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quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Competências individuais e sociais


 Não cabe na cabeça de ninguém cometer erros, mas mais tarde fazem sentido.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Dar valor


 Só um lembrete: Tu és importante.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Algumas soluções exigem inovação e criatividade




Precisamos de concentrar-nos na solução, porque os problemas vieram para ficar

quinta-feira, 21 de maio de 2020

O auto conhecimento e a felicidade




O auto conhecimento pode conduzir-nos ao âmago daquilo que é essencial à vida plena; felicidade.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Como é que o processo da dependência se desenvolve no adolescente? Por Philip Ward e Patricia Cobertt



«O abuso de drogas , por parte dos adolescentes, precisa de ser compreendido no contexto do próprio desenvolvimento dos jovens. A compreensão do abuso de drogas, pelos adolescentes exige uma abordagem multidimensional; biológica, psicológica, social e espiritual.
De acordo com abordagem multidimensional,  o desenvolvimento da adolescência consiste num período de vida repleto de mudanças dramáticas e transições. A diferença entre adultos e os adolescentes, é que os jovens, durante este período de tempo encontram-se num processo de transições, estando assim, mais expostos aos riscos, perigos do abuso das drogas e consequências negativas, a longo prazo.

A adolescência é um período de transição e caos de acordo com a seguinte lista de comportamentos observados nos jovens:
  • Os adolescentes estão num processo de mudança: da dependência para a independência.
  • Exploram a sua identidade e o autoconceito.
  • As suas experiências intrapessoais (sentimentos, desejos, valores, necessidades) refletem-se nos seus relacionamentos interpessoais.
  • É considerado normal, afastarem-se dos pais e procurar a companhia dos pares.
  • O processo biológico envolve o afastamento dos pais.
  • O objetivo deste processo biológico é a autonomia e a vida adulta.

Porque é que os “bons rapazes” envolvem-se em “comportamentos errados”? Existem pelo menos duas respostas. 1) A resposta é simples, na maioria dos casos, os “comportamentos errados” não produzem sensações negativas. 2) A resposta representa um significado diferente para o adolescente: Qual é o risco de consumires drogas? Para os pais, tudo aquilo que represente um potencial risco ou perigo para os seus filhos, está incluído na lista das coisas “más” e “erradas”. Para os adolescentes, em pleno processo de transição, que procuram integrar-se, explorar a sexualidade, experimentar identidades, curiosidade em estilos diferentes de vida e procurar o afastamento dos pais, os “comportamentos errados”, segundo os pais,  são considerados uma ajuda que pode facilitar o processo de mudança caótico e dramático. Tal como acontece na sociedade, certas normas e regras determinam o comportamento permitido e lícito versus o comportamento errado e ilícito.

Processo da dependência – a introdução à “pedrada”; o individuo estar sob o efeito das substâncias psicoativas.
Os objetivos de um adolescente com baixa autoestima, a que vamos chamar Pedro (nome fictício), deslocar-se a uma discoteca são; parecer “cool” e divertir-se com os seus amigos. Considerando este cenário, como ponto de partida, a dada altura na discoteca, um dos amigos do Pedro, acende um charro, dá umas passas e depois passa ao Pedro que faz o mesmo e passa a outro. Após a primeira experiência ao dar umas passas num charro, o Pedro sente-se diferente e desinibido. Fumar canábis pode atenuar ou neutralizar a ansiedade. Sob o efeito da substância o jovem sente-se desinibido e ligado (identificado) aos seus pares. Tal como já foi referido anteriormente, identificar-se com os seus amigos é um dos fatores críticos do desenvolvimento da adolescência, assim sendo, se os amigos do Pedro consomem drogas o efeito da identificação (pertença ao grupo) é reforçado. O Pedro, pensa, “Afinal fumar canábis não é assim tão perigoso, como os meus pais afirmam…”. Esta reflexão do Pedro poderá ser o fio condutor que o conduza às próximas experiências com drogas, surte um efeito semelhante, durante os primeiros dias de um envolvimento romântico apaixonado. No fim de semana seguinte, o Pedro vai a outra festa, mas ninguém o convida para consumir canábis, o jovem identifica um tipo diferente de sensações, enquanto na festa anterior não sente ansiedade, nesta festa, fica com uma sensação desconfortável e com a sensação de que toda a gente presente na festa, está ciente das suas inseguranças e defeitos (centro das atenções). Esta constatação é acrescida pelo seguinte raciocínio, pelo Pedro: “Se eu fumar canábis, sinto-me seguro e na boa, mas se não fumar, sinto-me desconfortável…”
Nesta fase do processo, em contextos sociais, pode ter havido uma mudança significativa na perceção do Pedro; a procura do efeito desinibidor da canábis. Tudo isto não acontece de um dia para o outro, é um processo e não se resume a somente a um único evento. Tal como acontece com o tabaco, o objetivo dos jovens quando começam a fumar não é desenvolver um enfisema pulmonar ou cancro. Ficar pedrado, não se resume a um processo cognitivo, é um experiencia que envolve todo o ser que prevê todo um conjunto de benefícios, tais como, ter amigos diferentes, desenvolver um tipo de linguagem secreta/código, novas sensações, novos conhecimentos e o consumo de canábis pode revelar-se mais recompensador para o desenvolvimento do jovem adolescente. Agora, o Pedro pertence a uma cultura com mentalidades diferentes e aparentemente foi aceite no seio dos seus pares.

Conhecer o efeito da canábis – “A pedrada”
Nesta fase do processo, o Pedro passa uma parte considerável do tempo a refletir nestas experiências, sensações e efeitos. Está a tentar compreender e a adquirir conhecimento do significado de “estar pedrado”, o que na prática, pode consistir em; como é que pode adquirir o produto, consumir, gerir o efeito da “pedrada” e esconder o consumo de drogas. Todas estas atividades envolvem um tipo de doutrina subjacente a este tipo de cultura. Na perspetiva do desenvolvimento do adolescente, podemos equacionar e comparar esta subcultura à autonomia dos pais, uma nova identidade e a pertença a um grupo de pares. Para quem não percebe nada do assunto, todas estas atividades, exigem energia, compromisso, esforço e segredos. Os adolescentes, não estão neurofisiologicamente preparados para identificar e reconhecer os efeitos negativos do consumo de drogas, principalmente a longo prazo. Consequentemente, todos os adolescentes, envolvidos neste tipo de subcultura, desconhecem os riscos e os perigos. Tal como o Pedro, os amigos que consomem drogas, não estão informados sobre a acumulação sinérgica (efeitos a longo prazo) dos e efeitos negativos do consumo de drogas. Com o tempo, o consumo frequente aumenta o potencial perigo, enquanto por outro lado, a compreensão do adolescente sobre o fenómeno diminui. Enquanto mecanismo de defesa (pensamento distorcido) a compreensão e a perceção do problema diminuem, enquanto o perigo sobre o abuso aumenta, sem a existência da perceção necessária para tomar medidas saudáveis por parte do adolescente. O processo da dependência ocorre a níveis inconscientes e encobertos.
A próxima fase do processo ocorre quando o jovem sente as primeiras consequências negativas do consumo de drogas. Ao contrario do que acontece no período de experimentação de drogas, as consequências negativas ocorrem quando existe uma mudança de atitudes e comportamentos, que o colocam “oficialmente” no clube dos dependentes em risco. Nesta fase, quando o jovem é confrontado com as consequências negativas, tem somente duas hipóteses; 1) desviar-se deste caminho ou 2) continuar o consumo, até ao abuso e a dependência. A opção número dois é percecionada, erradamente, pelo adolescente, como uma forma de neutralizar e negar as consequências negativas.

É admitido o consumo de drogas
Nesta fase, as pessoas, incluindo os familiares e colegas que não estão envolvidos no consumo de drogas, começam a identificar alguns sinais ou sintomas relacionados com o consumo de drogas. Nesta altura do processo, o Pedro está a afastar-se da “vida normal” e a desenvolver uma dependência. Na maioria dos casos, este afastamento do adolescente, é enganador e gera alguma confusão entre os pais ou professores porque do ponto de vista do desenvolvimento, pode ser confundido com a autonomia dos pais e com o relacionar-se com os seus pares – “coisas da adolescência”.
Normalmente, é permitido aos adolescentes, uma maior autonomia e liberdade quando desenvolvem a sua independência, nestes casos de risco/abuso de drogas, revela-se confuso e difícil distinguir entre o “normal” desenvolvimento (cansaço, irritação, mau humor, segredos) e o comportamento adictivo (dependência de drogas).
Os adolescentes, durante o período do desenvolvimento, são constantemente bombardeados com mensagens contraditórias, próprias da cultura, por exemplo, em relação ao álcool. Os próprios adolescentes, encaram o consumo e abuso de bebidas alcoólicas, por parte dos adultos, como algo legitimo e fazendo parte do ritual de passagem para a idade adulta.

