Mostrar mensagens com a etiqueta pais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pais. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 10 de junho de 2021
Gestão de conflitos
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
19:16:00
0
comments
Marcadores:
emoções,
família,
honestidade,
pais,
relações,
role models,
sentimentos
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
Quebrar o silêncio disfuncional
Existem palavras poderosas que mudam as pessoas, para melhor. É através das palavras que quebramos o silêncio disfuncional da negação e da vergonha.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
18:08:00
0
comments
Marcadores:
mudança de comportamentos,
pais,
prevenção,
relações,
resiliência,
sentimentos
quarta-feira, 22 de julho de 2020
Não basta sobreviver é preciso ir mais além
A genialidade humana reclama que não estejamos limitados a sobreviver, mas que sejamos inovadores e resilientes na arte de bem viver.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
16:54:00
0
comments
Marcadores:
emoções,
estigma,
mudança de comportamentos,
pais,
relações,
resiliência,
role models
quarta-feira, 1 de julho de 2020
As pessoas mais felizes gostam de pessoas
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
18:47:00
0
comments
Marcadores:
adolescencia,
direitos da criança,
direitos humanos,
família,
pais,
política,
prevenção,
relações,
role models,
sentimentos,
sociedade
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Os conflitos entre pais, não envolvem os filhos
Qual é o
impacto que o conflito entre os pais (e famílias) tem nas vidas das crianças?
A perturbação traumática é capaz de induzir a criança num
estado de alerta constante, resposta fisiológica - lutar, fugir, cristalizar,
vulgo fight or fly response. Este
estado de alerta constante desencadeia a libertação de hormonas do stress no
seu organismo, capaz de interferir, negativamente no desenvolvimento
(arquitetura) do cérebro. Segundo a Academia Americana de Pediatras afirma que
a resposta biológica a este estado de alerta constante pode revelar-se
altamente destrutiva e durar a vida inteira. Segundo exames de ressonância
magnética em crianças revela que episódios de violência, abuso emocional e/ou
sexual, violência domestica ou pais adictos a drogas lícitas e/ou ilícitas,
incluindo o álcool, entre outras perturbações traumáticas, podem comprometer
algumas áreas cruciais sobre o funcionamento do cérebro. Segundo um estudo
conduzido em mais de 17.000 doentes num Hospital de S. Diego (Kaiser Permanente,
USA 1998) revela que as pessoas com perturbações traumáticas estão mais
predispostas para abusarem de drogas e sofrerem de alcoolismo, desenvolverem
doenças mentais, suicídio e cancro.
Como bem sabemos, o conflito faz parte do relacionamento com
as pessoas. Quando conhecemos alguém, mais tarde ou mais cedo, iremos
desenvolver um conflito com essa pessoa por discordarmos e/ou confrontarmos ou
vice-versa. Se imaginarmos o mesmo cenário, mas acrescentarmos o facto de
vivermos na mesma casa, “debaixo do mesmo teto”, durante um período
considerável, a probabilidade do surgimento do conflito ainda é mais elevada. Todavia, a questão fulcral é o que é que os
pais podem fazer de forma a gerir o conflito sem envolverem as crianças, pelo
menos o menos possível. É possível? Sim, nestas alturas de conflito, como adultos,
precisamos de recordar que as crianças possuem uma interpretação completamente
diferente sobre o conflito e contemplar uma estratégia, “plano de batalha entre
adultos” com critérios bem definidos, a fim de salvaguardar a criança de
eventuais danos. Convém também salvaguardar que nem todo o conflito gera
dano/trauma, mas quando este se revela frequente, intenso e duradoiro,
certamente irá gerar consequências negativas na criança.
Existem evidências cientificas sobre o conflito entre pais, quer
estejam a viver em conjunto/maritalmente ou estejam separados/divorciados, revelam
que o conflito pode comprometer seriamente a saúde mental da criança, assim
como, durante o seu percurso de vida.
Quando houver conflitos, entre pais, ambos ou pelo menos um
dos progenitores, faça questão de que a criança não assista à “guerra dos
adultos”, explique à criança que é assunto de adultos e que aconteça o que
acontecer os pais vão sempre ama-la com honestidade, compromisso e esperança. Os
pais são uma referência para o desenvolvimento da criança.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
18:41:00
0
comments
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Campanha publicitária
Campanha publicitária "Há conversas mais fáceis" visa sensibilizar os pais de filhos até 18 anos sobre os riscos do abuso de bebidas alcoólicas. Esta iniciativa foi promovida pelo Clube de Criativos de Portugal, em parceria com o Serviço de Intervenção dos Comportamentos Adictivos e Auto Regulação Publicitária. Autores dos cartazes Roberta Batista e Gonçalo Martinho
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
18:31:00
0
comments
Marcadores:
adolescencia,
alcool,
comunidade,
direitos da criança,
jovens e o alcool,
pais,
plano nacional de saude
quarta-feira, 12 de julho de 2017
Eu, eu e eu e depois tu.
«As crianças que são expostas à violência, na família, o
seu cérebro revela o mesmo tipo de actividade que os soldados em combate.» ThePsychmind.com
Muito se escreve e se fala em violência domestica entre
adultos, mas não podemos esquecer as crianças, oriundas de famílias disfuncionais,
também elas expostas à violência pelos pais. Em muitos casos, estas crianças
são manipuladas pelos pais narcisistas. O mundo dos adultos não é seguro para
algumas crianças vulneráveis.
Eis algumas características de pais narcisistas e os seus jogos
psicológicos segundo o Dr Dan Neuharth.
- Proíbem os filhos de discordar do pai/mãe.
- Utilizam a culpa, a manipulação e a pressão afim de satisfazer, em primeiro lugar, as necessidades do pai/mãe.
- Comportamento imprevisível do pai/mãe.
- Arruínam momentos felizes por causa do comportamento egoísta do pai/mãe.
- Dramatizam, «culpam tudo e todos» e destabilizam a harmonia familiar.
- Adotam jogos psicológicos – vitima/mártir.
- Dizem aos filhos que podem confiar no pai/mãe, mas depois desiludem, visto não serem capazes de manter o compromisso por muito tempo.
- Necessidade de ser o centro das atenções ou dominar os temas das conversas.
- Estes pais nunca estão satisfeitos com o comportamento dos filhos.
- Minimizam ou ridicularizam os sentimentos das crianças. Por exemplo, a criança chora e o pai/mãe faz chacota da situação em publico.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
11:12:00
0
comments
Marcadores:
ansiedade,
auto-estima,
direitos da criança,
família,
mudança de comportamentos,
pais,
relações
quarta-feira, 16 de março de 2016
«Filho és, pai serás»
« A filha precisa que o relacionamento com o pai seja uma referencia, pela qual irá servir para o futuro, na sua relação com o sexo masculino» Prego & Mommy Chat
Como pais, sabemos os desafios que representa educar e ser uma referencia positiva, para os nossos filhos. Por experiência própria, por vezes, sabemos o quão regredimos porque apesar dos nossos melhores esforços, não existe uma poção magica quanto ao papel de pai. Por outro lado, podemos responsabilizar pelo nosso próprio desenvolvimento moral e podemos fazer imenso em ambos sentidos, aprender com os erros e assumir o compromisso para mudar de atitudes e comportamentos.
