Mostrar mensagens com a etiqueta dependencias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dependencias. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Como é que o processo da dependência se desenvolve no adolescente? Por Philip Ward e Patricia Cobertt



«O abuso de drogas , por parte dos adolescentes, precisa de ser compreendido no contexto do próprio desenvolvimento dos jovens. A compreensão do abuso de drogas, pelos adolescentes exige uma abordagem multidimensional; biológica, psicológica, social e espiritual.
De acordo com abordagem multidimensional,  o desenvolvimento da adolescência consiste num período de vida repleto de mudanças dramáticas e transições. A diferença entre adultos e os adolescentes, é que os jovens, durante este período de tempo encontram-se num processo de transições, estando assim, mais expostos aos riscos, perigos do abuso das drogas e consequências negativas, a longo prazo.

A adolescência é um período de transição e caos de acordo com a seguinte lista de comportamentos observados nos jovens:
  • Os adolescentes estão num processo de mudança: da dependência para a independência.
  • Exploram a sua identidade e o autoconceito.
  • As suas experiências intrapessoais (sentimentos, desejos, valores, necessidades) refletem-se nos seus relacionamentos interpessoais.
  • É considerado normal, afastarem-se dos pais e procurar a companhia dos pares.
  • O processo biológico envolve o afastamento dos pais.
  • O objetivo deste processo biológico é a autonomia e a vida adulta.

Porque é que os “bons rapazes” envolvem-se em “comportamentos errados”? Existem pelo menos duas respostas. 1) A resposta é simples, na maioria dos casos, os “comportamentos errados” não produzem sensações negativas. 2) A resposta representa um significado diferente para o adolescente: Qual é o risco de consumires drogas? Para os pais, tudo aquilo que represente um potencial risco ou perigo para os seus filhos, está incluído na lista das coisas “más” e “erradas”. Para os adolescentes, em pleno processo de transição, que procuram integrar-se, explorar a sexualidade, experimentar identidades, curiosidade em estilos diferentes de vida e procurar o afastamento dos pais, os “comportamentos errados”, segundo os pais,  são considerados uma ajuda que pode facilitar o processo de mudança caótico e dramático. Tal como acontece na sociedade, certas normas e regras determinam o comportamento permitido e lícito versus o comportamento errado e ilícito.

Processo da dependência – a introdução à “pedrada”; o individuo estar sob o efeito das substâncias psicoativas.
Os objetivos de um adolescente com baixa autoestima, a que vamos chamar Pedro (nome fictício), deslocar-se a uma discoteca são; parecer “cool” e divertir-se com os seus amigos. Considerando este cenário, como ponto de partida, a dada altura na discoteca, um dos amigos do Pedro, acende um charro, dá umas passas e depois passa ao Pedro que faz o mesmo e passa a outro. Após a primeira experiência ao dar umas passas num charro, o Pedro sente-se diferente e desinibido. Fumar canábis pode atenuar ou neutralizar a ansiedade. Sob o efeito da substância o jovem sente-se desinibido e ligado (identificado) aos seus pares. Tal como já foi referido anteriormente, identificar-se com os seus amigos é um dos fatores críticos do desenvolvimento da adolescência, assim sendo, se os amigos do Pedro consomem drogas o efeito da identificação (pertença ao grupo) é reforçado. O Pedro, pensa, “Afinal fumar canábis não é assim tão perigoso, como os meus pais afirmam…”. Esta reflexão do Pedro poderá ser o fio condutor que o conduza às próximas experiências com drogas, surte um efeito semelhante, durante os primeiros dias de um envolvimento romântico apaixonado. No fim de semana seguinte, o Pedro vai a outra festa, mas ninguém o convida para consumir canábis, o jovem identifica um tipo diferente de sensações, enquanto na festa anterior não sente ansiedade, nesta festa, fica com uma sensação desconfortável e com a sensação de que toda a gente presente na festa, está ciente das suas inseguranças e defeitos (centro das atenções). Esta constatação é acrescida pelo seguinte raciocínio, pelo Pedro: “Se eu fumar canábis, sinto-me seguro e na boa, mas se não fumar, sinto-me desconfortável…”
Nesta fase do processo, em contextos sociais, pode ter havido uma mudança significativa na perceção do Pedro; a procura do efeito desinibidor da canábis. Tudo isto não acontece de um dia para o outro, é um processo e não se resume a somente a um único evento. Tal como acontece com o tabaco, o objetivo dos jovens quando começam a fumar não é desenvolver um enfisema pulmonar ou cancro. Ficar pedrado, não se resume a um processo cognitivo, é um experiencia que envolve todo o ser que prevê todo um conjunto de benefícios, tais como, ter amigos diferentes, desenvolver um tipo de linguagem secreta/código, novas sensações, novos conhecimentos e o consumo de canábis pode revelar-se mais recompensador para o desenvolvimento do jovem adolescente. Agora, o Pedro pertence a uma cultura com mentalidades diferentes e aparentemente foi aceite no seio dos seus pares.

