Mostrar mensagens com a etiqueta politica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta politica. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O estigma, a negação e a vergonha e a prevenção dos comportamentos adictivos




Por motivos históricos, culturais e morais, precisamos de mudar a perceção de algumas crenças rígidas e disfuncionais. Segundo o dicionário da Priberam da Língua Portuguesa estigma é. "Marca, cicatriz perdurável, marca infame feita com ferrete." Recorremos ao estigma ("marca", rótular, preconceitos) a fim de nos diferenciar dos outros, desta forma, estabelecemos uma identidade social, convencendo que somos aqueles que são os "normais.". Na realidade, todos nós já sofremos com o estigma; fomos marcados, sinalizados como “anormais -  persona non grata.  

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa negação é: "Não confessar culpa ou delito, recusar, repudiar, afirmar que algo não existe (desmentir), rejeitar" O que é que fazemos quando não queremos ver a verdade? Quando adiamos algo importante? Como é que se ajuda uma pessoa que recusa ser ajudada? O que é que fazemos quando justificamos o injustificável e o disfuncional?
Optamos por esconder, não ver, não sentir e resistir à mudança de comportamentos e atitudes. 

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa vergonha é: "Pudor, pejo, timidez, acanhamento, timidez, embaraço, receio de desonra" Esta definição diz-nos pouco sobre o poder toxico da vergonha. A vergonha tóxica está enraizada na identidade (ser); não ser digno, não merecer, algo está errado connosco, preocupação e perfecionismo. A vergonha é mais difícil de identificar do que o sentimento de raiva, a ansiedade e a necessidade do controlo. Levamo-nos demasiado a sério (excesso de zelo, moralidade) porque queremos “esconder” a vergonha tóxica.

Passamos uma parte considerável da nossa vida social a fingir, a negar e a proteger-nos da critica alheia com medo de revelarmos os sentimentos: desenvolvemos a crença que seremos criticados/julgados, repudiados por isso. Na verdade, sentir é OK, independentemente, daquilo que outros pensam ou dizem. É uma prioridade conseguirmos ser honestos connosco próprios.
 Alguns factores que reforçam o estigma, a negação e a vergonha. 1. Preocupação excessiva sobre o que é que os outros pensam 2. medo desmesurado do desconhecido 3. necessidade de certezas absolutas 4. ansiedade, perfecionismo 5. "ter o controlo sobre tudo" 6. comparação e competição excessiva 7. viver de aparências ou estilos de vida que não podemos suportar.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Negar as evidencias não é um acto responsável.



Gradualmente, a legalização da canábis (resina e planta), vulgo haxixe e erva, sem ser para utilização terapêutica, tem ganho adeptos dos mais variados quadrantes da sociedade; partidos políticos, organizações não governamentais, opinion makers, alguns artistas, comunicação social, etc. Pessoalmente, não sou a favor da legalização da canábis e explico porquê. Não tenho nada contra as drogas, tenho é muitos motivos para estar desacreditado e desiludido em relação às pessoas, refiro-me aos decisores políticos.  Por outro lado, os portugueses não estão suficientemente informados, a nível científico, sobre os efeitos da droga psicoativa alteradora do sistema nervoso central. Quantas aldeias e vilas empobrecidas, principalmente do interior do país, estão informadas a nível científico? Estas pessoas continuam a recorrer aos mitos e tradições retrogradas e desatualizadas, em termos de comparação, acrescento o consumo do álcool, para efeitos terapêuticos, “beber álcool aquece”, “beber álcool alimenta “ou  “beber algo dá energia”, etc. Nestas aldeias, mais depressa se encontra um traficante de canábis, do que luz na rede elétrica. Nas consultas, escuto pais, licenciados, também baralhados e confusos, perante os argumentos, adquiridos na rua ou informação falsa, dos seus filhos que insistem que o canábis é uma droga inócua para a saúde.

Quando penso na legalização da canábis, dá a sensação que primeiro legisla-se e depois legaliza-se ou vice-versa, mas o que importa é a visão mercantilista da coisa de acordo com as leis do mercado (milhões de euros nos cofres do estado em impostos, postos de trabalho, mercado negro, etc) e depois que se lixem, as pessoas e as suas famílias, que apresentam problemas graves de saúde, devido ao uso e abuso da cannabis, por exemplo, indivíduos com surtos psicóticos, depressão e ansiedade. Sabia que a canábis gera dependência psicológica? Numa consulta com Nuno (nome fictício) afirmou o seguinte: “Estou cheio de medo de largar a erva… depois o que é que vai ser de mim??? Acho que não vou conseguir…estou com medo…” De notar que o discurso do Nuno, estava emocionado e assustado, visto, há décadas consumir canábis, diariamente. Para terminar, um dia escutei um documentário onde o investigador fez a seguinte declaração: “O canábis não mata, mas pode enlouquecer. “, subscrevo.

