quarta-feira, 22 de junho de 2011

Brain Hero. veja o video

terça-feira, 14 de junho de 2011

As Festas de Verão e a Publicidade Agressiva da Industria do Alcool



É recorrente o fenómeno da publicidade e do marketing agressivo em relação ao apelo do consumo das bebidas alcoólicas, da indústria do alcool, entre o mês de Abril e Setembro assumir dimensões desproporcionadas em “palcos sociais” onde destaco a Queima das Fitas, os Santos Populares e os festivais de música. Estes “palcos” movimentam, por ano, dezenas de milhares de pessoas, na sua grande maioria, adolescentes e jovens adultos e são uma fonte de receita (lucro) apetecível. 

São meses de festa e divertimento onde o álcool é encarado como um excelente “lubrificante” na gestão e expressão das ideias e das emoções. Todavia, uma parte significativa e “escondida” está relacionada com o abuso do álcool e de outras substancias psicoactivas licitas e/ou ilícitas, o alcoolismo, com a violência (Ex. bullying), os acidentes, binge drinking, a gravidez indesejada, condução sob o efeito do álcool e/ou outras drogas, intoxicação alcoólica.

Uma notícia no JN do dia 10 de Junho de 2011 despertou a minha atenção. Em letras garrafais referia o seguinte “Arraiais contaminados pela febre das cervejas. Lisboa, marcas estão em todo em toda a parte, nas paredes, eléctricos e quiosques.

Desde 2007 altura em que iniciei o blogue, em particular, um dos temas em destaque, na Prevenção das Dependências, são os adolescentes e jovens adultos, e a forma como a Industria poderosa e milionária do Álcool e os seus parceiros influenciam o fenómeno do abuso do álcool e do alcoolismo, através da excessiva publicidade e do marketing agressivo, na nossa sociedade, já de si extremamente afectada pelo alcoolismo, desde há dezenas de anos (cultura que bebe), e que tem permanecido activo e intocável ao longo das gerações. Isto é, o álcool (substancia psicoactiva, depressora do sistema nervoso central – droga licita) e o alcoolismo (doença referida no DSM - Manual de Diagnostico e Estatísticas das Perturbações Mentais e no CID - Classificação Internacional de Doenças) são fenómenos ignorados e negligenciados ainda em Portugal, a nível da saúde, da prevenção, da vontade dos políticos, da legislação e das consequências sociais (ex. violência domestica, acidentes sob o efeito do álcool, o consumo e abuso de bebidas alcoólicos por menores de idade, a prevenção, o tratamento).

Algumas afirmações reveladoras e preocupantes sobre a negligência e a negação do fenómeno na noticia do JN:
“Em vez dos enfeites de papel, balões, santos antoninos e manjericos nos bairros históricos de Lisboa, em contagem decrescente para as festas, há anúncios a cervejas. É uma espécie de “vírus” que tomou a cidade.”  Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“Eu não quero saber qual é a cerveja melhor, qual é a numero um, acho que é obsessiva a forma como ocupam o bairro. A Câmara fiscaliza tão bem umas coisas e alheia-se de outras” Presidente da Junta de Freguesia da Sé.

“A publicidade está em toda a parte: nos eléctricos que passam, fachadas dos prédios, taipais das obras, caixas da EDP, montras, bancas, esplanadas e varandas de apartamentos a troco de meia dúzia de cervejas grátis. E todo este apelo ao consumo convive, lado a lado, com outros cartazes que recomendam moderação com o álcool. É assim na Sé, Alfama, Castelo ou no Bairro Alto.”

“A guerra entre as duas principais marcas de cerveja (…) começou de forma envergonhada, mas atingiu este ano proporções alarmantes.”

Ambas as marcas questionadas pelo referido jornal afirmaram:
A primeira “opção livre e assumida e que preocupada com o consumo “responsável vai disponibilizar um autocarro gratuito na noite de domingo para segunda-feira.”

A segunda “a visibilidade e os quiosques da marca cumprem um regulamento e seguem todos os procedimentos para obtenção das autorizações legais”, junto da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), organizadores dos arraiais e Câmara de Lisboa”

“A EGEAC não dá resposta. O vereador José Sá Fernandes diz que não há meios para fiscalizar” Presidente da Junta de Freguesia da Sé, acrescenta “é preciso coragem política para regulamentar”

Considerei relevante enaltecer a atitude deste politico, independentemente das cores e ideias politicas, enviei-lhe um email a felicita-lo e aproveito para publicar assim como a respectiva resposta.