Conhecer o efeito da canábis – “A pedrada”
Nesta fase do processo, o Pedro passa uma parte considerável do tempo a refletir nestas experiências, sensações e efeitos. Está a tentar compreender e a adquirir conhecimento do significado de “estar pedrado”, o que na prática, pode consistir em; como é que pode adquirir o produto, consumir, gerir o efeito da “pedrada” e esconder o consumo de drogas. Todas estas atividades envolvem um tipo de doutrina subjacente a este tipo de cultura. Na perspetiva do desenvolvimento do adolescente, podemos equacionar e comparar esta subcultura à autonomia dos pais, uma nova identidade e a pertença a um grupo de pares. Para quem não percebe nada do assunto, todas estas atividades, exigem energia, compromisso, esforço e segredos. Os adolescentes, não estão neurofisiologicamente preparados para identificar e reconhecer os efeitos negativos do consumo de drogas, principalmente a longo prazo. Consequentemente, todos os adolescentes, envolvidos neste tipo de subcultura, desconhecem os riscos e os perigos. Tal como o Pedro, os amigos que consomem drogas, não estão informados sobre a acumulação sinérgica (efeitos a longo prazo) dos e efeitos negativos do consumo de drogas. Com o tempo, o consumo frequente aumenta o potencial perigo, enquanto por outro lado, a compreensão do adolescente sobre o fenómeno diminui. Enquanto mecanismo de defesa (pensamento distorcido) a compreensão e a perceção do problema diminuem, enquanto o perigo sobre o abuso aumenta, sem a existência da perceção necessária para tomar medidas saudáveis por parte do adolescente. O processo da dependência ocorre a níveis inconscientes e encobertos.
A próxima fase do processo ocorre quando o jovem sente as primeiras consequências negativas do consumo de drogas. Ao contrario do que acontece no período de experimentação de drogas, as consequências negativas ocorrem quando existe uma mudança de atitudes e comportamentos, que o colocam “oficialmente” no clube dos dependentes em risco. Nesta fase, quando o jovem é confrontado com as consequências negativas, tem somente duas hipóteses; 1) desviar-se deste caminho ou 2) continuar o consumo, até ao abuso e a dependência. A opção número dois é percecionada, erradamente, pelo adolescente, como uma forma de neutralizar e negar as consequências negativas.

É admitido o consumo de drogas
Nesta fase, as pessoas, incluindo os familiares e colegas que não estão envolvidos no consumo de drogas, começam a identificar alguns sinais ou sintomas relacionados com o consumo de drogas. Nesta altura do processo, o Pedro está a afastar-se da “vida normal” e a desenvolver uma dependência. Na maioria dos casos, este afastamento do adolescente, é enganador e gera alguma confusão entre os pais ou professores porque do ponto de vista do desenvolvimento, pode ser confundido com a autonomia dos pais e com o relacionar-se com os seus pares – “coisas da adolescência”.
Normalmente, é permitido aos adolescentes, uma maior autonomia e liberdade quando desenvolvem a sua independência, nestes casos de risco/abuso de drogas, revela-se confuso e difícil distinguir entre o “normal” desenvolvimento (cansaço, irritação, mau humor, segredos) e o comportamento adictivo (dependência de drogas).
Os adolescentes, durante o período do desenvolvimento, são constantemente bombardeados com mensagens contraditórias, próprias da cultura, por exemplo, em relação ao álcool. Os próprios adolescentes, encaram o consumo e abuso de bebidas alcoólicas, por parte dos adultos, como algo legitimo e fazendo parte do ritual de passagem para a idade adulta.

O reconhecimento da dependência é um processo, não um único evento
Na maioria dos casos, para os pais identificar o filho/a como um dependente de drogas é um processo que ocorre durante algum tempo. Muitas vezes, este processo de identificação do filho com o abuso ou dependência de drogas é dificultado, por exemplo, devido à falta de informação sobre os sinais e sintomas do abuso e dependência de drogas, sentimentos de culpa e responsabilidade. Por parte dos pais, admitir que o filho/a é dependente de drogas pode desencadear sentimentos de medo, raiva e confusão e este processo de admissão da dependência inicia-se quando as consequências do abuso de drogas se revelam demasiado evidentes, de tal forma que é impossível ser negado.
Considere o seguinte exemplo. Finalmente, depois de tanto tempo, o progenitor assumiu a consciência do problema, permitiu que o filho tivesse abusado de drogas, assim como, passar pelas consequências negativas. O oposto a esta situação, nesta altura, um bom exemplo de parentalidade é decidir, a qualquer custo salvar o filho. A maioria dos pais, não possuem as competências necessárias a fim de abordarem a dependência de drogas e recorrem a instituições de tratamento, que na maioria dos casos não possuem as competências necessárias para abordar a dependência na adolescência.

Focar no processo em vez de no conteúdo
O objetivo consiste na mudança de dinâmica por parte dos pais do jovem. Os detalhes não são importantes para o reconhecimento do problema. É mais eficaz focar-se nas preocupações em vez de dissecar o problema; quem, o quê, quando, onde e porquê. Na fase do reconhecimento do problema, os pais exageram nos detalhes.  Exagerar nos detalhes poderá revelar-se enganador quanto à identificação e reconhecimento da realidade (processo) da dependência de drogas.

A dependência na adolescência no próprio contexto/sistema familiar
Muitas vezes, inconscientemente, para o adolescente, sente que é o causador dos problemas no contexto familiar. No seio do contexto familiar, os seus comportamentos disfuncionais são encobertos, mas são apresentados ao exterior como a causa da disfunção familiar. A dependência de drogas é capaz de gerar ansiedade generalizada, no contexto familiar, responsável por produzir conflitos nas relações interpessoais entre familiares. Se o adolescente está doente, a própria família também irá manifestar os sintomas da doença. Tipicamente, o conflito familiar é um sintoma de que cada membro da família está a sofrer as consequências negativas; isto é, cada membro da família irá contribuir para o problema familiar. Segundo esta desarticulação, vulgo co dependência, é a consequência da família tentar controlar o problema, em vez de cada um lidar com os seus próprios sentimentos. É fundamental que os progenitores separem os seus próprios sentimentos, crenças e ideias das do adolescente. De acordo com a minha experiência, aquilo que um progenitor precisa de fazer, nestas situações caóticas afim de ajudar o adolescente, é em primeiro lugar procurar ajuda para si próprio. 
Aquelas pessoas que se sentem descontroladas, para o exterior, aparentam estar controladas.»