Alguns fatores importantes sobre a Legalização do canábis (Alimento pro pensamento)
  • Condução sob o efeito de canábis. Legislação
  • Legislação no trabalho. Irá o consumo de canábis afetar o rendimento/produtividade no trabalho?
  • Idade legal para o consumo – EUA de acordo com a legislação são 21 anos
  • Indústria milionária -   Marketing agressivo, leis do mercado, concorrência, mercado negro, lucro, outros produtos, por exemplo, confecção de bolos, doces (risco de consumo por crianças).
  • Qual é o nível de THC permitido/seguro para consumo? Sabia que o nível de THC é elevadíssimo comparativamente há 20 anos?
  • Para os pais – orientações científicas sobre o consumo, abuso e dependência psicológica, refiro-me à prevenção e ao tratamento.
  • Escolas – políticas e critérios - orientações para os professores e pessoal não docente.
  • Prevenção do abuso e dependência do canábis – campanhas informativas nos meios de comunicação social.
  • Alternativas aos consumos/abuso de canábis, por exemplo, em festas, concertos, queimas das fita, etc
  • Evidencia científica sob o consumo, abuso e dependência do canábis
  • Posse legal de canábis /Quantidade?
  • Cultivo, produção, fabrico e extração das substâncias psicoactivas a fim de estarem disponível para o consumidor final.
  • Segundo a evidencia cientifica o consumo durante a adolescência aumentou o risco de surtos psicóticos. Nos EUA, um em cada 6 adolescentes que experimentam canábis ficam dependentes. O risco de dependência é maior do que do álcool.
  • Atualmente a canábis é mais potente (níveis de THC agente tóxico activo) comparativamente há 20 anos. Aumenta o risco de dependência?
  • Saúde vs Economia - Decisores políticos – estratégia para a prevenção, o tratamento e a recuperação das pessoas dependentes. O problema não são as drogas, o problema são as pessoas.
  • Trafico, mercado negro.
  • Factos: nos EUA, em alguns estados, o numero de adolescentes que vão as urgências dos hospitais aumentou após a legalização do canábis. Nos EUA o numero de acidentes de viação aumentou após a legalização do canábis.
  • Na minha opinião, Portugal, (principalmente, os decisores políticos) não está preparado para seguir uma estratégia que assegure o apoio às pessoas, às suas famílias e às comunidades, refiro-me á prevenção e ao tratamento do abuso e da dependência do canábis. Assim como não existe um dialogo (pontes) entre a comunidade cientifica e o publico em geral, devido principalmente ao estigma, ao preconceito (e hipocrisia), à negação e à vergonha. Todavia, observo pequenas ações educativas, por exemplo, Ordem dos Médicos, mas para fins terapêuticos.
  • Consumo de canábis durante a gravidez e efeitos para o bebé.
  • Utilize esta lista para abordar o tema com os seus filhos. 




quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Todos nós temos dificuldades, mas uns têm dificuldades desde a nascença



As crianças oriundas de contextos familiares de pobreza, estão expostas a níveis elevados de stress, responsável por despoletar problemas psicológicos ao longo das suas vidas.

De acordo com investigadores da Universidade de Cornell, nos EUA, as crianças que vivem em contextos familiares de pobreza estão predispostas a desenvolver problemas de memória e aprendizagem, comportamentos violentos/agressivos e antissociais, tais como o bullying. O resultado da investigação, não revela que todas as crianças provenientes de contextos familiares de pobreza se tornam violentas, mas o risco de isso acontecer é elevado. Aquilo que o Dr. Gary Evan, autor do estudo, afirma é «Se a criança nasce pobre, está mais vulnerável quanto a desenvolver problemas psicológicos e ser pobre representa uma fonte enorme de stress. Todas as pessoas são afetadas pelo stress, mas as famílias com baixos rendimentos, incluindo as crianças, sofrem muito mais. Estas crianças vulneráveis, expostas ao stress excessivo, sofrem o efeito cumulativo e de interação.»
Neste estudo sobre a memoria, envolveu crianças de classe media e crianças pobres, durante quinze anos (desde os 9 aos 24 anos) e segundo o autor, as crianças oriundas de classes sociais mais desfavorecidas apresentavam maiores dificuldades no desenvolvimento das suas competências cognitivas, por exemplo, na linguagem e desenvolvimento pessoal. Este estudo também veio mostrar que os adultos, oriundos de classes desfavorecidas, apresentavam níveis crónicos de stress desde crianças. Afim de prevenir este tipo de perturbações psicológicas em crianças pobres é necessária uma intervenção prematura e eficaz. Uma forma de o fazer é proporcionar apoios sociais aos pais destas crianças, a fim de melhorar os seus orçamentos familiares. Este estudo foi recentemente publicado em Proceedings of the National Academic Sciences.

Visando combater as assimetrias sociais, os investigadores das universidades de Portsmouth (Reino Unido) e Viena (Áustria) apelam que a saúde deve ser uma prioridade antes da riqueza e confirmam que desde 2009 até 2015 são cada vez mais os jovens do sexo masculino que se suicidam nos países pobres da Europa (UE) na consequência das medidas de austeridade destinadas a combater a crise. O desemprego que afeta, as classes mais desfavorecidas, é segundo os autores deste estudo, uma das principais causas de suicídio entre os jovens. Este estudo foi pioneiro no género porque visou relacionar as variáveis - austeridade e taxas de suicídio.

Segundo o Observatório das Desigualdades, existiam em Portugal 1.967 milhão de pessoas (dados de 2010) em risco de pobreza.

Durante mais de uma década trabalhei em instituições de tratamento (regime residencial de internamento) para indivíduos adultos dependentes de drogas lícitas, incluindo o álcool, e ilícitas, e venho por este meio corroborar este estudo da Universidade de Cornell. Escutava com muita frequência, por parte de indivíduos oriundos de classes desfavorecidas, o stress que representava para eles ser rotulado como «pobre». Significava ser considerado um marginal (estigma), viver dependente de apoios sociais e não possuir as mesmas oportunidades, numa sociedade democrática, cujo sistema privilegia os indivíduos de classes sociais mais favorecidas. Para finalizar, os indivíduos referiam que o stress, era vivido antes mesmo de serem «apanhados» pela dependência de substâncias psicoativas do Sistema Nervoso Central.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

A prevenção é um projecto familiar


A prevenção das dependências de todo e qualquer tipo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas é um tema transversal na sociedade actual. Qualquer pessoa, independentemente, do seu estatuto social, idade, raça, sexo ou religião está vulnerável em relação ao consumo, ao abuso e à dependência de substâncias psicoactivas do sistema nervoso central.

