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terça-feira, 1 de maio de 2018

Negar as evidencias não é um acto responsável.



Gradualmente, a legalização da canábis (resina e planta), vulgo haxixe e erva, sem ser para utilização terapêutica, tem ganho adeptos dos mais variados quadrantes da sociedade; partidos políticos, organizações não governamentais, opinion makers, alguns artistas, comunicação social, etc. Pessoalmente, não sou a favor da legalização da canábis e explico porquê. Não tenho nada contra as drogas, tenho é muitos motivos para estar desacreditado e desiludido em relação às pessoas, refiro-me aos decisores políticos.  Por outro lado, os portugueses não estão suficientemente informados, a nível científico, sobre os efeitos da droga psicoativa alteradora do sistema nervoso central. Quantas aldeias e vilas empobrecidas, principalmente do interior do país, estão informadas a nível científico? Estas pessoas continuam a recorrer aos mitos e tradições retrogradas e desatualizadas, em termos de comparação, acrescento o consumo do álcool, para efeitos terapêuticos, “beber álcool aquece”, “beber álcool alimenta “ou  “beber algo dá energia”, etc. Nestas aldeias, mais depressa se encontra um traficante de canábis, do que luz na rede elétrica. Nas consultas, escuto pais, licenciados, também baralhados e confusos, perante os argumentos, adquiridos na rua ou informação falsa, dos seus filhos que insistem que o canábis é uma droga inócua para a saúde.

Quando penso na legalização da canábis, dá a sensação que primeiro legisla-se e depois legaliza-se ou vice-versa, mas o que importa é a visão mercantilista da coisa de acordo com as leis do mercado (milhões de euros nos cofres do estado em impostos, postos de trabalho, mercado negro, etc) e depois que se lixem, as pessoas e as suas famílias, que apresentam problemas graves de saúde, devido ao uso e abuso da cannabis, por exemplo, indivíduos com surtos psicóticos, depressão e ansiedade. Sabia que a canábis gera dependência psicológica? Numa consulta com Nuno (nome fictício) afirmou o seguinte: “Estou cheio de medo de largar a erva… depois o que é que vai ser de mim??? Acho que não vou conseguir…estou com medo…” De notar que o discurso do Nuno, estava emocionado e assustado, visto, há décadas consumir canábis, diariamente. Para terminar, um dia escutei um documentário onde o investigador fez a seguinte declaração: “O canábis não mata, mas pode enlouquecer. “, subscrevo.

Alguns fatores importantes sobre a Legalização do canábis (Alimento pro pensamento)
  • Condução sob o efeito de canábis. Legislação
  • Legislação no trabalho. Irá o consumo de canábis afetar o rendimento/produtividade no trabalho?
  • Idade legal para o consumo – EUA de acordo com a legislação são 21 anos
  • Indústria milionária -   Marketing agressivo, leis do mercado, concorrência, mercado negro, lucro, outros produtos, por exemplo, confecção de bolos, doces (risco de consumo por crianças).
  • Qual é o nível de THC permitido/seguro para consumo? Sabia que o nível de THC é elevadíssimo comparativamente há 20 anos?
  • Para os pais – orientações científicas sobre o consumo, abuso e dependência psicológica, refiro-me à prevenção e ao tratamento.
  • Escolas – políticas e critérios - orientações para os professores e pessoal não docente.
  • Prevenção do abuso e dependência do canábis – campanhas informativas nos meios de comunicação social.
  • Alternativas aos consumos/abuso de canábis, por exemplo, em festas, concertos, queimas das fita, etc
  • Evidencia científica sob o consumo, abuso e dependência do canábis
  • Posse legal de canábis /Quantidade?
  • Cultivo, produção, fabrico e extração das substâncias psicoactivas a fim de estarem disponível para o consumidor final.
  • Segundo a evidencia cientifica o consumo durante a adolescência aumentou o risco de surtos psicóticos. Nos EUA, um em cada 6 adolescentes que experimentam canábis ficam dependentes. O risco de dependência é maior do que do álcool.
  • Atualmente a canábis é mais potente (níveis de THC agente tóxico activo) comparativamente há 20 anos. Aumenta o risco de dependência?
  • Saúde vs Economia - Decisores políticos – estratégia para a prevenção, o tratamento e a recuperação das pessoas dependentes. O problema não são as drogas, o problema são as pessoas.
  • Trafico, mercado negro.
  • Factos: nos EUA, em alguns estados, o numero de adolescentes que vão as urgências dos hospitais aumentou após a legalização do canábis. Nos EUA o numero de acidentes de viação aumentou após a legalização do canábis.
  • Na minha opinião, Portugal, (principalmente, os decisores políticos) não está preparado para seguir uma estratégia que assegure o apoio às pessoas, às suas famílias e às comunidades, refiro-me á prevenção e ao tratamento do abuso e da dependência do canábis. Assim como não existe um dialogo (pontes) entre a comunidade cientifica e o publico em geral, devido principalmente ao estigma, ao preconceito (e hipocrisia), à negação e à vergonha. Todavia, observo pequenas ações educativas, por exemplo, Ordem dos Médicos, mas para fins terapêuticos.
  • Consumo de canábis durante a gravidez e efeitos para o bebé.
  • Utilize esta lista para abordar o tema com os seus filhos. 




