sábado, 2 de fevereiro de 2008

Publicidade "Encapotada"


Socióloga denuncia anúncios "encapotados" em manuais escolares.
Livro "Audiências Cativas" revela que desde marcas de 'fast-food', 'fast-drink' até artigos de papelaria, há de tudo um pouco nos manuais escolares

Os manuais escolares do ensino básico incluem, desde 1995, publicidade "encapotada", mostrando marcas de refrigerantes, chocolates ou de materiais escolares nos livros de estudo, denunciou a socióloga Isabel Farinha no livro "Audiências Cativas" publicado ontem.
De acordo com o estudo "Audiências Cativas - as imagens-marca no manual escolar", a prática é frequente por exemplo em manuais de matemática, onde é pedido às crianças que somem figuras cujas imagens são latas de um determinado refrigerante ou ovos de chocolate de uma marca específica.
Segundo disse Isabel Farinha à agência Lusa, as marcas de 'fast-food', 'fast-drink' e artigos de papelaria são as mais recorrentes.
Para a autora esta problemática deve ser encarada numa "perspectiva de mercado" em que as crianças estão inseridas.

"Toda esta situação tem a ver com a sociedade de consumo e o poder das crianças em desencadear vendas", explicou, lembrando que as crianças "são um mercado 3 em 1, são elas próprias um mercado consumidor, um mercado influenciador do que as rodeiam (principalmente da família) e um mercado para o futuro".
Embora não proíba expressamente esta prática, o Código da Publicidade refere ser "vedado o uso de imagens subliminares ou outros meios dissimuladores que explorem a possibilidade de transmitir publicidade sem que os destinatários se apercebam da natureza publicitária da mensagem".

Contactado pela agência Lusa o secretário-geral do Instituto Civil da Auto-disciplina da Publicidade, Miguel Morais Vaz, escusou-se a adiantar se a publicidade nos manuais escolares constitui publicidade subliminar, mas lembrou que o mesmo artigo do Código da Publicidade considera como subliminar a publicidade que, "mediante o recurso a qualquer técnica, possa provocar no destinatário percepções sensoriais de que ele não chegue a tomar consciência".
A publicidade consumida pelas crianças tornou-se, entretanto, uma das preocupações do Governo que decidiu implantar, a partir de Fevereiro, o projecto Media Smart em escolas do 1º e 2º ciclo (para crianças entre os 6 e os 11 anos).

O projecto consiste em promover a literacia em publicidade baseado no ensino extracurricular de temas e conceitos relacionados com a comunicação comercial e não comercial de marcas e entidades.
Além disso, o Governo aprovou, em Maio do ano passado, um novo regulamento de avaliação, certificação e adopção dos manuais escolares do ensino básico e secundário onde esta questão já se encontra abrangida.

Apesar de a norma só entrar em vigor no próximo ano lectivo, o documento especifica que os manuais "não devem fazer referências a marcas comerciais de serviços e produtos que possam constituir forma de publicidade". Agencia Lusa

Comentário: Gostaria de realçar a atitude da referida socióloga ao fazer este tipo de denuncias em relação à publicidade nos manuais escolares cujo publico alvo são as crianças. È um acto digno e cheio de sentido ético e moral, mas pouco usual na nossa sociedade. Aproveito para reforçar o aspecto negativo da publicidade agressiva e excessiva a bebidas alcoólicas em eventos direccionados, principalmente, a jovens adolescentes e à lei portuguesa que não permite que os jovens até aos 16 anos consumam bebidas alcoólicas. Temos o ex. Portugal é o único país da EU que defende este tipo de lei, enquanto noutros países a lei só permite que os jovens acima dos 18 ou mais consumam bebidas alcoólicas. Resta aos pais e professores ensinarem na interpretação correcta e saudável das mensagens publicitarias e consumistas, cujos produtos são extremamente acessíveis e apelativas, que visam unicamente os jovens. Os lucros da venda de produtos sobrepõem-se á vida dos nossos jovens.

Haverá algum “acordo”/interesses económicos entre o Estado Português e o industria do álcool (lobbies) que seja "ocultado" da opinião publica?