Um dos grande desafios, como educadores e referências, é conseguirmos compreender a perspectiva dos filhos e conseguirmos separar os pontos de vista; a deles e a nossa. Isto é, conseguirmos compreender, a nossa experiência ( e vivências) como crianças, na relação com os nossos pais, e o nosso relacionamento com a criança/filho/a. Nas consultas, alguns pais, referem que o seu papel de pais, tem como referencia principal, a forma como foram educados pelos seus proprios pais. Esta situação pode dificultar a nossa compreensão das necessidades, da historia e da vida dos nossos filhos.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
11:20:00
0
comments
Marcadores:
cultura,
dependencias,
educação,
pais,
resiliência,
role models,
sociedade
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Qual é o tipo de educação que você escolhe para o seu filho?
«As crianças ouvem tudo aquilo que os pais dizem. Elas imitam tudo aquilo que você faz. Seja uma referencia/modelo positivo.»
- Se você bebe bebidas alcoólicas, na frente dos seus filhos, faça-o de uma forma responsável.
- Se você consome drogas ilícitas, não o faça na frente dos seus filhos e não o encoraje a seguir o mesmo caminho em relação às drogas. Proporcione-lhes conhecimento cientifico sobre o assunto. Lá porque você não identifica problemas, relacionados com o uso de drogas, isso não quer dizer que o mesmo aconteça com o seu filho.
- Se você é fumador, evite fazê-lo na presença do seu filho. Assuma perante o seu filho que a sua escolha em fumar está errada e que pode acarretar consequências graves de saúde e perda de qualidade de vida. Admita a dependência e fale com ele sobre o assunto.
- Se você toma medicação, sujeita a receita medica, não o faça na frente do seu filho, é um assunto que só diz respeito a si próprio; faça-o de uma forma discreta e mantenha (guarde) os medicamentos longe do alcance das crianças.
- Pratique desporto com o seu filho e encoraje-o a fazê-lo com os amigos.
- Faça um tipo de alimentação diversificada, equilibrada e saudavel. Evite expor o seu filho ao consumo excessivo de açucar.
Dê oportunidades ao seu filho para descobrir o mundo. Um mundo seguro, mágico, que desperta e estimula a curiosidade e interessante. Como pai/mãe seja um bom guia. Proporcione às crianças valores e princípios, morais universais, que fomentem a honestidade, a felicidade, a empatia, a confiança, a liberdade, a resiliência e a justiça livre de drogas.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
11:16:00
0
comments
Marcadores:
crianças,
família,
honestidade,
pais,
política,
prevenção,
role models
segunda-feira, 11 de maio de 2015
As palavras são poderosas
«É da maneira como falamos com os nossos filhos que, mais
tarde, eles vão desenvolver a sua consciência.» Peggy O´Mara.
Como pais, somos responsáveis por proteger os nossos filhos
de sentimentos destrutivos, como por exemplo da vergonha. Por exemplo, facilmente
evocamos a educação para justificar a humilhação, a agressividade, manipulação,
o repúdio e o desrespeito.
- Como pai/mãe, considera que utiliza os mesmos critérios disfuncionais na educação que o seu pai/mãe utilizaram consigo?
- Considera que a sua abordagem na educação está alinhada com os interesses e o desenvolvimento dos seus filhos? Você sabe como elogiar e como criticar? Em escutar e incentivar a empatia e a assertividade?
- Sabia que as crianças aprendem mais depressa através do seu exemplo, do que através dos seus conselhos?
Por outro lado, também somos os responsáveis por desenvolver
e incutir nas crianças sentimentos positivos e competências resilientes. Por exemplo,
ajuda-los a regularizar os seus sentimentos dolorosos através das competências
individuais, em vez das recompensas materiais e através do não em vez do sim.
Desenvolver competências que visam a autonomia, a gestão dos impulsos, a
clarificação de valores morais e espirituais. Promover um contexto familiar seguro,
estimulante e aberto à discussão e à aprendizagem.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
11:45:00
0
comments
Marcadores:
crianças,
direitos da criança,
educação,
emoções,
pais,
resiliencia,
role models,
sentimentos
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
O ciclo da vida é um processo continuo mas composto por varias fases.
Legenda: “Digo Não e é Meu porque estou a crescer e a aprender a ser eu próprio, em vez de ser considerado um fedelho egoísta. “
Comentário: Desde que nascemos até morrermos, o ciclo da vida caracteriza-se, pelo desenvolvimento do individuo, através de diversos estágios bem definidos – infância, adolescência, adulto e idade sénior. Cada um destes estágios serve um propósito específico, a fim de que cada fase seja executada na sua plenitude.
Ainda não há muitos anos, em meados dos anos 70 e 80, as crianças que não se adaptavam ao contexto escolar ou que os pais não tinham recursos económicos e financeiros eram obrigadas a trabalhar.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
11:51:00
0
comments
sábado, 5 de julho de 2014
Uma triangulação polémica entre pais e filhos
Um grupo de alunos da Universidade Católica de Lisboa - Faculdade de Ciências Humanas envolvidos num trabalho para a disciplina de Métodos e Técnicas de Investigação em Ciências Sociais, com a professora doutora Teresa Líbano, convidou-me para participar no seu trabalho sobre o fenómeno das drogas e dos consumidores em Portugal.
De acordo com a minha experiencia profissional, a grande maioria dos pais lida, atrevo-me a acrescentar, reage mal quando descobrem que o filho/filha consome drogas. Quando descobrem, os comportamentos dos pais, oscila entre as ameaças verbais e os castigos desproporcionados e a passividade, a complacência e a impotência. Estes comportamentos disfuncionais revelam uma ausência de um plano ou uma estratégia sobre a temática das drogas ilícitas. Saiba mais (siga o link) Pais, filhos e as drogas
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
20:31:00
0
comments
Marcadores:
adolescencia,
alcool,
alcool e drogas,
bingedrinking,
crianças,
cultura,
familia,
família,
jovens e o álcool,
pais,
política,
prevenção
sexta-feira, 14 de março de 2014
O mundo dos adultos não é seguro para algumas crianças vulneraveis
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
00:27:00
0
comments
Marcadores:
cultura,
direitos da criança,
obesidade,
pais,
plano nacional de saude,
role models,
sociedade,
valor do dinheiro
sábado, 8 de março de 2014
36ª Dica Arte Bem-Viver de 27/11/2011
Olá
Perante o fenómeno complexo das relações interpessoais, no
dia-a-dia, a comunicação honesta e assertiva assume um papel de destaque que
necessita de uma actualização constante das nossas competências.
- Na comunicação procure dar prioridade em compreender o
ponto de vista da outra pessoa, antes mesmo que expor o seu. Erradamente,
revelamos demasiada preocupação em expor o nosso ponto de vista, e só depois
entender o ponto de vista do outro. Se estiver realmente interessado/a em
aprofundar o assunto em questão, invista na arte de fazer perguntas
importantes. Oiça aquilo que é dito, não aquilo que você pensa que é.
- Na comunicação seja zeloso para com os compromissos que
assume. Não existe maior desilusão quando alguém promete algo e depois não
cumpre. Seja honesto/a consigo, e se verificar que não consegue cumprir os
compromissos, não os assuma. Simplifique, evite ser agrador/a.