O reconhecimento da dependência é um processo, não um único evento
Na maioria dos casos, para os pais identificar o filho/a como um dependente de drogas é um processo que ocorre durante algum tempo. Muitas vezes, este processo de identificação do filho com o abuso ou dependência de drogas é dificultado, por exemplo, devido à falta de informação sobre os sinais e sintomas do abuso e dependência de drogas, sentimentos de culpa e responsabilidade. Por parte dos pais, admitir que o filho/a é dependente de drogas pode desencadear sentimentos de medo, raiva e confusão e este processo de admissão da dependência inicia-se quando as consequências do abuso de drogas se revelam demasiado evidentes, de tal forma que é impossível ser negado.
Considere o seguinte exemplo. Finalmente, depois de tanto tempo, o progenitor assumiu a consciência do problema, permitiu que o filho tivesse abusado de drogas, assim como, passar pelas consequências negativas. O oposto a esta situação, nesta altura, um bom exemplo de parentalidade é decidir, a qualquer custo salvar o filho. A maioria dos pais, não possuem as competências necessárias a fim de abordarem a dependência de drogas e recorrem a instituições de tratamento, que na maioria dos casos não possuem as competências necessárias para abordar a dependência na adolescência.

Focar no processo em vez de no conteúdo
O objetivo consiste na mudança de dinâmica por parte dos pais do jovem. Os detalhes não são importantes para o reconhecimento do problema. É mais eficaz focar-se nas preocupações em vez de dissecar o problema; quem, o quê, quando, onde e porquê. Na fase do reconhecimento do problema, os pais exageram nos detalhes.  Exagerar nos detalhes poderá revelar-se enganador quanto à identificação e reconhecimento da realidade (processo) da dependência de drogas.

A dependência na adolescência no próprio contexto/sistema familiar
Muitas vezes, inconscientemente, para o adolescente, sente que é o causador dos problemas no contexto familiar. No seio do contexto familiar, os seus comportamentos disfuncionais são encobertos, mas são apresentados ao exterior como a causa da disfunção familiar. A dependência de drogas é capaz de gerar ansiedade generalizada, no contexto familiar, responsável por produzir conflitos nas relações interpessoais entre familiares. Se o adolescente está doente, a própria família também irá manifestar os sintomas da doença. Tipicamente, o conflito familiar é um sintoma de que cada membro da família está a sofrer as consequências negativas; isto é, cada membro da família irá contribuir para o problema familiar. Segundo esta desarticulação, vulgo co dependência, é a consequência da família tentar controlar o problema, em vez de cada um lidar com os seus próprios sentimentos. É fundamental que os progenitores separem os seus próprios sentimentos, crenças e ideias das do adolescente. De acordo com a minha experiência, aquilo que um progenitor precisa de fazer, nestas situações caóticas afim de ajudar o adolescente, é em primeiro lugar procurar ajuda para si próprio. 
Aquelas pessoas que se sentem descontroladas, para o exterior, aparentam estar controladas.»

Comentário: Nos casos que acompanho, os pais apresentam dois tipos de reações, perante o conhecimento dos consumos de canábis dos seus filhos. 1) Pavor e impotência ou 2) benévolos e compreensivos. Como existem muitas “teorias” e mitos sobre o consumo de canábis, cada um tem a sua, os pais reagem de várias maneiras. Todavia, uma coisa é referirmo-nos ao consumo de canábis ocasional, num contexto social e divertimento, outra coisa é o consumo excessivo (abuso) ou dependência no contexto familiar e social. Felizmente, a maioria dos jovens que consome canábis não abusa ou fica dependente, escolhe outro caminho, outro rumo diferente, mas existe um grupo de adolescentes, mais vulneráveis, que abusa e fica dependente, cujas consequências negativas manifestam-se no seu desenvolvimento; competências individuais e sociais. Como o processo da adolescência é complexo, revela-se uma tarefa difícil, identificar ou diagnosticar os sintomas do abuso e da dependência.
Gostaria de salientar, um tema abordado pelos autores, que são as consequências negativas, na estrutura e dinâmicas familiares, quando o adolescente é dependente. Nestes casos, a família precisa de se manter coesa e informada a fim de evitar o caos, consequência da dependência da canábis. Caso você identifique sinais ou sintomas que sejam suspeitos, mantenha-se atento: alteração brusca de rotinas e hábitos, fraco aproveitamento escolar, “esconde” os amigos, isola-se da família, agressividade, gasta rapidamente a semanada, cheiro estranho no quarto, pequenos furtos ou mentiras peça ajuda profissional, para a família. Não permita que a vergonha e a negação o impeçam de abordar o tema com profissionais.   
Quanto mais depressa se identificar um problema de abuso ou dependência maiores são as possibilidades de o tratamento surtir efeito.





segunda-feira, 11 de junho de 2018

O estigma, a negação e a vergonha e a prevenção dos comportamentos adictivos




Por motivos históricos, culturais e morais, precisamos de mudar a perceção de algumas crenças rígidas e disfuncionais. Segundo o dicionário da Priberam da Língua Portuguesa estigma é. "Marca, cicatriz perdurável, marca infame feita com ferrete." Recorremos ao estigma ("marca", rótular, preconceitos) a fim de nos diferenciar dos outros, desta forma, estabelecemos uma identidade social, convencendo que somos aqueles que são os "normais.". Na realidade, todos nós já sofremos com o estigma; fomos marcados, sinalizados como “anormais -  persona non grata.  

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa negação é: "Não confessar culpa ou delito, recusar, repudiar, afirmar que algo não existe (desmentir), rejeitar" O que é que fazemos quando não queremos ver a verdade? Quando adiamos algo importante? Como é que se ajuda uma pessoa que recusa ser ajudada? O que é que fazemos quando justificamos o injustificável e o disfuncional?
Optamos por esconder, não ver, não sentir e resistir à mudança de comportamentos e atitudes. 

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa vergonha é: "Pudor, pejo, timidez, acanhamento, timidez, embaraço, receio de desonra" Esta definição diz-nos pouco sobre o poder toxico da vergonha. A vergonha tóxica está enraizada na identidade (ser); não ser digno, não merecer, algo está errado connosco, preocupação e perfecionismo. A vergonha é mais difícil de identificar do que o sentimento de raiva, a ansiedade e a necessidade do controlo. Levamo-nos demasiado a sério (excesso de zelo, moralidade) porque queremos “esconder” a vergonha tóxica.

Passamos uma parte considerável da nossa vida social a fingir, a negar e a proteger-nos da critica alheia com medo de revelarmos os sentimentos: desenvolvemos a crença que seremos criticados/julgados, repudiados por isso. Na verdade, sentir é OK, independentemente, daquilo que outros pensam ou dizem. É uma prioridade conseguirmos ser honestos connosco próprios.
 Alguns factores que reforçam o estigma, a negação e a vergonha. 1. Preocupação excessiva sobre o que é que os outros pensam 2. medo desmesurado do desconhecido 3. necessidade de certezas absolutas 4. ansiedade, perfecionismo 5. "ter o controlo sobre tudo" 6. comparação e competição excessiva 7. viver de aparências ou estilos de vida que não podemos suportar.

quarta-feira, 16 de março de 2016

«Filho és, pai serás»



« A filha precisa que o relacionamento com o pai seja uma referencia, pela qual irá servir para o futuro, na sua relação com o sexo masculino» Prego & Mommy Chat
Como pais, sabemos os desafios que representa educar e ser uma referencia positiva, para os nossos filhos. Por experiência própria, por vezes, sabemos o quão regredimos porque apesar dos nossos melhores esforços, não existe uma poção magica quanto ao papel de pai. Por outro lado, podemos responsabilizar pelo nosso próprio desenvolvimento moral e podemos fazer imenso em ambos sentidos, aprender com os erros e assumir o compromisso para mudar de atitudes e comportamentos.
Um dos grande desafios, como educadores e referências, é conseguirmos compreender a perspectiva dos filhos e conseguirmos separar os pontos de vista; a deles e a nossa. Isto é, conseguirmos compreender, a nossa experiência ( e vivências) como crianças, na relação com os nossos pais, e o nosso relacionamento com a criança/filho/a. Nas consultas, alguns pais, referem que o seu papel de pais, tem como referencia principal, a forma como foram educados pelos seus proprios pais. Esta situação pode dificultar a nossa compreensão das necessidades, da historia e da vida dos nossos filhos. 
   

segunda-feira, 11 de maio de 2015

As palavras são poderosas


«É da maneira como falamos com os nossos filhos que, mais tarde, eles vão desenvolver a sua consciência.» Peggy O´Mara.

Como pais, somos responsáveis por proteger os nossos filhos de sentimentos destrutivos, como por exemplo da vergonha. Por exemplo, facilmente evocamos a educação para justificar a humilhação, a agressividade, manipulação, o repúdio e o desrespeito.
  • Como pai/mãe, considera que utiliza os mesmos critérios disfuncionais na educação que o seu pai/mãe utilizaram consigo?
  • Considera que a sua abordagem na educação está alinhada com os interesses e o desenvolvimento dos seus filhos? Você sabe como elogiar e como criticar? Em escutar e incentivar a empatia e a assertividade?
  • Sabia que as crianças aprendem mais depressa através do seu exemplo, do que através dos seus conselhos?