Apesar da prevenção das dependências ser um tema actual e preocupante, em particular entre pais, famílias, escolas, professores e jovens, e na sociedade em geral, todos nós, profissionais e pais lutamos contra o estigma, a negação e a vergonha associados às drogas reforçado pelo preconceito e o estereótipo. Muitas vezes, refiro-me a este exemplo, quando abordo o tema nas escolas e/ou com os pais, são unânimes em reconhecer a vulnerabilidade das crianças em relação a este problema e a necessidade de programas, mas quando são convidados a «dar a cara», aparentam optar, conscientemente pelo silêncio devido ao tabu, preconceito e estereotipo. Creio que um dos motivos deste afastamento está relacionado com o estigma, a negação e a vergonha sobre as drogas: “Os meus filhos nunca na vida irão tornar-se uns drogados ou uns bêbados.” A maioria de nós, pais e famílias, inconscientemente, justificamos este raciocínio; “Estes problemas dramáticos só acontecem aos outros. Estas tragédias só acontecem às famílias desestruturadas, disfuncionais e sem recursos económicos.” Nos dias de hoje, este tipo de justificação negligente do qual nos socorremos para enterrar a cabeça na areia e considerarmos que a nossa família não é desestruturada ou disfuncional, como as outras afectadas pela dependência, pode revelar-se a médio e a longo prazo, um erro grave, porque na realidade e para sermos verdadeiramente honestos, sentimo-nos impotentes, porque não possuirmos um plano ou uma estratégia concreta sobre esta matéria.

Há vinte anos atrás, no final dos anos 80, início dos anos 90, o jovem que desejasse consumir drogas ilícitas revelava-se uma tarefa difícil obtê-las, hoje em dia, qualquer criança ou adolescente, através da internet, na sua casa e junto aos seus pais, pode ter acesso a qualquer tipo de drogas. A procura supera a oferta de drogas, existem drogas para todo o tipo de preferências e tendências.  No contexto profissional, conheço inúmeros adultos, afirmam, as primeiras experiências com drogas, enquanto crianças e adolescentes, foram com medicamentos dos seus familiares

Alguns dados interessantes
Segundo o relatório das comissões de protecção de menores os processos instaurados em 2013 (30.344) aumentaram comparativamente a 2012 (29.149). Aumentaram também os processos reabertos, num total de 7402 e são o dobro das crianças abandonadas. Apesar de até aqui o escalão com maior representatividade, fosse o dos 0 aos 5 anos, em 2013, o escalão com maior representatividade foi o dos 15 aos 18 anos. A exposição a comportamentos, por parte dos adultos, que podem comprometer o desenvolvimento da criança: a violência domestica (agregado familiar), a negligência familiar, a falta de cuidados de saúde, falta de apoio psicoafectivo, a indiferença, os maus tratos físicos.

Após constatarmos estes factos, encontramos motivos, suficientemente fortes para os pais ponderarem sobre a prevenção das dependências desde o berço da criança, ao invés de ser na pré adolescência, nessa altura, pode ser tarde demais. A prevenção das dependências é um projecto da família.

A prevenção das dependências deve ser um projecto delineado 1. Pais 2. Escola e 3. Sociedade.  
O papel da família é importante na prevenção das dependências desde o nascimento da criança. Antes de a criança nascer, a família é um sistema complexo de personalidades e dinâmicas, individuais e colectiva, refiro-me aos papéis, às regras, às funções e convicções que regem a estrutura familiar no seu todo. A personalidade da família revê-se nos padrões e nas espectativas, nos sentimentos, pensamentos, nas suas crenças e tradições. O nascimento de uma criança vem modificar este sistema. 

 Se um membro da família tem um problema ou doença, esta situação dramática não afecta somente o individuo (doente), pelo contrário, todas as pessoas são afectadas, incluindo as crianças. Refiro-me a todo o tipo de adversidade, desde as doenças, acidentes, crise, desemprego, divórcio, adultos dependentes de drogas e/ou álcool, e/ou desilusões e fracassos oriundos dos projectos individuais, profissionais e económicos dos adultos. Nesse sentido, é durante a fase da socialização que surgem os desafios mais complexos na educação da criança, visto nenhuma família estar a salvo da adversidade. Como adultos sabemos, pelos motivos mais evidentes e dolorosos ao longo do devir, que a vida é difícil. Agora, como é que integramos esta questão existencial no plano de educação do(s) nosso(s) filho(s)? Como é que o(s) preparamos para enfrentar a adversidade?

Uma das respostas, residem no meu entender, com as nossas características individuais e sociais, como pais e indivíduos. Ao longo da vida, geramos aquilo que consideramos merecer e essa atitude também se reflecte na família; se considerarmos que somos indivíduos resilientes na gestão da adversidade e dos sentimentos, se considerarmos que somos indivíduos felizes, se possuirmos um propósito e sentido no rumo da vida, a nossa família, também irá colher estes frutos que a sustentaram nos momentos difíceis, caso contrario, se nos considerarmos indivíduos egocentristas e hedonistas, com baixa auto estima, ressentidos e umas vitimas das pessoas e do mundo, estaremos a minar nossa família. É imprescindível que sejamos honestos connosco próprios, a fim de consigamos monitorizar os efeitos e o impacto do nosso comportamento na família, incluindo das crianças. Se o fizermos estaremos a garantir zelo pela estrutura (sistema) familiar. Sabia que uma parte muito significativa do nosso comportamento, para com a família nuclear (esposa/o e filhos), é herdado dos nossos pais, avós ou outras pessoas significativas? Refiro-me às tradições, aos valores e convicções e à vinculação.  Podemos transportar uma herança familiar dolorosa de abuso ou negligência que poderá afectar a vinculação com os nossos filhos e podemos encontrar dificuldades em desempenhar a tarefa de educar e ao mesmo tempo, ser felizes. A nossa educação parental assenta em modelos que conhecemos e nos são familiares. Quais são as regras que nos ensinam para educar os nossos filhos? Ainda recorremos a um método que se resume a experimentar, através da tentativa e erro, isso significa que não dispomos de informação, assim como, aquela informação que possuímos pode estar errada.
 
Por outro lado, sabemos que para se ser uma família feliz, não é preciso ter tido uma educação fora de serie e/ou um possuir estatuto social elevado, basta assumir um compromisso honesto, devotado ao amor e dar o melhor possível.

Um pai e uma mãe comprometida com a educação e a família na prevenção das dependências:
- Dá o exemplo, exerce disciplina (não é ser amigo/a do filho, ele já tem amigos suficientes, os filhos precisam de um mentor e de um/a coach),
- Negocia e comunica o mais abertamente possível sem tabus,
- Desenvolve a resiliência, ajuda os filhos a fazer a auto-regulação dos seus sentimentos dolorosos em vez de satisfazer as suas vontades e os ímpetos da criança porque se sente culpada/o e não consegue dizer Não,
- Ensina a controlar o comportamentos e reforça valores e tradições saudáveis,
- Reforça a auto conceito e a auto estima, não me refiro ao culto do ego ou da imagem.
- Promove uma vinculação com base no encorajamento, no amparo, na pertença e na aceitação (amor).
 