quarta-feira, 21 de maio de 2014

A prevenção é um projecto familiar


A prevenção das dependências de todo e qualquer tipo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas é um tema transversal na sociedade actual. Qualquer pessoa, independentemente, do seu estatuto social, idade, raça, sexo ou religião está vulnerável em relação ao consumo, ao abuso e à dependência de substâncias psicoactivas do sistema nervoso central.

Apesar da prevenção das dependências ser um tema actual e preocupante, em particular entre pais, famílias, escolas, professores e jovens, e na sociedade em geral, todos nós, profissionais e pais lutamos contra o estigma, a negação e a vergonha associados às drogas reforçado pelo preconceito e o estereótipo. Muitas vezes, refiro-me a este exemplo, quando abordo o tema nas escolas e/ou com os pais, são unânimes em reconhecer a vulnerabilidade das crianças em relação a este problema e a necessidade de programas, mas quando são convidados a «dar a cara», aparentam optar, conscientemente pelo silêncio devido ao tabu, preconceito e estereotipo. Creio que um dos motivos deste afastamento está relacionado com o estigma, a negação e a vergonha sobre as drogas: “Os meus filhos nunca na vida irão tornar-se uns drogados ou uns bêbados.” A maioria de nós, pais e famílias, inconscientemente, justificamos este raciocínio; “Estes problemas dramáticos só acontecem aos outros. Estas tragédias só acontecem às famílias desestruturadas, disfuncionais e sem recursos económicos.” Nos dias de hoje, este tipo de justificação negligente do qual nos socorremos para enterrar a cabeça na areia e considerarmos que a nossa família não é desestruturada ou disfuncional, como as outras afectadas pela dependência, pode revelar-se a médio e a longo prazo, um erro grave, porque na realidade e para sermos verdadeiramente honestos, sentimo-nos impotentes, porque não possuirmos um plano ou uma estratégia concreta sobre esta matéria.

Há vinte anos atrás, no final dos anos 80, início dos anos 90, o jovem que desejasse consumir drogas ilícitas revelava-se uma tarefa difícil obtê-las, hoje em dia, qualquer criança ou adolescente, através da internet, na sua casa e junto aos seus pais, pode ter acesso a qualquer tipo de drogas. A procura supera a oferta de drogas, existem drogas para todo o tipo de preferências e tendências.  No contexto profissional, conheço inúmeros adultos, afirmam, as primeiras experiências com drogas, enquanto crianças e adolescentes, foram com medicamentos dos seus familiares

Alguns dados interessantes
Segundo o relatório das comissões de protecção de menores os processos instaurados em 2013 (30.344) aumentaram comparativamente a 2012 (29.149). Aumentaram também os processos reabertos, num total de 7402 e são o dobro das crianças abandonadas. Apesar de até aqui o escalão com maior representatividade, fosse o dos 0 aos 5 anos, em 2013, o escalão com maior representatividade foi o dos 15 aos 18 anos. A exposição a comportamentos, por parte dos adultos, que podem comprometer o desenvolvimento da criança: a violência domestica (agregado familiar), a negligência familiar, a falta de cuidados de saúde, falta de apoio psicoafectivo, a indiferença, os maus tratos físicos.

Após constatarmos estes factos, encontramos motivos, suficientemente fortes para os pais ponderarem sobre a prevenção das dependências desde o berço da criança, ao invés de ser na pré adolescência, nessa altura, pode ser tarde demais. A prevenção das dependências é um projecto da família.

A prevenção das dependências deve ser um projecto delineado 1. Pais 2. Escola e 3. Sociedade.  
O papel da família é importante na prevenção das dependências desde o nascimento da criança. Antes de a criança nascer, a família é um sistema complexo de personalidades e dinâmicas, individuais e colectiva, refiro-me aos papéis, às regras, às funções e convicções que regem a estrutura familiar no seu todo. A personalidade da família revê-se nos padrões e nas espectativas, nos sentimentos, pensamentos, nas suas crenças e tradições. O nascimento de uma criança vem modificar este sistema. 