Comentário: Nos casos que acompanho, os pais apresentam dois tipos de reações, perante o conhecimento dos consumos de canábis dos seus filhos. 1) Pavor e impotência ou 2) benévolos e compreensivos. Como existem muitas “teorias” e mitos sobre o consumo de canábis, cada um tem a sua, os pais reagem de várias maneiras. Todavia, uma coisa é referirmo-nos ao consumo de canábis ocasional, num contexto social e divertimento, outra coisa é o consumo excessivo (abuso) ou dependência no contexto familiar e social. Felizmente, a maioria dos jovens que consome canábis não abusa ou fica dependente, escolhe outro caminho, outro rumo diferente, mas existe um grupo de adolescentes, mais vulneráveis, que abusa e fica dependente, cujas consequências negativas manifestam-se no seu desenvolvimento; competências individuais e sociais. Como o processo da adolescência é complexo, revela-se uma tarefa difícil, identificar ou diagnosticar os sintomas do abuso e da dependência.
Gostaria de salientar, um tema abordado pelos autores, que são as consequências negativas, na estrutura e dinâmicas familiares, quando o adolescente é dependente. Nestes casos, a família precisa de se manter coesa e informada a fim de evitar o caos, consequência da dependência da canábis. Caso você identifique sinais ou sintomas que sejam suspeitos, mantenha-se atento: alteração brusca de rotinas e hábitos, fraco aproveitamento escolar, “esconde” os amigos, isola-se da família, agressividade, gasta rapidamente a semanada, cheiro estranho no quarto, pequenos furtos ou mentiras peça ajuda profissional, para a família. Não permita que a vergonha e a negação o impeçam de abordar o tema com profissionais.   
Quanto mais depressa se identificar um problema de abuso ou dependência maiores são as possibilidades de o tratamento surtir efeito.





terça-feira, 1 de maio de 2018

Negar as evidencias não é um acto responsável.



Gradualmente, a legalização da canábis (resina e planta), vulgo haxixe e erva, sem ser para utilização terapêutica, tem ganho adeptos dos mais variados quadrantes da sociedade; partidos políticos, organizações não governamentais, opinion makers, alguns artistas, comunicação social, etc. Pessoalmente, não sou a favor da legalização da canábis e explico porquê. Não tenho nada contra as drogas, tenho é muitos motivos para estar desacreditado e desiludido em relação às pessoas, refiro-me aos decisores políticos.  Por outro lado, os portugueses não estão suficientemente informados, a nível científico, sobre os efeitos da droga psicoativa alteradora do sistema nervoso central. Quantas aldeias e vilas empobrecidas, principalmente do interior do país, estão informadas a nível científico? Estas pessoas continuam a recorrer aos mitos e tradições retrogradas e desatualizadas, em termos de comparação, acrescento o consumo do álcool, para efeitos terapêuticos, “beber álcool aquece”, “beber álcool alimenta “ou  “beber algo dá energia”, etc. Nestas aldeias, mais depressa se encontra um traficante de canábis, do que luz na rede elétrica. Nas consultas, escuto pais, licenciados, também baralhados e confusos, perante os argumentos, adquiridos na rua ou informação falsa, dos seus filhos que insistem que o canábis é uma droga inócua para a saúde.

Quando penso na legalização da canábis, dá a sensação que primeiro legisla-se e depois legaliza-se ou vice-versa, mas o que importa é a visão mercantilista da coisa de acordo com as leis do mercado (milhões de euros nos cofres do estado em impostos, postos de trabalho, mercado negro, etc) e depois que se lixem, as pessoas e as suas famílias, que apresentam problemas graves de saúde, devido ao uso e abuso da cannabis, por exemplo, indivíduos com surtos psicóticos, depressão e ansiedade. Sabia que a canábis gera dependência psicológica? Numa consulta com Nuno (nome fictício) afirmou o seguinte: “Estou cheio de medo de largar a erva… depois o que é que vai ser de mim??? Acho que não vou conseguir…estou com medo…” De notar que o discurso do Nuno, estava emocionado e assustado, visto, há décadas consumir canábis, diariamente. Para terminar, um dia escutei um documentário onde o investigador fez a seguinte declaração: “O canábis não mata, mas pode enlouquecer. “, subscrevo.