Exmo Sr Presidente da Junta de Freguesia da Sé, Sr. Filipe António Osório de
Almeida Pontes

Após ter conhecimento da noticia do Jornal de Noticias da qual o sr fez
denuncia e referencia ao abuso da publicidade e das técnicas agressivas de
marketing, pela Industria poderosa e milionária do álcool e os seus
parceiros, antes, durante e depois dos Santos Populares, visto os cartazes
permanecerem nas paredes "eternamente", venho felicita-lo enquanto
Presidente de Junta e como politico pela denuncia deste tipo de actividade
"ilegal" mas permitida e negligênciada pelas autoridades competentes.

Trabalho na área das dependências desde 1993. Como profissional, pai e
membro da sociedade considero que este tipo de fenómenos incentivam o abuso
de álcool por parte dos jovens (binge drinking - abuso cujo intuito é a
intoxicação -  embriaguez), contribuem para o agravamento da nossa "cultura
que bebe" há dezenas de anos e que permanece activa através das gerações,
com  a agravante de não existirem pessoas e/ou instituições suficientemente
activas capazes de interferirem neste tipo de legislações permissivas. O
lucro não pode ficar acima dos direitos das crianças e jovens adultos. As
lacunas legais existentes não justificam a "contaminação pelo vírus."

Convido-o a visitar os meus blogues sobre a Recuperação das Dependências e
da Prevenção das Dependências.

Só me resta, e mais uma vez, felicita-lo pelo seu "desabafo" impotente e
isolado, mas realista e preocupante, perante o JN.

Atenciosamente

João Alexandre Rodrigues
Conselheiro em Comportamentos Adictivos

Resposta ao email pelo Presidente da Junta:

Agradeço as suas palavras e irei certamente espreitar o seu blog. O trabalho
do autarca deve reflectir os valores do próprio por isso faço-o com a
convicção de quem partilha estas e outras certamente preocupações sobre as
novas gerações e futuro garante da sociedade.

Grato
Filipe Pontes

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Questionário: Jovens Adultos e a Relação com o álcool (Queima das Fitas 2011)



"Assunto: Questionário sobre Jovens Adultos e a Relação com o Álcool
Exmos. Srs. da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAV) e organização da Semana Académica,

Sou um profissional que trabalha na área das dependências - comportamentos adictivos (álcool e drogas). Neste momento, estou a fazer um trabalho sobre os adolescentes (jovens adultos) e a relação com o álcool e gostaria de saber se podem responder a este pequeno questionário relacionado com a Festa Académica.
Lamento ocupar o V. tempo, mas como sabem esta temática é demasiada importante e afecta milhares de lares (famílias, incluindo as crianças) em Portugal.

Aguardo uma resposta tão breve quanto possível.

Atenciosamente,
João Alexandre Rodrigues
Addiction Counselor"

A seguir apresento as respostas enviadas pela Associação Académica Universidade de Aveiro (AAUAV).

Questionário:
1. Qual o numero de aproximado de pessoas que participaram na Festa Académica? Por ex. nos eventos musicais?
AAUAV: O número de participantes no total ronda os 35.000, cerca de 4.000 por dia.

2. Consideram que os participantes na Semana Académica são maioritariamente jovens? Se sim, qual a faixa etária?
AAUAV: São maioritariamente jovens na faixa etária entre os 18 e os 25 anos.
«»
Tendo em consideração que o álcool é uma droga e que o alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal, existe uma "cultura que bebe".

3. Consideram que a Organização da Semana Académica, em conjunto com a Industria do Álcool através de técnicas de marketing agressivo, permitem estimular o abuso de bebidas alcoólicas entre os jovens, visando unicamente o lucro, durante a Semana Académica?
AAUAV: Não. O álcool é encarado não só pelos participantes nas festas académicas como um pouco pela sociedade em geral como um apoio à diversão. O marketing de guerrilha não afecta unicamente as semanas académicas pois verifica-se que o consumo do álcool aumenta nos jovens é cada vez mais cedo. Na semana académica de Aveiro não existe excepções neste caso, ou seja, o álcool também é encarado como um facilitador. No entanto, a actividade da Associação Académica, em conjunto com os seus parceiros, pauta-se não pela proibição, dado o meio em que a festa se realiza, mas antes pela sensibilização e prevenção de comportamentos de risco.