 Se um membro da família tem um problema ou doença, esta situação dramática não afecta somente o individuo (doente), pelo contrário, todas as pessoas são afectadas, incluindo as crianças. Refiro-me a todo o tipo de adversidade, desde as doenças, acidentes, crise, desemprego, divórcio, adultos dependentes de drogas e/ou álcool, e/ou desilusões e fracassos oriundos dos projectos individuais, profissionais e económicos dos adultos. Nesse sentido, é durante a fase da socialização que surgem os desafios mais complexos na educação da criança, visto nenhuma família estar a salvo da adversidade. Como adultos sabemos, pelos motivos mais evidentes e dolorosos ao longo do devir, que a vida é difícil. Agora, como é que integramos esta questão existencial no plano de educação do(s) nosso(s) filho(s)? Como é que o(s) preparamos para enfrentar a adversidade?

Uma das respostas, residem no meu entender, com as nossas características individuais e sociais, como pais e indivíduos. Ao longo da vida, geramos aquilo que consideramos merecer e essa atitude também se reflecte na família; se considerarmos que somos indivíduos resilientes na gestão da adversidade e dos sentimentos, se considerarmos que somos indivíduos felizes, se possuirmos um propósito e sentido no rumo da vida, a nossa família, também irá colher estes frutos que a sustentaram nos momentos difíceis, caso contrario, se nos considerarmos indivíduos egocentristas e hedonistas, com baixa auto estima, ressentidos e umas vitimas das pessoas e do mundo, estaremos a minar nossa família. É imprescindível que sejamos honestos connosco próprios, a fim de consigamos monitorizar os efeitos e o impacto do nosso comportamento na família, incluindo das crianças. Se o fizermos estaremos a garantir zelo pela estrutura (sistema) familiar. Sabia que uma parte muito significativa do nosso comportamento, para com a família nuclear (esposa/o e filhos), é herdado dos nossos pais, avós ou outras pessoas significativas? Refiro-me às tradições, aos valores e convicções e à vinculação.  Podemos transportar uma herança familiar dolorosa de abuso ou negligência que poderá afectar a vinculação com os nossos filhos e podemos encontrar dificuldades em desempenhar a tarefa de educar e ao mesmo tempo, ser felizes. A nossa educação parental assenta em modelos que conhecemos e nos são familiares. Quais são as regras que nos ensinam para educar os nossos filhos? Ainda recorremos a um método que se resume a experimentar, através da tentativa e erro, isso significa que não dispomos de informação, assim como, aquela informação que possuímos pode estar errada.
 
Por outro lado, sabemos que para se ser uma família feliz, não é preciso ter tido uma educação fora de serie e/ou um possuir estatuto social elevado, basta assumir um compromisso honesto, devotado ao amor e dar o melhor possível.

Um pai e uma mãe comprometida com a educação e a família na prevenção das dependências:
- Dá o exemplo, exerce disciplina (não é ser amigo/a do filho, ele já tem amigos suficientes, os filhos precisam de um mentor e de um/a coach),
- Negocia e comunica o mais abertamente possível sem tabus,
- Desenvolve a resiliência, ajuda os filhos a fazer a auto-regulação dos seus sentimentos dolorosos em vez de satisfazer as suas vontades e os ímpetos da criança porque se sente culpada/o e não consegue dizer Não,
- Ensina a controlar o comportamentos e reforça valores e tradições saudáveis,
- Reforça a auto conceito e a auto estima, não me refiro ao culto do ego ou da imagem.
- Promove uma vinculação com base no encorajamento, no amparo, na pertença e na aceitação (amor).
 
Já referi esta afirmação várias vezes, na prevenção das dependências é urgente uma revolução no sistema e no paradigma actual, nos políticos, nos líderes, nas instituições, famílias e profissionais que zelem e se comprometam pelo futuro dos nossos filhos, porque o mundo dos adultos não é seguro para algumas crianças vulneráveis. Se conseguirmos educar os nossos filhos, se conseguirmos que eles possuam as competências e o talento necessário a fim de usufruírem uma vida plena, teremos conseguido com sucesso a nossa missão, aquela que considero ser a mais altruísta e abnegada de todas, ser pai ou mãe.