Votos de uma semana produtiva na comunicação interpessoal
Cumprimentos
Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com
uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é
enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa
(Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À
data deste post vai na sua 154ª publicação.
Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta
enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica
Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Mais Vale Prevenir
Do Que Remediar
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
20:23:00
0
comments
Marcadores:
adolescencia,
educação,
honestidade,
jovens,
mudança de comportamentos,
pais
sábado, 25 de janeiro de 2014
Como não avançamos a tendência é para cristalizar
Em pleno seculo XXI, a prevenção das drogas em Portugal ainda
é um mito.
Você considera que a nossa cultura reforça a prevenção das
dependências? Na minha opinião, a resposta não é fácil, mas creio haver necessidade
de uma revolução, porque as dependências de substâncias psicoactivas licítas,
do Sistema Nervoso Central, incluindo o álcool e as ilícitas, são uma epidemia
e representam um problema de saúde pública com custos elevadíssimos. Caso não
se tomem as devidas precauções a tendência é para se agravarem visto negarmos esta realidade. E enquanto for negada vai assumindo proporções
epidémicas. Só para se ter uma ideia, o álcool é a droga mais perigosa,
comparativamente a todos as outras,por ser ser aceite socialmente.
Segundo Edward B. Tylor cultura é «Aquele todo complexo que
inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos
os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da
sociedade.» A sociedade somos nós.
O fenómeno tende a
alastrar-se
Desde o princípio dos anos 80, após a revolução do 25 de
Abril de 1974, não existe uma política que contemple um plano de prevenção das
dependências direccionado para os jovens, pais e escolas. Não existe uma
cultura de investigadores, de educadores, de instituições e profissionais e de
pais que assumam um compromisso sobre a prevenção. Outra situação idêntica, educação
sexual inexistente nas escolas. Se o ser humano pratica sexo há milhares de
anos, qual é o problema abordar o tema abertamente? São os mitos? Os
preconceitos? Ou outra razão que eu desconheça? O mesmo acontece com o álcool e
outras drogas. Se o ser humano sempre consumiu drogas, desde os primórdios da
humanidade, qual é o problema em abordar o tema abertamente?
Se o ser humano sempre consumiu drogas, a partir dos anos
60, este fenómeno assumiu proporções epidémicas em todo o mundo. O mundo das
drogas (produção, trafico, consumo e a dependência) é complexo, mas também
precisamos de admitir que o contexto social tem sido terreno fértil para a sua
propagação. Existe uma cultura (moda) que procura sensações fortes de prazer e
bem-estar a fim de descomprimir das tensões, do tédio e que visa acabar com o
sofrimento através de drogas, incluindo a auto medicação, substâncias sujeitas
a prescrição medica (por exemplo, os ansiolíticos). Existem drogas diferentes
para todos os tipos de preferências, tendências, contextos e estatuto sociais, a
procura supera a oferta; estão criadas as condições para um negócio lucrativo. O
tráfico, o consumo ocasional, o abuso e a dependência são uma indústria com
lucros muito significativos. Estima-se em 160 mil milhões de dólares, oriundos do narcotráfico, anualmente, lavados na banca internacional. O negócio global de muitos milhões de dólares,
dinheiro sujo das drogas, é constituído por um sem número de parceiros,
interesses e «fiéis» colaboradores que ajudam a sustentar a economia global. É
um círculo vicioso.
A prevenção das
dependências de drogas, incluindo o álcool, começa no berço.
Em Portugal, a prevenção das drogas nunca foi uma prioridade
para os decisores políticos, apesar de os candidatos às eleições visitarem
instituições, para pessoas com problemas com drogas, somente para angariarem
votos e fazerem promessas que depois não cumprem. Por exemplo em relação às
drogas ilícitas, os líderes políticos centram o combate no tráfico, recorrendo
às forças policiais. Esta estratégia não visa a prevenção, e está provado que
não surte efeito. Prende-se um traficante, imediatamente este é substituído por
mais dois ou três. Alguns países da Ásia, ainda aplicam a pena de morte aos
traficantes, mesmo assim, este tipo de leis não conseguem erradicar o tráfico de
drogas naqueles países.
Como referência de mudança de mentalidades e cultura, após o
25 de Abril de 1974 e o boom das
drogas ilícitas (por exemplo, refiro-me ao canábis, à heroína e à cocaína), passados 40 anos, actualmente
algumas pessoas ainda consideram «os drogados» uns criminosos e marginais que
deviam ir presos. As prisões não tratam as dependências. Alguns pais ainda
adoptam a estratégia de prevenção, em relação aos filhos adolescentes,
afirmando «Se tocas em drogas, esquece que sou teu pai», as ameaças ou a
agressividade nunca funcionaram, muito menos nos dia de hoje, enquanto outros pais,
creio serem em maioria, optarem pelo silêncio. Desde 1974 até 2014 quais são as
diferenças culturais que contemplam a prevenção das dependências? Ao longo dos
últimos 40 anos quais foram as lições que aprendemos sobre a prevenção das
dependências? Desde os anos 80, e após os avanços tecnológicos nos anos 90, continuamos
a ter pânico que os nossos filhos se tornem dependentes de drogas e ou álcool,
como se fosse um vírus, mas na realidade, pouco fazemos para mudar esse cenário
assustador. Negamos as evidências, com a agravante de ainda acreditarmos que esse
tipo de problema só acontece aos outros. Paradoxalmente, recordo conversas com pais,
políticos, professores, médicos, onde o tema central é a prevenção, e todos são
unânimes “ É urgente fazer qualquer coisa.” Falta passar das palavras aos
actos. O estigma, a negação e a vergonha relacionado com as drogas interferem
na prevenção das dependências. Isto é, sabemos que o problema subsiste, mas negamos
os factos.
Actualmente, relativamente à educação dos filhos, uma grande
parte dos pais tem sentimentos de culpa, porque considera que falharam em algo.
Surpreendentemente, o sentimento de culpa já existia antes mesmo de ser pai ou
mãe, já existia na família, na educação, no emprego ou carreira profissional. Delegamos
à escola e à sociedade, essa tarefa complexa da educação, porque como pais, não
possuímos disponibilidade para o fazer. Quando alguma coisa corre mal,
imediatamente apontamos o dedo e arranjamos um culpado. Não iremos resolver as
questões mais complexas encobrindo aquilo que realmente precisa de ser feito
procurando culpados. Oiço muitos pais afirmarem “ Ser pai/mãe é difícil. Não
existe um livro que nos ensine a educar os nossos filhos.» Eu acrescento, se
existisse o tal livro, não tínhamos tempo para ler. Andamos numa correria, sem
ter um propósito concreto. Como pais ansiamos que a educação que incutimos nos
nossos filhos resulte. Paralelamente, também ambicionamos ideais de grandeza e
sucesso para eles, mas por outro lado, como educadores sobrevivemos como
podemos a acontecimentos que colocam em risco a segurança e a pertença (amor).
Existe um sentimento geral de impotência perante o poder económico, a crise
financeira e social (injustiça, as desigualdades, o desemprego, a precariedade).
Será honesto e legitimo ambicionar ideais de grandeza e sucesso, para os nossos
filhos, quando na realidade, como pais sentimo-nos culpados e impotentes
perante a sociedade consumista e hedonista? Perante a sociedade, queremos ser
mais inteligentes, mas não somos. Queremos ser mais ricos, mas não somos.