Alguns fatores importantes sobre a Legalização do canábis (Alimento pro pensamento)
  • Condução sob o efeito de canábis. Legislação
  • Legislação no trabalho. Irá o consumo de canábis afetar o rendimento/produtividade no trabalho?
  • Idade legal para o consumo – EUA de acordo com a legislação são 21 anos
  • Indústria milionária -   Marketing agressivo, leis do mercado, concorrência, mercado negro, lucro, outros produtos, por exemplo, confecção de bolos, doces (risco de consumo por crianças).
  • Qual é o nível de THC permitido/seguro para consumo? Sabia que o nível de THC é elevadíssimo comparativamente há 20 anos?
  • Para os pais – orientações científicas sobre o consumo, abuso e dependência psicológica, refiro-me à prevenção e ao tratamento.
  • Escolas – políticas e critérios - orientações para os professores e pessoal não docente.
  • Prevenção do abuso e dependência do canábis – campanhas informativas nos meios de comunicação social.
  • Alternativas aos consumos/abuso de canábis, por exemplo, em festas, concertos, queimas das fita, etc
  • Evidencia científica sob o consumo, abuso e dependência do canábis
  • Posse legal de canábis /Quantidade?
  • Cultivo, produção, fabrico e extração das substâncias psicoactivas a fim de estarem disponível para o consumidor final.
  • Segundo a evidencia cientifica o consumo durante a adolescência aumentou o risco de surtos psicóticos. Nos EUA, um em cada 6 adolescentes que experimentam canábis ficam dependentes. O risco de dependência é maior do que do álcool.
  • Atualmente a canábis é mais potente (níveis de THC agente tóxico activo) comparativamente há 20 anos. Aumenta o risco de dependência?
  • Saúde vs Economia - Decisores políticos – estratégia para a prevenção, o tratamento e a recuperação das pessoas dependentes. O problema não são as drogas, o problema são as pessoas.
  • Trafico, mercado negro.
  • Factos: nos EUA, em alguns estados, o numero de adolescentes que vão as urgências dos hospitais aumentou após a legalização do canábis. Nos EUA o numero de acidentes de viação aumentou após a legalização do canábis.
  • Na minha opinião, Portugal, (principalmente, os decisores políticos) não está preparado para seguir uma estratégia que assegure o apoio às pessoas, às suas famílias e às comunidades, refiro-me á prevenção e ao tratamento do abuso e da dependência do canábis. Assim como não existe um dialogo (pontes) entre a comunidade cientifica e o publico em geral, devido principalmente ao estigma, ao preconceito (e hipocrisia), à negação e à vergonha. Todavia, observo pequenas ações educativas, por exemplo, Ordem dos Médicos, mas para fins terapêuticos.
  • Consumo de canábis durante a gravidez e efeitos para o bebé.
  • Utilize esta lista para abordar o tema com os seus filhos. 




quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Os conflitos entre pais, não envolvem os filhos


Qual é o impacto que o conflito entre os pais (e famílias) tem nas vidas das crianças?

A perturbação traumática é capaz de induzir a criança num estado de alerta constante, resposta fisiológica - lutar, fugir, cristalizar, vulgo fight or fly response. Este estado de alerta constante desencadeia a libertação de hormonas do stress no seu organismo, capaz de interferir, negativamente no desenvolvimento (arquitetura) do cérebro. Segundo a Academia Americana de Pediatras afirma que a resposta biológica a este estado de alerta constante pode revelar-se altamente destrutiva e durar a vida inteira. Segundo exames de ressonância magnética em crianças revela que episódios de violência, abuso emocional e/ou sexual, violência domestica ou pais adictos a drogas lícitas e/ou ilícitas, incluindo o álcool, entre outras perturbações traumáticas, podem comprometer algumas áreas cruciais sobre o funcionamento do cérebro. Segundo um estudo conduzido em mais de 17.000 doentes num Hospital de S. Diego (Kaiser Permanente, USA 1998) revela que as pessoas com perturbações traumáticas estão mais predispostas para abusarem de drogas e sofrerem de alcoolismo, desenvolverem doenças mentais, suicídio e cancro.

Como bem sabemos, o conflito faz parte do relacionamento com as pessoas. Quando conhecemos alguém, mais tarde ou mais cedo, iremos desenvolver um conflito com essa pessoa por discordarmos e/ou confrontarmos ou vice-versa. Se imaginarmos o mesmo cenário, mas acrescentarmos o facto de vivermos na mesma casa, “debaixo do mesmo teto”, durante um período considerável, a probabilidade do surgimento do conflito ainda é mais elevada.  Todavia, a questão fulcral é o que é que os pais podem fazer de forma a gerir o conflito sem envolverem as crianças, pelo menos o menos possível. É possível? Sim, nestas alturas de conflito, como adultos, precisamos de recordar que as crianças possuem uma interpretação completamente diferente sobre o conflito e contemplar uma estratégia, “plano de batalha entre adultos” com critérios bem definidos, a fim de salvaguardar a criança de eventuais danos. Convém também salvaguardar que nem todo o conflito gera dano/trauma, mas quando este se revela frequente, intenso e duradoiro, certamente irá gerar consequências negativas na criança. 

Existem evidências cientificas sobre o conflito entre pais, quer estejam a viver em conjunto/maritalmente ou estejam separados/divorciados, revelam que o conflito pode comprometer seriamente a saúde mental da criança, assim como, durante o seu percurso de vida.

Quando houver conflitos, entre pais, ambos ou pelo menos um dos progenitores, faça questão de que a criança não assista à “guerra dos adultos”, explique à criança que é assunto de adultos e que aconteça o que acontecer os pais vão sempre ama-la com honestidade, compromisso e esperança. Os pais são uma referência para o desenvolvimento da criança.


quarta-feira, 16 de março de 2016

«Filho és, pai serás»



« A filha precisa que o relacionamento com o pai seja uma referencia, pela qual irá servir para o futuro, na sua relação com o sexo masculino» Prego & Mommy Chat
Como pais, sabemos os desafios que representa educar e ser uma referencia positiva, para os nossos filhos. Por experiência própria, por vezes, sabemos o quão regredimos porque apesar dos nossos melhores esforços, não existe uma poção magica quanto ao papel de pai. Por outro lado, podemos responsabilizar pelo nosso próprio desenvolvimento moral e podemos fazer imenso em ambos sentidos, aprender com os erros e assumir o compromisso para mudar de atitudes e comportamentos.
Um dos grande desafios, como educadores e referências, é conseguirmos compreender a perspectiva dos filhos e conseguirmos separar os pontos de vista; a deles e a nossa. Isto é, conseguirmos compreender, a nossa experiência ( e vivências) como crianças, na relação com os nossos pais, e o nosso relacionamento com a criança/filho/a. Nas consultas, alguns pais, referem que o seu papel de pais, tem como referencia principal, a forma como foram educados pelos seus proprios pais. Esta situação pode dificultar a nossa compreensão das necessidades, da historia e da vida dos nossos filhos. 
   