Por outro lado, também somos os responsáveis por desenvolver e incutir nas crianças sentimentos positivos e competências resilientes. Por exemplo, ajuda-los a regularizar os seus sentimentos dolorosos através das competências individuais, em vez das recompensas materiais e através do não em vez do sim. Desenvolver competências que visam a autonomia, a gestão dos impulsos, a clarificação de valores morais e espirituais. Promover um contexto familiar seguro, estimulante e aberto à discussão e à aprendizagem. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

21ª Dica Arte Bem Viver, de 14/08/2011




Olá
O que é que o nosso legado familiar nos transmite sobre a forma como gerimos a dor? Aquilo que somos e fazemos depende muito da história (tradição) da nossa família. Na idade adulta, como aprendemos a gerir - “modus operandi” - a dor? Sabia que é a partir da infância que aprendemos acerca da importância da programação da dor e do prazer na vida (equilíbrio).

É do senso comum que a dor faz parte do desenvolvimento das nossas competências e talentos, todavia, fugimos dela; negando, iludindo, justificado e racionalizando. Este mecanismo, natural e humano, mas complexo e delicado, pode ser potenciador para o nosso investimento, serio e prioritário, no prazer imediato.

Quanto maior for o investimento, que façamos no prazer; menor a capacidade crítica que desenvolvemos sobre a importância da dor no nosso desenvolvimento emocional e espiritual (equilíbrio). Ao agirmos no prazer imediato, na busca da gratificação e do reconhecimento, podemos negligenciar e interferir, negativamente, na programação da dor e do prazer. Podemos confundir necessidades (prioridades) com vontades (desejos). Queremos as coisas já… 

Por vezes, recorremos às pessoas e às coisas materiais como uma tentativa para preencher o vazio emocional, de forma a suavizar as emoções dolorosas (ex. procurar uma imagem perfeita, controlar as mudanças do humor), todavia e nesse sentido, monitorize, o mais honestamente possível, o padrão de comportamento. Confie na sua intuição, pratique a reflexão e a introspecção. 

“It only looks like the good life” Autor desconhecido

Votos de uma semana equilibrada; entre a dor e o prazer!

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 179ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Mais Vale Prevenir Do Que Remediar.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Pratique uma alimentação saudável e diversificada



 Importante: O video contem cenas que podem ferir algumas pessoas mais susceptíveis.
Pratique uma alimentação saudavel e diversificada a sua saude agradece. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A prevenção é um projecto familiar


A prevenção das dependências de todo e qualquer tipo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas é um tema transversal na sociedade actual. Qualquer pessoa, independentemente, do seu estatuto social, idade, raça, sexo ou religião está vulnerável em relação ao consumo, ao abuso e à dependência de substâncias psicoactivas do sistema nervoso central.

Apesar da prevenção das dependências ser um tema actual e preocupante, em particular entre pais, famílias, escolas, professores e jovens, e na sociedade em geral, todos nós, profissionais e pais lutamos contra o estigma, a negação e a vergonha associados às drogas reforçado pelo preconceito e o estereótipo. Muitas vezes, refiro-me a este exemplo, quando abordo o tema nas escolas e/ou com os pais, são unânimes em reconhecer a vulnerabilidade das crianças em relação a este problema e a necessidade de programas, mas quando são convidados a «dar a cara», aparentam optar, conscientemente pelo silêncio devido ao tabu, preconceito e estereotipo. Creio que um dos motivos deste afastamento está relacionado com o estigma, a negação e a vergonha sobre as drogas: “Os meus filhos nunca na vida irão tornar-se uns drogados ou uns bêbados.” A maioria de nós, pais e famílias, inconscientemente, justificamos este raciocínio; “Estes problemas dramáticos só acontecem aos outros. Estas tragédias só acontecem às famílias desestruturadas, disfuncionais e sem recursos económicos.” Nos dias de hoje, este tipo de justificação negligente do qual nos socorremos para enterrar a cabeça na areia e considerarmos que a nossa família não é desestruturada ou disfuncional, como as outras afectadas pela dependência, pode revelar-se a médio e a longo prazo, um erro grave, porque na realidade e para sermos verdadeiramente honestos, sentimo-nos impotentes, porque não possuirmos um plano ou uma estratégia concreta sobre esta matéria.

Há vinte anos atrás, no final dos anos 80, início dos anos 90, o jovem que desejasse consumir drogas ilícitas revelava-se uma tarefa difícil obtê-las, hoje em dia, qualquer criança ou adolescente, através da internet, na sua casa e junto aos seus pais, pode ter acesso a qualquer tipo de drogas. A procura supera a oferta de drogas, existem drogas para todo o tipo de preferências e tendências.  No contexto profissional, conheço inúmeros adultos, afirmam, as primeiras experiências com drogas, enquanto crianças e adolescentes, foram com medicamentos dos seus familiares

Alguns dados interessantes
Segundo o relatório das comissões de protecção de menores os processos instaurados em 2013 (30.344) aumentaram comparativamente a 2012 (29.149). Aumentaram também os processos reabertos, num total de 7402 e são o dobro das crianças abandonadas. Apesar de até aqui o escalão com maior representatividade, fosse o dos 0 aos 5 anos, em 2013, o escalão com maior representatividade foi o dos 15 aos 18 anos. A exposição a comportamentos, por parte dos adultos, que podem comprometer o desenvolvimento da criança: a violência domestica (agregado familiar), a negligência familiar, a falta de cuidados de saúde, falta de apoio psicoafectivo, a indiferença, os maus tratos físicos.

Após constatarmos estes factos, encontramos motivos, suficientemente fortes para os pais ponderarem sobre a prevenção das dependências desde o berço da criança, ao invés de ser na pré adolescência, nessa altura, pode ser tarde demais. A prevenção das dependências é um projecto da família.

A prevenção das dependências deve ser um projecto delineado 1. Pais 2. Escola e 3. Sociedade.  
O papel da família é importante na prevenção das dependências desde o nascimento da criança. Antes de a criança nascer, a família é um sistema complexo de personalidades e dinâmicas, individuais e colectiva, refiro-me aos papéis, às regras, às funções e convicções que regem a estrutura familiar no seu todo. A personalidade da família revê-se nos padrões e nas espectativas, nos sentimentos, pensamentos, nas suas crenças e tradições. O nascimento de uma criança vem modificar este sistema. 

 Se um membro da família tem um problema ou doença, esta situação dramática não afecta somente o individuo (doente), pelo contrário, todas as pessoas são afectadas, incluindo as crianças. Refiro-me a todo o tipo de adversidade, desde as doenças, acidentes, crise, desemprego, divórcio, adultos dependentes de drogas e/ou álcool, e/ou desilusões e fracassos oriundos dos projectos individuais, profissionais e económicos dos adultos. Nesse sentido, é durante a fase da socialização que surgem os desafios mais complexos na educação da criança, visto nenhuma família estar a salvo da adversidade. Como adultos sabemos, pelos motivos mais evidentes e dolorosos ao longo do devir, que a vida é difícil. Agora, como é que integramos esta questão existencial no plano de educação do(s) nosso(s) filho(s)? Como é que o(s) preparamos para enfrentar a adversidade?

Uma das respostas, residem no meu entender, com as nossas características individuais e sociais, como pais e indivíduos. Ao longo da vida, geramos aquilo que consideramos merecer e essa atitude também se reflecte na família; se considerarmos que somos indivíduos resilientes na gestão da adversidade e dos sentimentos, se considerarmos que somos indivíduos felizes, se possuirmos um propósito e sentido no rumo da vida, a nossa família, também irá colher estes frutos que a sustentaram nos momentos difíceis, caso contrario, se nos considerarmos indivíduos egocentristas e hedonistas, com baixa auto estima, ressentidos e umas vitimas das pessoas e do mundo, estaremos a minar nossa família. É imprescindível que sejamos honestos connosco próprios, a fim de consigamos monitorizar os efeitos e o impacto do nosso comportamento na família, incluindo das crianças. Se o fizermos estaremos a garantir zelo pela estrutura (sistema) familiar. Sabia que uma parte muito significativa do nosso comportamento, para com a família nuclear (esposa/o e filhos), é herdado dos nossos pais, avós ou outras pessoas significativas? Refiro-me às tradições, aos valores e convicções e à vinculação.  Podemos transportar uma herança familiar dolorosa de abuso ou negligência que poderá afectar a vinculação com os nossos filhos e podemos encontrar dificuldades em desempenhar a tarefa de educar e ao mesmo tempo, ser felizes. A nossa educação parental assenta em modelos que conhecemos e nos são familiares. Quais são as regras que nos ensinam para educar os nossos filhos? Ainda recorremos a um método que se resume a experimentar, através da tentativa e erro, isso significa que não dispomos de informação, assim como, aquela informação que possuímos pode estar errada.
 