Já referi esta afirmação várias vezes, na prevenção das dependências é urgente uma revolução no sistema e no paradigma actual, nos políticos, nos líderes, nas instituições, famílias e profissionais que zelem e se comprometam pelo futuro dos nossos filhos, porque o mundo dos adultos não é seguro para algumas crianças vulneráveis. Se conseguirmos educar os nossos filhos, se conseguirmos que eles possuam as competências e o talento necessário a fim de usufruírem uma vida plena, teremos conseguido com sucesso a nossa missão, aquela que considero ser a mais altruísta e abnegada de todas, ser pai ou mãe.

Se não formos nós, pais e família, a abordar o tema da prevenção das dependências e do consumo de drogas lícitas, e/ou ilícitas, outras pessoas, que não amam os nossos filhos como nós próprios, vão faze-lo.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Políticos e a Prevenção das dependências



De acordo com os últimos dados do Instituto da Droga e Toxicodependência e do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência existe um numero significativo de crianças e adolescentes portugueses afectados pelas consequências negativas das substâncias lícitas, incluindo o álcool, e das substâncias ilícitas. Não é novidade, mas apesar das evidências continuamos sem uma política e uma cultura direccionada para a prevenção das dependências. Todavia, estes relatórios não fazem referencias outro tipo de doenças do foro mental, em muitos casos associados ao consumo de drogas, por exemplo, a depressão e o suicídio. De acordo com a minha experiencia profissional, os dados disponíveis estão subavaliados, isto é, sabemos apenas a ponta do “iceberg” e escondem a verdadeira dimensão do problema.

O consumo e o abuso de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas entre os jovens, geram consequências graves a nível psicossocial e elevados custos económicos ao longo da vida. A acrescentar ao fenómeno preocupante e aos custos económicos, podemos também incluir os danos à família, na escola e na comunidade. Para além do elevado peso económico, o consumo e o abuso de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, também afecta as competências do desenvolvimento dos jovens, das quais destaco os relacionamentos interpessoais saudáveis, sucesso escolar e também a entrada no mercado do trabalho.  

Como é óbvio, alguns problemas de saúde mental estão ligados aos problemas de saúde física. Nesse sentido, podemos concluir: saúde mental saudável, melhoras na saúde física. Todavia, os políticos portugueses, apesar do seu conhecimento dos dados acima referidos, optam por negligenciar, e consequentemente, aguardar até que os problemas relacionados com as dependências, despontem, com consequências alarmantes e em alguns casos dramáticas, para depois procurarem as soluções “atabalhoadas”, e excessivamente dispendiosas, para os contribuintes portugueses e para a economia do país. As medidas atabalhoadas, servem somente para “desenrascar”  a situação em si, nunca o problema, na sua verdadeira dimensão.

Na minha opinião, actualmente não existe, e nunca existiu desde o 25 de Abril de 1974, (38 anos) uma vontade expressa e/ou um plano concertado entre os parceiros sociais, a investigação científica, os médicos, a comunidade escolar, os tribunais e a sociedade na área específica da prevenção das dependências. As drogas, o alcoolismo, o tráfico, o consumo aparenta fazer parte de uma estratégia de uma agenda política que visa, somente, angariar votos. Infelizmente, são casos de polícia e dos tribunais. Um número significativo de reclusos, são jovens, cujo delito está relacionado com drogas. Sabemos também que as prisões não reabilitam ninguém, pelo contrário. Em Portugal, não existe história, cultura e políticos que cumpram as suas promessas políticas, em prol dos direitos e das liberdades das crianças, provavelmente, por as crianças não terem “voto na matéria.”

Algumas áreas a necessitar de intervenção:
Prevenir a gravidez Indesejável e/ou em idade prematura.
Competências parentais /Planeamento familiar
Promover competências na escola contra o consumo de substâncias psicoactivas, a violência (bullying), e a educação sexual.
Prevenção das doenças do foro psicológico (depressão, suicídio, outras)
Prevenção da adversidade e gestão das emoções e conflitos (Separação, divorcio, dependências de substâncias dos pais, luto)
Promover comportamentos saudáveis junto de populações mais desfavorecidas
Em plena crise social e económica, a indústria poderosa e milionária das drogas e os seus parceiros, vai certamente proliferar. A oferta supera a procura.
Em plena crise social e económica, a indústria poderosa e milionária do álcool, vai certamente investir nas técnicas agressivas de marketing e de venda, visto a legislação permitir essa ilegalidade. Por exemplo, as bebidas alcoólicas e o desporto não se misturam.

Enquanto os políticos optarem pelo silêncio, sobre a prevenção das dependências, estão a negligenciar e a consentir que algumas crianças e adolescentes, famílias e comunidades continuem a sofrer as consequências dramáticas, assim como a (des) responsabilização pelos custos económicos elevados, associados á dependência das substâncias lícitas, incluindo o álcool, e as substâncias ilícitas. O Mundo dos Adultos não é seguro para algumas crianças vulneráveis. Desde tempos remotos, nunca foi, chegou a altura de quebrar o silêncio.

Não será mais económico o investimento na prevenção dos problemas de saúde do indivíduo, da família e da comunidade (física e mental) em vez de o estado (contribuintes) suportar o peso elevadíssimo da factura na negação dos sintomas e consequências? Qual o resultado pratico da luta contra as drogas? Na minha perspectiva, não identifico um envolvimento e um compromisso na maioria dos políticos na luta contra a droga. Precisamos de líderes que saibam liderar e gerar confiança, precisamos de transparência nas políticas deste país. Como diz o ditado popular: “Mais vale prevenir do que remediar”





quarta-feira, 29 de junho de 2011

Stop Psychiatric Labeling Of Kids

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Brain Hero. veja o video

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma Vida Desperdiçada É Demasiado



Sabemos há imenso tempo que os jovens portugueses, tal como a maioria dos jovens de outros países europeus, revelam uma predisposição e uma vulnerabilidade acentuada quanto ao fenómeno do consumo e abuso de bebidas alcoólicas (Binge Drinking – Consumir bebidas alcoólicas com o intuito de ficar intoxicado/embriagado), com idades entre os 13 e os 18. 