Queremos ser mais felizes, mas não somos. Queremos um futuro para os nossos
filhos, mas não sabemos como orienta-los - qualquer coisa que possamos fazer,
nunca chega e nunca é suficiente, é preciso mais e mais.
É do conhecimento geral, e reforçado pelos estudos, que a pré-adolescência
é o período critico em que os jovens iniciam as suas primeiras experiências com
as drogas; primeiro com o tabaco, depois o álcool, de seguida, outras drogas
ilícitas. Sabendo deste fenómeno e os custos elevados, quais são as estratégias
de prevenção adoptadas para o período pré-adolescência/infância? Quais são as
estratégias de prevenção do binge
drinking, beber álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez? Do tabaco?
Do consumo das drogas ilícitas? Da condução sob o efeito do álcool? Da gravidez
indesejada? Do suicídio? Da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis?
Alguns dados
- Outro fenómeno preocupante são as novas drogas legais. Sabia que até Abril 2013 foram identificadas 105 novas drogas legais. O consumo de droga, incluindo o álcool, é uma das principais causas de morte entre os jovens na Europa, refere o Relatório Europeu sobre Drogas 2013, divulgado em Lisboa pela agência europeia de informação sobre este problema (EMCDDA).
- Em Junho de 2011 a Comissão Global de Política de Drogas afirmou: "A guerra global contra as drogas falhou, com consequências devastadoras para indivíduos e sociedades pelo mundo. Cinquenta anos após o início da Convenção de Narcóticos da ONU, e anos depois do presidente Nixon ter lançado a guerra contra as drogas, reformas fundamentais no controlo global de drogas a nível nacional e internacional são urgentemente necessárias"
- A indústria do álcool, através do recurso a técnicas agressivas de marketing, da comunicação social e dos lóbis insistem em associar o consumo de bebidas alcoólicas e o desporto. Por exemplo, colando marcas de bebidas alcoólicas à selecção portuguesa de futebol e à Liga de Futebol. Na minha opinião, é inadmissível e são incompatíveis; não colam. O desporto e as drogas não são compatíveis. O álcool é uma droga lícita, tal como o tabaco. Esta situação só é possível graças aos milhares de euros, aos lobis e outros interesses. Causa-me consternação, agravada com a conivência das autoridades, existirem empresas e pessoas, membros de família e com filhos, que dedicam horas, dias e meses do seu trabalho a elaborar estratégias (marketing agressivo) que visam o consumo de álcool direccionado para os jovens.
- Segundo um inquérito aos alunos da Universidade de Lisboa (UL), resultado de uma parceria entre a UL, o Conselho Nacional de Juventude e o Serviço de Intervenção em Comportamentos Adctivos, afirma que 40% dos alunos do Superior já experimentaram drogas. Canábis lidera os consumos, seguido pelas smart drugs, anfetaminas e cocaína. 36,2% dos jovens que bebem álcool fizeram-no pela primeira vez antes dos 15 anos.
- 01/12/2013 Reportagem no Jornal de Noticias: “100 mil pessoas na rua naquela que é a noite mais longa em Guimarães. Recorde álcool no pinheiro Nicolino. (…) O que não se esperava é que os Bombeiros de Guimarães tiveram tanto trabalho no transporte de nicolinos alcoolizados. Foram 26 internamentos por princípio de coma alcoólico ou mesmo efectivado. O maior numero de sempre, sendo que no ano passado foram 17.”
- O Epiteen estudo realizado, pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, ao longo da última década, a quase três mil jovens, todos nascidos em 1990 e alunos nas escolas públicas e privadas do Porto, que avaliou os participantes aos 13, aos 17 e aos 21 anos revela relação de violência na adolescência com agressões mais tarde. 77% dos jovens afirmaram experimentar drogas por curiosidade. Canábis lidera os consumos, seguido pelo álcool e tranquilizantes. Segundo os jovens (24%) a escola é o local onde é possível obter o canábis.
- Anúncios entre programas de televisão infantis. Segundo o Conselho Económico e Social Europeu defende a erradicação total da publicidade nos intervalos de programas infantis, de forma a evitar outros efeitos, o aumento do «bullying de marca».
- Notícia do Jornal de Noticias: «Filhos dos pobres não conseguem fugir da pobreza. Portugal é dos países onde é mais difícil quebrar ciclos de pobreza entre gerações muito por causa da imobilidade educativa: pais pouco instruídos têm, sobretudo, filhos também pouco instruídos. Situação educativa e económica das famílias é determinante para o futuro dos filhos.»
- «A pobreza é como que hereditária” Eurostat, dados de 2011.
- Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, registou 261 mortos, entre a população jovem, com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos de 2010 a 2012. O álcool está associado à mortalidade rodoviária entre os jovens.
- De acordo com um testemunho de um jovem de 24 anos, acerca da condução sobre o efeito do álcool afirmou: «É normal, já estou habituado.»
- As campanhas de sensibilização sobre os perigos da condução sobre o efeito do álcool não são suficientes. O objectivo das campanhas estão direccionadas para o comportamento do individuo, visando desresponsabilizar, os decisores políticos e a indústria do álcool. Quantas mortes são necessárias para inverter esta politica de negação?
Já diz o ditado popular «Mais vale prevenir do que remediar» e na prevenção das dependências urge uma revolução.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
19:46:00
0
comments
Marcadores:
adolescencia,
alcool,
alcool e drogas,
bingedrinking,
bullying,
condução sob o efeito do alcool,
crianças,
pais,
prevenção,
publicidade
sábado, 13 de julho de 2013
"A minha declaração de compromisso para com as minhas crianças"
Tradução: A minha declaração de compromisso para com as minhas crianças.
Enquanto eu estiver vivo irei sempre ser, em primeiro lugar
o/a teu pai/tua mãe, e em segundo lugar, serei teu amigo/a. Porque te amo, irei
ser o teu amparo, irei reagir às tuas investidas contra certas regras, irei dar
conselhos e lições de moral, irei deixar- te cheio de raiva, irei ser o teu
pior pesadelo e irei à tua procura como um cão de caça. Quando realmente perceberes
que o meu papel é este, nessa altura, vou aceitar que já és um adulto responsável.
Ao longo da tua vida, não irás encontrar ninguém que te ame, apoie, reze e se
preocupe contigo, mais do que eu. O meu trabalho como progenitor/a, para
contigo, nunca estará completo se tu, pelo menos uma vez, não resmungares, “Eu
odeio-te”, em toda a tua vida.
Se você é pai/mãe e concorda com este texto, partilhe este post.
Autor Anónimo
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
17:22:00
0
comments
Marcadores:
crianças,
jovens,
pais,
role models
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Bullying - "Até hoje"
Até hoje!
"Eles estavam enganados..."
As consequências do bullying podem permanecer para o resto da vida: "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar"
Veja o vídeo
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
20:32:00
0
comments
Marcadores:
agressividade,
bullying,
comunicação,
comunidade,
crianças,
direitos da criança,
educação,
empatia,
escola,
família,
internet,
pais,
política,
prevenção
domingo, 26 de agosto de 2012
"O Regresso à Escola”
Entrevista com o Dr. Miguel Mealha Estrada sobre “O Regresso à
Escola”
Por: Patrícia Tadeia (Jornalista) Jornal METRO, Portugal
Patricia Tadeia: Como é que as crianças vêem e lidam, de um modo geral, com o primeiro dia de aulas? É um dia fundamental para traçar todo o percurso escolar?