Se não formos nós, pais e família, a abordar o tema da prevenção das dependências e do consumo de drogas lícitas, e/ou ilícitas, outras pessoas, que não amam os nossos filhos como nós próprios, vão faze-lo.


segunda-feira, 25 de março de 2013

Onde é que ficamos? Qual é afinal a realidade? Decida você



“Governo recua e distingue vinho e cerveja das bebidas espirituosas. Nova lei proíbe álcool de teor elevado a menores mas mantém os 16 anos para bebidas “leves”. Associação de bebidas e peritos falam em cedência a lóbis. A diferenciação dos limites etários – 16 e 18 anos- consoante o teor de álcool, definida no novo diploma, aprovado, no dia 21/2/13, pelo Conselho de Ministros, veio defraudar entidades ouvidas durante a elaboração da lei para o consumo do álcool. É conhecida a posição de Pires de Lima contra a proposta da proibição alargada aos 18 anos. Pires de Lima é o presidente da Associação de Produtores de Cerveja e também presidente da mesa do conselho nacional do CDS-PP.  ” Lê se na notícia do Jornal de Notícias de 22/2/13. Podemos acrescentar na mesma notícia, segundo o secretário de Estado adjunto da Saúde “(…) a medida tenciona sobretudo impedir a embriaguez dos jovens” Jornal de Noticias, 22/2/13. Esta é a versão dos políticos, dos interesses da Industria do Álcool (lobbies) e que contam com a conivência dos órgãos da comunicação social, sobre o problema de saúde pública relacionado com o álcool. 

Repito mais uma vez, visto ter publicado já este facto no blogue, você sabia que existem um milhão e meio de pessoas que bebe em excesso e metade delas é alcoólica, em Portugal? No artigo do JN, para espanto de todos aqueles que trabalham nesta área e ou das famílias, incluindo as crianças afectadas pelo álcool, o jornalista ainda refere na notícia, “bebidas leves.” Apesar dos média teimarem em confundir a opinião publica e alimentar mitos, não existe este conceito “bebidas leves” quando sabemos o álcool é uma droga psicoactiva.

Reacções à Nova Lei
  • “Há três, quatro meses, a proposta à qual tivemos acesso, o limite de 18 anos aplicava-se a todo o tipo de álcool. Esta proposta não é consistente, o elemento álcool está presente em todas. Não podemos diferenciar o bom álcool do mau álcool. Tínhamos ficado satisfeitos para a subida de idade mínima dos 16 para os 18 anos. A lei parece ceder a pressões de vários grupos. O álcool é sempre prejudicial aos jovens. Na cerveja há também vários graus” George Sandeman, presidente da Associação de Comerciantes e Industriais de Bebidas Espirituosas e Vinhos
  • “Uma cedência total aos lobbies. Esta lei serve a estratégia de fidelizar os jovens para o consumo de álcool – beber desde cedo, para criar hábito. É uma cedência total aos lobbies das grandes empresas e das multinacionais. Estamos a mascarar o problema. O álcool é álcool. É uma medida trágica.” João Manuel Ramos, responsável pela Associação de Cidadãos Auto Mobilizados
  • “A medida fica coxa, é uma medida a medo. Quem trabalha nesta área sabe que se está diante do efeito de pressões. A lei é confusa criando uma mensagem difícil de explicar aos mais novos” Rui Tato Marinho, medico e coordenador de hepatologia da Ordem dos Médicos
Depois de sabermos a opinião dos políticos e da Industria do Alcool, também iremos saber algumas reacções de entidades e os seus representantes, agora vamos abordar o lado realista e negro do fenómeno do alcool e as suas vitimas  Senão vejamos, "Coma alcoólico leva direcção do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA) a suspender praxe. Foram ultrapassados os limites para além do tolerável, João Carvalho presidente do IPCA, em Barcelos, ao comentar o incidente, dentro do campus da instituição, que levou três alunos, em coma alcoólico, ao Hospital de Barcelos após o Rali das Tascas organizado pela Tuna do IPCA, em parceria com a Comissão de Praxe. (…) Os alunos hospitalizados, duas raparigas de 19 anos e um rapaz de 18, já tiveram alta. O caso mais grave saiu apenas na madrugada de ontem” Noticia do JN de 21/2/13

