais stress.

Se é tudo urgente, revelamos uma necessidade exagerada em projectar, no futuro, as nossas desilusões, falhanços e desenvolvemos preconceitos e estereótipos em relação aquelas pessoas que pensam e agem de maneira diferente por exemplo marido/mulher, filhos, colega de trabalho, amigos/as. Consequentemente, iremos ficar paralisados e incapazes de criar soluções construtivas, comunicar as nossas necessidades e estar atentas às necessidades dos outros, estabelecer relacionamentos de intimidade com as pessoas significativas, incluindo os nossos filhos. Enquanto permanecermos ansiosos, projectando cenários catastróficos nas nossas mentes, será difícil sentir confiança, auto estima, capacidade crítica e motivação, porque é tudo urgente.

Segundo um estudo publicado na revista Psychological Science, quando as pessoas se sentem mal em relação a elas mesmo, ficam predispostas para criticar e desenvolver preconceitos em relação às pessoas que são distintas. Esta é uma das razões, mais remotas, pela qual criticamos e julgamos (preconceitos e estereótipos) as outras pessoas.

Adopte um modelo de gestão do stress que realmente funcione e seja saudável.
Dicas:
Faça um serio investimento no tempo e energia que dedica ao sono. Durma oito horas e recarregue as baterias positivas e assim contribui para um melhor desempenho da memória, da concentração, da gestão das emoções e gestão dos conflitos.

Faça uma actualização pormenorizada aos seus critérios se pensar que dormir é perda de tempo. Identifica sentimentos de culpa ou embaraço por dormir uma sesta? Se pensar que dormir é sinónimo de preguiça, essas atitudes estão desactualizadas.

Faça exercício físico com regularidade, de preferência integrado num grupo de pessoas. Convide familiares e ou amigos para caminharem.

Alguns factores que só servem para desmotivar. Falta de confiança, falta de ambição, andar sempre a lamentar e descontente daquilo que não tem, não consegue e não faz. Definir objectivos ambíguos e irreais, falta de reconhecimento, não participar no processo de mudança com acções construtivas e responsáveis.

Cultive o hábito de avaliar os seus sentimentos, principalmente, o medo, a raiva e o ressentimento, o sentimento de culpa. Reduza o seu investimento (prioridade) na avaliação dos sentimentos dos outros em detrimento dos seus. Não coloque rótulos em si, em função daquilo que sente Aprenda a distinguir aquilo que são os seus sentimentos daquilo que você é realmente. Não somos aquilo que sentimos, mas aquilo que fazemos com os sentimentos.

Nas situações de stress aprenda a inspirar e a expirar (respirar). Assim estará a fornecer oxigénio ao cérebro, em vez de se privar dele (apneia). Nestas alturas de tensão/esgotamento diga a si mesmo mensagens que auxiliem o relaxamento (mantras) “Calma…vou relaxar”, uma oração e ou outras.

Na prevenção das dependências, não é tudo urgente, antecipasse o imprevisto e o indesejável através de planos concretos, objectivos realistas, competências individuais e sociais (pessoas). Os nossos filhos merecem esse investimento e como pais crescemos junto com eles, em vez de cristalizarmos.


domingo, 17 de julho de 2011

Actividades que promovem conexões saudaveis

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dados sobre Pessoas e as Drogas


No mês de Junho de 2011 foi publicado o Relatório Mundial sobre as Drogas 2011 (World Drugs Report) pelo Secretário-geral das Nações Unidas, o sr. Ban Ki-moon. Aproveito para adicionar também alguns dados do Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência (OEDT), do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) e noticias veiculadas pela comunicação social durante este periodo.

Dados:
“Portugal apresenta os níveis mais altos de Sida entre os dependentes e indivíduos que apresentam uso problemático (abuso) de substâncias psicoactivas.”


“Em termos legais comemora-se 10 anos que se descriminaliza o consumo de drogas em Portugal.”
Em 17 de Junho fez 40 anos que o Presidente dos EUA, Richard Nixon, declarou guerra às drogas. A seguir outros países adoptaram a mesma estratégia. [i]

“A descriminalização não aumentou o consumo, MAS Portugal ainda está à frente no uso problemático (Abuso) de estupefacientes.”