Sabemos das consequências para a saúde física e mental, assim como familiar e social. Creio que em menor escala, mas paralelamente, emerge outro fenómeno relacionado com o consumo e abuso de substancias psicoactivas, licitas e/ou ilícitas (drogas). Em Portugal, existe um número preocupante de jovens em risco, cuja tendência pode aumentar nos próximos anos.

Será o consumo e abuso de bebidas alcoólicas considerado ritual tolerado, de acordo com a nossa cultura, para a transição entre a adolescência e a idade adulta? Aceitamos este ritual, impotentes e sem respostas concretas e eficazes para abordar os perigos e riscos, deste fenómeno, na relação com os nossos filhos? Será que como pais, em particular e sociedade em geral, negligenciamos medidas urgentes e preventivas relacionadas com esta realidade? 

Em Portugal, quais as instituições que investigam este tipo de fenómeno e se preocupam em informar o publico em geral?
Dada a relevância e a evolução do fenómeno do Binge Drinking (consumir e abusar de bebidas alcoólicas com o intuito de ficar intoxicado/embriagado) entre os jovens é importante fazer esta pergunta.  Quantas vidas perdidas são desperdiçadas e negligenciadas por causa do álcool?


O Binge Drinking e o Bullying são estrangeirismos de fenómenos estudados noutros países, adoptados por cá? Se são estudados noutros países porque é que não merecem a mesma atenção em Portugal? Por exemplo, a indústria poderosa e milionária do álcool consegue através das suas estratégias de marketing agressivo e publicidade “inundar” eventos e actividades, ligadas ao desporto, à semana académica e à música, onde a maioria dos intervenientes são jovens, adoptando o lema “retrógrado” e ineficaz “Seja responsável, Beba com moderação” descartando as suas responsabilidades, quando na realidade os resultados desta medida são praticamente nulos. Parece que convém que assim permaneça.

Em Portugal, a idade legal para consumo e abuso de bebidas alcoólicas é a partir dos 16 anos. Sabia que o processo de desenvolvimento do cérebro só se completa aos 25 anos? Sabia que o Binge Drinking pode afectar negativamente o desenvolvimento do cérebro dos jovens? Se a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Advogados sabem deste fenómeno porque é que não interferem de uma forma zelosa e comprometida, neste domínio, tal como algumas suas congéneres estrangeiras?

O álcool é uma droga. Em Portugal, o alcoolismo é um problema de saúde pública. Quanto gasta o Estado na saúde? Existe a luta contra as drogas, porque é que no álcool a luta é as pessoas, apesar destas evidências?

Procurei no Google informação através das palavras – Jovens e o álcool. Imediatamente surge: “Jovens e o tabaco, Jovens e o desemprego, Jovens e o trabalho, jovens e o consumismo, Jovens e o dinheiro, etc”. Não aparece nenhum resultado sobre os jovens e o álcool.

O álcool e os jovens. Um único caso, um/a jovem, somente uma VIDA desperdiçada é demais. 

Uma Vida desperdiçada é demasiado quando:

  • Se conduz sob o efeito do álcool.
  • Se adopta um comportamento de risco
  • Pessoas morrem por alcoolismo.
  • Famílias são destruídas pelo abuso de álcool.
  • O risco de cancro aumenta.
  • Existem vítimas de violência doméstica, de abuso, de homicídio relacionado com o álcool.
  • Uma vida é desperdiçada quando essa jovem está grávida.
  • Não se sabe que a ajuda/apoio está disponível.
  • Uma criança cresce numa família afectada pelo álcool e o alcoolismo.
  • Jovens perdem a vida relacionadas com o álcool.
  • Pessoas precisam de tratamento e não têm apoio e recursos.
  • As pessoas vão para a prisão em vez de serem reencaminhadas para tratamento.
  • Acontecem acidentes e outras pessoas inocentes são afectadas.
  • Quando as crianças nascem com o Síndrome Fetal Alcoólico (SFA).
  • Existem acidentes, quedas e incêndios relacionados com o álcool que envolve outras vítimas.
  • Existem casos de suicídio relacionado com o álcool e o alcoolismo.
  • Existem casos onde as pessoas não pedem ajuda
  • Existem acidentes de condução sob a influência do álcool.
  • Existem inúmeros casos de absentismo laboral relacionado com o álcool
  • Ainda não existe a esperança de Recuperação
  • Ainda morrem jovens e adultos desta doença que é possível ser tratada.

Este fenómeno, ser um profissional e também ser pai, justificam a existência deste movimento expresso neste blogue. Se quiser responder às questões colocadas neste post pode fazê-lo, bem-haja.
O Mundo dos Adultos não é seguro para algumas crianças vulneraveis

domingo, 20 de março de 2011

Todos os jovens têm o direito de prosperar

domingo, 10 de outubro de 2010

Birke Baehr - "What's Wrong With Our Food ...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Teen Voice 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Factores políticos relacionados com o abuso e a dependência

Como sabemos os factores políticos, relacionados com o abuso e a dependência, são ignorados quando se trata por ex. do fenómeno do Alcoolismo. Todavia são factores que influenciem o aparecimento, assim como o desenvolvimento dos problemas associados ao álcool e/ou outras substancias licitas e/ou ilícitas.

Tal como tenho referido, Portugal é o único país da União Europeia onde é permitido a venda e o consumo de bebidas alcoólicas a jovens com idade a partir dos 16 anos. Politicamente "falando", o álcool pode ser "abusado" livremente pelos jovens. Observo com frequência alguns grupos de jovens na praia onde levam a toalha, o telemóvel, o iphone e bebidas alcoólicas. Faz parte da sua cultura e da sua identidade.