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mais vale prevenir do que remediar


Este post faz parte de um email enviado à Deco no seguimento de uma noticia de um jornal que referia a existência de associações de consumidores na Europa que estão a desenvolver campanhas que visam reduzir alguns produtos de elevado conteúdo de açúcar, álcool ou gorduras. O meu especial interesse é direccionado para o álcool, à publicidade e a técnicas agressivas de marketing visto em Portugal existir negligência por parte das autoridades competentes, da ordem dos médicos, ordem dos advogados, tribunais e sociedade em geral quanto às medidas preventivas junto da industria do álcool. A vida das crianças está acima dos lucros e dos interesses das empresas.  
Venho por este meio agradecer a resposta da Deco e aproveito para enaltecer o seu trabalho junto dos consumidores portugueses.


Assunto: Estudo sobre a publicidade ao álcool e os jovens

Exmos. Srs. 
Venho por este meio solicitar o seguinte. Sou vosso associado e um profissional que trabalha na área no tratamento e prevenção das dependências, refiro-me às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e as ilícitas (comportamentos adictivos).  

Há uns dias um jornal diário fazia referência à seguinte notícia "As agências de publicidade em Portugal não estão muito a par do que se 
está a passar na União Europeia. Muitas associações de consumidores querem reduzir alguns produtos com elevado conteúdo de açúcar, álcool ou gorduras. Em certas categorias de produtos querem eliminar as marcas porque acham que isso vai reduzir o consumo" Anthony Gibson, presidente do grupo Publicis. 

Gostaria de saber se têm conhecimento sobre as referidas associações europeias, e os respectivos contactos, envolvidas neste projecto que visa reduzir os produtos acima referidos (açúcar, álcool e alimentos altamente calóricos). Tenho especial interesse em ao relação ao álcool, visto não existir prevenção junto da sociedade (escolas, famílias, grupo de pares e comunidade) e o meu trabalho coincidir com a prevenção. Também gostaria de saber se a DECO já fez algum estudo sobre o impacto da publicidade e das técnicas agressivas de marketing, associado à Industria do álcool, em especial das cervejeiras, cujo target são os jovens. Caso tenha sido realizado solicitava o referido estudo. Caso não tenha feito, porquê?  

Factos sobre sociedade portuguesa:
Como sabem o alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal. O álcool é uma droga (substância psicoactiva altamente adictiva).  Vivemos numa "cultura que bebe." 

Portugal é o único país da EU em que a idade legal para consumo (e abuso) é a partir dos 16 anos. O lema "Seja responsável beba com moderação" é desactualizado, ineficaz e responsabiliza o indivíduo que consome. Desresponsabiliza a indústria do álcool. O álcool é uma droga que gera dependência (doença crónica).  

Estima-se que existam 800.000 alcoólicos e 1.000.000 bebedores problemáticos. Quantas famílias portuguesas, 
incluindo as crianças, são afectadas pelo alcoolismo, ao longo de varias gerações?  

A mortalidade associada ao álcool estima-se como a 4ª causa de morte  (cirrose hepática, neoplasias das vias respiratórias, do aparelho digestivo superior, colo-rectais, fígado, hipertensão arterial, pancreatite crónica, AVC hemorrágicos)  

A violência doméstica está associada ao álcool. Podemos também acrescentar os acidentes viação, as taxas de suicídio, acidentes de 
trabalho, absentismo laboral e escolar, internamentos em hospitais psiquiátricos.

Os contratos milionários na publicidade ao álcool no desporto (ex.  futebol). A legislação existente em Portugal, é permissiva permitindo assim este fenómeno. O álcool e o desporto não se misturam.  

Qual o impacto económico, associado ao álcool, na sociedade portuguesa?  

De acordo com vários estudos, nos EUA e em Inglaterra, a indústria poderosa e milionária do álcool tem vindo a aperfeiçoar as suas 
técnicas agressivas de marketing direccionadas ao público jovem. Estas 
técnicas de marketing, em Portugal, não são supervisionadas pelas entidades responsáveis. Procuram fidelizar este tipo de target às suas marcas para o resto da vida. Existe uma relação entre a publicidade (marketing) e o consumo (por ex. binge drinking - beber álcool cujo intuito é a intoxicação pelos jovens). Aparentemente, não existe vontade política para alterar o rumo deste tipo actuação negligente.  Isto é, o lucro está acima dos interesses e da saúde dos jovens. A vida das nossas crianças é demasiado valiosa para que possa ser negligenciada 

Desde já convido-os a visitar os meus blogues, em especial o da prevenção das dependências, onde podem encontrar mais informação sobre este assunto.  

Aguardo uma resposta, tão breve quanto possível.  

Atenciosamente 
João Alexandre Rodrigues 
Conselheiro em Comportamentos Adictivos 
Addiction Counselor (Art of Counseling) 

Resposta da Deco
Exmo. Senhor,

Acusamos a recepção do seu e-mail, que agradecemos.

A redução dos teores de vários nutrientes, nomeadamente açúcar, sal e gordura tem sido uma preocupação das diferentes organizações de consumidores, nomeadamente das europeias. No entanto, desconhecemos o projecto específico que refere na sua comunicação e consequentemente quais as associações que estão envolvidas.

O nosso trabalho relacionado com os consumos abusivos do álcool e alcoolismo é um assunto que tem merecido a nossa atenção e sobre o qual temos vindo a desenvolver, já há vários anos, um trabalho a vários níveis:

- Junto dos consumidores, através dos conteúdos nas nossas publicações e no site (artigos em anexo sobre “ Venda de álcool a menores e “Hábitos de consumo de bebidas alcoólicas)
- Junto das autoridades e agentes do mercado, nomeadamente através da nossa participação no Fórum Álcool e Saúde, que decorre do Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool.