Miguel Mealha: Varia de criança para criança; varia desde a educação e disponibilidade emocional que os pais têm dado e dão à criança, desde como a sua composição genética, estará, digamos “preparada” para lidar com o desconhecido e como se vai moldando durante o desenvolvimento.
Outro factor muito importante, é que o "primeiro dia de aulas" não começa quando a criança entra na escola, mas sim, enquanto a criança, neste caso o feto, ainda está dentro da barriga da mãe (para mais detalhes ler o meu artigo no Portal da Saúde, "O Irrelembrável e o Inesquecível- A Alquimia do Nós" (http://saude.pt.msn.com/, na secção "Família- Fertilidade e Gravidez) - a criança desde essa etapa, digamos, já está a aprender. Com isto quero dizer que a preparação da criança para enfrentar e saber lidar de passo a passo com novas situações e desafios, começa pelo seu desenvolvimento, desde bebé, à cresce até ao primeiro dia de escola, e isto está dependente da capacidade dos pais de ensinar os filhos a auto-regularem-se psicologicamente entre outros factores sociais de influencia e mesmo da pré-disposição genética do ser humano, acompanhando assim os níveis de desenvolvimento do bebé e da criança (o qual não é linear) - este é um assunto extremamente importante o qual eu explicarei em mais detalhe nas seguintes perguntas; é essencial que os pais saibam, e eu farei o meu melhor em explicar em termos leigos, de certos factores muito importantes que a as ciências da neurobiologia afectiva e das relações nos informam cada vez mais sobre as frustrações, medos, ansiedades, oportunidades e possíveis resoluções de problemas que afectam a aprendizagem e o ser humano em si- tudo isto faz parte da composição da experiência emocional do aprender e ensinar.
Quanto ao "primeiro dia de aulas": é um começo, algo não concretizado, que trás uma série de expectativas (algumas conscientes e outras inconscientes), que na sua generalidade trazem sempre questões humanas tais como: um novo começo, que expectativas a criança e níveis de auto- estima trás consigo, estará preparada para lidar com o desconhecido e formar e manter relações, tanto com os professores como com os colegas- será um comprimento de desejos? A não ser que experiências negativas no passado tenham reduzido a capacidade emocional da criança para enfrentar tais dilemas; há sempre dúvidas, medos, incertezas, pensamentos "será que vou falhar?", "será que os meus pais me vão dar suporte?", "será que os meus pais vão deixar de gostar de mim se eu não conseguir?", "será que o professor ou professora irá gostar de mim?"- os riscos a tomar, o aprender cada vez mais a lidar com os medos e frustrações, o começar a saber a distinção entre as fantasias e a realidade, o saber lidar com a ansiedade e a incerteza, que neste período de desenvolvimento é crítico que tanto os pais e os professores estejam atentos e haja comunicação entre ambos para assim ajudarem a criança a desenvolver os seus mecanismos cerebrais e o seu sentido de coerência para lidar com o desconhecido, e passo a passo, a desenvolver uma aptitude mais independente na sua auto-regulação emocional- estes são alguns dos parâmetros irredutíveis dos direitos das crianças. Por tal, não digo que é o começo de uma trajectória de ensino, mas sim, mais um passo no desenvolvimento da criança que começou no útero da mãe.
Quanto ao primeiro dia de escola, existem sentimentos e comportamentos frequentes, que podem ser lidados com imaginação tais como:
Por: Patrícia Tadeia (Jornalista) Jornal METRO, Portugal
Patricia Tadeia: Como é que as crianças vêem e lidam, de um modo geral, com o primeiro dia de aulas? É um dia fundamental para traçar todo o percurso escolar?
Miguel Mealha: Varia de criança para criança; varia desde a educação e disponibilidade emocional que os pais têm dado e dão à criança, desde como a sua composição genética, estará, digamos “preparada” para lidar com o desconhecido e como se vai moldando durante o desenvolvimento.
Outro factor muito importante, é que o "primeiro dia de aulas" não começa quando a criança entra na escola, mas sim, enquanto a criança, neste caso o feto, ainda está dentro da barriga da mãe (para mais detalhes ler o meu artigo no Portal da Saúde, "O Irrelembrável e o Inesquecível- A Alquimia do Nós" (http://saude.pt.msn.com/, na secção "Família- Fertilidade e Gravidez) - a criança desde essa etapa, digamos, já está a aprender. Com isto quero dizer que a preparação da criança para enfrentar e saber lidar de passo a passo com novas situações e desafios, começa pelo seu desenvolvimento, desde bebé, à cresce até ao primeiro dia de escola, e isto está dependente da capacidade dos pais de ensinar os filhos a auto-regularem-se psicologicamente entre outros factores sociais de influencia e mesmo da pré-disposição genética do ser humano, acompanhando assim os níveis de desenvolvimento do bebé e da criança (o qual não é linear) - este é um assunto extremamente importante o qual eu explicarei em mais detalhe nas seguintes perguntas; é essencial que os pais saibam, e eu farei o meu melhor em explicar em termos leigos, de certos factores muito importantes que a as ciências da neurobiologia afectiva e das relações nos informam cada vez mais sobre as frustrações, medos, ansiedades, oportunidades e possíveis resoluções de problemas que afectam a aprendizagem e o ser humano em si- tudo isto faz parte da composição da experiência emocional do aprender e ensinar.
Quanto ao "primeiro dia de aulas": é um começo, algo não concretizado, que trás uma série de expectativas (algumas conscientes e outras inconscientes), que na sua generalidade trazem sempre questões humanas tais como: um novo começo, que expectativas a criança e níveis de auto- estima trás consigo, estará preparada para lidar com o desconhecido e formar e manter relações, tanto com os professores como com os colegas- será um comprimento de desejos? A não ser que experiências negativas no passado tenham reduzido a capacidade emocional da criança para enfrentar tais dilemas; há sempre dúvidas, medos, incertezas, pensamentos "será que vou falhar?", "será que os meus pais me vão dar suporte?", "será que os meus pais vão deixar de gostar de mim se eu não conseguir?", "será que o professor ou professora irá gostar de mim?"- os riscos a tomar, o aprender cada vez mais a lidar com os medos e frustrações, o começar a saber a distinção entre as fantasias e a realidade, o saber lidar com a ansiedade e a incerteza, que neste período de desenvolvimento é crítico que tanto os pais e os professores estejam atentos e haja comunicação entre ambos para assim ajudarem a criança a desenvolver os seus mecanismos cerebrais e o seu sentido de coerência para lidar com o desconhecido, e passo a passo, a desenvolver uma aptitude mais independente na sua auto-regulação emocional- estes são alguns dos parâmetros irredutíveis dos direitos das crianças. Por tal, não digo que é o começo de uma trajectória de ensino, mas sim, mais um passo no desenvolvimento da criança que começou no útero da mãe.
Quanto ao primeiro dia de escola, existem sentimentos e comportamentos frequentes, que podem ser lidados com imaginação tais como:
• Levantar- se cedo. Isto significa que a criança pode ter um pequeno-almoço relaxante, deixando tempo suficiente para lidar com receios - e ainda chegar à escola a tempo.