Em Portugal, parece não existir uma abordagem cujo objectivo contemple informar a população sobre as consequências do álcool e do alcoolismo. Observo alguns adultos pedirem aos jovens, com idades inferior aos 16, para comprarem bebidas alcoólicas e isso é considerado normal. Obviamente que destaco aquelas atitudes que negligenciam e ignoram o risco. Afinal o álcool é uma droga e somos uma cultura que bebe. Recordo inúmeros de casos de familiares que afirmavam incrédulos "Como é que é possível que o meu filho/a tenha um problema com o álcool..." ou "Nunca lhe faltou nada..."

Em Portugal, a politica influencia a comercialização e a disponibilidade (oferta) do álcool à população em geral. Todos os dias somos expostos, incluindo as crianças e os jovens, a um conjunto variado de estímulos (publicidade, técnicas de marketing) associados as bebidas alcoolicas. A politica determina que consumir bebidas alcoólicas, a partir dos 16 anos, é associado ao lazer e ao bem estar.

A politica, por outro lado, reforça a existência de leis e regulamentos associados à venda e ao consumo. Os consumidores são responsabilizados caso exista infracção. Isto é, o fenómeno do abuso e alcoolismo é ignorado. Por ex. os acidentes de viação em que o condutor esta sob o abuso do álcool, as vitimas de acidentes inocentes, a violência domestica, os acidentes no trabalho, do binge drinking entre os jovens, do alcoolismo, das famílias, incluindo as crianças. Se nas drogas existe a "A Luta contra a droga..." porque é que  no álcool a luta é contra os consumidores?

São necessárias medidas politicas que informem a população em geral das consequências da "Cultura que Bebe". Em Portugal, no princípios do sec. XX existia a crença que era nutritivo as crianças comerem Sopas de cavalo cansado  cujo ingredientes são: vinho, pão, gema de ovo e mel. No sec. XXI em zonas do país algumas crianças ainda sejam alimentadas pelas sopas de cavalo cansado.

Alguns estudos afirmam que o acesso limitado e a ausencia à exposição ao alcool é um factor de protecção em relação ao desenvolvimento de problemas associados ao alcool (abuso e dependencia).
As politicas sociais existem contundo aparentam ser insuficientes e retrogradas.

No mundo dos adultos algumas crianças e jovens vulneráveis são ignorados e vitimas da negligência, em prol do interesses económicos.

Mais Vale Prevenir Do Que Remediar



quinta-feira, 10 de junho de 2010

Killing Us Softly 3: Advertising's Image of Women

sábado, 1 de maio de 2010

Food Revolution Is Real

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A Prevenção das Dependências no Meio Escolar




Uma novo ano escolar aproxima-se, assim gostaria de abordar este tema.

A Prevenção das Dependências no Meio Escolar pode adquirir um estatuto de uma elevada importância na formação pedagógica dos alunos/jovens, professores e pais na nossa sociedade. Numa fase do seu desenvolvimento, os jovens fazem parte de uma população de risco sendo o objectivo central na implementação de programas de prevenção eficientes. Em muitos casos, a escola funciona como mediadora na discussão da temática da prevenção das toxicodependências entre pais e filhos.

Contudo, gostaria de salientar um episódio caricato. Em conjunto, com o conselho executivo foi implementado um programa de prevenção numa escola do Norte. Todos manifestaram um contentamento enorme, quase uma sensação de um alívio, visto a zona da escola ser um local de risco e existirem suspeitas de consumos por parte de alguns alunos. Depois de se iniciar o projecto com os alunos, professores e pessoal não docente, onde todos se mostraram interessados, chegou a altura de envolver os pais, nesta temática. Foram enviados mil convites aos pais para participação no modulo de Prevenção, aproximadamente. Quando chegou o dia da reunião de trabalho apareceram somente seis pais, que por sinal, já tinham participado nos modulos anteriores que estavam direcionados para os professores.

Na minha opinião, aparenta existir uma atitude passiva e permissiva - de negação quanto a enfrentar este problema preocupante, na nossa sociedade. Parece que, só de se falar sobre drogas, as pessoas evitam aparecer ou participar. Aparenta existir a ilusão de que os problemas só acontecem aos outros. Delega-se nos profissionais a responsabilidade de encontrarem soluções “radicais e milagrosas”. O risco das drogas não pode ser encarado como se de “um vírus” se tratasse. Onde o objectivo se centra no seu isolamento e na sua erradicação total. Este tipo de atitude reforça o estigma e a discriminação (negação), associados aos consumos de drogas e alcool e à impotência dos familiares (isolamento, culpa e vergonha), e os resultados são inúteis e infrutíferos.

Só uma presença continuada e consistente de programas de prevenção dentro da escola pode valorizar perfis e atitudes de autonomia em relação à experiência do consumo de drogas e alcool e desenvolver programas que visem reforçar factores protectores. Torna-se assim, indispensável um novo desenho da responsabilidade, do relacionamento e da articulação da escola, da comunidade educativa, dos serviços públicos de prevenção e tratamento das dependências. Devem ainda encontrar-se novos meios de informação acessíveis aos pais, de formação dos educadores e professores e novos conteúdos adaptados aos grupos etários do pré-escolar, do ensino básico, do secundário, ensino profissional e universitário. A multidisciplinaridade, os espaços informais, o recurso aos pares e a atenção especial ao abandono escolar precoce e agressividade (ex. bullying) são igualmente matérias obrigatórias de actuação conexa com a escola e a família.

Cada vez mais, os professores adquirem um papel importante na educação dos alunos. Na sociedade competitiva e consumista em que vivemos, é exigido aos pais um compromisso profissional e individual, que em muitos dos casos, se sobrepõe ao seu papel de educador (modelo) atento e disponível, incapacitando assim o apoio necessário aos seus filhos. Antes, eram os avós que desempenhavam este papel, mas os tempos mudaram.