“As pessoas dependentes de substâncias psicoactivas não devem ser descriminadas. Devem receber tratamento e ser acompanhados por pessoal médico especializado e conselheiros. A adicção às drogas é uma doença, não é crime.” Secretário-Geral das Nações Unidas, Sr. Ban Ki-moon

“A produção e abuso de medicamentos opiáceos e novas drogas continuam em escalada.”

“A utilização de medicação, sem prescrição médica, é um problema crescente em alguns países.” [ii]

“210 Milhões de pessoas em todo o Mundo, significa 48% da população entre os 15 e os 64 anos de idade consumiu drogas em 2010.”

“O consumo de cocaína duplicou na Europa movimentando valores que se estimam entre os 30 Mil Milhões de Dólares.”

Segundo o director executivo da agência das Nações Unidas para as Drogas e Criminalidade reconhece progressos, MAS afirma que há mais a fazer para promover comportamentos saudáveis.

“210 Mil pessoas morrem todos os anos devido às drogas.”

“O Relatório Mundial das Drogas (2009) estima que existam 38 milhões de pessoas que abusam (uso problemático) de drogas, somente 4,9 milhões têm acesso a tratamento/apoio médico. “

Segundo o Sr. Wolgang Gotz, director do Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência (OEDT) refere que as estatísticas revelam que um em cada três jovens europeus já experimentou uma droga ilegal e que os jovens se deparam com um número cada vez maior de substâncias psicoactivas.

“O OEDT estima que entre 2% e 2,5% dos jovens adultos consomem cannabis diariamente ou quase diariamente, em especial o sexo masculino. Esta percentagem representa uma grande população em risco e realça a necessidade de compreender melhor as necessidades deste grupo em termos de serviços.”

Estimativas do OEDT do consumo de drogas na Europa, em 2009

“Cannabis: prevalência do consumo ao longo da via pelo menos 74 milhões (22% dos adultos europeus). Consumo no último ano: 22,5 milhões de adultos europeus. Consumo no último mês: 12 milhões de europeus.”

“Cocaína: prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 13 milhões (3,9% dos adultos europeus). Consumo no último ano: 4 milhões de adultos europeus. Consumo no último mês: 1,5 milhões. “

“Ecstasy: prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 10 milhões (3,1% dos adultos europeus). Consumo no último ano: 2,5 milhões. Consumo no último mês: menos de 1 milhão”

“Anfetaminas: prevalência do consumo ao longo da vida pelo menos 12 milhões (3,5%dos adultos europeus). Consumo no último ano: 2 milhões. Consumo no último mês: 1 milhão”

“Opiáceos: Consumidores problemáticos (abuso) estimados em 1,2 e 1,5 milhões de europeus. As mortes induzidas pela droga correspondiam a 4% das mortes de europeus entre os 15 e os 39 anos de idade, tendo sido encontrados opiáceos em cerca de 3 quartos dos casos. Droga principal em mais de 50% do total de pedidos de tratamento para toxicodependentes. Cerca de 650 000 consumidores de opiáceos receberam tratamento de substituição em 2007.”
                                                                            «»
“Entre os jovens, o consumo de múltiplas substâncias pode aumentar o risco de problemas agudos e prenuncia o desenvolvimento posterior de um hábito de consumo crónico de droga. Entre os consumidores de droga regulares e mais velhos, o policonsumo[iii] é um dos principais factores contribuintes para a overdose de droga, além de dificultar o tratamento da toxicodependência e  estar associado à violência e à violação da lei.”

“As drogas ao dispor dos europeus são cada vez mais diversificadas, por exemplo, a inovação na produção de drogas sintéticas e as crescentes preocupações suscitadas pelo abuso de medicamentos sujeitos a receita médica. Além disso, tem-se constatado que um elemento definidor do problema do consumo de substâncias europeu é o uso concomitante de álcool, que pode ser observado em TODAS as faixas etárias.”

“Entre a população escolar, os dados mais recentes revelam uma forte associação entre o consumo excessivo esporádico de álcool e o consumo de droga. Esse consumo excessivo esporádico também está frequentemente ligado ao consumo recreativo de drogas, aumentando risco de consequências negativas entre os jovens adultos.”