Excertos de uma reportagem publicada no suplemento que faz parte da edição do Correio da Manhã. “Noite de copos. Consumo de álcool por adolescentes em Portugal aumentou. Não há lei que trave.  No grupo de Alberto (nome fictício) já não há menores de idade. O mais novo dos seis rapazes, Paulo (nome fictício), celebrava nessa noite 18 anos. Pelo menos, foi o que disseram. Um afirma que começou a sair à noite aos 14 anos e já apanhou “algumas bebedeiras. O acesso às bebidas, mesmo brancas, nunca foi problema, Nem vai mudar com a lei. Os comerciantes querem é fazer dinheiro e fecham os olhos às idades. E se não for assim, leva-se uma fotocópia do BI falsa, garante Alberto”
“Até dá dó. Às vezes, é preciso sair do carro para tocar às campainhas e pô-los dentro do prédio para chegarem a casa. No outro dia era uma miúda que estava estendida no largo, completamente inconsciente. A que estava com ela só olhava. Ainda saí do carro e fui lá, mas outro colega já tinha chamado uma ambulância” taxista na zona de Santos.
Segundo João Goulão, o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, “(…) diz nada ter a acrescentar, depois de reconhecer, no ano passado, que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou entre os jovens, mas que estes apanham “menos bebedeiras” e bebem” cada vez mais cerveja” num consumo regular.
  • “Álcool é sempre álcool e quando se faz a avaliação de um doente conta apenas o número de unidades que bebe e não o tipo de bebida. Todas são igualmente perigosas” Francisco Henriques, da Unidade de Alcoologia de Lisboa.
  • “Esta lei é cínica e desrespeita o plano que fizemos com o Ministério da Saúde” Albino Almeida, presidente da Confederação das Associações de Pais
  • “Está provado que não se deveria beber antes dos 18 anos por causa do desenvolvimento cerebral” Luís Patrício, psiquiatra
Comentário: O fenómeno do Binge Drinking, que consiste no abuso de bebidas alcoólicas (período reduzido de tempo) cujo objectivo é a intoxicação/embriaguez é um problema que afecta crianças e jovens de todo o Mundo. Alguns países afirmam impotentes; ensinar as crianças a beber moderadamente não funciona, tal a pressão social, cultura que bebe, e as técnicas de marketing agressivas da indústria do álcool com a conivência dos políticos, da ordem dos médicos e advogados, tribunais e dos média. Infelizmente, Portugal inclui-se também nesta lista de países, com tendência para o fenómeno aumentar. Saiba mais sobre o que o Sr. secretário de Estado adjunto da Saúde afirmou recentemente sobre a prevenção e o serviço nacional de saúde sobre o álcool. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Guerra sem fim à vista


“A actual estratégia internacional de controlo das drogas, cujo objetivo central visa um mundo livre de drogas, tem sido implementada no terreno, quase exclusivamente, através do recurso a ações policiais e a sanções criminais. Todavia, através de estudos recentes, revelam, que esta estratégia falhou nos seus intentos. Embora o efeito nocivo das drogas, nas vidas das pessoas e na sociedade, esta estratégia revela-se, excessivamente punitiva e não foi alcançada, em termos dos objetivos da saúde pública e tem contribuído para inúmeras violações dos diretos humanos.” 
  • Anand Grover, comissario das Nações Unidas para os direitos humanos


Sabia que a declaração da “Guerra contra as Drogas” foi anunciada pelo Presidente norte-americano Richard Nixon, em 1971? Passado 41 anos ainda não prevê um fim para a dita “Guerra contra as drogas”, pelo contrário, é um fenómeno universal que veio para ficar, do qual, todos nós, teremos que repensar sobre uma diferente estratégia.

O problema das drogas lícitas, incluindo o alcool e os fármacos, e ilícitas é um problema transversal na sociedade portuguesa. Na minha opinião, Portugal não possui um enquadramento, a convicção e o compromisso politico, cívico, jurídico e da saúde pública capaz de promover uma estratégia, de forma a lidar com os efeitos negativos das drogas lícitas e/ou ilícitas, assim como ser capaz de potenciar um reflexão publica profunda sobre as medidas que pretendemos adotar para o nosso país. Pelo contrário, existe um certo marasmo generalizado. Por exemplo, em relação ao abuso do álcool e do alcoolismo, em pleno seculo XXI, num artigo do Diário de Noticias, de 30/6/12, referia que 70% da população de Barcelos, com idade inferior a 50 anos, é afetada pelo alcoolismo. Considero que os jovens e as famílias portuguesas precisam, urgentemente, de um sistema político com o qual depositem confiança e esperança na luta contra este tipo de epidemia: O problema das drogas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas não acontece só aos outros.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Teen Voice 2010

segunda-feira, 6 de abril de 2009

European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs

Inquerito Europeu de 2007

http://www.espad.org/portugal

http://www.idt.pt/PT/COMUNICACAOSOCIAL/COMUNICADOSIMPRENSA/Paginas/ESPAD2007eECATD2007.aspx

No seguimento da abordagema ao inquerito Europeu de 2007 enviei ao IDT algumas questões que considerei interessantes para melhor "ilustrar" o referido inquerito a nivel nacional.
O email que enviei:

- Exma sra dra Fernanda Feijão
Apos uma leitura ao ESPAD 2007 venho por este meio solicitar alguns dados nacionais referentes a este inquérito.
Metodologia e qualidade de dados a nivel nacional.