A vida dos jovens não será mais preciosa que os interesses por detrás destes “lobbies” poderosos?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Projecto DADUS



O projecto DADUS foi criado e desenvolvido pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) com o objectivo de apelar e educar os jovens utilizadores das novas tecnologias para questões prementes relacionados com uma utilização construtiva e saudável (ex. privacidade) promovendo direitos e responsabilidades. Abrange escolas e é direccionado aos alunos do segundo e terceiro ciclo.

Conforme podem constatar, no respectivo site, este projecto contempla varias temáticas, cujos conteúdos depois de serem abordados nas escolas podem servir para serem discutidos em casa, entre pais e filhos, e porque não com os próprios professores. Esta poderá ser uma forma divertida e construtiva de trocar ideias e gerar temas interessantes de debate há hora das refeições, ao fim de semana, a caminho da escola ou de casa, reuniões da escola, associações de pais e de jovens, etc. Na minha opinião, considero importante ouvir activamente, com redobrada atenção, o que o seu filho/a pensa e sente sobre este assunto, bem como os amigos dele/a pensam. Tal como é importante para o filho/a saber escutar o que os seus pais pensam e dizem. Os pais são uma referencia e orientação para os filhos.
Por ex. sabemos que a utilização da Internet por parte dos jovens, sem a supervisão dos pais ou adultos, pode constituir um grave risco, visto os jovens terem um acesso ilimitado a todo o tipo de informação e conteúdos.

Para ter acesso ao site basta clicar no endereço e usufruir de toda a informação. Já agora, podias divulgar o site junto de pessoas cuja informação poderá ser útil.

http://dadus.cnpd.pt/

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Resiliência e Alcoolismo

O estudo da resiliência tem me apaixonado e motivado, quer seja na área profissional quer seja na área pessoal. Tenho acompanhado desde alguns anos este “fenómeno” tão interessante e potencial da raça humana, da capacidade de nos surpreender-mos (descoberta e conhecimento interior) e pela auto realização. Muitas das vezes encontramos “forças” onde jamais imaginaríamos possível.

Até recentemente, estudos revelavam que o impacto que pais que consumiam de drogas e ou álcool provocavam nas crianças era unicamente negativo, quer a curto e a longo prazo. Contudo a evidencia revela um padrão diferente no impacto neste tipo de problemas. “De uma maneira geral associava-se, com demasiado ênfase no passado, sérios riscos a filhos de pais que apresentavam problemas relacionados com o álcool quando estes atingissem a idade adulta, todavia a resiliência de tal associação/ligação tem sido menosprezada.” (Velleman & Templeton, 2003. Estudos revelam alguns factores que podem minimizar o impacto negativo de problemas relacionados com o álcool e com drogas. Parece que algumas crianças resilientes não desenvolvem problemas significativos, ou não desenvolvem problemas diferentes de crianças, cujos pais não apresentem comportamentos problema relacionados com o abuso de substancias, quer seja na fase da adolescência que seja na fase adulta; eles próprios desenvolvem as suas próprias famílias.

A resiliência pode ser encontrada num numero identificado de factores de protecção e dinâmicas (processo), que presentes podem ser um apoio benéfico para a criança ou o jovem. Podemos considerar factores de protecção a auto estima elevada e a auto confiança, eficácia pessoal, habilidade em gerir a mudança, apresentar um leque variado de competências capazes de resolver problemas, experiência previa de sucesso e auto-realização, tal como crescer numa família pequena, diferenças de idade significativas entre irmãos, separação reduzida durante o primeiro ano de vida da pessoa mais significativa (ex. mãe), laço/vinculo positivo e forte com pelo menos um adulto num papel protector (ex. pais, irmãos e avós), sistema de apoio positivo por detrás desta relação significativa e envolvimento numa variedade de actividades.