“Segundo um relatório do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) revela que entre 2001 (ano da implementação da lei da descriminalização) e 2007 o consumo de estupefacientes registou, em termos absolutos, uma subida de 66%. Nesse período houve um aumento de 215% no consumo de cocaína, 85% de ecstasy, 57,5 de heroína e 37% de cannabis. Desde 2001 houve um aumento de 50% no consumo de drogas, entre os jovens com idades os 20 e os 24 anos. Por outro lado, o número de pessoas que experimentou drogas ilícitas, pelo menos uma vez, subiu 7,8% em 2001 e 12% em 2007.”

“Desde a descriminalização (2001) o número de homicídios relacionados com drogas aumentou 40%. Portugal foi o único país europeu com um aumento significativo de homicídios relacionados com drogas entre 2001 e 2006” (Nações Unidas – World Drug Report Junho 2009)

“Mercado Mundial de Drogas Ilegais. Segundo estudo financiado pela Comissão Europeia, sobre o mercado de drogas ilegais, apresentado em 2009, estima que as vendas atinjam mais de 100 Mil Milhões de Euros.”

"A descriminalização não interfere decisivamente nos consumos de drogas das populações, nem nos problemas colocados à sociedade portuguesa pelos usos e em especial pelos abusos de drogas” Professor Jorge Quintas.

“Segundo o Presidente do IDT estão em tratamento 40 mil pessoas e em estruturas de redução de danos cerca de 15 mil. O fenómeno da toxicodependência está a diminuir, mas isso não significa que o consumo de drogas esteja a decrescer. São dois fenómenos distintos.”  Entrevista ao Correio da Manhã

“Existe um aumento do número de jovens entre os 13 e os 18 anos que já experimentaram LSD, sendo que a maior subida regista-se no grupo etário dos 16 anos, segundo um inquérito preliminar. Em relação a outras drogas, verifica-se uma subida nas experiencias com anfetaminas e com cocaína entre os jovens com 15 e 16 anos e uma descida no consumo de cannabis entre os jovens dos 13 anos 15 anos.” Notícia da TSF

Comentário:
Na sociedade portuguesa, incluindo os órgãos de comunicação social, ainda se caracteriza e define as substancias psicoactivas em duas categorias: As drogas leves e as drogas duras, esta caracterização, em relação ás referidas substâncias, contribui para o preconceito e o mito. Esta terminologia não se aplica em termos médicos. O Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência define as substâncias em quatro categorias: 1. Cannabis 2. Anfetaminas, Ecstasy e substancias alucinogénicas 3. Cocaína, cocaína e crack e 4. Consumo de opiáceos e drogas injectada.

Não acredito que a sociedade portuguesa (políticos, tribunais, médicos, investigação e comunicação social, etc.) possua a maturidade suficiente para aderir à legalização da cannabis. Não basta legalizar, é preciso informar, devidamente, o publico em geral das especificidades desta substancia psicoactiva e as suas consequências. O problema não é as drogas, são as pessoas.

Infelizmente, nestes dados, não consta uma estimativa sobre o número de famílias, incluindo as crianças, afectadas pela Toxicodependência. A família aparenta ser negligenciada visto existir estruturas de apoio aos indivíduos dependentes, mas para as respectivas às famílias, em muitos casos traumatizadas, não. Será que isso significa que a Família não está envolvida no processo de tratamento? Segundo revelam alguns estudos, nos EUA e em Inglaterra, a família deve fazer parte activa do tratamento do dependente, contribuindo assim, para o sucesso da recuperação.

Infelizmente, nestes dados não consta as despesas para o Estado na área da saúde. Seria significativo, o publico em geral, tomar conhecimento sobre o montante aproximado dos gastos. Acrescento, as despesas de tribunais (problemas legais), e problemas de saúde (por exemplo, HIV/SIDA, Hepatite C), problemas no trabalho (por exemplo, o absentismo, acidentes de trabalho e problemas nas equipas).

Também não é publico as despesas sobre a Luta Contra as Drogas. Segundo alguns peritos internacionais afirmam, e corroboro essa afirmação, que a Luta Contra a Droga, nos moldes em que é definida a sua estratégia, é uma guerra contra fantasmas e sem sucesso. Isto é, continua-se a gastar milhares de euros sem que o resultado desse investimento tenha retorno concreto e satisfatório.