1. Qual o numero de amostras realizadas em Portugal?

2. Quantos participantes no inquerito do sexo masculino?

3. Quantos participantes no inquerito do sexo feminino?

4. Quais as escolas abrangidas pelo inquerito?

Resposta enviada pelo IDT. Na minha opinião, a resposta à ultima pergunta ficou incompleta, seria interessante saber qual as zonas do país que correspondiam as 580 escolas envolvidas. Todavia, gostaria desde já de agradecer à Dra Fernanda Feijão a sua disponibilidade em colaborar sobre o assunto em questão.

"Obrigada pelo seu interesse no ESPAD.
Se fizer o download do Relatório Europeu (www.espad.org) terá acesso a toda a informação que solicitou, em inglês.

O relatório em Português (que, para além do grupo etário dos 16 anos, incluirá os resultados para cada um dos grupos etários dos 13 aos 18 anos, e que se designará ECATD) será publicado em finais de Junho e conterá informação detalhada sobre todos os aspectos, incluindo os metodológicos, referentes ao estudo.

De qualquer modo e muito brevemente, aí vão as respostas às suas perguntas:

O ESPAD é um estudo nos alunos do grupo etário dos 16 anos (alunos que completam 16 anos no ano da recolha de dados)

1. Qual o numero de amostras realizadas em Portugal?
Houve uma amostra com representatividade assegurada para Portugal Continental para o grupo etário dos 16 anos, com um total de 3141 alunos.

2. Quantos participantes no inquérito do sexo masculino?
1471 RAPAZES
3. Quantos participantes no inquérito do sexo feminino?
1670 RAPARIGAS
4. Quais as escolas abrangidas pelo inquérito?
708 TURMAS DE 580 ESCOLAS

Fico disponível para qualquer informação completar que julgue oportuna.
Com os melhores cumprimentos
Fernanda Feijão"

Responsável pelo Núcleo de Estudos e Investigação (NEI)
Departamento de Monitorização, Formação e Relações Internacionais (DMFRI)
Instituto da Droga e da Toxicodependência, IP (IDT)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Fim de Semana Radical

A Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica,em Lisboa através do Espaço Jovem, vai realizar um Fim de Semana Radical nos dias 11 e 12 de Outubro, destinado aos jovens com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos.

Quem estiver interessado, pode dirigir-se à secretaria da Junta (Rua Raul Carapinha - perto da igreja das Furnas em São Domingos de Benfica), até ao dia 30/09/08 e inscrever-se.

O preço da inscrição é de 50,00 € e inclui:

Actividades (Fantasticable - maior slide do mundo; Paintball; circuito de obstáculos e bungee trampolins), transporte, alimentação, alojamento e seguros.

Qualquer dúvida contactar o numero 217248610 (extensão 700) ou através do e-mail jfsdbespacojovem@hotmail.com

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Estrategias mediocres de prevenção



Na realidade, as estratégias de prevenção que visem somente fomentar o medo e assustar os jovens não funcionam.

Alguns pioneiros em prevenção têm aprendido ao longo do tempo a identificar quais as estratégias e programas que não funcionam e assumem a responsabilidade de não voltar a repeti-las. Estratégias mediocres incluem abordagens que evolvam o medo, apelos moralistas e abordagens centradas na informação sobre os perigos do consumo de drogas, programas que visem o desenvolvimento da auto-estima e equilíbrio emocional, fóruns, eventos e testemunhos.

Os jovens desvalorizam toda e qualquer informação, bem como o seu apresentador, que procure amplificar os perigos dos consumos de drogas, a informação falsa e/ou informação exagerada (J. Beck, 1998). Golub e Jonhson (2001) reforçam que mensagens exageradas falham o seu objectivo sobre a informação realista, tem o efeito contrario quando os jovens têm acesso a informação e à experiência contraria aquela que lhes é apresentada.

O director do Centro de Estudos para a Prevenção da Violência da Universidade de Colorado, EUA, Del Elliot afirma que “ Muitas das estratégias quando focadas na punição imediata das ocorrências, após os actos/acontecimentos, interferem negativamente nos resultados pretendidos omitindo assim as verdadeiras causas do problema. O violência intensifica-se porque os verdadeiros problemas não são abordados.”