• Não falar sobre o quanto vai sentir falta do seu filho/a. Não deixe que as suas preocupações sejam um obstáculo para com a criança- aprenda a lidar com as suas ansiedades sem as projectar para com as crianças. Tanto a pé com a sua criança para a escola (ou colocar ela no autocarro da escola), conversar com outros pais se você necessita de suporte. O seu filho/a já tem o suficiente com que se preocupar com o primeiro dia de aulas sem ter que ser responsável para acalmar as ansiedades doa pais.
• Foque-se na diversão. Se escolta seu filho à escola, conhecer o professor em conjunto e dar uma vista de olhos em torno da nova aula, falando com o professor acerca de coisas de que a criança gosta, tais como arte, arte, brincadeiras preferidas, até modos de leitura.
• Se o seu filho/a ficar chateado ou com ansiedade e medos, reconhecer o sentimento e peça ao professor para sugestões, incluindo na conversa a criança. Poderá dizer, "Eu sei que estás com medo- decerto que não és só tu, outros teus colegas também estarão. "Vamos pensar sobre algo que te vá a ajudar a sentir melhor.”. Sugira ler um livro juntos ou iniciar uma actividade.
• Peça ao professor para ajudar. Se o seu filho ficar ansioso ou com uma ligeira ansiedade de separação (o que nestes tempos é bastante normal), peça ajuda ao professor. Poderá dizer, "vamos dizer olá ao teu professor juntos. Ele irá tomar conta de ti e não te esqueças que eu penso sempre em ti."
• Fazer uma saída rápida se possível. Tomar a relação para com o professor/a para com o seu o seu filho/a, mas quando é hora de ir, vá. Uma saída rápida pode ser mais útil para a criança, com um "adeus e até logo, diverte-te."
As primeiras semanas de escola são um tempo para ajudar a criança ajustar-se às rotinas, aos seus medos e ansiedades. Entusiasme-se com o que ela aprende e ajude-a a tornar-se mais independente dos pais. Aqui estão algumas sugestões de como poder ajudar:
• Conheça o professor/a. Quanto mais rápido os pais estabelecerem uma relação positiva com o professor/a do seu filho/a, a probabilidade da criança em adaptar-se a novos ambientes e tornar-se independente na generalidade será mais elevada, pois a criança terá em mente que existe um elo de confiança entre aluno/professor que é baseado na auto- confiança dos pais, que se projecta para com o professor/a. Quanto mais segura a criança se sente, mais energia ela pode pôr em aprendizagem - ou seja, a partir da perspectiva dos pais, que pretende apoiar a sua criança formando esse vínculo de qualidade para com o professor/a.
• Quando leva a criança para a sala de aulas, peça para ver alguns trabalhos. Se você sente que a criança se sente desconfortável com receios, medos e ansiedades, foque-se no positivo, mas muito importante, não descarte os seus medos- valide-os, ouça a criança e que ela sinta que os pais sentem o que ela sente, para então ela se sentir emocionalmente compreendida. Peça-lhe para lhe mostrar um projecto de arte, ou outra actividade que ele está fazendo na escola. Faça entender a criança que é normal ter medo e ansiedade nos primeiros dias de escola e que a criança saiba que os pais e professores estão emocionalmente disponíveis para dar apoio à criança.
• Se o seu filho/a sente muito a sua falta, escolha um objecto especial, que ela pode trazer para a escola. Por vezes ajuda com a transição se as crianças podem levar uma recordação da casa - uma imagem da mãe, uma nota, um lenço, ou outro objecto especial para recordar-lhes que os pais o têm em mente. Incentive a criança para mostrar o objecto ao professor/a. Faça um acordo para com o professor como esse objecto pode ser utilizado durante o dia de aulas.
• Se o seu filho/a diz, "Eu não quero ir", é muitas vezes vantajoso lembrar-lhe acerca das coisas divertidas. Pense em algo que saiba que o seu filho gosta de fazer, ou gosta na escola. Veja se pode começar a fazer tal actividade junto com a criança. Recorde a criança de todos os novos ou velhos amigos na sua classe. Se você não leva o seu filho à escola, sugira que ele/a faça algumas destas actividades quando chegar à escola, e enviar uma nota para o professor sobre as suas preocupações. Mas mais uma vez, não descarte os medos da criança, em vez, valide-os e tome a sua ansiedade a sério, pois terá de dizer á criança que ela terá que enfrentar alguns dos seus medos, mas que a criança tenha em conta que estará lá sempre para ela. Pensamento positivo em demasia e não aceitar os seus medos faz com que a criança se torne emocionalmente invisível, criando mais ansiedade e tristeza na criança, por não se sentir emocionalmente compreendida.
• Não fique surpreendido se o seu filho/a vier triste no final do dia: as crianças muitas vezes necessitam de saber e sentir que os pais estarão lá para elas - fora da patologia, na "normalidade", é normal que as crianças se sintam mais seguras em trazerem as suas frustrações para casa. É bastante saudável que as crianças tragam tais receios e ansiedades para serem lidadas em casa com os pais, para assim as dinâmicas familiares irem evoluindo tal como as propriedades emergentes psicológicas da criança no elo familiar.
• Se encontrar problemas frequentes de ajustamento, tanto cognitivos como sociais, pedir auxilio á escola. Se a separação permanece ansiosa após algumas semanas, configurar uma reunião com o professor/a de seu filho/a e/ou com o director da escola para falar sobre melhores maneiras em que todos podem colaborar sistematicamente e em sincronização. Se possível, uma reunião sem a criança, e depois, agendar uma reunião com a criança, pois a criança sabe de certa maneira onde estão os seus medos, e que assim possa ser feito um plano de suporte emocional à criança.
• Participe nos eventos da escola. Vá a reuniões. Estes acontecimentos dão-lhe a oportunidade de ver o mundo funcional, tanto cognitivo como emocional, do seu filho fora de casa, e encontrar e conhecer pessoas responsáveis (assim como outros pais) com que possa partilhar ideias e experiencias.
A chave aqui é separar os seus próprios sentimentos sobre a escola desde a sua infância, para que os seus filhos possam ter um novo começo. Você como pai poderá ter tido uma experiência horrível (o que pode fazer com que se preocupe demasiado com a criança) ou uma experiência maravilhosa (que poderá fazer os pais insensíveis aos sentimentos dos seus filhos e não reconhecerem que eles podem estar a passar por um mau bocado. É por isso que pensar-se e separar-se da sua própria experiência para com a da criança é extremamente importante!
Patrícia Tadeia: Como é que os pais devem lidar com esta “independência” da criança?
Miguel Mealha: Penso que esta pergunta em grande medida já foi respondida na pergunta anterior. O mais importante é que a criança tenha em mente que os pais e professores a têm em consideração e estarão lá para ela, tanto para a ela, tal como, sem humilhação e punição a ajudarem a ajustar-se às regras básicas do funcionamento social e do aprender a estabelecer relações de qualidade.
Leia o texto na integra siga o link.
Dr. Miguel Mealha Estrada,
Consultório da Criança & Família,
Gabinete de Observação Médico Pediátrica, Lda.