O processo do factor de protecção inclui redução no impacto de risco ( “falsificar” / dissipar o risco ou alterar a exposição a esse mesmo risco), redução na cadeia de reacções negativas, manutenção da auto estima e na eficácia pessoal, presença de oportunidades, bem como, competências, temperamento e valores individuais que contribuam para uma utilização eficiente das habilidades pessoais, estilo e características (combinação / referência) do papel dos pais, apoio de adultos significativos, oportunidades positivas em fases de transição da vida pessoal . Como é que a resiliência pode ser promovida e direccionada nas transições chaves da vida ou é em fases de desenvolvimento. Assim em termos de intervenção com crianças e ou jovens afectados por pais com problemas de consumo de substancias é importante que os profissionais, tenham em linha de conta, qual abordagem que melhor se adapta a cada caso, com base em factores de risco ou em factores de protecção; evidentemente esta abordagem irá claramente depender das circunstancias, todavia pode ser determinante permanecer atento a ambas abordagens.

A resiliência tem que ver com a capacidade de um indivíduo para ultrapassar os traumatismos e construir-se apesar das feridas. O funcionamento resiliente edifica-se através de um jogo complexo de processos defensivos de ordem intrapsíquica e de factores de protecçõo internos e externos. O estudo da resiliência vem completar o campo da psicologia clínica e da psicopatologia ao constituir um novo modelo fundado na abordagem do sujeito encarado na sua globalidade, com os seus recursos e os seus processos defensivos assim como com as suas fragilidades.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Estudo Sobre o Alcoolismo


Estudo
"Segundo o Jornal de Noticias na sua edição de 29 de Dezembro de 2007 publicou um artigo com base num estudo referindo que um baixo nível de endorfinas pode estar na base da predisposição para o alcoolismo crónico, afirmam investigadores da Universidade de Granada, depois de seguirem o caso de 200 famílias daquela zona de Espanha. O estudo provou que a falta desta substancia produzida pelo cérebro, e que actua como uma espécie de “morfina”, é hereditária.
A carência de beta-endorfina, que actua como uma espécie de analgésico, parece determinar a tendência para o alcoolismo. Isso foi verificado em duas centenas de famílias em que pelo menos, um dos pais é alcoólico e indica que além de outras influencias, existe uma base genética para esta dependência.


Ainda que esta possa não manifestar-se, os indivíduos com estas características manifestam maior susceptibilidade de adquirir a dependência. Para o estudo foram analisados também os níveis de beta-endorfina em crianças com idades compreendidas entre os seis meses e os dez anos. Os valores dos filhos de alcoólicos eram baixos".

Segundo o Wikipédia a Beta-endorfina é um neurotransmissor endógeno encontrado tanto nos neurônios do Sistema Nervoso Central quando nos do Sistema Nervoso Periférico. Seus efeitos principais ao ser lançado na corrente sanguínea (o que acontece por exemplo como consequência imediata de certos traumas físicos) são diminuição da sensação dolorosa, e facilitação de sensações de relaxamento e bem-estar.
Encontra-se nos neurônios do hipotálamo, bem como na glândula pituitária. Foi descoberta na década de 1970 pelo laboratório de Avram Goldstein e tem efeitos anestésicos e viciantes similares aos da morfina e da codeína, pois tem afinidade bioquímica com o mesmo tipo de neuroreceptor que estas.


Comentário: Nos últimos vinte anos tem-se verificado grandes avanços no estudo da neuro-biologia da adicção (álcool e drogas) para grande satisfação de todos os interessados. Estes avanços permitem-nos delinear medidas mais eficazes e fiáveis de prevenção e tratamento das dependências. Na área da prevenção, em especial, considero importante a aplicação deste trabalho junto das escolas, famílias e crianças de forma fomentar habilidades e competências geradoras de “novas” atitudes e comportamentos saudáveis e construtivos. Identificados os factores de risco e os factores de protecção será possível desenvolver um trabalho consistente e progressivo, quer no tempo, quer junto das nossas comunidades, facilitando a comunicação, e a sua aplicabilidade no “terreno”, envolvendo investigadores, profissionais e a própria sociedade, incluindo os jovens.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Dopagem de bebidas