Considero que da mesma maneira, que as drogas ilegais, as drogas legais merecem destaque, refiro-me ao abuso (uso problemático) do álcool e ao alcoolismo, em especial aos jovens adultos e em geral aos adultos, famílias, incluindo as crianças, problemas de saúde (hepatites, Cirroses, SIDA/HIV), problemas legais, problemas no trabalho (absentismo). Neste sentido, o numero de indivíduos afectados abuso do alcool e pelo alcoolismo, incluindo as suas famílias e crianças, na nossa sociedade, é um fenómeno negligenciado e negado visto não existirem dados. Convido o leitor a visitar o site Directório do Álcool. Acompanho este site desde a sua inauguração e constato que o seu conteúdo está muito aquém daquilo que é esperado, por exemplo, em termos informativos, na área da investigação e estatísticas afirma estar “funcionalidade em desenvolvimento”. Como é possível, se o alcoolismo é um problema de saúde pública? Pertencemos a uma cultura que bebe. http://www.directorioalcool.com.pt/Paginas/HomePage.aspx

Podemos também acrescentar a utilização de medicação, sem prescrição médica (auto medicação), capaz de gerar dependência crónica (por exemplo, as benzodiazepinas; tranquilizantes, sedativos) problemas de saúde e problemas no trabalho (absentismo). Mais uma vez, não existem dados públicos sobre este flagelo.

Para terminar, gostaria de acrescentar uma questão que afecta principalmente as drogas ilícitas refiro-me às drogas adulteradas. Isto é, a maior parte das drogas comercializadas e consumida, nas ruas, são adicionadas outras substâncias desconhecidas e possivelmente tóxicas.

E os dados sobre o consumo de nicotina? Apesar das medidas restritivas e existirem centros de saúde que disponibilizam apoio à interrupção dos hábitos tabágicos, que visam alertar sobre o perigo em fumar, pouco se sabe sobre o trabalho desenvolvido na dependência, assim como os seus resultados.

Mais Vale Prevenir Do Que Remediar e

 Recuperar É Que Está A Dar. visite o blogue http://recuperarequeestaadar.blogspot.com



[i] Guerra às Drogas Ilegais parece uma batalha perdida e contra fantasmas. Gastam-se, todos os anos, triliões de dólares sem que o resultado desejado seja alcançado, porque a oferta continua a supera a procura. A Industria milionária e poderosa das drogas e os seus parceiros conseguem corromper pessoas, instituições e países (por exemplo o caso mais mediático México, Colômbia, Afeganistão).

[ii] Em Portugal não existem relatórios (investigação) sobre a utilização da medicação sem prescrição médica capaz de gerar dependência crónica. Este flagelo aparenta atingir níveis preocupantes e galopantes visto não ser monitorizado e/ou avaliado pelas autoridades competentes.

[iii] Policonsumo de substancias psicoactivas ilícitas e/ou licitas – Refere-se ao consumo de mais do que uma droga ou tipo de droga pelo mesmo individuo – consumo simultâneo ou sequencial (definido no léxico da Organização Mundial de Saúde – OMS) Por exemplo, um indivíduo pode consumir, abusar (consumo problemático) e ficar dependente (Adicção) à Heroína, Álcool e Tranquilizantes (Benzodiazepinas) ou Cocaína, Tranquilizantes (Benzodiazepinas) e Álcool. Objectivo do indivíduo em relação ao Policonsumo passa por potenciar e/ou regularizar (controlar) o efeito das substâncias ingeridas a fim de obter o efeito desejado (auto medicação).





sexta-feira, 14 de maio de 2010

La Mission - Trailer

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Podemos fechar os olhos, se acontecer algo grave não é uma questão de sorte e/ou azar








Durante uma pesquisa na Internet deparei com uma realidade constrangedora relacionada com a organização de um evento direccionado para os jovens Portugueses. Ao visitar o site reparei que um dos patrocinadores é a marca de uma determinada cerveja portuguesa, entre outras empresas e instituições destaca-se também o apoio da Presidência da Republica.




Evento: Luso 2010 - 4º Encontro de Estudantes e Investigadores Portugueses do Reino Unido.