Largo Luzia Maria Martins, 1-C, esc. 2
1600-825, Lisboa
Tel.: 217260970
TM: 917502234
www.pedopsicoterapia.com
Membro da AP, Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica
Membro da International Neuropsychoanalysis Society
Membro do Concelho Científico Do Portal de Saúde Mental, Família e Medicina
Comentário: O Dr Miguel Mealha é um colaborador regular no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar", nesse sentido, aproveito para expressar os meus agradecimentos pela sua participação.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
23:25:00
0
comments
Marcadores:
comunicação,
crianças,
direitos da criança,
educação,
família,
pais
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Uma cultura que não previne
Depois de ver o vídeo: Magazine da RTP - Sociedade Civil (i) atrevo-me a confirmar, aquilo que venho a afirmar desde a existência deste blogue (2007), que não existe uma cultura de Prevenção das Dependências em Portugal. Quando se abordam "os consumos de álcool e outras dependências juvenis", nos meios de comunicação social, aborda-se o assunto de uma forma muito superficial, diria resignada e cordial entre as partes envolvidas, numa atitude de negação para com a verdadeira dimensão do problema. Alguns factos: 1. Facto: Somos uma cultura que bebe; que promove e incentiva o consumo e o abuso do alcool de jovens a menores de idade. Pessoalmente, fico preocupado quando imagino equipas de indivíduos adultos, à volta de uma mesa, a discutir técnicas agressivas de marketing cujo alvo são jovens de 16 anos e o consumo de bebidas alcoolicas. 2. Facto: O álcool é uma droga. O abuso de álcool e o alcoolismo são um problema de saúde publica. Questão da qual não conheço a resposta: Quantos portugueses, refiro-me aos indivíduos, às suas famílias, incluindo as crianças, são afectados pelo abuso do álcool e do alcoolismo?
Nota: Sem esquecer as outras substâncias psicoactivas lícitas, medicação receitada pelo medico (auto medicação), e as ilícitas.
O problema serio dos "consumos do álcool e outras dependências juvenis" persiste, intocavel e negligenciado, e assim é porque não existe vontade politica, legislação e investigação que considere a prevenção das dependências uma prioridade (plano nacional de saúde); o investimento financeiro na prevenção e na saúde das crianças e jovens, compensa, a médio e a longo prazo.
Infelizmente neste programa/magazine da RTP não abordou o fenómeno, relativamente recente, preocupante e investigado nos EUA e no Reino Unido, também varias vezes referido neste blogue, denominado Binge Drinking (http://kidshealth.org/teen/drug_alcohol/alcohol/binge_drink.html). O que é o Binge Drinking? Abuso no consumo de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez). Por ex. entre os homens o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante varios dias seguidos e afecta negativamente os comportamentos dos jovens - algumas consequências previsíveis após o Binge Drinking: acidentes, condução sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência, agressão sexual e abuso, doenças sexualmente transmissíveis (hepatite, VIH) , intoxicação alcoólica e morte.
Para terminar, eis algumas questões que precisam de ser investigadas e reveladas ao publico em programas semelhantes ao magazine Sociedade Civil da RTP. Afinal é serviço publico.
1. As festas organizadas pelas associações de jovens estudantes, de norte a sul do país, são patrocinadas pela industria do álcool, cujo intuito é somente o lucro.
2. Nos eventos, onde o publico é maioritariamente jovem (festejos estudantis, festejos da grandes cidades) quais as medidas legislativas de forma a prevenir o marketing agressivo da industria do álcool?
3. Quantas crianças/jovens são admitidas nas urgências dos hospitais como consequência do Binge Drinking?
4. Quais as consequências, entre os jovens, do Binge Drinking?
5. Quantas mortes estão relacionadas com o Binge Drinking?
Siga o link e veja o programa da RTP
(i) RTP Magazine Sociedade Civil
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
16:56:00
0
comments
Marcadores:
adolescencia,
alcool e drogas,
bingedrinking,
condução sob o efeito do alcool,
crianças,
cultura,
dependências,
jovens e o álcool,
pais,
plano nacional de saude,
prevenção
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Crise na Família
Nos últimos meses tenho recebido vários emails de mães, assustadas
e impotentes, perante o eventual fenómeno do consumo e/ou dependência de drogas
ilícitas.
Uma das questões mais comuns: “O meu filho de 16 anos
consome haxixe. Ele diz que não há problema, mas estou assustada, será que ele
pode ser toxicodependente?”
Prevenção que não previne, pelo contrário.
1. Hoje em dia, um número muito significativo de crianças e
jovens está exposto e vulnerável perante o fenómeno do consumo excessivo de drogas
lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas e em relação a este fenómeno sabemos
apenas a ponta do iceberg, isto é, não
existe prevenção em Portugal.
2. Um número significativo de jovens faz consumos
concomitantes de bebidas alcoólicas e canabinoides (haxixe e marijuana). Através
da minha experiencia profissional, atualmente o consumo de substâncias
psicoactivas ilícitas, canabinoides (http://www.doping-prevention.de/pt/substances-and-methods/cannabinoids/cannabinoids.html),
faz parte de um acto social, idêntico ao consumo de bebidas alcoólicas, que
desde os anos 80 tem ganho cada vez mais adeptos. Quais são os efeitos a medio
e longo prazo, nos jovens sobre o consumo excessivo e concomitante entre as
bebidas alcoólicas e os canabinoides (THC)? Não conheço a resposta nem existe
investigação.
3. A guerra global às drogas existe desde os anos 70 e está
longe de acabar. Aquilo que sabemos é que a oferta (trafico) supera a procura
(consumo), eis um exemplo muito prático, se um jovem curioso está interessado em consumir e experimentar os
efeitos dos canabinoides, não tem muito trabalho e/ou esforço para conseguir
obter a desejada substância. É mais simples, do que possamos imaginar. Há 25
anos atrás um jovem que quisesse encontrar, por exemplo haxixe seria mais
difícil, hoje não. Por exemplo, no outro dia li num jornal, que um jovem foi
detido, na sua escola, por se dedicar ao tráfico de drogas. Ficamos alarmados,
mas de certeza que não é um caso isolado.
O que é que acontece
quando o consumo de drogas ilícitas entra em casa, de rompante?
Frequentemente, quando surge no seio familiar, evidências sobre
o consumo de substâncias psicoactivas ilícitas, canabinoides, pela criança/adolescente,
a reação da mãe, quanto ao pai é o ultimo a saber, é de choque; “ E agora? O
que é que vamos fazer?” Por exemplo, quando uma mãe aborda o assunto do consumo
com o filho, a resposta é: “Mãe, não estejas preocupada porque eu sei o que
estou a fazer. Sabias que o haxixe é uma droga leve? Sabias que o álcool é mais
perigoso que o haxixe? Eu não fumo muito, é só de vez em quando.” Perante esta
resposta, mais ou menos esclarecedora, do ponto de vista da mãe, esta fica mais
tranquila, pensa que o filho está devidamente informado e é responsável por
aquilo que faz, algumas mães ainda teimam, indecisas, em tom de ameaça velada
“Vê lá o que andas a fazer, porque se o teu pai sabe disso já sabes como ele é”.