O mesmo se passa em relação à  redução dos teores de açúcares, gorduras e sal. Para além dos vários artigos que temos vindo a publicar sobre estas temáticas e nos quais apelamos sempre para uma redução dos teores destes nutrientes, participamos na “Plataforma contra a obesidade”.


Sem outro assunto de momento,  enviamos os melhores cumprimentos.


Atentamente

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Menos Medicação


Menos Medicação - Mais Amor, Menos Doença: A Esperança da Criança.

“Um infinito ardor
Quase triste os veste,
Semelhante ao sabor
Quen tem à noite o vento leste.
Bailam na doçura amarga
Da tarde brilhante e densa
Tem a morte em si suspensa.”  Sophia de Mello B. Andressen


Foi numa manhã fria, com a neve que rodeava o hospital, fazendo das suas paredes brancas a continuação do nada que se sentia lá fora. Logo de manhã, no hospital de pedopsiquiatria estava a equipa à espera das novas listas de pacientes, sem os conhecermos demos-lhe um rumo. A Maria pertence ao sector da Via Emocional, o Pedro ao sector da Via de Condutas de Comportamento e a João à Via do Neurodesenvolvimento.

Foi-me entregue o João, aquele que eu vou delinear um rumo, mas que não escolheu o seu destino e nunca cheguei a ver a sua cara. No relatório clínico especifica que é muito activo, com problemas de concentração e hostil para com os seus colegas. Parece mais um caso a juntar a muitos outros. Mas quem é ele? Como será a sua cara? Qual è a sua história que nem ele provavelmente pode fazer senso de sonhos perdidos, idealizações que cairam aos pés dele como areia que se escapa por entre os dedos, como foi forçado a não amar aquilo que sente?
Tais questões não são práticas, só possuímos cinco a sete minutos para decidir o que vai acontecer ao João, como, possivelmente, o iremos tratar e uma agenda de 20 minutos para escolher a medicação certa, diz então assim o Pedopsiquiatra.
Decidi ir à escola do João, que tem cinco anos de idade. Falei com a professora e ela disse-me que realmente algo se passa de errado com ele pois é quase ímpossivel de o ter na aula, distrai os alunos, e sai do seu lugar constantemente, distraindo assim, os colegas e é muito difícil de controlar. Agradeci-lhe o seu tempo e pedi para ver o João.

Apresentei-me ao João e perguntei-lhe se queria brincar por um bocado. Ele perguntou-me “Brincar? Porquê?” eu respondi-lhe que era para o conhecer melhor. Não houve resposta.  Gostaria de acrescentar que uma criança que não tem prazer em brincar, e que por espontaneidade vontade, não sente o benefício do que é fazer um elo/vínculo para com outra pessoa que manifesta interesse em si, essa criança perde a sua essência.

Mas será ele próprio que não tem interesse em brincar, ou será que lhe retiraram a capacidade de se vincular com alguem, até mesmo dentro de um sitio onde ele se sente seguro em termos físicos, por ex a escola?
Tentei então falar com ele, mas ele limitava-se a responder “Não sei…”.

Qualquer bebé de quatro meses, com um desenvolvimento normal, começa a compreender que o seio da mãe que o alimenta lhe proporciona segurança, que lhe promete uma vida com amor, consegue conceptualizar que esse mesmo seio, é aquele que lhe dá frustração, aquele seio que nem sempre pode estar presente quando ele quer, que projecta nesse seio o mau que há no mundo, e é nesse periodo, em que a frustração é regulada por uma mãe atenta, e assim, começa a ter noção que o seio bom é ao mesmo tempo o seio mau, que a qualidade e a percepção do que é o amor se transforma no psiquismo do bébé, e a ambivalência, se for bem regulada pela mãe, se transforma pouco a pouco em paciência, e o amor, acima de tudo, prevalece.

No caso do João, diagnosticado com Problemas de Comportamento com comorbilidade com Hiperactividade, fica um recluso, um problema, mais um alvo de um plano de comportamento do qual fico responsável por delinear. Ou seja, estamos a ser reactivos ao problema, ao invés de elaborar estratégias práticas de prevenção. Num modo existencial, somos iguais ao João no modo de reagimos.
Se analisarmos a história do João, há sonhos perdidos, amores paternais não correspondidos por idealização e narcisismo paternal, mas no final, o doente é o Joao...

Agora, que a sua coerência cerebral já foi mudelada para a reactividade com poucas possibilidades de apaziguamento cortical, cabe-nos a nós profissionais, transformar um cérebro de uma criança, em que a memória de todo o trauma que não é visto a olho nu, já se estende pelo seu sistema periférico, gravado nas suas celulas, com uma expectativa de perigo séria instalada. 

Por quanto tempo vamos ser reactivos e não estabelecer estratégias familiares de prevenção? Quem mais tarde vai suportar e pagar estas consequências é a sociedade. Por ex. hospitalizações, instituições, consultas, etc.

A minha preocupação, além da infelicidade da criança, é o modo estas crianças são encaradas perante uma sociedade negligente, visto não possuir conhecimento actualizado, e respostas concretas, sobre o problema destas crianças, assim como recursos necessários. Pensarmos que basta arranjar uma vinculação segura (instituição e/ou família), tudo o resto irá correr bem, assim fala a arrogância da ignorância.

Muitos dos casos podem ser resolvidos nos primeiros dois anos de vida, mas quem pensa “Ah, estes problemas de comportamento são normais da idade.” acaba por “assassinar” o desenvolvimento saudável da criança. A criança precisa de acreditar que no futuro consegue ser feliz, que consegue ter relações de qualidade, que aprende a perdoar, e muito mais importante, e o cerne de tudo, consegue amar aquilo que realmente sente. 