Vivo numa sociedade que atravessa uma crise de valores morais, (des)respeito pelas crianças, jovens e (des) respeito pelos direitos humanos (democracia). Como profissional, blogger e pai determinado a gerar e a gerir o potencial do meu filhote, sinto que tenho uma obrigação acrescida de fazer perguntas e colocar questões sobre determinados assuntos que considero graves e que aparentam servir os interesses de grupos económicos (Industria poderosa).

Vivemos numa sociedade que promove/permite o consumo e o abuso do alcool, a publicidade e o marketing agressivo (ex. desporto) e resignada ("fecha os olhos") à Lei que permite aos jovens com 16 anos sentirem-se "livres" de consumir álcool. Gostaria de me destacar desse grupo resignado, não me identificando com esta permissividade, apatia e negação.

O que fazem os jovens de 16 anos? Quais as características de um jovem de 16 anos? O que pode acontecer (risco) se um jovem de 16 anos inicia, com amigos, os consumos regulares de álcool? Quais os estudos científicos, os profissionais de saúde e a sociedade (pensante e bípede) que garante que os jovens são "livres" de consumir, e se desejarem, de abusar do alcool, aos 16 anos?

Trabalho com indivíduos que são dependentes do álcool (há 20, 30 anos) e é uma realidade extremamente dolorosa. Convido qualquer cidadão a visitar os centros, instituições e lares onde vivem indivíduos que abusam e são dependentes do álcool. Não "fujam" porque são pessoas, não um "vírus". 
A minha experiência ao longo de 20 anos permite fazer esta afirmação, com uma certa dose de ironia..."Não acontece só aos outros."

Os textos que apresento a seguir, integralmente, são um conjunto de mails que enviei e recebi da Organização  do Luso 2010. Apelo somente a uma leitura reflexiva e construtiva. Se quiser comentar, está convidado.

Ex mos Srs
venho por este meio felicita-los por este tipo de evento direccionado para os Jovens Portugueses - O LUSO2010.

Ao visitar o vosso site na Internet deparei com uma situação anómala e despropositada reveladora da influencia da Industria do Álcool, em Portugal.
Gostaria que respondessem a estas questões, se possível.
 

1. Como é que uma cervejeira aparece a apoiar um evento deste tipo - cujos participantes são jovens?

Como sabem o Alcool é uma droga licita. O Alcoolismo é um problema de saúde publica em Portugal, isto é revelador que somos uma cultura que bebe.


2. Na vossa opinião, consideram  que ao divulgarem e receberem apoios da cervejeira (Industria poderosa do Alcool) estão a contribuir, directa e indirectamente, para o consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens portugueses (técnicas agressivas de marketing, de publicidade, e promoção do consumo de bebidas alcoólicas - fidelização à marca)?

Já devem ter ouvido falar sobre o fenómeno (Binge-drinking - Bd) que atinge os jovens, em especial, aqueles que consomem bebidas alcoólicas. Binge-drinking ocorre quando se consome álcool cujo intuito é a intoxicação. Nos homens, o numero de bebidas no Bd, é de 5 ou mais bebidas - seguidas umas às outras e nas mulheres o Bd é de 4 ou mais bebidas seguidas. O Bd pode ocorrer durante vários dias sucessivos ( ex. festas, festivais de musica, eventos sociais, grupo de pares).


3. Na vossa opinião, consideram que podem estar a negligenciar este fenómeno social (entre jovens e adultos) ao colaborarem e receberem apoio da Industria poderosa do Alcool?

Tal como este evento - Luso 2010, sou um profissional que se dedica com compromisso, paixão e profissionalismo às pessoas, aos jovens portugueses, em especial (área da Prevenção das Dependências). 
Convido-os a visitarem os links/blogues de forma a conhecerem a minha missão.

Desde já faço votos que o Luso 2010 seja um sucesso, à parte de serem uma organização, que colabora com a Industria poderosa do Alcool.

Aguardo uma resposta a este email, tão breve quanto possível.