4. Na opinião da organização qual o efeito pratico e efectivo do slogan "Seja responsável, beba com moderação" durante a Semana Académica?
AAUAV:  Este slogan tem um maior efeito prático noutras ocasiões mas nas semanas académicas permite reduzir alguns consumos.

5. Qual o numero de pessoas admitidas nos serviços de saúde por problemas relacionados com o abuso de álcool?
AAUAV:  O número de pessoas não é um dado relevante principalmente por ser reduzido.
«»
Fenómeno Binge Drinking - Abuso no consumo de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez). Por ex. entre os homens o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante dias seguidos e afecta negativamente os comportamentos dos jovens (algumas consequências previsíveis após o Binge-Drinking: acidentes, condução sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência e abuso, doenças sexualmente transmissíveis, intoxicação alcoólica e morte

6. A organização considera que o fenómeno do Binge-Drinking está presente durante a Semana Académica?
AAUAV: Pode considerar-se que é uma técnica usada em pequenos grupos.

7. Consideram que o Binge- Drinking assume contornos e consequências preocupantes entre os jovens, em Portugal?
AAUAV: Esta é uma técnica que poderá ter tendência a aumentar principalmente pelo uso do "shot". Os jovens são mais vulneráveis a esta situação pelo que neles os contornos são mais preocupantes, principalmente pelo conceito do álcool facilitador da introdução social.

8. Quais a medidas tomadas pela Organização da Semana Académica de forma a monitorizar e a prevenir o Binge-Drinking e comportamentos de riscos, assim como o abuso e as consequências negativas associadas ao consumo excessivo de álcool e/ou drogas licitas e/ou licitas?
AAUAV: Como referi anteriormente estamos perante uma faixa etária muito específica pelo que o nosso papel não deve incidir em proibições (excepto as que são realmente proibidas), mas antes adoptar uma postura de prevenção e sensibilização.   O papel da Associação Académica também é formar pelo que damos a conhecer os vários caminhos apelando para aqueles que consideramos correctos. Depois disso a escolha cabe a cada um. Poderá não ser o trabalho mais eficaz mas tem dado os seus frutos.
Agradecido pelo contacto e disponível para outras colaborações.
Atentamente

AAUAV"

Após esta resposta ao questionário constatei ser necessário reenviar novo email de forma a elucidar uma questão importante e central neste contexto sobre o Binge Drinking.

"Boa noite,
desde já os meus agradecimentos pela sua resposta e participação no questionário.

Permita-me só uma pequena questão.

Não referiu as medidas preventivas (concretas) assumidas pela organização quanto ao Binge Drinking e ao abuso do álcool durante as festas. De salientar o número elevado de participantes, como refere "O papel da Associação Académica também é formar pelo que damos a conhecer os vários caminhos apelando para aqueles que consideramos correctos."

O Binge Drinking não é uma técnica mas um fenómeno social entre os jovens, emergente e preocupante, que está a ser estudado, desde o final dos anos 90 nos EUA e em Inglaterra, infelizmente, em Portugal ainda é desconhecido e negado do público em geral.

Estou ao V. dispor para qualquer esclarecimento adicional."

Comentário: Enviei questionários para as mais variadas associações académicas de norte a sul do país, mas infelizmente só obtive resposta da Associação Académica de Aveiro que desde já felicito pela sua participação no questionário da Prevenção das Dependências.
A resposta ao questionário revela a falta de informação sobre o fenómeno Binge Drinking (abusar de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação, embriaguez, e que pode prolongar-se por vários dias) e a inexistência de medidas preventivas.

O abuso do álcool ainda é associado, erradamente, ao lazer entre os jovens e não só. Creio que esta constatação se deve, a uma “cultura que bebe” e também aos esforços da Industria do álcool, através das suas técnicas de marketing agressivo, e à negação e estigma na nossa sociedade. Esta infeliz, mas esperada, constatação justifica este projecto - Prevenção das Dependências. Comente este post.




sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sensibilizar, Alertar e Intervir por Ana Neves


Durante dez meses vivi um grande desafio e uma grande aventura. Estou no último ano do curso de Animador Sociocultural, desenvolvi um projecto final de curso ao qual dei nome “De Que É Que Dependes?”.