Empresários da noite alertam para o risco da dopagem de bebidas
O "drink spiking" consiste na adição de substâncias em bebidas para facilitar roubos ou violações e os empresários da noite do Porto deixam o alerta aos clientes: Há que ter cuidado.
Donos de bares da zona histórica do Porto aconselharam hoje os seus clientes a redobrarem a atenção para o fenómeno do "drink spiking", que consiste na adição de substâncias psicotrópicas em bebidas para facilitar roubos ou violações.
Em comunicado, a Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) enumera um conjunto de "mandamentos" que devem ser seguidos pelos frequentadores dos estabelecimentos nocturnos na passagem de ano, altura "propícia a algumas euforias e excessos", que "poderão ter consequências nefastas".
Não abandonar o copo em circunstância alguma e não aceitar oferta de bebidas por estranhos, sem verificar quem as serviu, são dois dos "mandamentos" enunciados.
Entre outras recomendações, a ABZHP aconselha também a ter cuidado com os "shots", que "devem ser misturados à frente do cliente e nunca compostos em garrafas sem qualquer tipo de identificação".
Em caso de indisposição, após a ingestão de uma bebida, a ABZHP aconselha a que "não se hesite em chamar uma pessoa de confiança ou um responsável do bar/discoteca" e em recorrer aos hospitais.
As substâncias usadas no "drink spiking" são geralmente inodoras, incolores e insípidas, pelo que as vítimas não as detectam.
Entre os dopantes mais utilizados para o efeito contam-se os sedativos, a droga sintética "ecstasy", o LSD, os antidepressivos e os relaxantes musculares.
A um conjunto de 13 mandamentos directamente relacionados com o "drink spiking", a ABZHP acrescenta um outro alusivo ao consumo de tabaco.
"Evite fumar em espaços proibidos, evite gerar conflitos com os fumadores passivos, evite usar todo e qualquer subterfúgio dentro das áreas proibidas e, já agora, aproveite para deixar de fumar", aconselha a associação.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Uso de Pequenas Quantidades de Drogas está "Liberalizado" em Seis Distritos



Falta de pessoal

Uso de pequenas quantidades de drogas está "liberalizado" em seis distritos


Jornal Publico 26.12.2007
Se alguém for apanhado a fumar um charro ou a inalar cocaína em pequenas quantidades no distrito de Santarém pode ter que pagar uma coima ou ser mandado para tratamento, se o mesmo acontecer no distrito de Lisboa, Bragança, Guarda, Viseu, Coimbra e Faro nada acontece. Neste momento há seis distritos do país onde a compra, posse e consumo de droga em pequenas quantidades não tem consequências porque as Comissões de Dissuasão da Toxicodependência (CDT) destes distritos estão sem poder decisório por falta de pessoal.Já este ano foi a vez de a CDT de Coimbra deixar de poder aplicar medidas a consumidores de drogas, mas o processo de perda de poder decisório tem sido gradual. Começou em 2003 com as CDT de Viseu e da Guarda, em 2004 foi a vez das CDT de Faro e Bragança, em 2005 foi a de Lisboa. No início da lei existiam 18 comissões operacionais, agora existem apenas 12.Do total de processos entrados em 2006 (6216), metade ficou pendente (3196), referem dados do Relatório Anual do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) de 2006.Falta de quórumEm 2001, a lei que descriminalizou a posse, compra e consumo de droga até um máximo de "consumo médio individual para dez dias" (no caso da cannabis ronda as 25 gramas) veio tirar estes casos dos tribunais, transferindo-os para as então criadas CDT.O problema é que nestes órgãos as decisões têm que ser tomadas por pelo menos dois dos três técnicos que compõem a comissão - há seis CDT em que ou não existe quórum ou não há qualquer membro. Os tribunais continuam a transferir processos para as comissões, no ano passado foram 524.Na prática, a lei da descriminalização não se aplica em seis dos 18 distritos onde foram criados estes órgãos, reconhece o presidente do IDT, João Goulão. Este responsável afirma que "nos primeiros dias de 2008" serão apresentadas propostas de alteração à lei (ver caixa)."Nesses seis distritos a droga não está descriminalizada, está liberalizada", sublinha o deputado social-democrata Emídio Guerreiro, notando que as CDT foram criadas "como garantia da não liberalização das drogas", com "a preocupação social de tentar que os consumidores deixem de o ser". O problema já é conhecido desde há muito, mas tem-se agravado, diz, e o próprio actual director do IDT, em 2004, fez parte de uma comissão técnica para tentar resolver o problema.