E depois negamos toda essa responsabilidade com medicação, não para resolver o problema mas sim para o adormecer e nao nos aborrecer muito.
Mas, e a felicidade da criança?

Dr. Miguel Estrada 
Extracto e traduzido do artigo “What about me?” publicado em 2009 na CAMHS (Child and Adolescente Mental Heath Service), Inglaterra.

Comentario: Os meus agradecimentos ao Dr Miguel Estrada pela sua colaboração no "Mais Vale Prevenir Do Que Remediar". Na minha opinião, a sociedade portuguesa ainda não presta os devidos cuidados às crianças. Algumas crianças vulneráveis são negligenciadas, com a conivência de alguns adultos.  Arrisco a afirmar que, provavelmente, se elas votassem e tivessem participação civica e jurídica nos tribunais, por exemplo se houvesse um tribunal para julgar adultos, a realidade seria diferente. Uma noticia no JN, de 20/10/2011, referia, segundo o presidente do grupo Psiscolas, a orientação do Ministério da Educação, para este anos lectivo quanto à contratação de psicólogos para as escolas, possa significar que um psicólogo tenha de prestar serviço em dois ou três agrupamentos escolares, um rácio de "um técnico para mais de cinco mil alunos". Caso se venha a concretizar esta situação preocupante, recordo a frase do dr Miguel Estrada "Mas, e a felicidade da criança?"


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Leaked footage of Corporate Tobacco Man

terça-feira, 8 de junho de 2010

World of Warcraft Addict

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Frases soltas e com significado


Frases soltas e com significado na Prevenção das Dependências (Adicção)
Estas frases fazem parte da linguagem que define a nossa missão - uma cultura diferente e activa na Prevenção.
2008

Fev. – Ser um exemplo/modelo para os filhos não significa ser perfeito.


Mar. – Família: Organização e gestão de talentos.


Abr. – Prevenção: Desafio, Evolução e Aprendizagem constante.

Mai. – Prevenir é procurar a verdade (factos) sobre o consumo de álcool e outras drogas.

Jun. – Linguagem dos sentimentos: Desafio na prevenção entre adultos e crianças.

Jul. – Ser pai/mãe é diferente de ser amigo/a.


Ago. – Verão/Férias. Oportunidade para descobrir e aprender sobre o estado de “saúde” da família.


Set. – Alteração da lei que permite a publicidade, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas aos jovens.


2009
Jan. – Em tempo de crise é altura de encontrar soluções realistas – S.O.S.

Mar. – Somos únicos e autênticos – essa inusitada característica humana.

Mai. – Instituições, Pessoas e recursos geram competências e talentos.

Jul. – A negação não é seguramente uma atitude proactiva.


Na sua opinião, qual destas frases melhor enquadra o conceito de Prevenção das Dependências? Vote na sua preferência e envie um email para xx.joao@gmail.com
Se desejar pode participar com frases suas que podem ser utilizadas no futuro, aproveite

terça-feira, 29 de julho de 2008

Livre de Fumos




Em 2008 o tema da Campanha “JUVENTUDE LIVRE DO TABACO” expressa a preocupação crescente da Organização Mundial de Saude (OMS) em estabelecer estratégias de combate às campanhas publicitarias “agressivas” da indústria tabaqueira ao eleger subtilmente o público jovem como “alvo” dos seus produtos de forma a manter os seus lucros, uma vez que o público adulto além de já estar conquistado, está dependente e mais próximo contrair doenças associadas ao consumo de tabaco.

Uma parte dos jovens iniciam o consumo do tabaco em tenra idade.
È do conhecimento de todos que o tabagismo constitui um dos maiores factores de risco de morte evitável, gerando várias enfermidades. Estas conclusões, por si só são suficientes e preocupantes podendo conduzir a medidas preventivas quer sejam implementadas no presente e/ou no futuro promotoras de qualidade de vida dos jovens.

O fumo é responsável por:
30% das mortes por cancro;
90% das mortes por cancro no pulmão;
97% do cancro da laringe;
25% das mortes por doença do coração;
85% das mortes por bronquite e enfisema;
25% das mortes por derrame cerebral e por
50% dos casos de cancro de pele.

De salientar que a grande maioria destes casos (doenças/morte) acontecem na população adulta. Por isso, é necessário “recrutar/aliciar” novos consumidores, de preferencia jovens que até atingirem a idade adulta vão contribuir significativamente para os lucros do industria tabaqueira, e alguns mais tarde iram fazer parte da lista "negra" das estatisitcas de doenças e mortes associados ao tabaco.

Durante a gravidez

O tabagismo pode atrasar a concepção, e durante a gravidez pode afectar de modo negativo o feto. Os recém-nascidos das mães fumadoras pesam menos que os das não fumadoras. O tabagismo materno durante a gravidez pode afectar a médio prazo o desenvolvimento físico e intelectual da criança.

Na minha experiência profissional constato que a grande maioria , diria 98% dos dependentes de drogas e/ou álcool e jogo compulsivo, que acompanhei e continuo a acompanhar, são fumadores que iniciaram os seus consumos durante a fase da pre-adolescencia.