Os meus cumprimentos
 João Alexandre de Sousa Rodrigues
Conselheiro em Comportamentos Adictivos
(Addiction Counselor)

Resposta:
  
"Caro João,
Antes de mais agradecemos e respeitamos a opinião que partilhou connosco relativamente à problemática do alcoolismo. Compreendemos a sua perspectiva e preocupação com certeza fruto, em parte, da sua experiência profissional.
Concordo plenamente consigo que o consumo de álcool nos jovens é sem duvida um problema sério, não só em Portugal mas também aqui no Reino Unido. E sem dúvida que o fenómeno do binge drinking é bastante preocupante e poderá ter inclusivamente consequências bastante graves. Tal como o João, também eu no decorrer da minha experiência profissional lido com as consequências crónicas do alcoolismo, como as cirroses e os traumas resultantes de acidentes de viação sob o efeito de álcool.
No entanto a questão preocupante não se prende com o consumo de álcool mas sim com o consumo exagerado de álcool . Como deve saber, o consumo de álcool em quantidades moderadas e, friso, em quantidades moderadas, é inclusivamente protector de doenças cardiovasculares como apontado por vários estudos, inclusivamente o Framingham Heart Study.
Concordo consigo também quando se refere ao marketing agressivo por parte de várias empresas mas penso que a preocupação aqui prende-se essencialmente com as faixas etárias mais influenciáveis na iniciação do consumo de bebidas alcoólicas, que não acho que seja o caso da população que frequentará este evento.
Para além disso a empresa por detrás da Sagres também apresenta outros produtos como as Águas Luso. Inclusivamente, a Sagres apresenta várias variantes nomeadamente a Sagres Zero, cerveja sem álcool, que apoia a selecção Portuguesa.
Não considero que poder contar com o patrocínio desta empresa influenciará o consumo de álcool por parte dos nossos participantes. A Sagres representa um produto de identificação nacional, como o Vinho do Porto e os pastéis de nata, e daí acharmos pertinente a sua inclusão como patrocinador de um evento de Portugueses fora de Portugal. Não consideramos no entanto que o seu patrocínio vá incentivar o seu consumo ou fidelizar à marca, até porque a Sagres não tem uma representação forte no mercado do Reino Unido.
Aliás como deve estar ao corrente e provavelmente mais informado do que eu, o aumento da problemática do alcoolismo é multifactorial, contribuindo grandemente os factores psico-sociais, e não se pode reduzir meramente a uma questão de disponibilidade física. 
Simpatizamos uniquivocamente com a sua preocupação relativamente ao consumo exagerado de álcool. E de forma alguma o LUSO2010 pretende neglicenciar o fenómeno social do binge drinking ou promover qualquer situação que o favoreça. Não acreditamos no entanto que a agenda e os motivos do LUSO2010 favoreçam ou promovam de alguma forma a sua ocorrência, uma vez que um dos objectivos deste evento é o networking para o qual é fundamental a integridade das capacidades mentais.
Ao dispor.
Pela organização do LUSO2010,"
Vera Barbosa
Resposta:
Bom dia
Desde já agradeço a sua resposta ao email e respeito a sua perspectiva.
Obviamente que discordo com a sua posicão. 


A minha missão é alertar a sociedade portuguesa (factos cientificos e empiricos) para determinadas praticas (falta de Ética) que promovem e reforçam o consumo, o abuso e a dependencia das drogas licitas, incluindo o alcool e a nicotina, e as drogas ilícitas.


Faço aqui um apelo: Dedique algum do seu tempo a informar-se sobre esta tematica. Estou disponível.
As crianças são um tesouro demasiado precioso (potencial) para ser negligênciado, em detrimento de interesses económicos, associações e profissionais.


Sucessos para o Luso 2010 e que os JOVENS, sejam os principais beneficiados, com o evento.

 
Portugal precisa de "Capital Humano" criativo e dedicado.
Os meus cumprimentos

João Alexandre Rodrigues
Addiction Counselor
(Art of Counseling)





terça-feira, 6 de outubro de 2009

Frases soltas e com significado


Frases soltas e com significado na Prevenção das Dependências (Adicção)
Estas frases fazem parte da linguagem que define a nossa missão - uma cultura diferente e activa na Prevenção.
2008

Fev. – Ser um exemplo/modelo para os filhos não significa ser perfeito.


Mar. – Família: Organização e gestão de talentos.


Abr. – Prevenção: Desafio, Evolução e Aprendizagem constante.