Por outro lado, sabemos que para se ser uma família feliz, não é preciso ter tido uma educação fora de serie e/ou um possuir estatuto social elevado, basta assumir um compromisso honesto, devotado ao amor e dar o melhor possível.

Um pai e uma mãe comprometida com a educação e a família na prevenção das dependências:
- Dá o exemplo, exerce disciplina (não é ser amigo/a do filho, ele já tem amigos suficientes, os filhos precisam de um mentor e de um/a coach),
- Negocia e comunica o mais abertamente possível sem tabus,
- Desenvolve a resiliência, ajuda os filhos a fazer a auto-regulação dos seus sentimentos dolorosos em vez de satisfazer as suas vontades e os ímpetos da criança porque se sente culpada/o e não consegue dizer Não,
- Ensina a controlar o comportamentos e reforça valores e tradições saudáveis,
- Reforça a auto conceito e a auto estima, não me refiro ao culto do ego ou da imagem.
- Promove uma vinculação com base no encorajamento, no amparo, na pertença e na aceitação (amor).
 
Já referi esta afirmação várias vezes, na prevenção das dependências é urgente uma revolução no sistema e no paradigma actual, nos políticos, nos líderes, nas instituições, famílias e profissionais que zelem e se comprometam pelo futuro dos nossos filhos, porque o mundo dos adultos não é seguro para algumas crianças vulneráveis. Se conseguirmos educar os nossos filhos, se conseguirmos que eles possuam as competências e o talento necessário a fim de usufruírem uma vida plena, teremos conseguido com sucesso a nossa missão, aquela que considero ser a mais altruísta e abnegada de todas, ser pai ou mãe.

Se não formos nós, pais e família, a abordar o tema da prevenção das dependências e do consumo de drogas lícitas, e/ou ilícitas, outras pessoas, que não amam os nossos filhos como nós próprios, vão faze-lo.


sábado, 8 de março de 2014

36ª Dica Arte Bem-Viver de 27/11/2011


Olá
Perante o fenómeno complexo das relações interpessoais, no dia-a-dia, a comunicação honesta e assertiva assume um papel de destaque que necessita de uma actualização constante das nossas competências.

- Na comunicação procure dar prioridade em compreender o ponto de vista da outra pessoa, antes mesmo que expor o seu. Erradamente, revelamos demasiada preocupação em expor o nosso ponto de vista, e só depois entender o ponto de vista do outro. Se estiver realmente interessado/a em aprofundar o assunto em questão, invista na arte de fazer perguntas importantes. Oiça aquilo que é dito, não aquilo que você pensa que é.
- Na comunicação seja zeloso para com os compromissos que assume. Não existe maior desilusão quando alguém promete algo e depois não cumpre. Seja honesto/a consigo, e se verificar que não consegue cumprir os compromissos, não os assuma. Simplifique, evite ser agrador/a.
Votos de uma semana produtiva na comunicação interpessoal

Cumprimentos

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 154ª publicação.

Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Mais Vale Prevenir Do Que Remediar

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A resiliência é um escudo para as dependências



10 Dicas úteis sobre como promover a resiliência no desenvolvimento das crianças, por Margarita Tartkovsky (Leia o texto na integra).


1. Não proporcionar todos os recursos
Segundo a Dra. Lynn Lyons “ Sempre que tentamos proporcionar segurança e conforto, estamos a atrapalhar as crianças a fim de que elas consigam desenvolver as suas competências na resolução de problemas e na aquisição de perícias.” Proteger excessivamente as crianças somente irá aumentar a ansiedade delas.”
A Dra Lyons ilustrou este exemplo muito comum de uma forma dramática. “Às 15.30, a criança sai da escola e revela aos pais, que frequentemente fica preocupada porque não sabe se os seus pais a vão buscar a horas. Para tranquilizar a criança, os pais chegam à escola com uma hora de antecedência e “estacionam” á frente da janela da sala de aula, para que a criança os veja. Outro exemplo, “ Os pais permitem que o seu filho, de 7 anos, durma num colchão no quarto deles porque o filho se sente desconfortável em dormir no seu próprio quarto sozinho.”

2. Evite eliminar todos os riscos
Naturalmente, os pais procuram proporcionar segurança aos seus filhos. Mas eliminar todos os riscos retira-lhes a oportunidade de aprenderem sobre como ser resiliente. Numa família conhecida da Dra. Lyons, durante a ausência  e segundos os critérios dos pais , as crianças não atingiram ainda o nível de maturidade suficiente que lhes permita tomar as refeições em casa visto haver o receio de sufocarem com a comida, assim, segundo a Dra Lyons, também não estão habilitadas a permanecer em casa. Se as crianças já são crescidas o suficiente para estar em casa sozinhas, também são crescidas para se alimentarem.
O factor chave reside em permitir às crianças correr riscos apropriados à sua idade e ensinar algumas competências essenciais ao seu desenvolvimento. O adolescente que vai tirar a carta de condução, aos 5 anos de idade aprendeu a andar de bicicleta e que antes de atravessar a rua, precisava abrandar a velocidade, prestar atenção aos carros e olhar para o lado direito e para o lado esquerdo, Proporcionar às crianças, a liberdade apropriada à sua idade, ajuda-os a aprender a definir os seus próprios limites.


3. Ensine-os a resolver os seus próprios problemas
A criança está amedrontada por ir passar o fim-de-semana com os amigos, num campo de férias, longe de casa. Segundo a Dra Lyons, um progenitor ansioso afirmaria numa situação destas “Pronto, não há necessidade em ires ao campo de férias. Podes ficar em casa.”
Todavia, uma abordagem mais correcta consiste em estabilizar o estado de ansiedade da criança, ajudando-a a gerir as suas emoções em relação às saudades de casa. Nesse sentido, pode perguntar à criança o é que ela pode fazer a fim de se adaptar às saudades de casa.
Quando o filho da Dra Lyons ficava ansioso por causa do exame final, ela e ele faziam um brainstorm  sobre as possíveis estratégias para gerir melhor o tempo e o horário para estudar. Por outras palavras, ajuda-lo a acostumar-se a enfrentar os seus próprios desafios. Através da repetição, proporcionar-lhe oportunidades a fim de determinar aquilo que funciona e aquilo que não funciona.

4. Ensine aos seus filhos competências concretas
Quando a Dra Lyons, trabalha com crianças, ensina-lhes competências específicas a fim de eles aprenderem a gerir determinadas situações. Costuma questionar-se a si própria “Qual é o objectivo que pretendo atingir com esta situação? Qual é a competência que eles necessitam de aprender para atingir o objectivo?” Por exemplo, pode ensinar a criança a cumprimentar alguém e a iniciar uma conversa.

5. Evite a pergunta “Porquê?”
Segundo a Dra Lyons, o “Porquê?” não se revela eficiente na aquisição de competências para gerir os problemas. Por exemplo, se o seu filho deixa a bicicleta à chuva e você pergunta, “Porquê?” O que é que elas vão dizer? A resposta vai ser “Tenho 8 anos e sou uma criança descuidada.”
Faça perguntas utilizando o “Como”. “Olha lá, deixaste a bicicleta à chuva e a corrente ficou enferrujada. Como é que podes reparar essa situação?” Por exemplo, o seu filho pode ir fazer uma pesquisa à internet e descobrir como pode reparar a corrente enferrujada ou contribuir com o seu próprio dinheiro para uma corrente nova. A Dra Lyons também utiliza o “Como” para ensinar competências diferenciadas. “Como é que vais levantar da cama quando está acolhedor e os lençóis estão quentinhos?” ou “Como é que vais lidar, com os rapazes barulhentos da tua turma, quando eles começarem a incomodar?

6. Não lhes proporcione todas as respostas
A Dra. Lyons, afirma que, em vez de lhes dar todas as respostas, faça o seguinte, utilizando a frase “Não sei.” Assim está a proporcionar-lhes as competências necessárias para a gestão dos problemas. Utilizando esta frase, está a ensinar-lhes a tolerar a incerteza e a ajuda-los a pensar sobre as formas possíveis de enfrentar alguns desafios. Faça este exercício quando eles são crianças, e ao longo do seu crescimento, proporcionando-lhes pequenos desafios, está a prepara-los para desafios maiores e mais arriscados. Eles não vão gostar, mas com o tempo vão acostumar-se.
Por exemplo, quando você vai á consulta de rotina do médico do seu filho, e ele perguntar  “Ó mãe, vou apanhar uma pica?” em vez de o tranquilizar, diga “Não sei. É bem provável que leves uma pica, se acontecer, vamos ver como é que vais enfrentar a situação.” Outro exemplo semelhante, se o seu filho perguntar “Ó mãe hoje vou ficar doente?” Em vez de responder “Não, não penses nisso. Não vai acontecer nada.” responda “É provável, se acontecer vamos ver como lidas com isso.”
Se a criança estiver preocupada porque vai detestar a escola, em vez de dizer “Vais adorar, vais ver!” Você pode explicar que algumas crianças podem não gostar da escola, desta forma, você pode ajuda-lo a encontrar outras alternativas.