Durante o meu envolvimento com este realidade sinto que os pais se tornaram mais exigentes, em relação ao papel da escola na educação dos seus filhos, visto estes passarem grande parte do seu tempo nos estabelecimentos de ensino. Neste sentido, a escola adquire um estatuto não só de competências do conhecimento, mas também onde o jovem pode desenvolver competências na sua vertente humana (individual), social e espiritual. Contudo a realidade é diferente. Na minha opinião, o papel da escola centra-se no desenvolvimento de competências intelectuais e morais do aluno, no compromisso com a cultura e integração na sociedade, da formação do cidadão onde permanecem os valores sociais acumulados pelos antepassados, um pouco desactualizados e separados da realidade da sociedade de hoje. Penso que este papel da escola poderia centrar-se também nas competências do ser, na formação das atitudes, das preocupações nos relacionamentos humanos, refiro-me ao papel das emoções e sentimentos (laços e afectos), da auto realização e do insight. Proporcionar um clima favorável à mudança do aluno/indivíduo onde a tendência se concentra no desenvolvimento das relações interpessoais, da comunicação e da espiritualidade.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

A Prevenção da Violência


A dificuldade quanto a implementar um sistema efectivo, na prevenção da violência, é definir um limite (politica) – estabelecer uma linha clara e consensual. Isto significa identificar o ponto (comportamento construtivo vs. comportamento problemático) da violência em que é necessário agir e avançar com um plano em acção de forma a eliminar o comportamento problema. Todavia determinar essa linha (ponto) não é tarefa fácil.

Dependendo da forma como a violência é manifestada, actos de violência podem dividir-se em duas categorias primárias: física e verbal. Por exemplo; uma rapariga, que cerra os dentes, arregala os olhos e começa a berrar com o dedo indicador, em riste, intimidando um colega de turma estará a praticar um acto de violência? E se ela atacar um colega com uma faca? Certamente, estes dois cenários, diferem no grau de gravidade, mas classificar violento o uso de uma faca e uma atitude com gestos intimidadores um acto não violento, será sempre um equivoco quanto à interpretação da natureza da violência.

È verdade, quando afirmamos que a maioria dos casos de manifestações de violência não são de natureza física. De qualquer maneira, é completamente impossível eliminar a violência física enquanto se tolerar o abuso da violência verbal.

A violência verbal pode revelar-se em expressões de raiva, aversão e ódio, através de palavras, gestos, linguagem corporal e comportamentos sociais que são desrespeitadores, intimidadores, humilhantes. Uma critica destrutiva, boatos maliciosos, olhar intimidador, simular com um gesto que se magoa ou se mata alguém são todos formas de violência porque são uma transgressão; uma violação evidente e enérgica para com a outra pessoa com a intenção clara em magoar ou insinuar o medo.

Por vezes, a violência física enquanto expressão mais facilmente identificada, pode ser mais dificilmente de detectada. Esmurrar alguém, é sem duvida alguma uma expressão de violência. E o mero toque físico? Em todo o caso, a coisa mais importante a reter nestas situações é conseguir discernir, se um/a jovem que provoca o contacto físico pretende impor qualquer coisa ou forçar alguém. Se a/o jovem for tocado contra a sua vontade o acto pode ser considerado demolidor e desrespeitador dos seus direitos como individuo.

Negligenciar intencionalmente alguém ou a sua propriedade é considerado uma manifestação de violência. Por exemplo, o individuo sabendo que é portador de uma doença que contagia outra pessoa ou um adolescente que provoca um colega de turma atirando para o chão os livros da escola; ambos cometeram um acto de violência.

Enquanto o tipo de violência verbal é muito mais frequente que o tipo violência físico, é mais difícil de provocar uma reacção enérgica na outra pessoa, queixando-se de uma maneira clara e especifica, porque esta forma de violência pode ser feita de maneiras muito subtis. Um olhar sarcástico e ou intimidador, um empurrão em alguém numa sala cheia de pessoas, desconversar, humilhar, cortar a palavra a alguém que fala são tudo formas de violência que são muitas vezes toleradas ou que simplesmente as pessoas não a identificam como tal.

De preferencia, ao procurar traçar a linha entre expressões de raiva violentas e não violentas devem ser conseguidas num ambiente seguro e seguindo uma abordagem baseada no raciocínio lógico e compreensivo. Actuando com base na prevenção, evitando assim a ocorrência de qualquer manifestação de violência. Na realidade, só se consegue traçar essa linha, no início de um tipo de comportamento violento, depois de ter sido identificado. A partir desse momento existe um dilema em se conseguir um numero razoável de pessoas que estejam de acordo quanto ao tipo de comportamento que é aceitável e qual o tipo de comportamento que não é aceitável e que é necessário modificar.

Todas estas questões são conclusivas quanto à questão central de se procurar delinear limites (linha) sobre os vários tipos de violência. È de facto um desafio. È importante que esta linha seja identificada de forma a que se consiga implementar programas de prevenção de qualquer tipo de violência, por exemplo, no meio escolar.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A impotencia na familia


Segundo, o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência os cálculos de prevalência do consumo problemático de drogas, em Portugal, situam-se entre os 2 a 10 casos por cada 1000 habitantes com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. Somos 10.329.300 milhões de habitantes segundo dados da Eurostat.

Podemos afirmar, que nos dias de hoje uma grande maioria das pessoas, já passou por uma experiência dolorosa, de uma forma directa ou indirecta, com casos de entes queridos, que sofreram ou continuam a sofrer deste flagelo social (adicção/doença). É sobre a família que gostaria de deixar aqui algumas reflexões. È a outra perspectiva deste flagelo/doença de quem sofre em silencio.

Quando um problema desta natureza "invade" uma casa de família, a maioria dos seus membros não está preparado para lidar e encarar com este problema de frente. Senão vejamos, no dia a dia, quando se discute sobre este tipo de problemas com amigos ou familiares temos a tendência para identificar os problemas que existem nas casas dos outros. Os problemas dos outros são mais graves se comparados com os nossos. Lembro-me de uma mãe, que dizia “… nunca quis acreditar que o meu filho tinha um problema grave. Como ele não roubava na rua, não arrumava carros, não se injectava e até trabalhava, achava que o problema dele não era assim tão grave. Até ao dia que recebi um telefonema do hospital a informar-me que ele tinha tido uma overdose. Fiquei desesperada.” E a seguir? Imediatamente, procuramos um culpado. “O que é que fiz de errado…?” “ Sou eu o culpado/a por isto ter acontecido.”
Se encontrarmos um culpado significa que encontraremos uma solução? Na minha experiência, a resposta é não. Questão que coloco é - "Culpamos para quê?"