Mai. – Prevenir é procurar a verdade (factos) sobre o consumo de álcool e outras drogas.

Jun. – Linguagem dos sentimentos: Desafio na prevenção entre adultos e crianças.

Jul. – Ser pai/mãe é diferente de ser amigo/a.


Ago. – Verão/Férias. Oportunidade para descobrir e aprender sobre o estado de “saúde” da família.


Set. – Alteração da lei que permite a publicidade, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas aos jovens.


2009
Jan. – Em tempo de crise é altura de encontrar soluções realistas – S.O.S.

Mar. – Somos únicos e autênticos – essa inusitada característica humana.

Mai. – Instituições, Pessoas e recursos geram competências e talentos.

Jul. – A negação não é seguramente uma atitude proactiva.


Na sua opinião, qual destas frases melhor enquadra o conceito de Prevenção das Dependências? Vote na sua preferência e envie um email para xx.joao@gmail.com
Se desejar pode participar com frases suas que podem ser utilizadas no futuro, aproveite

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O perigo pode estar na prória casa

Por vezes, as drogas estão em casa. Os jovens podem utilizar a medicação que encontram disponivel, por ex. no armario da casa de banho ou na gaveta da mesa de cabeceira no quarto dos pais e assim enfrentam sérios riscos de sofrer as consequencias adversas - acidentes ou em ultimo caso, abuso e adicção a drogas (dependência).A medicação não deve estar ao alcance dos jovens. Veja o video e comente em Mais Vale Prevenir Do Que Remediar

http://www.youtube.com/watch?v=PSo6S17_NlI&feature=PlayList&p=09A357344EE6F0FA&index=0

domingo, 16 de agosto de 2009

Como lidar com o Pensamento rigido, inflexivel e a ansiedade extrema





  • Faça pausas de 10 mtos a cada 2 horas de trabalho intenso, no máximo. Repita estas pausas na vida diária. Inspire e expire.



  • Aprenda a dizer Não sem se sentir culpada ou pensar que vai magoar a outra pessoa. Agradar a “gregos e troianos” é um desgaste enorme e uma “missão impossível”.



  • Planeie o seu dia, mas deixe sempre espaço para o improviso e o imprevisto. Esteja consciente de que nem tudo depende de si e ou que seja exequível (agora e hoje).



  • Concentre-se numa tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus pensamentos (sou capaz de fazer isto e aquilo…) seguramente acabará confuso/a e ansioso/a.



  • Esqueça que você é insubstituível. No trabalho, em casa, etc. por mais que isso o desagrade, tudo anda sem a sua actuação directa ou indirecta, a não ser a sua própria.



  • Abra a mão de se sentir responsável pelo prazer dos outros. Não será a “fonte de desejo” ou o eterno “mestre-de-cerimónias”.



  • Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.



  • Diferencie os problemas reais daqueles problemas irracionais, e depois elimina-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.



  • Tente descobrir o prazer de eventos quotidianos, tais como, dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo que se consegue da vida.



  • Evite o envolvimento com a ansiedade e a pressão alheia. Espere um pouco e depois retome o dialogo – acção.



  • A família não és tu; está junto de si. Compõem a sua vida mas não são a sua própria identidade.



  • Entenda quais os princípios e convicções rígidas e fechadas que podem ser um grande peso , da trave do movimento e da busca.



  • É preciso ter sempre alguém em quem se confie a menos de um raio de 100 km. Não adianta estar mais longe.



  • Identifique a hora certa de sair de cena – retirar-se do palco – e deixar a roda livre. Nunca perca o sentido subtil da importância de uma saída discreta.



  • Não queira saber se falam mal de si, e acima de tudo não se atormente com esse lixo mental; Escute se falaram bem; com reserva analítica e sem qualquer convencimento.



  • Competir no trabalho, no lazer, na vida a dois é óptimo…para quem quer ficar sozinho, esgotado e perder o melhor.



  • “A rigidez é obra na pedra”, nunca no Homem. A ele cabe a firmeza e a integridade, que é completamente diferente.



  • Uma hora de intenso prazer substitui com folga 2 horas de pensamento sob pressão (stress). Rir repõe o pensamento positivo e critico construtivo, logo não perca a oportunidade de se divertir.