7. Evite o discurso utilizando termos catastróficos
Preste muita atenção aquilo que diz em frente aos seus filhos. Segundo a Dra Lyons, os pais ansiosos têm a tendência para utilizar termos catastróficos. Por exemplo, em vez de dizerem “É mesmo importante aprenderes a nadar,” dizem “É mesmo importante aprenderes a nadar porque seria devastador, para mim, se um dia tu te afogasses.”

8. Permita que os seus filhos cometam erros
De acordo com a Dra Lyons, cometer erros não significa que seja o fim do mundo. É esta a forma como adquirimos o discernimento, a fim de sabermos o que fazer a seguir e a resolver a situação. Para os pais, revela-se extremamente doloroso, permitirem a confusão e a desordem. Por outro lado, é desta maneira que as crianças aprendem a identificar e a corrigir equívocos, e para a próxima vez, aprendem a evitar cometer os mesmos erros. É típico dos pais ansioso e superprotectores, quando a criança possui uma determinada tarefa, fazem questão de que façam o trabalho o mais possível próximo da perfeição, mesmo que numa primeira abordagem a criança, não revele absolutamente interesse nenhum. Permita à criança identificar as consequências das suas acções. Outro exemplo semelhante, se o seu filho não quer ir à natação, permita que ele fique em casa, porque da próxima vez, quando ele se sentar no sofá poderá sentir-se desconfortável.

9. Ajude o seu filho a gerir as emoções
A Dra Lyons, afirma que a gestão das emoções é o factor principal para a resiliência. Ensine o seu filho a aceitar as emoções, como algo perfeitamente legítimo. É normal sentir raiva quando ele ou ela perde o jogo ou se alguém lhe come o gelado todo. Depois das emoções atribuladas, eles precisam de pensar sobre aquilo que vão fazer de seguida. Rapidamente, as crianças também aprendem a distinguir e a relacionar as suas emoções poderosas e aquilo que eles querem. Os pais também precisam de aprender como lidar com suas emoções. Como progenitor, você poderá dizer “Compreendo que te sintas frustrado e zangado. Se estivesse no teu lugar, também me sentia da mesma maneira. Entretanto, precisas de aprender a identificar qual é próximo passo e qual o comportamento mais apropriado.” Se o seu filho fizer uma grande gritaria, ficará bem claro qual o tipo de comportamento que é apropriado ou não. Você dirá “Desculpa, mas não vou buscar outro gelado, porque esse tipo de comportamento é inapropriado e inaceitável.

10. Resiliência
É óbvio que as crianças aprendem observando o comportamento dos progenitores. Segundo a Dra Lyons, sugere “Seja consistente e tenha calma. Você, como progenitor, não pode pedir aos seus filhos para controlarem as emoções, se você não consegue controlar as suas. Na verdade, nós baralhamos tudo e como sabemos a educação exige muita pratica.” Quando você, como progenitor, cometer um erro, admita-o e diga “Desculpa filho, realmente estraguei tudo. Não consegui gerir a situação com calma. Vamos falar e descobrir outra forma diferente de lidar com a situação no futuro.”

É desde criança e ao longo da adolescência que a resiliência proporciona orientação e competências através de caminhos, conquistas e adversidades, por si só, inevitáveis e complexas, mas que fazem parte integrante do próprio desenvolvimento. Crianças resilientes, mais tarde, tornam-se adultos resilientes, capazes de sobreviver e prosperar expostos aos mais diversos tipos de adversidade.
Saiba mais sobre a Dra Lynn Lyons 

 Comentário: Como adultos sabemos o quão importante são os valores e as competências que nos foram incutidos pelos pais ou pessoas significativas, pela família em geral, pela escola e pela sociedade ao longo do nosso desenvolvimento. Da mesma forma, também sabemos o quão importante foram, e ainda continuam a ser, os erros que todos nós cometemos. É nesta dança entre a aquisição de competências e a aprendizagem dos erros, relação causa e efeito, que a prevenção das dependências ocorre desde o nascimento e ao longo da vida.
A prevenção das dependências, direccionada para as crianças, só é possível se TODOS estivermos envolvidos e assumirmos esse compromisso – causa. Por outras palavras, se sabemos que as crianças adquirem grande parte das suas competências observando os adultos; nós como adultos, responsáveis e com mais experiencia de vida, precisamos de ser um exemplo a seguir.
A sociedade somos todos nós. Estaremos a proporcionar às nossas crianças um leque de oportunidades que elas precisam para explorar o mundo? Será que estamos a incutir nas crianças um espirito que as motive a explorar o seu próprio potencial, a prosperarem e a oferecer-lhes alternativas para enfrentarem as adversidades? As drogas, incluindo o álcool, estão disponíveis para aqueles jovens que não exploraram, desenvolvem e prosperaram ao longo do seu desenvolvimento e servem, na perfeição, como uma almofada para atenuar a dor e o trauma, a frustração, a vergonha, a rejeição, a culpa. 



quinta-feira, 28 de março de 2013

Publicidade? "Quanto baste"


Como é que a publicidade influencia os jovens?
Apesar deste video reportar-se à realidade americana, este fenómeno das técnicas agressivas de marketing, que geram pressão social e psicológica,  também  afecta negativamente as jovens portuguesas. Todos os dias, 365 dias por ano, estamos sujeitos aos mais diversos estímulos  cujo objectivo é simplesmente o  lucro das grandes multinacionais e das modas. 
Não vá em modas disfuncionais; pelo contrário faça questão de as quebrar: Seja você mesmo, ser único/a e criativo/a.
Siga o link e veja o video Causa e efeito.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Bullying - "Até hoje"





Até hoje!
"Eles estavam enganados..."
As consequências do bullying podem permanecer para o resto da vida: "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar"
Veja o vídeo


sábado, 8 de setembro de 2012

O problema é grave, e a tendência é para piorar, mas negamos as evidências



Jornal de Noticias, de 18/8/2012
O Jornal de Notícias, na sua edição de 18 de Agosto, 2012, convidou sete personalidades para a participarem num painel sobre três questões relacionadas com a saúde em Portugal, todavia, vou somente selecionar a primeira porque é aquela que está diretamente relacionada com o tema da Prevenção das Dependências:
“Sociedade: Painel/ Tomar o pulso ao país” - Portugal é o terceiro maior consumidor de álcool da OCDE. Que consequências?”
 “Saúde: Portugal no pódio do consumo do álcool. Apesar dos números revelarem uma ligeira queda face aos últimos anos, Portugal mantém-se no pódio dos maiores consumidores de álcool do Mundo – 12,2 gramas per capita, a apenas uma décima de grama da França e empatado com a Áustria (números da OCDE). E há ainda a agravante de as estatísticas não incluírem o vinho produzido para consumo próprio. Sermos produtores de muitos e bons vinhos não justifica tudo. Sociavelmente, o álcool continua a ser um passaporte para um estilo “descontraído” e recebe um consentimento benevolente dentro das famílias e instituições. O crescimento das bebedeiras selvagens (botellón) aos fins-de-semana, entre os jovens mostram como as coisas estão a piorar ainda mais. Questão: Quem paga a factura? Quais são as consequências físicas e sociais? Eis uma chaga que nenhum Governo consegue sarar.” Jornal de Noticias.

 Portugal é o terceiro maior consumidor de álcool da OCDE. Que consequências?
  • António Ferreira - Presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João. Resposta: “A) Desagregação e violência familiar; B) Exclusão social; C) Agravamento do estado de saúde e desqualificação da população, diminuição da produtividade, etc”

  • Isabel Vaz - Presidente da Comissão Executiva da Espirito Santo Saúde. Resposta: “É um problema de saúde pública muito relevante pelas consequências sociais, da despesa e por ser um factor de risco de doenças cardiovasculares e hepáticas.”

  • Manuel Antunes - Cirurgião Cardiotorácico e Professor da Universidade de Coimbra. Resposta: “Infelizmente, o consumo excessivo de álcool é bem tolerado, até aceite, no nosso país. O impacto na saúde, praticamente em todos os órgãos, é devastador, também com consequências económicas e sociais muito grandes.”

  • Maurício Barbosa - Bastonário da Ordem os Farmacêuticos. Resposta: “ É muito preocupante, mais ainda a triste incidência em jovens de menor de idade. As consequências são péssimas para os próprios, as famílias e a sociedade. Os inevitáveis problemas de saúde refletem-se em menor qualidade de vida e em menor produtividade e conduzem inexoravelmente a mais despesa em cuidados de saúde. Os índices elevados de acidentes de trabalho, de viação, etc., e de violência também se correlacionam com o alcoolismo.

  • Nuno Sousa - Diretor do Curso de Medicina da Universidade do Minho. Resposta: “Nefasta para a saúde. Claramente a carecer de uma campanha de educação.”