O PSD apresentou em Fevereiro deste ano um projecto de lei que é ipsis verbis a proposta do grupo que Goulão incorporou.

O Partido Comunista também apresentou um projecto de lei, nota o deputado Bruno Dias. "Há muitos meses que andamos a alertar para o problema. O consumidor deixou de ser tratado como criminoso, mas o consumo não poder ser visto como algo irrelevante", afirma. Ambas as propostas foram chumbadas.

Maria Antónia Almeida Santos, que foi presidente da CDT de Lisboa e agora é deputada socialista, afirma que é preciso mudar a lei para agilizar o funcionamento das comissões. IDT não responde, um grupo de deputados do PS mandou algumas sugestões para o IDT, mas até agora nada, critica.

Os membros das CDT tinham comissões de serviço de três anos que não foram renovadas. Por este motivo, e pela desmotivação dos seus membros perante a indefinição, foram esvaziadas.A deputada defende que, com a actual situação, se pode estar a criar "uma ideia de impunidade" e de "desigualdade no tratamento", porque tudo depende da área geográfica em que a pessoa é apanhada a consumir e a comprar substâncias que vão da cannabis à heroína, da cocaína ao ecstasy.O que preocupa a deputada não é tanto a parte de punir os consumidores, porque esse não é o principal objectivo das comissões, mas a do encaminhamento para tratamento de toxicodependentes, que é umas competências das CDT.

Ana Trigo Rosa, responsável pelo Gabinete de Apoio à Dissuasão, no IDT, nota que algumas das seis comissões inoperantes ainda podem encaminhar para tratamento, se os consumidores aderirem voluntariamente; caso contrário "não têm mecanismos legais para actuar": não podem, por exemplo, impor coimas ou ordenar trabalho a favor da comunidade.A responsável do IDT reconhece que "a lei não está a vigorar em pleno", o que pode "levantar um certo sentimento de impunidade". Nota ainda que se "corre o risco de as autoridades mobilizarem os seus recursos para outras questões", algo que ainda não acontece: 42 por cento dos casos foram remetidos pela Polícia de Segurança Pública e 28 por cento pela Guarda Nacional Republicana.

Presidente do IDT critica comissões de dissuasão
Quando em 2001 o consumo de droga deixou de ser crime acenou-se com "uma série de papões", um deles era o de que "Portugal iria tornar-se no paraíso da droga", lembra o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, João Goulão. O que se percebeu pouco tempo depois da sua criação é que a rede de 18 comissões de dissuasão da toxicodependência (CDT), que aplica a lei, está "sobredimensionada, é onerosa, pesada e desproporcionada face à realidade", explica. Defende que a sua existência continua a fazer sentido como dispositivo "de prevenção dirigido a pessoas que ainda estão na fase de namoro com as drogas, para que invertam este processo que as pode levar à dependência". O responsável informa que nos primeiros dias de Janeiro vão apresentar uma proposta, que está de acordo com o que já foi proposto pelo PS. Pretendem que cada CDT passe a ter um decisor em vez de três, só em comissões com maior fluxo de processos, como Lisboa, defende que se mantenham os três membros. As CDT serão também enquadradas nas áreas de influência dos recém-criados 22 centros de resposta integrada (que incorporam os antigos centros de atendimento a toxicodependentes), diminuindo em membros mas aumentado em número.

Comentário: Esta noticia aparenta confirmar a tendência generalizada de se minimizar a importância da prevenção das toxicodependências nas crianças. Será que esta situação seria diferente se as crianças pudessem votar? Isto significaria que os políticos se debruçar-se-iam com maior responsabilidade sobre os problemas preocupantes que afectam as nossas crianças.
Sabemos a maioria dos jovens não consomem substancias mas, existe um grupo de jovens consumidores de drogas, incluindo o álcool, que são potenciais de desenvolverem dependência crónica e que se forem identificados e devidamente acompanhados pode ser possível inverter essa sua disposição para o comportamento de risco.