  • Não abandone as três grandes e inabaláveis amigas; a Intuição, a Inocência e a Fé.



  • Entenda de uma vez por todas, Você é aquilo que faz .


Autor Anónimo
Como sou uma pessoa ansiosa e acelerada gostaria de partilhar convosco este lembrete que utilizo há aproximadamente doze anos. Serve como orientação (mantras) e contem imenso alimento pró pensamento.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Relações e desencontros

Por vezes e por um conjunto de razões algumas pessoas são incompativeis. Descobrem durante a relação que afinal e, depois de algum tempo juntos, dirigem-se por caminhos diferentes e opostos ao desenvolvimento da relação de intimidade (ex. casamento ou relação romântica).

Nalguns casos, porém existem filhos e filhas, que ainda "forçam" o contacto. Nesse caso, em particular, se houver magoa, remorso, ressentimento que interfira na relação com os filhos, o PERDÃO pode ser uma direcção construtiva e salutar a medio e a longo prazo. Afinal, todos nós cometemos erros...e podemos ajudar as crianças a não cometer os mesmos erros.
Vamos "enterrar" os simbolos e as vivências que interferem na senda do Perdão.

Siga o link e comente em "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar"

http://www.youtube.com/watch?v=NN7fb7V_tTY&feature=channel_page

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Os interesses financeiros na industria do alcool: A verdadeira crise


Uma notícia referia o seguinte - Retorno no patrocínio ao futebol na época 08/09 a uma empresa de telecomunicações o resultado do investimento efectuado registou um valor de 154 milhões de euros. Esta operadora cresceu 71%, imediatamente a seguir uma determinada marca de cerveja com 93% e um banco com 5%.
Segundo a mesma notícia, o retorno no ano passado à determinada marca de cerveja, o resultado desse investimento no patrocínio no futebol referia um valor de 151,3 milhões de euros.

As conclusões constam de uma empresa de estudos de mercado que analisou 1200 meios de comunicação (ex. televisão). As 11 maiores marcas, onde consta algumas cervejeiras, obtiveram um retorno total de 797 milhões de euros um valor que representa um aumento de 14%.

Depois de tomar conhecimento sobre estes valores astronómicos, obviamente testemunho impotente às “guerras entre as cervejeiras”, e os danos colaterais “escondidos” – marketing (publicidade agressiva) e as leis permissivas em função dos interesses dos “senhores da guerra”. Esta situação (oferta desproporcionada) provoca um aumento dos jovens (procura novas emoções) que abusam do álcool.

E qual o retorno na publicidade nos meses de verão, nos festivais de musica, onde o publico alvo é jovem sendo a altura do ano onde se consome mais cerveja?

Por ex. nos festivais de verão e nos jogos de futebol são os locais onde os jovens podem bebem até à embriaguez (intoxicação aguda) que afecta a capacidade de raciocínio, as decisões e o auto controlo. Existe também o fenómeno do consumo esporádico excessivo (binge drinking) que é o consumo que ultrapassa as 5/6 bebidas no homem e a 4/5 bebidas na mulher numa só ocasião e num espaço de tempo definido. Estará o álcool relacionado com a violência observada no futebol, por ex. as claques? Longe dos pais (monitorização) prevalecem as “regras” dos grupos de pares. Na intoxicação aguda, os jovens apresentam uma desinibição dos seus impulsos, por ex. sexuais, uso drogas ilícitas, comportamentos violentos e interfere na coordenação motora (ex. acidentes de viação). De salientar que no caso do sexo feminino estão mais vulneráveis (vitimas) de vários tipos de abuso.

Existem slogans hipócritas para quando se beber, ser responsável. Qual o efeito deste slogan nos jovens? Na minha opinião, absolutamente nulo.
Os lucros financeiros da indústria do álcool prevalecem e sobrepõem-se às evidências. Em Portugal, o abuso e o alcoolismo atingem proporções alarmantes e os jovens são o alvo da indústria do álcool - fidelização à marca. O álcool é uma droga lícita.

Outra questão a salientar.Quanto gasta o estado, os contribuintes, em relação às consequências negativas do álcool, nos sistemas de saúde, da segurança social e no sistema de justiça?
Aguardamos impotentes os “ventos” da mudança na crise.