Será que o consumo do tabaco pode “abrir um caminho”, a nível neurológico, para outras substancias adictivas (ex. cannabis, heroina, cocaína, álcool) e geradoras de dependência? Na minha opinião, a resposta a esta questão é sim.
Ensina ao teu filho/a outros hábitos e comportamentos mais saudáveis (ex. actividades físicas, leituras, passeios, contacto coma natureza, etc). E muito importante; sê um modelo - - não fumes.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Adolescência as Drogas e o Alcool


A dependência de substâncias psicoactivas (adictivas) consiste na adicção ao álcool e ou outras drogas lícitas e/ou ilicitas. È uma doença progressiva, primaria e se o processo destrutivo não for interrompido pode ser fatal.
Algumas diferenças sobre a dependência de químicos/alcool nos adolescentes e nos adultos:
- A dependência nos adolescentes é algo mais complexo.
- Competências insuficientes (experiência de vida) em lidar com a adversidade.
- A dependência química envolve a relação com os pais.
- O desenvolvimento ainda se encontra em transição (neurológico/físico/psicológico)
- Maturação sexual
- Período da frustração / raiva

Factores que podem contribuir para a adicção na adolescência:
- Insuficiente desenvolvimento espiritual ( valores e crenças)
- Saúde mental débil
- Sociedade que reforça e encoraja o uso de drogas lícitas, álcool e tabaco (publicidade)
- Curiosidade e ou fazer experiências com drogas
- Uso de substancias psicoactivas/ Abuso de substancias psicoactivas/ Adicção /Dependência

Algumas características encontradas em adolescentes adictos:
Abuso de nicotina e historial familiar com dependência de substâncias psicoactivas/alcoólico

Inexistência de um paralelo evidente para o desenvolvimento da adicção:
- Idade em que consome pela primeira vez
- Família disfuncional vs. família estruturada
- Inteligência (Q.I.)

Características da personalidade
- Desenvolvimento social e maturidade emocional demorada,
- Aparente resistência no desenvolvimento do superego/consciência,
- Tendência para o narcisismo,
- Baixa de auto estima,
- Fraca percepção e falta de autocrítica em comportamentos de risco (testar limites) e consequências negativas,
- Estados de humor instáveis, frequentemente identificados como depressão,
- Incapacidade de lidar com a realidade (ainda não está claro o porquê , mas parece que aqueles que usam drogas psicadélicas (alucinogénicas) já eram adolescentes instáveis antes do uso destas substancias.
- Paranóia e inadaptação sexual
- Capacidade de aprendizagem inadaptada (talentos e habilidades pessoais, insucesso escolar) e uso de químicos: muito comum
Desenvolvimento da maturidade e da autonomia

O uso de substâncias psicoativas/alcool afectam o processo :
1. Alterações físicas
2. Auto-conhecimento; modifica do concreto para o abstracto
3. Relacionamento entre pares
4. Relacionamento heterossexual
5. Autonomia dos pais
6. Identidade do “papel” sexual
7. Valores morais
8. Carreira profissional
Os adolescentes são portadores dos rituais, dos valores, da dinâmicas e do historial familiar.
Será que a família do dependente substâncias psicoactivas revela características negativas? Comportamento destrutivo? Conflitos?

Algumas características de uma família estruturada (saudável):
A família saudável comunica e ouve.
A família saudável reforça o positivo e apoia-se uns aos outros.
A família saudável ensina o respeito pelos outros.
A família saudável desenvolve o sentido de confiança.
A família saudável tem sentido de humor.
A família saudável partilha o sentido de responsabilidade entre todos.
A família saudável ensina o certo e o errado.
A família saudável tem rituais e tradições.
A família saudável é equilibrada na interacção entre os seus membros.
A família saudável desenvolve uma crença religiosa e/ou espiritual (não religioso, ausência de dogma e divindades).
A família saudável respeita a privacidade dos outros.
A família saudável valoriza o serviço para a comunidade.
A família saudável partilha as refeições e valoriza a comunicação entre os seus membros.
A família saudável partilha o tempo livre entre os seus membros.
Admite e procura ajudar nos problemas.

Aquilo que as famílias vêem nos jovens antes de admitirem que existe um problema de abuso/dependencia de substâncias psicoactivas / álcool.
1. Alteração da comportamentos na escola (absentismo)
2. Mudança súbita no padrão social
3. Secretismo sobre as amizades e as actividades
4. Alteração nas relações familiares
5. Alteração reconhecida na personalidade (atitudes e comportamentos)
6. Deterioração na aparência física
7. Problemas com a lei
Estilo de vida centrado no uso de drogas lícitas, incluindo o álcool e as drogas ilícitas.
Como reconhecer quando um adolescente é dependente? Observar o padrão de comportamentos em relação aquilo que é dito sobre as questões importantes na sua vida.

Assuntos básicos num adolescente "normal":Conquistar a independência no seio familiar,
Aceitação dos seus pares e definição de limites,
Amor e sexo,
Talentos e habilidades pessoais; trabalho e sentido de humor,
Formação de valores e moralidade,

Assuntos básicos num dependente substâncias psicoactivas /alcool:Ficar “pedrado”,
Manter o seu “stock” de drogas e ou alcool,
Aceitação dos seus pares,
Não ser “apanhado”,
Manter as pessoas, familiares e ou pessoas significativas, longe do seu problema


O adolescente que atravessa o seu processo de desenvolvimento saudavel deve estar sóbrio. O processo de crescimento mais lento naqueles que apresentam uma predisposição para se tornarem adictos. Um adolescente com 18 anos que normalmente usa substancias psicoactivas, desde os 13, apresenta um padrão de pensamento e emocional de um adolescente de 13 ou 14 anos. Estudos recentes revelam que aqueles indivíduos que consomem haxixe ou outros cannabinoides, ao longo da vida, apresentam alterações na estrutura do seu cérebro. Isto é, se compararmos o cérebro de um consumidor de cannabinoides com o cérebro de um individuo não consumidor, o cérebro do consumidor revela algumas diferenças ao nível do seu desenvolvimento e funcionamento.