  • Paulo Mendo - Antigo Ministro da Saúde. Resposta: É um grave problema de saúde pública, responsável por milhares de casos de doenças crónicas de cura difícil e tratamento muito caro. Pior (ou melhor), a cultura milenar do nosso povo aceita e tolera esta praga!”

  • Purificação Tavares -CEO da CGC Genetics. Resposta: “Os hábitos de população e os estilos de vida favorecem este consumo, pelo que deveria haver preocupação e contenção com a publicidade a bebidas alcoólicas, assim como colocar esta tónica no sistema educativo.”


Comentário: O álcool (etílico) é uma droga, depressora do sistema nervoso central, e é das substâncias psicoactivas, geradoras de dependência, mais consumidas no mundo, com a agravante de ser a mais perigosa. O álcool afecta a forma como o individuo pensa, sente e age.

De acordo com vários estudos, efetuados nos EUA, se os problemas com o álcool persistirem  o individuo alcoólico poderá morrer  15 anos mais cedo do que a idade media de morte da população em geral. As principais causas de morte são ataque cardíaco, cancro, acidentes e suicídio, embora também possa detetar doenças do fígado; cirrose.
Outra serie de estudos, efetuados nos EUA e na  Escandinavia, estabeleceram a importância de fatores genéticos na génese do alcoolismo e demonstraram que os filhos de pais biológicos alcoólicos, que deles foram separados quando crianças, cresceram com pais adoptivos, e sem qualquer conhecimento dos pais biológicos, apresentaram taxas muito elevadas de alcoolismo.
Outros estudos revelam que entre filhos de pais alcoólicos, um baixo nível de sensibilidade ao álcool resultou num risco de 60% de alcoolismo 10 anos mais tarde, enquanto a elevada sensibilidade ao álcool resultou apenas num risco de apenas 15%. A reação a doses moderadas de álcool possa dificultar aos filhos de alcoólicos o recurso às suas próprias sensações, depois de beberem, para decidirem o momento em que devem parar de beber. Estes estudos servem para sublinhar as possíveis componentes genéticas e biológicas do alcoolismo. Os dados recentes mais fiáveis indicam que o alcoolismo é uma perturbação geneticamente influenciada com uma taxa de hereditariedade, semelhante aos diabetes. Isto é, existe a possibilidade de o alcoolismo passar de geração para geração (pais para filhos)[i]

Todos nós sabemos que o abuso do álcool e do alcoolismo é um problema de saúde gravíssimo, mas dado à sua complexidade (epidemiologia e da etiologia, e os efeitos sociais) vivemos uma cultura de negação associado às consequências e aos efeitos trágicos do abuso do álcool, do alcoolismo no individuo, na família, incluindo as crianças, e os custos para o estado. Li algures que existem um milhão de bebedores problemáticos e 800.000 indivíduos alcoólicos, se juntarmos a estes dados, as suas famílias, incluindo as crianças, mais os jovens adolescentes que recorrem um binge drinking (abusar do álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez), as despesas de saúde e as despesas para o estado, os acidentes e o suicídio, mesmo assim, apesar das evidências e do agravamento do fenómeno, todos nós, continuamos a abordar o problema de saúde pública, do abuso do álcool e do alcoolismo, como se estivéssemos a discutir o problema do vizinho ou como se não tivéssemos nada a ver com isso, atitude que designo de estigma e  negação. 

Para se ter uma noção da gravidade do problema, creio ser comum encontrar na maioria das famílias portuguesas, um caso de um individuo (membro da família, por exemplo; avô, pai, primo, tia, avó, mãe, irmã ou irmão) que tenha sido afetado pelos problemas associados ao álcool, no passado ou no presente; de realçar que o alcoolismo pode passar de geração em geração.

De acordo com os estudos científicos, na maioria dos países civilizados, incluindo a Organização Mundial de Saúde é urgente investir com compromisso na educação, na prevenção junto das populações e no tratamento do abuso e do alcoolismo, todavia, os interesses económicos e os lobbies acabam por ditar as regras, em detrimento da saúde das pessoas, incluindo as crianças, com o consentimento dos decisores políticos. Por outro lado, observo há vários anos, nos meios de comunicação social, de acordo com os sucessivos governos, promessas onde os políticos afirmam que a lei da venda e consumo do álcool vai ser alterada, mas mantém-se inalterável; somos o único país da EU a permitir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas a menores de idade. Aparentemente, existe um certo laxismo e desinteresse na investigação jornalística, na legislação, na politica sobre este assunto complexo e trágico que afeta milhares de portugueses, incluindo as crianças, e passo a citar o jornalista do JN “Eis uma chaga que nenhum Governo consegue sarar “. Pergunto; se é considerado uma “chaga”, porquê teimamos em negar a tragedia humana e os custos económicos e sociais? Na minha opinião, a dita “chaga” nunca será eliminada, pelos decisores políticos, visto haver outros interesses mais importantes que os direitos humanos e o direito à saúde, incluindo as crianças.

À data deste post ainda somos um país que permite e promove o consumo e o abuso de bebidas alcoólicas a jovens menores de idade, estando assim a contribuir e para o agravamento para o problema de saúde pública.

Esta questão é um dos motivos pela qual justifico a existência e a minha dedicação a este blogue – Prevenção das Dependências.







[i]  “Abuso de alcool e drogas” Marc A. Schuckit - Climepsi Editores

domingo, 26 de agosto de 2012

"O Regresso à Escola”


Entrevista com o Dr. Miguel Mealha Estrada sobre “O Regresso à Escola”
Por: Patrícia Tadeia (Jornalista) Jornal METRO, Portugal

Patricia Tadeia: Como é que as crianças vêem e lidam, de um modo geral, com o primeiro dia de aulas? É um dia fundamental para traçar todo o percurso escolar?

Miguel Mealha: Varia de criança para criança; varia desde a educação e disponibilidade emocional que os pais têm dado e dão à criança, desde como a sua composição genética, estará, digamos “preparada” para lidar com o desconhecido e como se vai moldando durante o desenvolvimento.

Outro factor muito importante, é que o "primeiro dia de aulas" não começa quando a criança entra na escola, mas sim, enquanto a criança, neste caso o feto, ainda está dentro da barriga da mãe (para mais detalhes ler o meu artigo no Portal da Saúde, "O Irrelembrável e o Inesquecível- A Alquimia do Nós" (http://saude.pt.msn.com/, na secção "Família- Fertilidade e Gravidez) - a criança desde essa etapa, digamos, já está a aprender. Com isto quero dizer que a preparação da criança para enfrentar e saber lidar de passo a passo com novas situações e desafios, começa pelo seu desenvolvimento, desde bebé, à cresce até ao primeiro dia de escola, e isto está dependente da capacidade dos pais de ensinar os filhos a auto-regularem-se psicologicamente entre outros factores sociais de influencia e mesmo da pré-disposição genética do ser humano, acompanhando assim os níveis de desenvolvimento do bebé e da criança (o qual não é linear) - este é um assunto extremamente importante o qual eu explicarei em mais detalhe nas seguintes perguntas; é essencial que os pais saibam, e eu farei o meu melhor em explicar em termos leigos, de certos factores muito importantes que a as ciências da neurobiologia afectiva e das relações nos informam cada vez mais sobre as frustrações, medos, ansiedades, oportunidades e possíveis resoluções de problemas que afectam a aprendizagem e o ser humano em si- tudo isto faz parte da composição da experiência emocional do aprender e ensinar.

Quanto ao "primeiro dia de aulas": é um começo, algo não concretizado, que trás uma série de expectativas (algumas conscientes e outras inconscientes), que na sua generalidade trazem sempre questões humanas tais como: um novo começo, que expectativas a criança e níveis de auto- estima trás consigo, estará preparada para lidar com o desconhecido e formar e manter relações, tanto com os professores como com os colegas- será um comprimento de desejos? A não ser que experiências negativas no passado tenham reduzido a capacidade emocional da criança para enfrentar tais dilemas; há sempre dúvidas, medos, incertezas, pensamentos "será que vou falhar?", "será que os meus pais me vão dar suporte?", "será que os meus pais vão deixar de gostar de mim se eu não conseguir?", "será que o professor ou professora irá gostar de mim?"- os riscos a tomar, o aprender cada vez mais a lidar com os medos e frustrações, o começar a saber a distinção entre as fantasias e a realidade, o saber lidar com a ansiedade e a incerteza, que neste período de desenvolvimento é crítico que tanto os pais e os professores estejam atentos e haja comunicação entre ambos para assim ajudarem a criança a desenvolver os seus mecanismos cerebrais e o seu sentido de coerência para lidar com o desconhecido, e passo a passo, a desenvolver uma aptitude mais independente na sua auto-regulação emocional- estes são alguns dos parâmetros irredutíveis dos direitos das crianças. Por tal, não digo que é o começo de uma trajectória de ensino, mas sim, mais um passo no desenvolvimento da criança que começou no útero da mãe.