Mais uma vez, aproveito para reforçar a importância de os próprios pais, em conjunto com profissionais dedicados á causa (Prevenção das Toxicodependências) envolverem-se nesta missão de protegerem e ajudarem os seus filhos a tomarem decisões saudáveis e construtivas nas suas vidas. Não se pode estar á espera que os políticos deste nosso país consigam fazer um trabalho coerente, honesto, exigente e eficiente na área da Prevenção, Tratamento e Acompanhamento das Dependencias.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Prepare O Seu Filho Para Entrar Num Mundo Cheio de Drogas


"Já alguma vez sentiu uma dessas incríveis experiências paternas quando, por um instante, viu claramente quanta alegria, encanto e amor o seu filho trouxe à sua vida? Tive um desses instantes, anos atrás. Quando era estudante da Universidade da Carolina do Norte e o meu filho Danny tinha apenas quatro anos. Numa manhã de Inverno, acordei cedo para acabar um trabalho de fim de período antes do barulho do dia começar.
De repente, Danny saiu correr do quarto, gritando: “Neve! Neve!.” Olhei pela janela da cozinha e vi que o solo estava coberto por um manto espesso de neve fresca. As mãos de Danny tremiam ao tentar calçar as botas e vestir o casaco em cima do pijama. Estava corado e os seus olhos brilhavam. Lá fora, no alpendre, Charlie, o cão, sentiu a excitação e saltava no ar, tentando espreitar para dentro da janela da porta da cozinha. Finalmente, vestido, Danny precipitou-se lá para fora, tropeçou no Charlie e saltou do alpendre, com o cão nos calcanhares. Danny rindo e o Charlie a ladrar, correram pela neve acabada de cair.

Afastei o trabalho para o lado e fiquei sentado à mesa da cozinha, sozinho aquela hora da manhã, e observei o meu filho a brincar. Para ele, era o momento de pura e perfeita alegria. Para mim, era um momento perfeito como pai. Então atras de mim, o radio-despertador começou a funcionar, programado para tocar as sete da manhã. O noticiário dizia que uma capsula espacial tripulada iria entrar de novo na atmosfera terrestre naquela manhã.

Estávamos a meio da década de sessenta e os voos espaciais pilotados já eram considerados perigosos ao entrar em orbita, mas a entrada na atmosfera terrestre ainda causava um período de grande preocupação. Durante este período, os astronautas tinham de sair da segurança em orbita e atravessar um espaço durante o qual não conseguiam comunicar com a terra e os riscos aumentavam.

Enquanto observava Dannny e ouvia a radio, senti um medo vago e frio subir dentro de mim. Depois, Danny riu outra vez e desapareceu da minha vista. Sabia o que me causara medo; vira, algures no meu espirito, a comparação entre Danny e os astronautas prestes a entrar na atmosfera terrestre.

Naquele momento, ele estava lá fora, correndo em círculos no pequeno e seguro jardim das traseiras. Estava em comunicação directa com a família. Estava em orbita, às voltas. São e salvo. Mas também ele, como os astronautas, teria em breve de entrar no mundo. A escola, o desporto, novos amigos e novas coisas a fazer tirá-lo-iam da segurança da sua orbita familiar. Também ele, teria de passar por um período perigoso e sem comunicação. E um dos maiores riscos que o meu filho teria de enfrentar seria a droga. Isso eu sabia, mas pouco mais do que isso. Não fazia a ideia de como o ajudar a preparar-se para isso.

Esta consciência que interrompera e terminara o meu momento perfeito como pai, dera-me uma visão apenas dos ricos que o meu filho teria de enfrentar, e não o que fazer em relação a esses riscos. Só anos mais tarde, depois de Danny ter entrado no mundo e se envolver com drogas, tomei conhecimento das coisas que os pais podem fazer para dar aos seus filhos o saber, a capacidade e a força de que precisam para entrar num mundo cheio de drogas e poderem ultrapassa-lo. Seguem-se quatro amaneiras de ajudar o seu filho durante o tempo em que entra na mundo.