Este projecto enquadra-se no tema das dependências químicas e não químicas (uso excessivo de álcool ou drogas e uso excessivo das novas tecnologias), quis trabalhar junto de duas turmas da minha escola, alunos do 1.º ano/10.º ano com idades compreendidas entre os 14 e os 25 anos, de forma a sensibilizá-los e preveni-los para esta problemática social que tanto afecta os jovens de hoje.

             Escolhi a temática das dependências por considerar ser um assunto interessante e que gostaria de abordar de um modo mais aprofundado. O facto de ser um problema social que atinge as camadas da população mais jovem e as futuras gerações, devemos adoptar medidas mais práticas e que mostrem realmente as consequências do uso das dependências químicas e não químicas (uso excessivo de álcool e drogas e uso excessivo das novas tecnologias). Gostava, assim, de intervir nesta problemática através da Animação.

            Acima de tudo quis arriscar. Porque não intervir, como Animadora, num problema social dos dias de hoje? Se um Animador é como um interveniente, porque não? Para mim, a Animação consegue minimizar ou até mesmo resolver uma necessidade, neste caso, alertar para os comportamentos de risco na juventude.

            Realizei actividades no âmbito do debate, troca de conhecimentos e experiências como por exemplo o “Chapéu dos Medos” ou “Diz o que pensas sobre… As dependências!”, experiencias, expressão artística e também duas palestras que esclareceram os alunos e alertaram para os dois tipos de dependência. Porquê duas turmas? Antes de tudo tive que fazer um diagnóstico das necessidades e para isso apliquei inquéritos onde verifiquei que não só haviam mais dúvidas relativamente a esta temática, como também foi possível identificar algum tipo de consumo.

            Trabalhar em conjunto com jovens e acerca das dependências químicas e não químicas foi relativamente interessante e bastante exigente. Não foi um projecto entediante, nem desinteressante e muito menos pouco relevante. A meu ver as duas turmas com que trabalhei, ao realizar quatro actividades, também não o acharam, todas elas não mostraram desinteresse, pelo contrário, mostraram-se disponíveis, activas e abertas ao que iria advir.

            A meu ver, este contributo foi importante para a sensibilização desta temática apesar de considerar que seriam necessárias mais actividades para que o resultado se prolongasse no tempo, ou seja, que os alunos continuassem alertados para esta problemática. Seria necessário mais actividades que envolvessem dinâmicas de grupo, debate e expressão artística, aspectos que verifiquei serem relevantes para os alunos no decorrer das actividades realizadas. Não só seria uma mais-valia para os alunos, mas também para a escola porque iria, sem dúvida, torná-la mais dinâmica e prevenir e sensibilizar cada vez mais a comunidade escolar para os problemas que poderão vir a prejudicar as suas vidas futuras.

            A elaboração deste trabalho final de curso foi bastante importante. Mudou a minha maneira de pensar relativamente aos actos que cometemos e que podem vir a mudar a nossa vida. Mudou a minha maneira de agir com o público-alvo juvenil visto que me tornei próxima do mesmo e passei a conhecer um grupo com que antes nunca tinha trabalhado, por fim, mudou a minha maneira de trabalhar pois passei a ser uma estudante muito mais produtiva, dedicada e empenhada. Em cinco actividades realizadas, penso ter respondido aos objectivos inicialmente traçados: Sensibilizar, Alertar, Intervir.

            Foi muito gratificante ter trabalhado a temática das dependências junto dos jovens e não mudaria nada.