Nacy Tobler (1992) e Linda Dusenbury (1995) resumem alguns factores essenciais numa estratégia de prevenção: foco em alternativas saudáveis, envolvimento dos pares, abordagens interactivas que incluam a pratica de competências e educação de regras de comportamento que promovam e esclareçam a diferença entre a verdade, ex. dados estatísticos, e os mitos.
Um ambiente escolar saudável e equilibrado é atingido através de uma combinação de políticas e procedimentos claros e realistas, de formação continua e apoio direccionado ao pessoal docente e não docente, alunos, familiares e colaboradores dentro da comunidade escolar.
Alguns peritos envolvidos em prevenção partilham da ideia que as energias aplicadas na educação são mais bem aproveitadas através da utilização de “ferramentas” científicas direccionadas na prevenção do que tentar interromper comportamentos perigosos, sem resultados práticos, através da manipulação e/ou punição e condenação.

Ao longo da minha experiência profissional em trabalhar com jovens que apresentam comportamentos violentos obtêm-se melhores resultados se trabalharmos em conjunto, facilitando parcerias, criando sinergias e a comunicação sendo genuínos, tolerantes, honestos e firmes.

Muitas vezes a resistência observada nos jovens começa em nós profissionais, quando colocamos “rótulos”, por vezes inconscientes e só identificados em supervisão, de “jovens difíceis”... “jovens agressivos”... “jovens defensivos”.

Referências: The Colorado Department of Education: Improving Academic Achievement - Safe and Drug-Free Schools and Communities

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A Prevenção das Dependências no Meio Escolar




Uma novo ano escolar aproxima-se, assim gostaria de abordar este tema.

A Prevenção das Dependências no Meio Escolar pode adquirir um estatuto de uma elevada importância na formação pedagógica dos alunos/jovens, professores e pais na nossa sociedade. Numa fase do seu desenvolvimento, os jovens fazem parte de uma população de risco sendo o objectivo central na implementação de programas de prevenção eficientes. Em muitos casos, a escola funciona como mediadora na discussão da temática da prevenção das toxicodependências entre pais e filhos.

Contudo, gostaria de salientar um episódio caricato. Em conjunto, com o conselho executivo foi implementado um programa de prevenção numa escola do Norte. Todos manifestaram um contentamento enorme, quase uma sensação de um alívio, visto a zona da escola ser um local de risco e existirem suspeitas de consumos por parte de alguns alunos. Depois de se iniciar o projecto com os alunos, professores e pessoal não docente, onde todos se mostraram interessados, chegou a altura de envolver os pais, nesta temática. Foram enviados mil convites aos pais para participação no modulo de Prevenção, aproximadamente. Quando chegou o dia da reunião de trabalho apareceram somente seis pais, que por sinal, já tinham participado nos modulos anteriores que estavam direcionados para os professores.

Na minha opinião, aparenta existir uma atitude passiva e permissiva - de negação quanto a enfrentar este problema preocupante, na nossa sociedade. Parece que, só de se falar sobre drogas, as pessoas evitam aparecer ou participar. Aparenta existir a ilusão de que os problemas só acontecem aos outros. Delega-se nos profissionais a responsabilidade de encontrarem soluções “radicais e milagrosas”. O risco das drogas não pode ser encarado como se de “um vírus” se tratasse. Onde o objectivo se centra no seu isolamento e na sua erradicação total. Este tipo de atitude reforça o estigma e a discriminação (negação), associados aos consumos de drogas e alcool e à impotência dos familiares (isolamento, culpa e vergonha), e os resultados são inúteis e infrutíferos.

Só uma presença continuada e consistente de programas de prevenção dentro da escola pode valorizar perfis e atitudes de autonomia em relação à experiência do consumo de drogas e alcool e desenvolver programas que visem reforçar factores protectores. Torna-se assim, indispensável um novo desenho da responsabilidade, do relacionamento e da articulação da escola, da comunidade educativa, dos serviços públicos de prevenção e tratamento das dependências. Devem ainda encontrar-se novos meios de informação acessíveis aos pais, de formação dos educadores e professores e novos conteúdos adaptados aos grupos etários do pré-escolar, do ensino básico, do secundário, ensino profissional e universitário. A multidisciplinaridade, os espaços informais, o recurso aos pares e a atenção especial ao abandono escolar precoce e agressividade (ex. bullying) são igualmente matérias obrigatórias de actuação conexa com a escola e a família.