Fale com o seu filho sobre a influencia das drogasFaça com que os seus filhos conheçam todas as influencias das drogas. Diga-lhes que os espera. Use a lista de influencias para dizer ao seus filho o que os outros jovens dirão sobre a droga e a sua utilização. Temos de dizer aos nossos filhos – antes de outros adolescentes lhes dizerem – que o álcool e as drogas podem faze-los sentirem-se bem temporariamente. Temos de permitir que os nossos filhos saibam – antecipadamente – que alguns dos seus amigos irão usar drogas e pressiona-los a usa-las também. Se os nosso filhos souberem o que os espera, isso ajudá-los-á a fazerem planos e a prepararem-se.

Ouça o seu filho
È importante conversar com os nossos filhos sobre o álcool e outras drogas. Mas também precisamos de os ouvir.
Faça algumas perguntas para que eles se abram:
- O que é que pensas das drogas?
- O que mais te preocupa?
- O que estas a aprender sobre a droga?
- Há drogas na tua escola?
Depois ouça. Não debata nem discuta. Ouça apenas.

Ajude o seu filho a preparar-se para dizer «não» às drogas.
Podemos ajudar os nossos filhos a prepararem-se para dizer «não» às drogas, fazendo uma espécie de jogo. Nós assumimos o papel de um amigo ou de outra pessoa qualquer que lhes oferece álcool ou drogas, e deixamos que os nossos filhos se treinem connosco a dizer «não».
Também podemos ajudar os nossos filhos a prepararem-se para se livrarem de situações de consumo de drogas, ajudando-os a planear desculpas para sair dessa situação. Diga-lhes que qualquer desculpa serve, e que esta será confirmada por si. Eles podem dizer, por exemplo, que têm de ir ao dentista, ou que estão á espera deles em casa para limpar a garagem. Diga-lhes para dizer tudo o que for necessário e depois que lhe telefonem. Diga-lhes que irá busca-los a qualquer sitio, em qualquer altura.

Dê amor e apoio
Dizer «não» ás drogas pode fazer com que os adolescentes se sintam perdidos e infelizes. Os velhos amigos vão-se embora, e é difícil arranjar outros. Por vezes, dizer «não» pode causar solidão.
Durante estes momentos dolorosos, o amor e o apoio em casa pode tornar-se vital. Não minimize nem negue a dor do seu filho; dê-lhe apoio, dizendo: “ Eu sei que esta é uma altura difícil para ti. Sei que estás magoado. Quero que saibas que eu apoio a tua decisão de não ingerires drogas, e que gosto muito de ti.”

O amor é muito importante para ajudar os seus filhos a dizerem «não». Infelizmente, quando os adolescentes se envolvem com as drogas, o amor não conquista tudo. Por toda a América do Norte, há milhares de pais cheios de amor que podem dizer isto por experiência própria. Os pais também precisam de ser firmes."

“Os Nossos Filhos Livres da Droga” William Mack Perkins e Nancy Mcmurtie-Perkins


Comentário: Na minha opinião faz imenso sentido um pai/mãe ou pessoa significativa partilhar as suas experiência de sucessos e falhanços em relação à educação dos seus filhos. “Estamos todos no mesmo barco”. Revela o nosso lado humano (todos cometemos erros na educação dos nosso filhos e não somos pais perfeitos, isso não existe. Como não existem filhos perfeitos). Por outro lado, podemos sempre aprender com os erros dos outros e assim criar sinergias duradouras e saudáveis .Tal como este pai, podemos investir na prevenção. È um erro pensarmos que o nosso filho/a estará sempre em segurança (debaixo da alçada da família) em relação ao riscos de exposição e ou consumos de drogas. Hoje em dia as drogas, incluindo o álcool, encontram disponíveis em locais e pessoas que nunca imaginaríamos ser possível. Se não falarmos com sobre este assunto com os nosso filhos alguém poderá faze-lo, mais tarde, com o risco de a fonte dessa informação ser incorrecta, duvidosa e ou confusa.


[1] Algumas razões pelas quais nossos os jovens se envolvem nas drogas: “Todos os meus amigos bebem”; “Não pensei que me acontecesse a mim ter um problema com drogas”; “As pessoas que mais admiro bebem e tomam drogas”; “È proibido e perigoso” ;Televisão, cinema e musica; “Queria ser alguém”; “Está na moda ”; “È ser diferente