Autora: Ana Neves

Comentário: Nesta sociedade dos adultos cada vez mais consumista e individualista, considero que os jovens têm um papel interventivo na Prevenção das Dependências (Escola, Família, Grupo de Pares, Comunidade, Sociedade). Dedico especial atenção às suas ideias criativas, às suas questões "livres" de preconceitos e estereótipos e à sua motivação na abordagem critica do Mundo dos Adultos, repleto de riscos, mas por outro lado, e felizmente, repleto de oportunidades.  A autora deste trabalho, a Ana Neves, tal como alguns profissionais e instituições envolvidas no terreno, reforça a necessidade de um  maior investimento nesta temática actual e preocupante, derivado à lacuna existente e cujos responsáveis (adultos) aparentam cruzar os braços perante a evidência desastrosa, por exemplo: o insucesso da luta contra as drogas ilícitas, a publicidade e o marketing agressivo da industria poderosa do álcool, vivemos numa cultura que bebe, a inexistência de estudos sobre o binge drinking entre os jovens, campanhas de sensibilização sobre os perigos do abuso do álcool, etc.
Os meus agradecimentos à Ana Neves pela sua participação no Mais Vale Prevenir Do Que Remediar e parabéns pelo seu trabalho. Faço votos que continue a explorar o Mundo dos Adultos, com uma atitude critica e resiliente, na busca de um Propósito de Vida e que consiga contribuir para uma sociedade diferente da actual (crise social). 

sábado, 7 de maio de 2011

O Mundo dos Adultos Não É Seguro Para Algumas Crianças Vulneraveis

Após o nascimento de um filho/a a relação entre pai e mãe sofre uma mudança significativa. Para além de duas pessoas adultas, aparece (nasce) outro ser.
Este ser frágil e carente precisa de todo o apoio, tanto seja da mãe como do pai. Não é propriedade (coisa) de nenhum deles, pertence à vida. Tal como aconteceu aos seus próprios pais.

Siga o link. É Alimento Pro Pensamento.

http://vimeo.com/12489169

Se desejar pode comentar.

terça-feira, 19 de abril de 2011

À deriva na ambivalência (crise)



Mais Vale Prevenir Do Que Remediar procura ampliar a sua acção na divulgação, na informação, no apoio junto do maior numero possível de pessoas e instituições de forma a sensibilizar para a importância da Prevenção das Dependências e na luta contra o estigma, a negação e a vergonha. Desta vez, publiquei um artigo no Portal de Educação (Educare.pt) com o titulo "À deriva na ambivalência (crise)".

Acredito que os nossos jovens (portugueses) necessitem de alargar os seus horizontes e competências individuais e sociais (valores morais e espirituais) e explorar conceitos como o Propósito, o Sentido e o Significado do Rumo das suas vidas, desde o seu nascimento e ao longo do seu desenvolvimento, com o apoio dos pais, família, grupo de pares, da escola e da comunidade. Ao contrario do que vem acontecendo ao longo das  ultimas décadas, onde o consumismo, o materialismo, o ego frenético através do individualismo, assume um papel preponderante na cultura portuguesa e no mundo, um óptimo exemplo é a crise social que actualmente afecta milhares de familias.
Neste preciso momento, enquanto você lê este post, algumas pessoas, incluindo as crianças, estão a sofrer com a perda de qualidade de vida.
 Siga o link. Procure na rubrica designada por A PALAVRA A...  "À deriva na ambivalência (Crise)" e faça o seu comentário.

http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=90393CD55894F36DE0400A0AB8001D4D&channelid=90393CD55894F36DE0400A0AB8001D4D&schemaid=&opsel=2

Os meus sinceros agradecimentos à equipa coordenadora do EDUCARE.pt pela sua total disponibilidade em apoiar o Mais Vale Prevenir Do Que Remediar no seu movimento junto de pessoas e instituições, através do seu site. As crianças são um tesouro demasiado valioso para ser negligênciado.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma Vida Desperdiçada É Demasiado



Sabemos há imenso tempo que os jovens portugueses, tal como a maioria dos jovens de outros países europeus, revelam uma predisposição e uma vulnerabilidade acentuada quanto ao fenómeno do consumo e abuso de bebidas alcoólicas (Binge Drinking – Consumir bebidas alcoólicas com o intuito de ficar intoxicado/embriagado), com idades entre os 13 e os 18. 

Sabemos das consequências para a saúde física e mental, assim como familiar e social. Creio que em menor escala, mas paralelamente, emerge outro fenómeno relacionado com o consumo e abuso de substancias psicoactivas, licitas e/ou ilícitas (drogas). Em Portugal, existe um número preocupante de jovens em risco, cuja tendência pode aumentar nos próximos anos.