O que é que acontece à estrutura familiar quando um dos seus membros, ou mais, abusam ou se tornam dependentes de drogas? De inicio, a família tenta evitar o problema, mais tarde, tenta eliminar o problema, depois surge a desorganização familiar. Sabemos que todas as atenções ficam centradas no individuo/os (doente) sem que a família se aperceba das consequências negativas deste tipo de abordagem. A estrutura familiar sofre um colapso e na maioria das situações, geram-se crises imprevisíveis entre o seus membros. Por ex. discussões, onde predominam a violência verbal e ou física, mentiras, roubos, um telefonema do hospital por causa de um acidente ou da policia por conduzir sob o efeito de alcool e/ou drogas, para mencionar apenas alguns casos.

Aprende-se a não falar, a não sentir e a não confiar – adopta-se a regra do silencio. Esta regra é um mecanismo que funciona como um “amortecedor” das emoções dolorosas. Vive-se estas emoções onde se aprende a reprimir e a “fugir” aos sentimentos dolorosos, acabando, assim, por negar a verdadeira dimensão do problema. Por ex. a mãe que protege o filho do embaraço e confronto “publico” facilitando e encobrindo comportamentos disfuncionais (doentes) que mais tarde se vai arrepender. “O que é que estou a fazer?.” Com altos níveis de ansiedade antecipa-se todo e qualquer tipo de problemas. Procura-se também um “bode expiatório” dentro da família que até pode ser alguém que não seja consumidor de drogas. Deprimidos e sem esperança, os familiares identificam-se no papel de vitimas na nossa sociedade, “Porquê a mim?…” “Só me acontece estas coisas a mim.” ou “Eu mereço isto…” “É um castigo…” “Não sou bom pai, não sou boa mãe, não sou bom marido, não sou boa mulher, não sou boa irmã/o. Em muitos destes casos as crianças são negligenciadas. Elas também aprendem a regra do silencio; não sentir, não falar e a não confiar, mesmo dentro da família.
O que fazer quando “agarrado a esta teia” sofrendo com a impotência e com a perda de controle? Eis alguns passos que pode dar.
è importante elaborar um plano de acção na família e no doente com a juda de profissionais com experiencia. Você não consegue controlar os comportamentos dos outros, bem como os consumos de drogas. Assuma a responsabilidade pelo seu próprio comportamento e pela impotência.
Procure mudar os “velhos” hábitos e comportamentos disfuncionais da parte da família em relação ao doente. Sabemos que a mudança é um processo que pode ser lento. Concentre-se no progresso em vez da perfeição (os resultados imediatos podem tardar). Pare de procurar culpados. Interiorize os 3 C´s. 1º C ) não é a família que causa a toxicodependência, 2º C) Não se pode controlar o comportamento dos outros nem o consumo de substancias e 3º C) não podemos curar o toxicodependente. Lembre-se, não existem culpados, ninguém é culpado.

Procure desligar-se emocionalmente do problema do doente, procure apoio dentro e fora da família, principalmente pessoas em quem confia. Se não encontra ninguém próximo trate de encontrar o mais rápido possível. Aprenda a dizer não, sem se sentir culpado. Defina limites e regras de comportamento dentro de casa, caso estas regras sejam desrespeitadas, isso implica consequências. Mais uma vez, não esteja sozinha/o neste plano, poderá soar a algo avassalador e intimidador. Tenha fé e esperança que mesmo com um membro da família doente, a vida não deixará de ser uma oportunidade de crescimento, de aprendizagem procurando assim, ajustar-se à realidade. Isto é mais vantajoso para a família e para cada membro individualmente, do que viver numa fantasia e em negação. Considere um tratamento para o doente. Pode ser um ponto de partida para um novo modo de vida.
A toxicodependência é uma doença de comportamentos e é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, por isso, necessita de ser tratada tal, sem castigar e ou punir.

sábado, 30 de junho de 2007

A Mudança de atitudes pode ser uma janela de oportunidades



Umas das minhas prioridades na area da prevenção é informar e educar, os jovens, sobre um vastíssimo leque de escolhas positivas e construtivas quando à forma como se podem divertir, gerir os seus conflitos, os seus valores morais, a pressão entre pares, escolher amizades, lidar com as suas emoções negativas (raiva, medo, vergonha, frustração, rejeição, lidar com os seus impulsos, etc), tomar decisões construtivas e gestão do stress sem necessitarem de substancias psicoactivas. 
Também procuro a partilha de informação e a discussão sobre os efeitos e consequências do consumo de substâncias psico activas, licitas e/ou ilícitas, onde o objectivo se centra em desmistificar mitos e valsas crenças. Alguns jovens fumam tabaco para se sentirem adultos e consomem substâncias, incluindo o álcool, para se divertirem. Estas realidades vão continuar, não existem soluções “milagrosas”, todavia, acredito que um projecto estruturado e continuado podemos ajudá-los a fazerem escolhas, no seu dia-a-dia, que promovam o desenvolvimento pessoal e que visem reforçar factores protectores. 


Existem contradições, a droga aparece como a preocupação numero um nos pais em relação aos seus filhos, por outro lado, alguns pais parecem manifestar a intenção de permanecerem isentos do papel de educadores, a tempo inteiro. Constato que os pais manifestam a suas preocupações, reais, relativamente ao possível consumo e ou abuso(consumo problemático) de substâncias, por outro lado quando convidados a participar activamente neste problema parecem excluir-se. Aparenta existir uma atitude passiva e ambivalente por um lado, rígida, controladora e austera, por outro. São os lados da mesma moeda. Este tipo de atitude, na nossa cultura, reforça e promove a discriminação, o estigma, a negação associado aos consumos de drogas. Recordo-me de pais que, após tomarem conhecimento que um filho consumia drogas, a vergonha e o sentimento de culpa, associado à impotência que sentiam, paralisava-os, acabando por afectar todo o ambiente familiar.