Quanto ao primeiro dia de escola, existem sentimentos e comportamentos frequentes, que podem ser lidados com imaginação tais como:

• Levantar- se cedo. Isto significa que a criança pode ter um pequeno-almoço relaxante, deixando tempo suficiente para lidar com receios - e ainda chegar à escola a tempo.

• Não falar sobre o quanto vai sentir falta do seu filho/a. Não deixe que as suas preocupações sejam um obstáculo para com a criança- aprenda a lidar com as suas ansiedades sem as projectar para com as crianças. Tanto a pé com a sua criança para a escola (ou colocar ela no autocarro da escola), conversar com outros pais se você necessita de suporte. O seu filho/a já tem o suficiente com que se preocupar com o primeiro dia de aulas sem ter que ser responsável para acalmar as ansiedades doa pais.

• Foque-se na diversão. Se escolta seu filho à escola, conhecer o professor em conjunto e dar uma vista de olhos em torno da nova aula, falando com o professor acerca de coisas de que a criança gosta, tais como arte, arte, brincadeiras preferidas, até modos de leitura.

• Se o seu filho/a ficar chateado ou com ansiedade e medos, reconhecer o sentimento e peça ao professor para sugestões, incluindo na conversa a criança. Poderá dizer, "Eu sei que estás com medo- decerto que não és só tu, outros teus colegas também estarão. "Vamos pensar sobre algo que te vá a ajudar a sentir melhor.”. Sugira ler um livro juntos ou iniciar uma actividade.

• Peça ao professor para ajudar. Se o seu filho ficar ansioso ou com uma ligeira ansiedade de separação (o que nestes tempos é bastante normal), peça ajuda ao professor. Poderá dizer, "vamos dizer olá ao teu professor juntos. Ele irá tomar conta de ti e não te esqueças que eu penso sempre em ti."

• Fazer uma saída rápida se possível. Tomar a relação para com o professor/a para com o seu o seu filho/a, mas quando é hora de ir, vá. Uma saída rápida pode ser mais útil para a criança, com um "adeus e até logo, diverte-te."

As primeiras semanas de escola são um tempo para ajudar a criança ajustar-se às rotinas, aos seus medos e ansiedades. Entusiasme-se com o que ela aprende e ajude-a a tornar-se mais independente dos pais. Aqui estão algumas sugestões de como poder ajudar:

• Conheça o professor/a. Quanto mais rápido os pais estabelecerem uma relação positiva com o professor/a do seu filho/a, a probabilidade da criança em adaptar-se a novos ambientes e tornar-se independente na generalidade será mais elevada, pois a criança terá em mente que existe um elo de confiança entre aluno/professor que é baseado na auto- confiança dos pais, que se projecta para com o professor/a. Quanto mais segura a criança se sente, mais energia ela pode pôr em aprendizagem - ou seja, a partir da perspectiva dos pais, que pretende apoiar a sua criança formando esse vínculo de qualidade para com o professor/a.

• Quando leva a criança para a sala de aulas, peça para ver alguns trabalhos. Se você sente que a criança se sente desconfortável com receios, medos e ansiedades, foque-se no positivo, mas muito importante, não descarte os seus medos- valide-os, ouça a criança e que ela sinta que os pais sentem o que ela sente, para então ela se sentir emocionalmente compreendida. Peça-lhe para lhe mostrar um projecto de arte, ou outra actividade que ele está fazendo na escola. Faça entender a criança que é normal ter medo e ansiedade nos primeiros dias de escola e que a criança saiba que os pais e professores estão emocionalmente disponíveis para dar apoio à criança.

• Se o seu filho/a sente muito a sua falta, escolha um objecto especial, que ela pode trazer para a escola. Por vezes ajuda com a transição se as crianças podem levar uma recordação da casa - uma imagem da mãe, uma nota, um lenço, ou outro objecto especial para recordar-lhes que os pais o têm em mente. Incentive a criança para mostrar o objecto ao professor/a. Faça um acordo para com o professor como esse objecto pode ser utilizado durante o dia de aulas.

• Se o seu filho/a diz, "Eu não quero ir", é muitas vezes vantajoso lembrar-lhe acerca das coisas divertidas. Pense em algo que saiba que o seu filho gosta de fazer, ou gosta na escola. Veja se pode começar a fazer tal actividade junto com a criança. Recorde a criança de todos os novos ou velhos amigos na sua classe. Se você não leva o seu filho à escola, sugira que ele/a faça algumas destas actividades quando chegar à escola, e enviar uma nota para o professor sobre as suas preocupações. Mas mais uma vez, não descarte os medos da criança, em vez, valide-os e tome a sua ansiedade a sério, pois terá de dizer á criança que ela terá que enfrentar alguns dos seus medos, mas que a criança tenha em conta que estará lá sempre para ela. Pensamento positivo em demasia e não aceitar os seus medos faz com que a criança se torne emocionalmente invisível, criando mais ansiedade e tristeza na criança, por não se sentir emocionalmente compreendida.

• Não fique surpreendido se o seu filho/a vier triste no final do dia: as crianças muitas vezes necessitam de saber e sentir que os pais estarão lá para elas - fora da patologia, na "normalidade", é normal que as crianças se sintam mais seguras em trazerem as suas frustrações para casa. É bastante saudável que as crianças tragam tais receios e ansiedades para serem lidadas em casa com os pais, para assim as dinâmicas familiares irem evoluindo tal como as propriedades emergentes psicológicas da criança no elo familiar.
• Se encontrar problemas frequentes de ajustamento, tanto cognitivos como sociais, pedir auxilio á escola. Se a separação permanece ansiosa após algumas semanas, configurar uma reunião com o professor/a de seu filho/a e/ou com o director da escola para falar sobre melhores maneiras em que todos podem colaborar sistematicamente e em sincronização. Se possível, uma reunião sem a criança, e depois, agendar uma reunião com a criança, pois a criança sabe de certa maneira onde estão os seus medos, e que assim possa ser feito um plano de suporte emocional à criança.

• Participe nos eventos da escola. Vá a reuniões. Estes acontecimentos dão-lhe a oportunidade de ver o mundo funcional, tanto cognitivo como emocional, do seu filho fora de casa, e encontrar e conhecer pessoas responsáveis (assim como outros pais) com que possa partilhar ideias e experiencias.

A chave aqui é separar os seus próprios sentimentos sobre a escola desde a sua infância, para que os seus filhos possam ter um novo começo. Você como pai poderá ter tido uma experiência horrível (o que pode fazer com que se preocupe demasiado com a criança) ou uma experiência maravilhosa (que poderá fazer os pais insensíveis aos sentimentos dos seus filhos e não reconhecerem que eles podem estar a passar por um mau bocado. É por isso que pensar-se e separar-se da sua própria experiência para com a da criança é extremamente importante!

Patrícia Tadeia: Como é que os pais devem lidar com esta “independência” da criança?

Miguel Mealha: Penso que esta pergunta em grande medida já foi respondida na pergunta anterior. O mais importante é que a criança tenha em mente que os pais e professores a têm em consideração e estarão lá para ela, tanto para a ela, tal como, sem humilhação e punição a ajudarem a ajustar-se às regras básicas do funcionamento social e do aprender a estabelecer relações de qualidade.
Leia o texto na integra siga o link.

Dr. Miguel Mealha Estrada,
Consultório da Criança & Família,
Gabinete de Observação Médico Pediátrica, Lda.
Largo Luzia Maria Martins, 1-C, esc. 2
1600-825, Lisboa
Tel.: 217260970
TM: 917502234
www.pedopsicoterapia.com

Membro da AP, Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica
Membro da International Neuropsychoanalysis Society
Membro do Concelho Científico Do Portal de Saúde Mental, Família e Medicina

Comentário: O Dr Miguel Mealha é um colaborador regular no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar", nesse sentido, aproveito para expressar os meus agradecimentos pela sua participação. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Debate sobre a guerra contra as drogas


Sabia que a guerra contra as drogas foi iniciada com o presidente americano Richard Nixon? Veja o video e faça os seus comentários sobre este fenómeno global que afecta países, sociedades, comunidades, famílias, incluindo as crianças, e milhões de indivíduos em todo o mundo. Este debate tem a presença de Richard Branson.
Você já foi afectado, directa ou indirectamente, sobre este flagelo? Responda a esta questão, construtivamente. Bem haja.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Estilos parentais e as escolhas de sucesso para os filhos


Conclusão de um estudo efectuado pela Brigham Young  University sobre estilos parentais.
O estilo parental de educação indulgente caracterizado pelo louvor caloroso ausente de consequências significativas, quando as regras/limites são quebrados, apresenta um risco significativo quanto ao consumo excessivo de álcool durante a adolescência. Este estilo parental indulgente revela-se ineficaz porque “o tiro sai pela culatra”.

Por outro lado, um estilo parental de educação dominador e autoritário, aplicado com consequências extremas, e por vezes desproporcionadas, em relação ao comportamento problema (capaz de gerar um sentimento de injustiça no filho), também se revela ineficaz, quanto a desencorajar o adolescente no consumo excessivo de bebidas alcoólicas. 