Cada vez mais, os professores adquirem um papel importante na educação dos alunos. Na sociedade competitiva e consumista em que vivemos, é exigido aos pais um compromisso profissional e individual, que em muitos dos casos, se sobrepõe ao seu papel de educador (modelo) atento e disponível, incapacitando assim o apoio necessário aos seus filhos. Antes, eram os avós que desempenhavam este papel, mas os tempos mudaram.

Durante o meu envolvimento com este realidade sinto que os pais se tornaram mais exigentes, em relação ao papel da escola na educação dos seus filhos, visto estes passarem grande parte do seu tempo nos estabelecimentos de ensino. Neste sentido, a escola adquire um estatuto não só de competências do conhecimento, mas também onde o jovem pode desenvolver competências na sua vertente humana (individual), social e espiritual. Contudo a realidade é diferente. Na minha opinião, o papel da escola centra-se no desenvolvimento de competências intelectuais e morais do aluno, no compromisso com a cultura e integração na sociedade, da formação do cidadão onde permanecem os valores sociais acumulados pelos antepassados, um pouco desactualizados e separados da realidade da sociedade de hoje. Penso que este papel da escola poderia centrar-se também nas competências do ser, na formação das atitudes, das preocupações nos relacionamentos humanos, refiro-me ao papel das emoções e sentimentos (laços e afectos), da auto realização e do insight. Proporcionar um clima favorável à mudança do aluno/indivíduo onde a tendência se concentra no desenvolvimento das relações interpessoais, da comunicação e da espiritualidade.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Prevenção para a Vida


A escola pode servir como mediadora e intermediária na abordagem e na discussão desta temática das dependências entre pais, alunos e professores. Os vértices deste triângulo necessitam de cooperar e reunir esforços, experiências e competências (multidisciplinaridade) nesta luta.
Só um presença continuada e consistente de programas de prevenção podem valorizar atitudes e comportamentos que reforcem os factores protectores ( no individuo, na escola, no grupo de pares, na família e na nossa sociedade).

Considero que os nosso jovens e a nossa sociedade, em geral, beneficiariam se estas estratégias de prevenção se iniciassem nos primeiros anos de vida e se prolongassem por toda a vida. Este tipo de abordagem contemplava todos os estágios do desenvolvimento humano. O objectivo central seria implementar e desenvolver uma cultura onde prevalecem valores e princípios morais, espirituais e éticos geradores de um maior enriquecimento e realização pessoal. É indispensável uma nova estratégia na responsabilidade do relacionamento e da articulação da escola, da comunidade educativa, dos nossos serviços públicos. Criar novos meios de informação e apoio aos pais e novos conteúdos adaptados na formação dos educadores.

sábado, 30 de junho de 2007

A Mudança de atitudes pode ser uma janela de oportunidades



Umas das minhas prioridades na area da prevenção é informar e educar, os jovens, sobre um vastíssimo leque de escolhas positivas e construtivas quando à forma como se podem divertir, gerir os seus conflitos, os seus valores morais, a pressão entre pares, escolher amizades, lidar com as suas emoções negativas (raiva, medo, vergonha, frustração, rejeição, lidar com os seus impulsos, etc), tomar decisões construtivas e gestão do stress sem necessitarem de substancias psicoactivas. 
Também procuro a partilha de informação e a discussão sobre os efeitos e consequências do consumo de substâncias psico activas, licitas e/ou ilícitas, onde o objectivo se centra em desmistificar mitos e valsas crenças. Alguns jovens fumam tabaco para se sentirem adultos e consomem substâncias, incluindo o álcool, para se divertirem. Estas realidades vão continuar, não existem soluções “milagrosas”, todavia, acredito que um projecto estruturado e continuado podemos ajudá-los a fazerem escolhas, no seu dia-a-dia, que promovam o desenvolvimento pessoal e que visem reforçar factores protectores. 


Existem contradições, a droga aparece como a preocupação numero um nos pais em relação aos seus filhos, por outro lado, alguns pais parecem manifestar a intenção de permanecerem isentos do papel de educadores, a tempo inteiro. Constato que os pais manifestam a suas preocupações, reais, relativamente ao possível consumo e ou abuso(consumo problemático) de substâncias, por outro lado quando convidados a participar activamente neste problema parecem excluir-se. Aparenta existir uma atitude passiva e ambivalente por um lado, rígida, controladora e austera, por outro. São os lados da mesma moeda. Este tipo de atitude, na nossa cultura, reforça e promove a discriminação, o estigma, a negação associado aos consumos de drogas. Recordo-me de pais que, após tomarem conhecimento que um filho consumia drogas, a vergonha e o sentimento de culpa, associado à impotência que sentiam, paralisava-os, acabando por afectar todo o ambiente familiar.