Sem explorar mais dinâmicas na família (interação filho e mãe/pai) em relação
ao assunto, de acordo com a resposta do filho, podemos pensar em duas questões:
1. O assunto da prevenção sobre o
consumo de cannabinoides, na família, não foi abordado 2. com a agravante de a informação que o filho possui,
provavelmente foi obtida na rua com os amigos que também fumam e ou na internet
“O haxixe é uma droga leve. O álcool é
mais perigoso que o haxixe, por isso devia ser legalizado.” A
criança/adolescente pensa: “Só é perigoso se fumar muito, por isso, se fumar de
vez em quando não faz mal.” Sabia que apesar do haxixe não provocar
dependência, pode tornar-se um hábito? Sabia que o nível de THC, ingrediente
psicoativo toxico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tetraidrocanabinol)
[i]
que potencia o efeito, é elevado, comparado com o nível de THC de há duas décadas?
Sabia que apesar de ninguém morrer com o consumo excessivo de cannabinoides,
todavia, em alguns indivíduos, pode conduzir á loucura? Sabia que, na última
década, os pedidos de ajuda, por exemplo no Instituto de Droga e da
Toxicodependência (http://www.idt.pt) e outras
instituições relacionados com o consumo excessivo de cannabinoides aumentaram
significativamente? Sabia que as substâncias psicoactivas (sistema nervoso
central) interferem no desenvolvimento normal do cérebro humano que só completa
a sua maturação aos 21 anos de idade? Na minha opinião, pessoal não existem
drogas leves nem drogas duras, é um mito, existem drogas psicoactivas, de
acordo com as suas especificidades.
Adiante, voltemos ao assunto da família. Se as consequências
relacionadas sobre o consumo dos cannabinoides se agudizam, no comportamento do
filho (por ex. absentismo escolar, impulsividade, perda da memoria e concentração,
euforia, pequenos delitos, isolamento da família – o convívio familiar é
comprometido em prol do convívio com os pares; ex. deixa de haver horários para
entrar e sair de casa, para as refeições, a família não conhece os amigos) estão
reunidas as condições para uma crise na estrutura familiar, e caso não sejam adotadas
medidas integradoras e construtivas, pode comprometer seriamente a comunicação
e a coesão familiar (estrutura/hierarquia).
Quando a questão do hábito do consumo de canabinoides e as
consequências negativas é do conhecimento geral de toda a família, o foco da
atenção é direcionado para o membro (criança/adolescente): Por exemplo, varias tentativas
para interromper o hábito dos consumos, censurar e castigar, ameaças que não se
cumprem e/ou tentativas em negar ou minimizar o problema. Apesar de este tipo
de abordagem, funcionar em alguns casos, creio que não funciona na maioria
deles. Um dos fatores que pode contribuir para o aumento exponencial da crise
na família são o surgimento de quezílias antigas entre os membros da família (exemplos;
defeitos de caracter, ressentimentos, remorsos e mágoa, divorcio,
infidelidades, segredos) que complicam, ainda mais a abordagem do problema do
habito e as consequências do consumo, assim como a solução. A dinâmica e
hierarquia familiar (crianças, adolescentes e adultos) podem tornar-se caóticas,
por exemplo através da agressividade ou passividade, da troca de acusações, na
procura de culpados. Perante um problema na família, quem é o responsável por
gerir os recursos da família? Quem é o responsável pelas decisões na família?
Quem é o responsável por assumir determinados riscos na família? A hierarquia
familiar está sustentada em valores e tradições que fomentam o diálogo? A
coesão? A confiança?
Se fossemos à procura de culpados para eliminar o problema das
dependências, o mais provável é que seriamos todos nós. Depois, tal como foi
referido anteriormente, o fenómeno das drogas veio para ficar. Vivemos numa
sociedade capitalista em que o lucro (poder económico) está acima dos direitos
e das liberdades da criança. Não existe vontade dos líderes políticos e na
justiça (leis) quanto à prevenção das dependências. Na realidade, quando uma criança/adolescente,
decide voluntariamente, consumir canabinoides e esse tipo de comportamento o
conduz ao hábito, não existem culpados. O fator mais importante, na minha
opinião, é a forma como a família se organiza e se estrutura em torno do
problema, em vez de criar mais problemas. Afinal, o mais importante é o apoio à
criança/adolescente.
Na crise familiar é extramente importante restabelecer o diálogo,
a coesão, definir um plano e limites, regras que salvaguardam a instituição
familiar -“O todo é mais importante que a soma das partes.” Só somos livres se
vivermos de acordo com as regras instituídas, quer seja na família ou na
sociedade, caso contrario, teremos que assumir as consequências dos nossos atos,
quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Na natureza não existem
culpados, existem consequências.
Dicas:
1. Antes que surjam indícios sobre o consumo de substâncias
psicoactivas lícita, incluindo o álcool, e as ilícitas, da parte do seu filho, aborde
o tema da prevenção das dependências. Procure ajuda. O seu esforço e o seu
investimento, neste tema, pode revelar-se recompensador, a medio e a longo
prazo.
2. Questão: Quais são as regras instituídas pela família quanto
ao consumo de substâncias psicoactivas lícitas, incluído o álcool e o tabaco, e
as ilícitas? Se não existem regras definidas e esclarecidas por todos, trate de
implementar, com os membros da sua família, antes que surjam factos e
evidências, porque depois pode ser tarde. Como progenitor, dê o exemplo na
aplicação das regras.
3. Se o seu filho consumir substâncias psicoactivas,
canabinoides, isso não significa que ele/ela vai ser um dependente. Todavia,
promova o diálogo sobre o assunto; não desvalorize ou sobre valorize. Trabalho
de equipa: promovam atividades em família na pesquisa, atualização e informação
sobre os efeitos do consumo excessivo de cannabis.
4. Caso exista na família um historial de doenças mentais
(depressão, ansiedade) ou dependência de drogas, incluindo o álcool, esteja atento/a caso o seu filho seja consumidor de
substâncias psicoactivas (ex. canabinoides) e informe-o das possíveis
consequências, porque o consumo pode despoletar e/ou agravar os sintomas da
doença (hereditariedade).
5. Treine o ouvir, sem interromper e sem fazer julgamentos de
acordo com valores moralistas e desatualizados pela sociedade. O que é que
ele/a pensa sobre o consumo? Qual é a atitude dele perante este comportamento?
Avalie se ele/a ouve, se é responsável, se tem auto crítica, se aquilo que diz
é coerente com aquilo que faz.
6. Faça perguntas, se quer obter as respostas que pretende.
7. Peça ajuda
Facto: Desde 2007, ano da existência deste blogue, até aos
dia de hoje, ainda não recebi um único email de pais assustados em relação ao consumo
e/ou abuso de bebidas alcoólicas. Você sabia que as drogas mais perigosas são
as drogas lícitas? Refiro-me ao álcool e ao tabaco.
[i] Nota:
Pesquisei a palavra Delta9 Tetrahidrocanabinol, também conhecido por THC no portal da
saúde, no portal do IDT e não obtive qualquer resposta. Aparentemente, a prevenção das
dependências não existe em Portugal.
Postado por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
às
11:41:00
0
comments
Marcadores:
abuso,
adolescencia,
alcool e drogas,
bingedrinking,
jovens e o alcool,
mudança de comportamentos,
pais,
prevenção,
sociedade
Subscrever:
Mensagens (Atom)












.jpg)




.jpg)
.jpg)