No referido estudo, o estilo parental que se revelou mais eficiente, quanto à prevenção do consumo excessivo de álcool na adolescência, situa-se entre os dois estilos acima referidos (entre o estilo indulgente e o estilo dominador). O estilo parental mais eficiente, de forma a prevenir o consumo excessivo de álcool na adolescência, é adoptado por ambos progenitores quando incentivam e cultivam as decisões mais construtivas no seio familiar (por exemplo, os pais são modelos e referencia das decisões saudáveis para os seus filhos), promovem orientações específicas quando os filhos adoptam comportamentos susceptíveis de risco, acompanhados da monitorização e da respectiva aplicação de consequências significativas quanto as regras/limites são quebrados. O objectivo, na aplicação deste estilo parental, consiste em proporcionar a liberdade suficiente ao adolescente, a fim de tomar as suas próprias decisões, e assumir a devida responsabilidade das consequências, sejam elas positivas e/ou negativas, no rumo da sua vida. Baseia-se na liberdade de fazer escolhas, de preferência, as mais positivas possível.

É extremamente importante educar os jovens sobre os perigos do consumo do álcool, por exemplo, em relação ao fenómeno do binge drinking (consumo excessivo de álcool cujo intuito é a intoxicação e a embriaguez), em relação ao abuso do álcool, do alcoolismo e do abuso de drogas lícitas e/ou ilícitas. No entanto, este tipo de educação, por si só, revela-se insuficiente. É importante para os pais, em especial, e a família, em geral, ensinarem o adolescente a tomar decisões construtivas e saudáveis. Obviamente, que é mais fácil dizer do que fazer. Todavia, os progenitores devem estar disponíveis de forma a implementar e a experimentar diferentes estilos parentais cujo objectivo principal vise promover as decisões saudáveis, geradoras de qualidade de vida, e explorarem as oportunidades de sucesso ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.

Comentário: Gostaria de salientar o papel importante sobre a educação (estilos parentais) dos filhos por ambos progenitores. O paradigma da educação dos filhos incidir sobre a “batuta” da mãe e o pai desempenhar o papel mais distante, e em alguns casos ausente, em relação aos afectos, creio estar desactualizado no mundo complexo de estímulos diversificados, das modas, de crises e mudanças. O papel da educação dos filhos deve ser, na minha opinião, desempenhado tanto pela mãe como pelo pai (à mesma “voz” e em uníssono, afinal ambos desejam o sucesso para o filho). Na educação dos filhos, as diferenças de género não significa incompatibilidade, pelo contrário, complementam-se. A mãe não pode correr o risco de assegurar a educação do filho ao seu estilo, assim como, o pai não pode ausentar-se sobre a importância dos afectos (necessidades emocionais). A educação do filho é um projecto da família, do qual podemos designar de trabalho de equipa.

Algumas afirmações, mais comuns, que revelam as incompatibilidades no estilo parental.
Afirmação do pai (autoritário) “A culpada de o filho ser assim, é da mãe. Faz-lhe as vontades todas e depois o miúdo faz aquilo que quer e lhe apetece. Comigo não é assim, eu é que mando lá em casa. ”

Afirmação da mãe (indulgente) “O meu filho tem medo do pai. Porque ele quando fala com o miúdo é agressivo ou prefere ignorar os problemas. Não gosta de ser incomodado. Eu não sou assim, custa-me imenso ver o meu filho a sofrer.”

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

É tudo urgente?


Se é tudo urgente, qual o tempo disponível que dispomos para relaxar, divertir e recuperar as energias positivas? Qual é o modelo de gestão que adoptamos que nos permite usufruir da companhia da família (momentos de intimidade), incluindo os filhos, dos amigos, lazer? Sorrir, conviver com a família e filhos, amigos, ter um sono reparador, ir ao cinema, dar um passeio, alimentação diversificada e saudável, exercício físico.
Hoje o stress é um assunto actual e em destaque, nem é preciso pensar muito sobre isso, basta ligar a televisão e ou comprar o jornal e ficamos em stress, por exemplo o desemprego aumenta, o aumento dos impostos, dos preços das coisas essenciais, da incompetência de alguns políticos dos quais depositamos a confiança para a gestão do país, da falta de oportunidade de realização das ambições pessoais, das dívidas etc.

 Não ter tempo para nada, segundo as nossas expectativas, gera stress. Facilmente, caímos na armadilha de andar a lamentar (queixas) e descontentes pela falta de tempo, do emprego que não satisfaz, do carro, da 2ª feira, do ordenado, da conta bancária, do corpo, do patrão, dos colegas, da crise, da mulher/marido, dos filhos, da conta bancária, da chuva/sol, mas quando estamos de fim-de-semana e ou de férias queixamo-nos porque não temos nada para fazer.

Stress e as Relações. Se é TUDO urgente quando é que estamos disponíveis para amar e ser amados? Sim, porque sendo assim, tudo urgente, um dia até podemos estar disponíveis para amar, mas a/a nossa/o parceiro/a pode não estar porque para ele/a, naquela altura, é TUDO urgente. Adquirimos o sentimento de que somos mal amados. Qual o timming para amar numa relação entre duas pessoas, quando tudo à volta é urgente?

Considero que, na maioria dos casos, adoptamos a máxima do stress “É tudo urgente…” sofremos as consequências ao nível da saúde física, mental e emocional/espiritual, parece que, para sermos indivíduos precisamos de sofrer, todavia, se o sofrimento não possuir um propósito e um sentido construtivo, resiliente e saudável, não se aprende nada. Nada muda, com a agravante de a tolerância ao sofrimento aumentar. Ficamos cristalizados na autopiedade, na vitimização, “mártir”. Evocam-se causas nobres para sofrer, mas na realidade nada muda, na infelicidade, na frustração e o no isolamento. Com tendência para piorar. É tudo urgente, gera mais stress.

Se é tudo urgente, revelamos uma necessidade exagerada em projectar, no futuro, as nossas desilusões, falhanços e desenvolvemos preconceitos e estereótipos em relação aquelas pessoas que pensam e agem de maneira diferente por exemplo marido/mulher, filhos, colega de trabalho, amigos/as. Consequentemente, iremos ficar paralisados e incapazes de criar soluções construtivas, comunicar as nossas necessidades e estar atentas às necessidades dos outros, estabelecer relacionamentos de intimidade com as pessoas significativas, incluindo os nossos filhos. Enquanto permanecermos ansiosos, projectando cenários catastróficos nas nossas mentes, será difícil sentir confiança, auto estima, capacidade crítica e motivação, porque é tudo urgente.

Segundo um estudo publicado na revista Psychological Science, quando as pessoas se sentem mal em relação a elas mesmo, ficam predispostas para criticar e desenvolver preconceitos em relação às pessoas que são distintas. Esta é uma das razões, mais remotas, pela qual criticamos e julgamos (preconceitos e estereótipos) as outras pessoas.

Adopte um modelo de gestão do stress que realmente funcione e seja saudável.
Dicas:
Faça um serio investimento no tempo e energia que dedica ao sono. Durma oito horas e recarregue as baterias positivas e assim contribui para um melhor desempenho da memória, da concentração, da gestão das emoções e gestão dos conflitos.

Faça uma actualização pormenorizada aos seus critérios se pensar que dormir é perda de tempo. Identifica sentimentos de culpa ou embaraço por dormir uma sesta? Se pensar que dormir é sinónimo de preguiça, essas atitudes estão desactualizadas.

Faça exercício físico com regularidade, de preferência integrado num grupo de pessoas. Convide familiares e ou amigos para caminharem.

Alguns factores que só servem para desmotivar. Falta de confiança, falta de ambição, andar sempre a lamentar e descontente daquilo que não tem, não consegue e não faz. Definir objectivos ambíguos e irreais, falta de reconhecimento, não participar no processo de mudança com acções construtivas e responsáveis.

Cultive o hábito de avaliar os seus sentimentos, principalmente, o medo, a raiva e o ressentimento, o sentimento de culpa. Reduza o seu investimento (prioridade) na avaliação dos sentimentos dos outros em detrimento dos seus. Não coloque rótulos em si, em função daquilo que sente Aprenda a distinguir aquilo que são os seus sentimentos daquilo que você é realmente. Não somos aquilo que sentimos, mas aquilo que fazemos com os sentimentos.

Nas situações de stress aprenda a inspirar e a expirar (respirar). Assim estará a fornecer oxigénio ao cérebro, em vez de se privar dele (apneia). Nestas alturas de tensão/esgotamento diga a si mesmo mensagens que auxiliem o relaxamento (mantras) “Calma…vou relaxar”, uma oração e ou outras.

Na prevenção das dependências, não é tudo urgente, antecipasse o imprevisto e o indesejável através de planos concretos, objectivos realistas, competências individuais e sociais (pessoas). Os nossos filhos merecem esse investimento e como pais crescemos junto com eles, em vez de cristalizarmos.