Será o consumo e abuso de bebidas alcoólicas considerado ritual tolerado, de acordo com a nossa cultura, para a transição entre a adolescência e a idade adulta? Aceitamos este ritual, impotentes e sem respostas concretas e eficazes para abordar os perigos e riscos, deste fenómeno, na relação com os nossos filhos? Será que como pais, em particular e sociedade em geral, negligenciamos medidas urgentes e preventivas relacionadas com esta realidade? 

Em Portugal, quais as instituições que investigam este tipo de fenómeno e se preocupam em informar o publico em geral?
Dada a relevância e a evolução do fenómeno do Binge Drinking (consumir e abusar de bebidas alcoólicas com o intuito de ficar intoxicado/embriagado) entre os jovens é importante fazer esta pergunta.  Quantas vidas perdidas são desperdiçadas e negligenciadas por causa do álcool?


O Binge Drinking e o Bullying são estrangeirismos de fenómenos estudados noutros países, adoptados por cá? Se são estudados noutros países porque é que não merecem a mesma atenção em Portugal? Por exemplo, a indústria poderosa e milionária do álcool consegue através das suas estratégias de marketing agressivo e publicidade “inundar” eventos e actividades, ligadas ao desporto, à semana académica e à música, onde a maioria dos intervenientes são jovens, adoptando o lema “retrógrado” e ineficaz “Seja responsável, Beba com moderação” descartando as suas responsabilidades, quando na realidade os resultados desta medida são praticamente nulos. Parece que convém que assim permaneça.

Em Portugal, a idade legal para consumo e abuso de bebidas alcoólicas é a partir dos 16 anos. Sabia que o processo de desenvolvimento do cérebro só se completa aos 25 anos? Sabia que o Binge Drinking pode afectar negativamente o desenvolvimento do cérebro dos jovens? Se a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Advogados sabem deste fenómeno porque é que não interferem de uma forma zelosa e comprometida, neste domínio, tal como algumas suas congéneres estrangeiras?

O álcool é uma droga. Em Portugal, o alcoolismo é um problema de saúde pública. Quanto gasta o Estado na saúde? Existe a luta contra as drogas, porque é que no álcool a luta é as pessoas, apesar destas evidências?

Procurei no Google informação através das palavras – Jovens e o álcool. Imediatamente surge: “Jovens e o tabaco, Jovens e o desemprego, Jovens e o trabalho, jovens e o consumismo, Jovens e o dinheiro, etc”. Não aparece nenhum resultado sobre os jovens e o álcool.

O álcool e os jovens. Um único caso, um/a jovem, somente uma VIDA desperdiçada é demais. 

Uma Vida desperdiçada é demasiado quando:

  • Se conduz sob o efeito do álcool.
  • Se adopta um comportamento de risco
  • Pessoas morrem por alcoolismo.
  • Famílias são destruídas pelo abuso de álcool.
  • O risco de cancro aumenta.
  • Existem vítimas de violência doméstica, de abuso, de homicídio relacionado com o álcool.
  • Uma vida é desperdiçada quando essa jovem está grávida.
  • Não se sabe que a ajuda/apoio está disponível.
  • Uma criança cresce numa família afectada pelo álcool e o alcoolismo.
  • Jovens perdem a vida relacionadas com o álcool.
  • Pessoas precisam de tratamento e não têm apoio e recursos.
  • As pessoas vão para a prisão em vez de serem reencaminhadas para tratamento.
  • Acontecem acidentes e outras pessoas inocentes são afectadas.
  • Quando as crianças nascem com o Síndrome Fetal Alcoólico (SFA).
  • Existem acidentes, quedas e incêndios relacionados com o álcool que envolve outras vítimas.
  • Existem casos de suicídio relacionado com o álcool e o alcoolismo.
  • Existem casos onde as pessoas não pedem ajuda
  • Existem acidentes de condução sob a influência do álcool.
  • Existem inúmeros casos de absentismo laboral relacionado com o álcool
  • Ainda não existe a esperança de Recuperação
  • Ainda morrem jovens e adultos desta doença que é possível ser tratada.

Este fenómeno, ser um profissional e também ser pai, justificam a existência deste movimento expresso neste blogue. Se quiser responder às questões colocadas neste post pode fazê-lo, bem-haja.
O Mundo dos Adultos não é seguro para algumas crianças vulneraveis